sábado, 30 de setembro de 2017

MEDÍOCRES

 A INVASÃO  DA MEDIOCRIDADE

João Joaquim 


E assim foi tomando o seu (dela) lugar a digníssima mediocridade. Ela aproximou-se do erudito, do clássico, do mérito, da qualidade, do formalismo, do bom gosto e os escorraçou a todos. E tudo feito de modo insidioso e aderente. Aliás, tem essa senhora constituído até um sistema de governança, a mediocracia. E quem comanda são alguns próceres do sistema, os mediocrões e os mediocráticos.
O processo de mediocrização chegou a tão alta eficiência que ele permeia em todos os setores da vida social. Temo-lo na culinária ou gastronomia, na religião, nos gostos culturais (ou contraculturais), no entretenimento e sobretudo na política.
Na verdade a mediocridade não existe por si só. Alguém a traz bem definida e sustentada em seus hábitos, atitudes, condutas e comportamento. Ela passou a ser um estilo de vida e de apresentação .
Vamos objetivar e pontuar alguns modelos bem encontradiços da invasão ou vigência do sistema mediocrático.
Na arte musical por exemplo. O medíocre do sujeito, do nada se propõe a compor e cantar. Ele se tatua, se espeta de brincos e piercings, boné ao avesso, violão a tiracolo e começa a berrar com toda zoeira. As letras de suas músicas são aquele rosário de abobrinhas, umas frases sem nexos, que falam de drogas e sexo e outros termos desconexos . Aos poucos tais criações já estão no palco, no AM e FM e recursos de streaming.
E creiam, fazem sucesso e seguidores. E acham pouco? Continua a mediocridade. Daqui a pouco, tem empresa de mídia e televisão tocando o contratando o intitulado (a) artista; e a venda e escores de tais esquisitices alcançam o topo das paradas de sucesso. Parada indigesta para o bom gosto é ter que engolir tais criações.
Agora no outro polo de tais famas estão os consumidores que fomentam tais medíocres. É a inserção, o pertencimento desses tais e quais ao sistema da mediocracia. Tal funcionalidade só se vinga pelos seus lídimos e legítimos representantes. Os mediocastros e castrados de algum valor.
No mundo das artes plásticas, na cenografia, do teatro e das ciências e letras. A mediocridade tem buscado o seu assento em todos os cenários da vida . Vida que chamam de modernidade. Ela parece não ter limites. O autor faz lá algumas compilações, notas biográficas e assentos e se arvora ao direito de escritor. Para esses tais bem que se podia criar uma academia brasileira dos imbecis (ABI). É muita presunção para zero de significação.
E não fica por aqui a influência da mediocrização. No âmbito profissional superabundam os mais variados tipos. Nenhum ramo do mercado escapa a tais e quais medíocres. Ainda há pouco eu deparei com um médico que formado (talvez deformado) numa tal uniesquina( faculdade de esquina)  se propunha a curas nunca vistas e outras terapias sem embasamento científico. Fez-me tal tipo medíocre lembrar do Dr Simão Bacamarte, da Vila de Itaguaí, que se encantou com um recanto da Medicina, o recanto cerebral e psíquico. ( Leiam essa história em O Alienista de Machado de Assis).
O mais que fiz foi resguardar alguns clientes do risco de acreditar em tais promessas de curas, só por leituras de outros charlatões.  
E não fica apenas nessa classe de profissionais na arte da cura. Se a pessoa se  der ao trabalho de  procura, na certa muitos outros magarefes, mequetrefes, biltres e parlapatões  hão  de se encontrar pelos cantos e becos das cidades.

Por fim não se pode deixar de menção que essa assanhada e intrusiva senhora vem dominando a vida política brasileira. É ali, aliás, onde achou guarida e outras comparsas, entre essas a tão decantada e repulsiva corrupção. Destarte o que me resta é bradar em alto e bom som: morra a mediocridade nas cenas do Brasil!  Setembro /2017

COTAS MINORIAS

SOU CONTRA AS COTAS RACIAIS E EXPLICO 

joão Joaquim 


Estamos vivendo a era da voz das minorias. É tal classe disso, daquilo, que não acaba mais. Daqui a pouco vamos ter a gritaria dos sem minoria. O movimento dos sem minoria. Em tempos um pouco mais remotos, ali no início da redemocratização do Brasil (1985) não se tinha as reivindicações de minorias. Fico imaginando uma manifestação dos LGBT no período do regime militar. Mesmo que não houvesse repressão por órgãos do governo. Porque a sociedade da época era muito mais carrancuda, conservadora e tradicionalista.
No fundo isto é uma verdade. Mesmo que no íntimo a maioria das pessoas goste de mais liberdade e democracia, essa mesma maioria é influenciada pelo sistema de governo. É o que no popular se chama lavagem cerebral, ou efeito manada.
Mas, enfim, eis que estamos nos primórdios do século XXI e temos nos quatro cantos e centro do país o grito, o alarido e as reivindicações das minorias. Quando promulgou-se a lei das cotas raciais( 2012), me posicionei contra. E eu explico. De forma simples e objetiva eu penso que negros, índios, mestiços e mulatos ser contemplados com cotas de ingresso nas universidades se torna uma forma de discriminação, de preconceito.
É o próprio Estado chancelando esta forma de discriminação. E os contemplados com tais privilégios vão dizer que não, que tal concessão do estado não é uma forma de preconceito. E que interessante! Esses mesmos beneficiários, estudantes cotistas ao negar essa discriminação do governo estão, eles próprios, afirmando tal forma oficial de preconceito. Não soa estranho. Muitas vezes a negação é a afirmação da coisa negada.
A minoria de maior alarido tem sido a dos negros. Pode-se dizer que eles são a maior das minorias. Curioso é que uma vez institucionalizada a lei das cotas muitos que não eram negros típicos se autodeclararam de etnia negra.
E atenção! Temos que tomar cuidado com as palavras, os termos. Raça por exemplo. Está em vias de extinção. Porque ela lembra racial e racismo; o mais correto é o termo etnia. Já há quem defenda que deve-se acabar com etnia tal, etnia qual etc; e unificar, etnia humana e pronto. Somos uma etnia única, a humana.
Houve até alguns casos de autodeclaração de pertencimento a etnia negra muito curiosos. O aluno sempre tido e havido de familiares todos brancos. Na momento  de concorrência pelo critério de cotas se declarou de origem negra. Vai lá saber! Só fazendo estudo genealógico ou de genoma. Isto demonstra o quanto de viés pode existir no concernente ao sentimento de discriminação étnica. Se o resultado é em benefício do sujeito ele troca até de cor de pele e de etnia.
E assim seguem as vozes dos minoritários. Uma minoria que anda provocando muito barulho e alvoroço tem sido a das lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT). E são minorias só de nome porque muitos saíram do armário, do anonimato e foram para as ruas. Em passeatas são numerosos e se tornaram maioria.
As passeatas, de milhares de pessoas, encerram um grandíssimo espetáculo. Os adereços tem todas as cores e lembram o arco-íris. Todos ficam em polvorosa, assanhados e irisados. O certo é que os homoafetivos e transgêneros conseguiram muitos direitos e prerrogativas. Há quem opine que eles querem implantar a ditadura dos gays. Aí também é extrapolação de reivindicação e querer muitos privilégios. O que é um absurdo porque numa democracia todos são iguais e sem privilégios.
Agora se tem uma minoria neste país que sempre foi discriminada, oprimida e perseguida é a dos povos indígenas. Na verdade grande parte dos índios do Brasil foi extinta. Algumas etnias desapareceram e outras em vias de sê-lo. Numa consideração rasa, os indígenas é que são os verdadeiros donos nativos do país. Eles paulatinamente vêm sendo massacrados desde a chegada dos portugueses com a chefia de Pedro Álvares Cabral em 1500. Foram crimes e mais crimes de lesa-humanidade cometido pelos colonizadores.
As tribos indígenas, sim, constituem uma minoria a quem o povo brasileiro e a nação devem muito por tanta perda e infortúnio que padeceram.
Enfim e como epílogo pode-se cravar que o século XXI, além de nomeado o século digital e da internet e redes sociais pode também ser intitulado a era do domínio e voz das minorias.
O que não parece decente e aceitável é a imposição dessas minorias de seus direitos, poder, haveres e privilégios. O que a constituição cidadã de Ulisses Guimarães( promulgada em 1988) previu e consignou é que todos somos iguais perante a lei.

Assim ninguém é melhor e mais igual do que os outros. Todos devem ser agraciados com os mesmos direitos, mais de igual forma ter ciência e senso de iguais deveres; em suma, isto, sim,  é democracia, isto é justiça. E cá entre nós se todos somos igualmente capazes, de mesmo QI, e de igual aptidão e inteligência, porque entrar nas Universidades e empregos públicos sem concorrência de igual para igual !  Por isso eu concluo, entrar em univerdades e empregos públicos com um nota de corte menor é ter as benções do Estado e um atestado de inferioridade e discriminação com os outros alunos e com os próprios cotistas. Não pode , Não pode.    Setembro/2017

ÉBRIOS DO PODER

A EMBRIAGUEZ CAUSADA PELO PODER DA FUNÇÃO E DO DINHEIRO

João Joaquim  

impressiona-nos de forma negativa constatar e assistir o quanto muitas pessoas se sentem inebriadas pelo poder. O quanto elas mostram quem são assim que são empossadas numa função de líder, de chefe, de gerente, de presidente de algum órgão ou mesmo de um país; enfim em qualquer função que lhes traga a prerrogativa de decisão e de dar ordens a outros subalternos; ou de empregar dinheiro público.
É de se registrar que muitos homens e mulheres têm de fato a vocação e a qualificação inata para bem dirigir e chefiar outras pessoas nas mais diferentes atividades. Sejam essas no âmbito público ou privado, no cenário profissional ou político e o fazem de forma muito ética, generosa e humanizada com observância e princípios de respeito aos direitos humanos e das diferenças individuais e de gênero.
Os exemplos do bem e do mal podem ser vistos em todos os cenários da sociedade. O que parece distinguir um tipo perverso de um bom administrar pode estar no própria formação e educação técnica e moral do indivíduo. A biografia, o passado, a educação e interação familiar desse líder vão nortear a sua personalidade no respeitante às relações com os seus subordinados e colaboradores, e com os bens públicos sob sua responsabilidade.
Quando buscados estudos das relações humanas na sociologia, na antropologia e mesmo na política podemos observar que tal questão esteve sempre no foco de pensadores e estudiosos do tema. Na seara política por exemplo basta revisitar por exemplo o príncipe de Maquiavel e do Leviatã de Thomas Hobbes. São teses que bem explicam as relações sociais e políticas. Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) na sua obra contrato social fala de forma muito enfática e convincente dessa relação de dominação de um líder ou governante sobre os governados.
Abstraindo das teorias científicas dessas relações humanas tomemos exemplos e ciência que temos em nossos dias desse impulso e expediente de poder e de dominação sobre o outro.
A duração que teve por exemplo a escravidão oficial é um execrável exemplo do sentimento de posse e poder que muitos trazem dentro de si. Tal senso e vocação é inerente à natureza humana. O lamentável na questão escravocrata é que na prática e nos resultados ela continua. Os graus e intensidade dessa exploração humana vão desde as formas as mais degradantes até aquelas praticadas de forma legal e com a chancela do Estado. Quantos e quantos trabalhadores sem qualificação profissional não trabalham em condições precárias, com poucos direitos e baixa remuneração?
Assim são os casos dos operários da construção civil, lavradores e muitos outros trabalhadores de empreiteiras que pagam propinas e mesadas aos políticos.
Um outro cenário onde impera a sensação de poder na cabeça de chefes, líderes e gestores se dá nas sessões administrativas públicas ou privadas. Exemplos desses casos são as figuras dos tipos de assédios, já previstos no código civil. Sãos os classificados assédio moral ou assédio sexual.
Uma categoria onde ainda vigora o sentimento de domínio e poder sobre o outro é a militar. É o princípio ou cartilha da chamada caserna. A disciplina é por demais rígida com exigência de muita subserviência e absoluta continência e submissão dos soldados rasos e “inferiores” aos oficiais e “superiores”. É aqui ,nesse cenário, que muitos maus administradores, os perversos líderes e chefes mostram quem são, que tipo de personalidades eles são. Há casos e denúncias de absoluta escravidão , maus tratos, assédio moral do pior nível e degradação.
Uma classe de pessoas onde transborda o sentimento de poder é a dos políticos em que há muitas funções de tomada de decisões e governo. Tais exemplos são notórios no Brasil. Eles são encontradiços nas mais diversas áreas da vida brasileira. São os profissionais do judiciário, das polícias, dos poderes legislativo e executivo. O sujeito na posse de sua função sente-se tão empoderado, a embriaguez pelo cargo é tamanha que muitas vezes comete os mais infames crimes, com a noção de que pode tudo e que jamais será descoberto nos malfeitos. São os fatos de peculato, corrupção e falsidade ideológica. 

O Brasil está repleto desses tais. Que o digam a operação lava-jato, e tantas outras da polícia federal e ministério público. Imagine um ex político, ex parlamentar como o Sr Geddel Vieira Lima, que guardou 51 milhões de reais em um apartamento , julgando jamais ser descoberto nesse execrável crime de lavagem de dinheiro. Imagine bem! Só mesmo no Brasil.   setembro/2017. 

CRIMES INTRA-ESTATAIS

INDIGNEMO-NOS ANTE TANTO HORROR NOS ÓRGAOS DE GOVERNO
João Joaquim  

A sensação e má impressão que tenho tido com os fatos e acontecimentos do Brasil, eu suponho ser as mesmas de todos os brasileiros. Ao menos de todos os compatriotas que leem, ouvem e veem os noticiários. Nos jornais, rádios e televisões. E hoje, graças ao rádio e à televisão até os analfabetos absolutos e funcionais podem, se o quiser e desejar, se informar do que se passa nas esferas governamentais.
Estamos vivendo tempos tenebrosos. São façanhas e feitos que abalam o ânimo, o humor e a moral das muitas pessoas honradas e do bem. E justamente essas pessoas são aquelas que nos trazem muita esperança. O bem há de prevalecer sobre o mal. O sol de cada dia há de triunfar sobre a escuridão. Essas são as esperanças de milhões de brasileiros, estarrecidos que devem estar com as camarilhas de criminosos e malfeitores que se apoderaram dos órgãos públicos e privados do país. Até instâncias do  judiciário correm risco de contaminação nas levas e levas dos crimes , que ameaçam solapar as principais instituições do país, ministério público e tribunais superiores.
“Indignai-vos”, diria Stèphane Hessel. Essa expressão de protesto é o título de um livreto desse ativista e sobrevivente do holocausto . Hessel (falecido em 2013), já nonagenário, se tornou um das testemunhas mais emblemáticas do que foram os horrores do nazifascismo de Adolf Hitler . É evidente que não há paralelo entre aqueles fatos da Alemanha de Hitler e as ocorrências do Brasil, dos quadrilhões do partido dos trabalhadores (PT) e do partido do movimento democrático brasileiro (PMDB) e mais alguns coligados.  Ou seja, os partidos do ex presidente Lula da Silva e Dilma Rousseff(PT) e Michel Temer (atual presidente da república) e Eduardo Cunha ( ex deputado e ex presidente da câmara), ambos do PMDB. Mas, a palavra de ordem vale, indignai-vos.
Quando se supõe que o pior já passou e que já se viu de tudo, fica-se em pasmo e paralisado com os relatos dos crimes em série. Crimes, obviamente, não de assassinatos, mas os mais escabrosos contra a ordem econômica, financeiros, de corrupção, de peculato, de suborno de autoridades, de compra de liminares, de cooptação de autoridades, de lavagem de dinheiro; com participação  de agentes públicos em todos os níveis, de gestores públicos da união , estados e municípios.
E na verdade são crimes contra vidas. Da vida e da saúde de milhões de pessoas desassistidas pelos hospitais públicos e postos de saúde. Que bem o atesta essa triste realidade o estado do Rio de Janeiro. Ele está completamente falido pela ingerência e seriado criminoso liderado pelo ex governador Sérgio Cabral e sua claque de auxiliares. Ali, como veio à público, até o tribunal de contas do estado compactuou no imbróglio delituoso de corrupção e lavagem de dinheiro.
No âmbito federal três fatos me aturdiram pela naturalidade das práticas delitivas. Os diálogos dos executivos da JBS. Mais  do que toda a nação, deveriam deixar os membros do judiciário irados e indignados. Ficam as confissões de que eles aliciam e cooptam quem eles desejam.
Até compra de liminares e habeas corpus são tratados como num balcão de qualquer negócio. Basta ouvir os áudios nos vários portais de notícias da Internet e Youtube.
E a confissão do ex ministro da fazenda Sr. Dr. Antonio Palocci, o Italiano? Ele foi o braço forte e direito (ou torto) de Lula e Dilma. O que é muito robusto e convincente é que seus relatos são concordantes com os dos delatores da empreiteira Odebrecht. De  Emilio (pai) e Marcelo Odebrecht( filho de Emílio). O que mais impressiona são os valores em propinas. Só  esta empresa pagou 300 milhões para Lula e Dilma. E mais, os lucros com a extração de petróleo do pré-sal seriam para manter o PT no poder pelo resto do mundo, no caso, pelo resto do Brasil. Penso que o projeto dos próceres do PT, liderado por Lula da Silva, seria transformar o Brasil, numa república popular comunista , a la Cuba. E eles os ditadores vitalícios, como os irmãos Castro. Como muitas republiquetas da África.
O mais inaudito e tenebroso na cenário da corrupção e lavagem de dinheiro está sendo protagonizado pelo ex deputado e ex ministro Geddel Vieira Lima. Que as futuras gerações acreditem quando estudarem a história da corrupção no Brasil. O Sr. Geddel, ex ministro de Temer, de Lula e Dilma, tinha guardado em um apê mais de 51 milhões em reais e dólares. Isso, acreditam as autoridades, deve ser  apenas uma das montanhas de dinheiro que o ex parlamentar e ex vice presidente da caixa( sr Geddel)  tinha guardado. Agora, perguntam as autoridades e a nação: de onde veio tanto dinheiro? Qual a finalidade de tanta fortuna? Com a palavra a justiça e as explicações do sensível e choroso Sr. Geddel. Será que ele irá seguir a Omertà( código de Silêncio das máfias italianas) ? Só mesmo aqui no Brasil.

Setembro/2017

VAGABUNDOS E OCIOSOS

DA VAGABUNDAGEM AO ÓCIO E AO  NEGÓCIO

João Joaquim  


Como estava desocupado, quis ocupar melhor a mente. E nessa desocupação dei-me de falar sobre dois termos. Eles não são a mesma coisa, embora pela semântica guardam alguma semelhança. Estou a comentar sobre vadiagem e ociosidade.
Cada idioma tem as suas peculiaridades, em todas as suas disciplinas, em todas as suas etapas de estudo. Se compararmos o português com o inglês por exemplo. Só como dois itens diferenciais: acentuação gráfica (acentos) e sinonímia. Nesses dois quesitos a língua portuguesa é das mais ricas. Por isso também muito difícil de pleno domínio até mesmo para as pessoas nativas. Imagine então para os estrangeiros. O inglês tem poucos sinônimos e sem acento.
A nossa Academia Brasileira de Letras (ABL) já fez várias reformas do idioma. A última por exemplo não me agradou. Tiraram o trema de todos os vocábulos (a exceção de nomes de pessoas) e muitos outros acentos diferenciais. Nessa instituição , que deveria ser o panteão do Idioma, tem muitos letrados e merecidos indigitados imortais. Agora, alguns boçais que vestem o fardão por pura ingerência política e outros poderes escusos.
Se digo para! Meu interlocutor não saberá se estou emitindo uma ordem de parar (o movimento, ação) ou se quero uma finalidade, no caso a preposição para.
Outro item de nossa gramática dos mais ricos refere-se à sinonímia. Uma definição sumária e simples de sinonímia é aquela de um significado aproximado;  nenhuma palavra é exatamente igual a outra. Ela tem vida própria e, às vezes, não pode ser substituída. Só como dois exemplos, amor e saudade. Procure algum sinônimo, ou melhor um termo equivalente, de mesma beleza e eficácia, não existe. Amor e afeto, saudade e nostalgia. Não são iguais. 
Tal introdução mais estendida foi no sentido de mostrar a diferença na descrição desses dois estados ou comportamentos do ser humano. Vamos a eles.
Vadiagem não é igual a ociosidade. Ser vadio é aquele comportamento ou disposição de quem não tem nenhuma deficiência física ou cognitiva e não trabalha. Esta disposição de desânimo para atividades se dá de forma voluntária, espontânea e continuada. Um  outro termo sinônimo para esse comportamento é vagabundagem. É aquele com sentido mais próximo. Vagabundo ou vagamundo é aquele indivíduo que passa a vida vagando ou percorrendo por atitudes ou ocupações sem nenhuma agregação de valor para si ou familiares dos quais o portador desse estado é completamente dependente. O vagabundo tem uma existência parasitária, negativa, um peso morto para a família e sociedade(Estado).
De poucos sabidos, a vadiagem é prevista em nosso ordenamento jurídico como uma contravenção penal. Por definição é o expediente de quem não sendo portador de nenhuma deficiência laborativa, não labora (não trabalha) para prover a própria subsistência, ou o faz com alguma atividade ilícita e criminosa. Tráfico de drogas por exemplo, mendicância vagabunda, ato de esmolar.
Os estudos concernentes à matéria são concordantes em que o comportamento da vadiagem ou vagabundagem tem uma influência educacional familiar. Resulta de uma omissão educacional familiar repassada de pais e/ou  cuidadores para os filhos, desde a infância.
Há pouca influência de marcadores genéticos como verificado em algumas etnias indígenas, asiáticas e populações nômades. Nesses povos passa ser um estilo de vida. Uma vida cigana. Menos danosa à sociedade quando vivem de extrativismo natural.  Muitas vezes, eles se tornam depredadores da natureza ou mesmo se envolvem em muitas contravenções e crimes como forma de subsistência.
Uma característica da vadiagem tem sido a posse pelo vagabundo de equipamentos digitais. Notadamente dos smartphones, com os quais a pessoa só se ocupa de futilidades e outras informações absolutamente inúteis em sentido de cultura ou conhecimento que acrescente um valor pessoal.
Já o estado de ociosidade ou ócio nada tem a ver com vagabundagem ou vadiagem. Trata-se de um momento ou período de completo descanso de um trabalho que exige grande esforço físico ou mental de longa duração. Referido estado de repouso ou quietude difere muito da  vadiagem. O ócio é tão importante  que foi descrito e comentado por um sujeito grego de nome Platão, o filósofo da maiêutica (arte de partejar) e da obra A República.
O ócio pode ser subdividido em ócio de completo repouso, de quietude e silêncio ou em um estado de repouso físico, mas de elevada atividade mental e intelectual. A esse estado Platão o denominou de ócio criativo. Trata-se de um momento ou circunstância em que o indivíduo através de uma profunda reflexão ou raciocínio lógico chega a alguns conceitos, ideias e criações no mundo das artes e ciências. Quantas e quantas invenções e descobertas algum artista, intelectual ou cientista chegaram a elas através de momentos do chamado ócio criativo.
Há uma obra com esse título: ócio criativo, do sociólogo italiano Domênico De Masi. Um pouco distinto do pensamento platônico, mas que trata do mesmo tema. Curiosa é a origem da palavra negócio. Vem de nec otium ( latim, não ócio) , não   ao trabalho,  nenhuma atividade.
Em suma fica aqui essa dissidência entre esses dois estados, de uma coisa não ser a outra coisa. Vadiagem ou vagabundagem é um estado de completo vazio e inutilidade. Já ociosidade, uma oportunidade de muita produção e nascimento de ideias muito profícuas e grandes resultados.  Setembro/2017

JOSE E MARIA

QUEM É MAIS MALUCO ? JOSÉ , MARIA ,TRUMP OU KIM ?
João Joaquim  

O mundo todo vem assistindo neste setembro de 2017 à devastação e tragédias provocadas, primeiro pelo furação Harvey e agora pelo Irma e José. O principal país atingido tem sido os EEUU. Outras regiões do Caribe e Ilhas Francesas também estão nas trilhas das catástrofes causadas pelas chuvas e ventos destrutivos. São tantos furacões  que se perdem pelos nomes, katrina, Yasmim, Ivan, agora está vindo outro , o maria. Agora por que eles têm nomes de pessoas ? Vai lá entender.  A Organização Meteorológica Mundial- OMM, com sede em Genebra, é quem escolhe esses nomes.
Todos esses infortúnios atmosféricos nessas regiões e países são cíclicos e previsíveis ; ocorrem todo ano. O número de vítimas, desabrigados, de feridos e danos materiais se equiparam ao de uma guerra ;são bilhões de prejuízos pela destruição de residências, prédios, estabelecimentos comerciais, pontes, construções civis e outras obras de infraestrutura.
Além dos danos à natureza ficam também muito impacto à saúde pública das pessoas, com riscos de doenças infecciosas, epidemias, insegurança pública e ao bem estar e saúde psíquica das pessoas nas áreas e cidades atingidas. Que se repise a questão: trata-se de uma tragédia anunciada, e aliás, alertada pelos órgãos de governo à sociedade e às pessoas no rastro do desastre.
Diante desse fato e da repetição anual desses fenômenos tão destrutivos e danosos, sobretudo ao povo americano, lanço uma emblemática e intrigante pergunta e interrogatório. Minha inquirição de forma objetiva e direta seria: os EEUU que tanto investem em pesquisa espacial, em missões siderais para saber se o planeta Marte é habitável, se sua água é potável, qual a  natureza e composição tem o seu relevo, etc. Será que esse todo poderoso país ianque , OS EEUU, não tem coisas mais úteis e sérias para resolver aqui em nosso Planeta ?
Continuo a pergunta .  Por que essa nação tão rica e poderosa não cria mecanismos e suporte, ao menos para proteger as pessoas dessas tragédias naturais? De todos sabido que são repetitivas e cíclicas tais catástrofes naturais. Tais furacões e outros fenômenos do gênero são conhecidos e previsíveis em seu começo, meio e fim. E se sabe  a potencialidade destrutiva de seus ventos, que chegam a mais de 300 km por hora. Por que as pessoas ficam tão desprotegidas?
Interessante, que nesse quesito o Japão nos dá um exemplo, eles constroem prédios para suportar os abalos sísmicos e até tsunamis. Vejam o quanto esses gestores da coisa pública( os japoneses), investem no bem público maior, a vida, segurança e saúde das pessoas.
São perguntas que penso, o mundo todo gostaria de fazer sobretudo à agência espacial norte-americana (NASA) e àquelas de mesmos fins da Rússia. Que benefícios trariam tais investimentos astronômicos e tais investidas espaciais? O que é mais melancólico é que já se sabe que a própria lua, nosso satélite natural, é mais próxima  à terra, e  é completamente inóspita.
Agora imagine Marte. A primeira grande barreira é a distância da terra. E já se sabe que o planeta é incompatível com a vida em todos o seus elementos: em solo, água e atmosfera sequer foi notada a presença de alguma bactéria marciana. E assim são os casos e vida de outros planetas. O que importa para nós por exemplo a beleza dos anéis de saturno? O que a ciência sabe é que todo o cosmo é muito belo e harmônico;  e isso já nos basta.
O que os cientistas americanos e russos podem alegar é o estudo de muitas substâncias, equipamentos, comunicação à distância, resistência ou resiliência  de matérias e  máquinas nesses voos etc.
Mas, continua a pergunta: qual a relação custo/benefício de tanto dispêndio para a humanidade? O que tanto investimento nas últimas 5 décadas trouxe de melhora e benefícios para as pessoas e para nosso planeta? Com a palavra os governos sucessivos da Rússia e dos EEUU. Parece megalomania, só isso!
Fica-nos a sensação de que o homem (gênero), nessas empreitadas espaciais está procurando chifre na cabeça de cavalo. Não achou e não vai achar nunca, nem na cabeça de centauro, aquele monstro mitológico meio homem meio cavalo. Ao que sugerem, todos esses programas espaciais estão querendo sondar o insondável, tocar o intocável, descobrir o imperscrutável, atingir o inatingível, romper os mistérios que só a Deus pertence; impossíveis e  inatingíveis, por isso continuam misteriosos.
E no curso dessa ambição espacial desmedida o nosso planetinha continua com todas as suas questões ambientais, com todas as dores, sofrimento e degradação. Na verdade a terra encontra-se enferma, maltratada e ferida. Ela pede socorro. Todas essas catástrofes naturais, furacões, sismos e maremotos são sinais da ação criminosa desses mesmos homens. São tantos fenômenos de sofrimento contínuo. São gritos de dor clamando por cuidado e socorro.
E o esquizoide Kim Jung-Um e Donald Trump querendo brigar de bomba atômica, de bomba de hidrogênio e outras maluquices nucleares.

E esse mesmo homem, que não consegue solução para nossas tragédias terrenas quer saber que ventos sopram e que águas rolam em solo marciano. Só nós humanos ! Tem fundamento toda essa história ?  Setembro/2017

FUTEBOL SEM ÉTICA

ZERO ÉTICA E ZERO HONESTIDADE NO REINO POLÍTICO E DO FUTEBOL

João Joaquim  

Há cerca de três anos foi feita uma enquete aqui no Brasil da percepção das pessoas sobre honestidade. Foi uma pesquisa despretensiosa, não oficial e não tão propalada, feita por alunos universitários de comunicação na capital São Paulo - SP. A pergunta era simples e direta: na sua opinião qual é, no Brasil, a atividade mais desonesta? Eu faria a cada leitor(a) deste artigo esta mesma indagação nos dias de hoje. Pare um pouquinho sua leitura e reflita sobre tal questão nesses tempos das tão massivas e difusas redes sociais.
O alcance das redes sociais e mídias digitais se tornou tão instantâneo e célere que tomamos conhecimento e ciência de muitos fatos e celebrações antes de sua edição e publicidade oficial. Vale até lembrar que o conceito de privacidade, sigilo, confidencialidade ganhou outros contornos e sentido. Tornou-se muito difícil fazer alguma coisa na clandestinidade, às escondidas.
A fluidez e facilidade de se publicar as atitudes e comportamento se tornaram acessíveis a todos, praticamente a todos os cidadãos. Para o bem e para o mal. Para o bem das pessoas honestas e para o mal (azar) dos desonestos, daqueles que vivem de ilicitudes, de ilegalidades e crimes de toda ordem. Poucos fatos e falcatruas estão a salvo dos áudios e vídeos das câmeras públicas e dos celulares nas  mãos dos cidadãos.
Então à pergunta:  qual a atividade mais desonesta no Brasil de hoje ? Foi respondido: em 1º lugar a política; em 2º lugar o futebol. E aqui é bom que façamos uma melhor análise de natureza qualitativa e quantitativa dessa antiética e dessa desonestidade.  O que importa é que ontem e hoje essas duas atividades, política e o esporte futebol, são de longe as duas atividades onde mais se praticam os desvios éticos e desonestos .
Em termos qualitativos o futebol se mostra um laboratório ou campo repleto de cenas, atitudes, vontades e expedientes antiéticos, ilícitos e desonestos. Assim ele ganha da Política.  A FIFA e todos os órgãos reguladores do futebol seguem um pequeno princípio ético de nome até curioso, o intitulado “fair-play”. Expressão inglesa, que numa tradução simples é igual a jogo limpo. Assistir a um jogo de futebol nos gramados brasileiros e ver as cenas de fair-play, quando um adversário sofre uma contusão, chega a ser patético. É a encenação mais hipócrita de ética e honestidade, nessa classe de pessoas, os futebolistas.  
Ela pode ser  comparada ao comportamento bom e honesto de um narcotraficante ou assassino que no presídio recebe atestado de “bom comportamento”. Veja bem, ora bolas! Talvez diria nosso maior dramaturgo, o Nelson Rodrigues. O  sujeito está trancafiado entre muralhas intransponíveis de 5m, vigiado por câmaras e guardas com fuzis e metralhadoras, etc ; o que esperar desse condenado que não resignação e tácita obediência?
Num jogo com os atletas de futebol e seus técnicos se dá a mesma coisa, a mesma reação. O sujeito em campo está sob a vigilância de 4 árbitros, várias câmaras de vídeo, repórteres e toda imprensa à beira do gramado. A censura e pressão que ele sofre em ter um mínimo de decência e respeito ao adversário é muito grande.
Ou seja, esse jogador está sob a censura e os olhos de todas as pessoas e recursos de mídias. E acreditem, muitos desses atletas, frente a necessidade de interromper uma partida para socorro do adversário, muitas vezes relutam nesse gesto do jogo limpo ou o fazem sob resmungos ante a intervenção do árbitro ou de colegas jogadores do time rival.
São pontuais exemplos de  exceção  os casos em que um jogador assume uma culpa em que a bola lhe resvala e sai de campo, de uma falta cometida no adversário e inúmeras outras infrações técnicas que favoreçam ao time contrário. As demonstrações de ética e honestidade se constituem até motivos de condecoração honorífica com placas ou medalhas de honestidade.
 Notórios têm sido os casos em que os atacantes fazem gols de mão, de forma grotesca e explícita, e se não vistos pelos árbitros, tais desonestos e infratores nunca têm a dignidade de confessar tais logros, burlas e transgressões técnicas. O que importa é levar vantagem em tudo como dizia uma propaganda de Gerson, o  antigo canhotinho de ouro da seleção brasileira.
Os cartolas, órgãos de impressa e torcedores se ufanam do Brasil ser 5 vezes campeão do mundo. Todavia, esquecem que a seleção sempre foi beneficiada por muita corrupção, suborno de resultados e outros expedientes nada honestos, nas competições comandadas pela ainda toda poderosa FIFA. Ali reinou absoluto, por mais de 20 anos o ex cartola, todo poderoso e intocável , João Havelange( falecido em 2016).  Quantas falcatruas , a favor do Brasil.
Dos três últimos presidentes da confederação brasileira de futebol (CBF), José Marin encontra-se preso nos EEUU, Ricardo Teixeira encontra-se foragido no Brasil da justiça americana; o atual Sr. Marco Del Nero, se sair do país será preso pela interpol. Ele é procurado pelo FBI, Polícia Federal Americana.
Virando o dial para outra campeã de desonestidade, a política, ela ganha do futebol em cifras monetárias. São bilhões de dólares desviados nos rolos e ralos da corrupção.
Dessa forma, tem razão a “vox populi”, ou a opinião da sociedade( voz do povo) em indigitar esses dois segmentos da vida brasileira como os campeões de desonestidade e da antiética!

Com as operações em curso da lava-jato então a nação e o mundo não têm mais dúvida dessa triste e escabrosa realidade que assola e corrói nossas instituições e nosso patrimônio moral e honorífico.  Setembro/2017

BLASFÊMIA E IGNOMÍNIA

 NO MÍNIMO DE MUITO  MAU GOSTO E  IGNÓBIL
João Joaquim  

Eu tenho certeza de que nenhum fato anterior causou tanto espanto e estarrecimento nas pessoas do que esses de nosso mundo político do Brasil. Aliás, fatos político-policiais. São ocorrências dantescas porque interessam a todas as instâncias de autoridades máximas do país. Entre estas, polícia federal, ministério público, tribunais superiores e autoridades do Executivo, Legislativo e Judiciário.
Como  constam de denúncias e inquéritos do MPF, o país hoje está tomado pelas quadrilhas organizadas. São os “quadrilhões” ou cartéis oficiais,  formados por presidente da república, ministros em atividades , ex-ministros , ex   parlamentares. Os nomes são muitos e constam de todos os sites de notícias. Omito aqui os atores, e lembra-los me causa asco e engulho. Já bastam-me outros enjoos e amuos da vida.
O cartel criminoso é tão grande que deixa à margem outros fatos perversos, que em outros tempos, não seriam minimizados. Nesse contexto, trago como exemplo um desses tais que causou-me repulsa e um certo mal estar. Trata-se da exibição de uma peça teatral denominada “o evangelho segundo Jesus, rainha do céu”. Conforme resumo oficial da companhia teatral do serviço social do comércio (SESC) de Jundiaí-SP,  a peça é uma adaptação brasileira da autora e dramaturga escocesa, a transexual JO Clifford.
Nessa dramaturgia a figura de Jesus é encenada, numa versão moderna, como uma figura transexual feminina;  como se deduz do próprio título (rainha do céu). A atriz  transexual Renata Carvalho é a personagem da versão tupiniquim.
A peça foi suspensa de exibição a pedido da advogada Virgínia Bossonaro Rampin Paiva, contra o Sesc de Jundiaí . A 1º vara cível de Jundiaí-SP acatou o pedido e determinou  a suspensão da mostra da peça teatral. Na decisão final, o juiz Luiz Antonio de Campos Júnior argumenta que “as circunstâncias jurídicas alegadas corroboram o fato de ser a peça em epigrafe atentatória à dignidade cristã, na qual Jesus Cristo não é uma imagem e muito menos um objeto de adoração apenas, mas sim o filho de Deus”. A ofensa se dá no mínimo aos cristãos e mesmo para aqueles que respeitam pessoas e símbolos sagrados. Além de injúria a esse personagem divino e histórico. 
Continua o magistrado: “não se olvida a liberdade de expressão”, mas o que não pode ser tolerado é o desrespeito a uma crença, a uma religião; enfim a uma figura venerada no mundo inteiro”.
“De fato, não se olvida da crença religiosa em nosso Estado, que tem Jesus Cristo, como o filho de Deus. Em se permitindo uma peça em que esse homem sagrado seja encenado como um travesti, com  toda evidência, caracteriza-se ofensa a um sem-número de pessoas.
A diretora da peça, Natalia Mallo, pelas redes sociais ainda tentou justificar. Disse ela: “Afirmar que a travestilidade da atriz representa em si uma afronta à fé cristã ou concluir que é um insulto a imagem de Cristo é, do nosso ponto de vista, negar a diversidade da experiência humana; ” cria-se categorias onde algumas experiências são válidas e outras não, algumas vidas têm valor outras não”.
No mínimo é tentar justificar o injustificável. Minha opinião como articulista; Independentemente da religião do autor que aqui subscreve, tal polêmica aqui levantada poderia no mínimo ter sido evitada. Têm razão os seguidores direitistas do movimento Brasil livre (MBL), têm razão os cristãos, têm razão pessoas de qualquer religião, a até os ateus e agnósticos, com bom senso ético; e mesmo de convivência e respeito a diversidade cultural, mística e religiosa. 
Têm razão  também a advogada que impetrou a ação e a Justiça que proibiu a exibição desse teatro (peça). É no mínimo uma criação de mau gosto, de mau caráter, desde a peça original da canadense JO Clifford.
Que direito assiste a qualquer autor, sendo ele crente em determinada religião , ou sendo ateu,  em caricaturar ou blasfemar um símbolo ou nome sagrado de certa denominação religiosa? Que direito assiste a qualquer autor, ator, criador em criar tamanha polêmica , para determinados setores da sociedade?  Como se sentiria um islamista, um budista ou xintoísta vendo um ícone de sua fé religiosa sendo encenado como uma personagem, sujeita a preconceito ou intolerância . Intolerância e preconceito é igual a feiura e diabetes, não têm cura e faz parte do comportamento e atitude de muitas pessoas, da mente e critica de grande parte de pessoas, de muitos segmentos sociais e culturais. 
Tal iniciativa, dessa campanha teatral do Sesc de Jundiaí-SP, foi no mínimo, de baixa criatividade intelectual e artística; e em máximo desrespeito e deselegância com os cristãos e outros adeptos de outras religiões; e com aqueles que isento de razão religiosa são cultores de boa ética e respeito aos símbolos sagrados e místicos.
Vamos imaginar como argumento final para os autores dessa peça em tela. Imagine se alguma companhia teatral encenasse um drama, representação qualquer, tendo como “ homenagem” a mãe, o pai, ou os próprios autores de tal peça, no caso a escritora J0 clifford, a diretora Natalia Mallo. Será que elas iriam aplaudir ou protestar ?  Eis a questão. Ao que sugerem tais criações , de tais companhias e autores e atores, liberdade de expressão parece muito normal quando envolve a vida alheia, senda essas vidas de ícones sagrados ou de pessoas fora de seus laços genéticos e familiares.

Em Porto Alegre, foi fechada uma mostra do  Santander Cultural, de nome Queermuseu . Foi a reação da instituição ao movimento de protesto de entidades e pessoas que avaliaram a exposição como ofensiva, por razões que vão de "blasfêmia" no uso de símbolos católicos à difusão de "pedofilia" e "zoofilia" em alguns dos trabalhos expostos. Ou seja, estão  faltando bom senso e boa criatividade no mundo artístico.  No mínimo .       Mas, atenção! -  tanto a peça, como o Queermuseu, continuarão a ser exibidos, não tão ostensivos. Há gente que quer ver, é livre.  Setembro//2017.   

MEDICINA DESUMANA

A ROBOTIZAÇÃO E  DESUMANIZAÇÃO DA MEDICINA.
João Joaquim 

A diferença em qualificação tecnocientífica entre um médico que se forma hoje e aquele que se formou há 50 anos é enorme. E abaixo vem as razões. Há 50 anos não se dispunha da sofisticação de exames que temos atualmente. Nos idos de 1950 e 1960 o arsenal de exames imunobiológicos, hematológicos e de imagens era muito restrito.
Essa carência tecnológica de exames complementares em décadas passadas exigia do profissional de saúde uma formação mais aguçada como clínico; qualquer que fosse a sua especialidade. Especialidades médicas que aliás eram poucas. Na falta de muitos exames laboratoriais o médico se via na obrigação de ter um apurado raciocínio semiológico . Para tanto duas disciplinas na formação médica eram capitais: semiologia e fisiologia( fisiopatologia).
Uma semiologia padrão se inicia através de uma minuciosa anamnese (entrevista). É o  momento   em que deve-se dar liberdade à livre expressão do paciente. Oportunidade em que o médico escutará (escutatória) atentamente cada queixa, sentimento, sintoma e relato do doente. Trata-se de uma fase significativa da consulta médica na qual o profissional já inicia uma análise, um juízo, uma presunção diagnóstica da pessoa.
Terminada a anamnese vem a segunda etapa igualmente importante que é o exame físico. E neste expediente da consulta eu me detenho e exalto a sua importância. Ele representa um item lapidar na consulta de qualquer especialidade.  Com  um exame físico ético, isento e altamente técnico o médico tem a oportunidade de avaliar a natureza do quadro clínico, a intensidade da doença, o diagnóstico anatômico e até a causa (agente etiológico) da afecção motivadora da consulta.
Com os avanços e aprimoramento nas técnicas diagnósticas tem havido, na mesma proporção , um declínio na formação, na aptidão e na capacitação clínica do profissional. O que representa uma perda na formação ou vocação humanística do médico. O que é lamentável. Pelo que assistimos hoje, o estudante de medicina já inicia o curso visando uma especialidade.
O recém formado sai da faculdade certo de que terá ao seu dispor um cardápio enorme de exames. Muitas vezes esse egresso do curso de graduação pouco ou nada conhece dos métodos diagnósticos no mercado médico. O que representa uma distorção em sua formação. Como eu solicito uma tomografia sem contraste, se eu não tenho conhecimento dessa técnica diagnóstica? O que ela vai me revelar? Quais suas limitações, contraindicações e riscos de agravo à saúde? Parece uma insanidade profissional, indicar um exame sem o domínio de sua técnica, e o que pode acrescentar numa boa consulta.
Cada exame complementar se torna significativo e de boa relação custo/benefício, na medida em que haja uma boa correlação clínica na sua prescrição. Nesses tempos da digitalização em tudo, tenho visto um despreparo e imprudência generalizada no emprego de exames complementares. Há profissional de saúde que tem o desplante de frente a uma pessoa hígida, saudável em tudo; solicitar uma lista de 30 ou 40 exames de sangue, sem nenhum critério, sem nenhum dado clínico( sintomas) que os justifique. Charlatanismo puro. Imagine esse cenário, muito encontradiço: paciente jovem, sem nenhuma doença ou queixa submeter a dosagens de vitaminas , minerais, exames de tireóide, enzimas hepáticas, imunoensaios para vírus hiv, hepatites, sífilis , doenças inflamatórias; considerando que este cliente não tem nenhum dado semiológico ou epidemiológico , nenhum comportamento ou fator de risco para realizar esses exames. São situações frequentes nos laboratórios.
Sem mais delongas três conselhos eu deixo para os colegas de profissão, sobretudo aos noviços e iniciados.
Primeiro: humildade, consciência e aceitação de que ninguém, nenhum médico sabe tudo que deveria saber. Na dúvida peça ajuda a quem sabe mais. Médico não é magico e nem é Deus; alguns consideram infalíveis. Vaidade pura.
Segundo: clareza na comunicação ao doente e familiar, sobre a impressão diagnóstica na primeira consulta.
Terceiro: moderação e muito critério na solicitação de exames e na  prescrição de medicamentos e/ou  qualquer outra terapia.
O que temos visto hoje são médicos com precária formação clínica, conhecimento insuficiente em semiologia médica, pouca escuta e exame físico superficial do  paciente. Enfim, relação médico/paciente desumanizada e artificial. São profissionais que escutam pouco e mal põem a mão no doente. E para se chegar ao diagnóstico há uma exagerada e inapropriada solicitação de exames.

O expediente de muito exame se torna em uma Medicina fria, maniqueísta, robotizada e desumana, o que  empobrece a relação com o doente e encarece o tratamento. São efeitos colaterais na saúde e no orçamento. O que  desmerece ainda mais a profissão  praticada nos tempos das tecnologias de ponta e digital. Dessa forma são médicos que parecem despachantes de saúde, tal a falta de habilidade e pobreza no raciocínio clínico das queixas e achados alterados num exame físico bem feito.  Outubro  /2017.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

CRIMES JOVENS

OS CRIMES INFANTOJUVENIS VEM DA MÁ EDUCAÇÃO FAMILIAR E DAS DOENÇAS PSIQUIÁTRICAS OMITIDAS PELAS FAMÍLIAS

João Joaquim 


Uma questão social e comportamental que tem preocupado as famílias e a sociedade tem sido o envolvimento de adolescentes e jovens na prática de crimes contra a vida. São ameaças, lesões corporais e a consumação de muitos desses delitos. Muito tem se discutido sobre tais questões. O que representa o bullying nesse contexto? Os jogos eletrônicos de violência;  o consumo de drogas ilícitas; O papel da chamada educação familiar; e as doenças psiquiátricas.
Na digressão desta temática e para facilitar nosso raciocínio, vamos dividir tão grave questão em dois módulos, a) as causas socioeducativas e b) as causas por distúrbios patológicos do comportamento /ou os transtornos  psiquiátricos.
No conceito  de educação não custa relembrar que o homem é fruto do meio social onde nasce e vive, onde é educado, enfim ,onde recebe as primeiras impressões sensoriais que o marcarão para sempre.
Em matéria tão importante ficam aqui as teses do empirismo de Francis Bacon( 1561-1626) John Locke(1631-1704) e David Hume(171-1776). Esses três grandes filósofos contrariam as teorias de Platão e de Renê Descartes para os quais o indivíduo já nasce com ideias inatas (teoria do inatismo).
Ora, torna-se de fácil entendimento, conforme explica John Locke, que a criança ao nascer tem o seu cérebro comparado a uma lousa em branco (tabula rasa). É bem perceptível que o aprendizado mais rudimentar e a linguagem são dominados de forma repetitiva e paulatina. E assim ocorre com toda percepção sensorial, com todo o comportamento social e aquisição dos conhecimentos que são dispensados e propostos a essa pessoa em formação, por isso criança (de criar, criantia).
Com fundamento nessas premissas da vida cotidiana de cada família, de cada pessoa, torna-se de fácil e simples aceitação que o indivíduo é fruto sobretudo de sua educação de berço, dos pais, dos cuidadores, de seus primeiros referenciais que são esses parentes. Que sejam na maioria das vezes o pai e/ou a mãe, os avós ou outros cuidadores e responsáveis. Não importa quem educa !
O que se tem de certo e muito robusto é que esses primeiros responsáveis, criadores e tutores inscreverão, gravarão, plasmarão e determinarão se essa cria, essa criança trilhará o caminho do bem, do mais ou menos bem, ou do mal. Cumpridas todas essas diretrizes na educação de uma criança até a idade adulto, se ela se desviar de uma conduta honesta e cidadã, provavelmente essa pessoa tem alguma doença social, comportamental ou psiquiátrica. E as estatísticas e censos são incapazes dessa quantificação por culpa das próprias famílias que omitem ao máximo tais casos  pelo estigma e preconceito que esses transtornos trazem.
Uma outra tese que temos que admitir é que a criança é uma semente em potencial para o bem ou para o mal. Ela se inclinará para um ou outro polo a depender dos estímulos recebidos. Ou seja, do processo educacional iniciado na fase do berço e da chupeta. As escolas e seus métodos pedagógicos terão um papel complementar, sobretudo na imposição de disciplina e limites, no ensino de ética e honestidade.
Quanto à violência e crimes relacionados com bullying. Trata-se de uma forma de discriminação, de preconceito em enxergar no outro algum detalhe ou diferença anatômica, um comportamento ou gestual discordante com o “padrão”. Vale ressaltar que muitas vezes tal reação de rejeição do outro vem de um comportamento familiar. Nenhuma criança ou adolescente traz esse comportamento inato, gravado nos seus circuitos cerebrais. Ele é um comportamento aprendido de casa. Ninguém nasce com a vocação da rejeição.
Quanto aos games e jogos com teor de violência; como exemplo o ainda praticado jogo da baleia. Trata-se da maior insanidade e demente permissão a um adolescente ou jovem. Uma bestialidade e insensatez no rosário de besteiras que oferece o mundo dos games e jogos eletrônicos.
Que diversão demoníaca é essa onde o jovem é desafiado ao suplício, a automutilação, culminando até ao suicídio? Só mesmo na mente de um criador psicopata e mentecapto poderia se concretizar tal invenção, deveria se possível ser segregado do convívio social porque está a serviço do crime, da violência e deturpação das mentes dos usuários dessa monstruosidade “ lúdica”.
Por fim as questões de violência e crimes tendo como causa as doenças comportamentais  e psiquiátricos. É bem sabido e certo que toda psicopatia traz um enorme estigma social.
A própria depressão e o transtorno de ansiedade já trazem em si uma rejeição, uma omissão, uma subnotificação, por culpa dos familiares de seu portador. São doenças muito prevalentes e que geram um certo preconceito no meio social e profissional do portador.
Agora, imaginemos as doenças psiquiátricas de maior impacto social e emocional e de pior prognóstico. São os diagnósticos por exemplo de uma esquizofrenia, transtorno bipolar, personalidade psicopática. São distúrbios psiquiátricos que as famílias não aceitam nos seus sintomas iniciais. Muitos casos só se tornam conhecidos e tratados após algum episódio de grave agressão física ou assassinato.
Um portador de  esquizofrenia ou de conduta antissocial tem o mesmo potencial pernicioso e de violência que um pedófilo ou estuprador. Será que alguém em sã consciência tem dúvida da mente patológica desses tipos aqui referidos. De igual forma  com aquele que comente feminicídio motivado por um ciúme doentio, como assistimos tanto em nossos dias e noticiados nos jornais, redes sociais e televisão.
A biologia, a psicologia e a psiquiatria não podem mais duvidar dessa triste realidade que, às vezes, é  subestimada e subnotificada pelas famílias e cuidadores.   Agosto/2017