sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O QUE SOU ?

DE ONDE EU  VIM ? ONDE ESTOU ? O QUE SOU E PARA ONDE VOU ?


  João Joaquim

De onde eu vim? Onde estou?  Quem sou e para onde eu vou? Estas são três perguntas emblemáticas e enigmáticas que envolvem a existência humana. São inquietações debatidas não só em vários ramos da Filosofia mas em muitas especialidades científicas como a Paleontologia, a Antropologia e Historiografia da humanidade.
Vamos por parte .  Nossa origem. Como surgiu a espécie humana no planeta terra? Será que viemos ao mundo através apenas de um processo evolutivo ( teoria da evolução)? Ou seria a humanidade e toda forma de vida um ato da criação divina (teoria do criacionismo)? A existência das duas teses são mostras do dissenso que persiste relativamente ao surgimento do homem nesse planeta. É muito provável que essas grandes dúvidas que atormentam o homem ainda tenham uma longa vida pelas próximas décadas ou séculos. A própria origem do universo é muito controvertida. Supõe-se que nosso universo tenha surgido há cerca de 14 bilhões de anos. Quando digo nosso universo não soa impróprio, nem egoísmo porque supõe-se que não haja um mas multi-versos. Uma das teses para o nascimento de nosso universo se deu através da grande explosão chamada big bang( Georges Lemaître 1894-1966). Esta foi também chamada de teoria do átomo primordial. Há uma certa correlação com a teoria da Relatividade de Einstein .    Dessa grande explosão houve a formação das galáxias,  de estrelas e os planetas. Segundo a teoria do big bang o universo continua em expansão. Ou seja, são grandezas e dimensões que escapam até ao nosso completo entendimento e inteligência. Somos muitíssimos pequenos, minúsculos  mesmo para entender a estatura do cosmo. 
 Onde é que eu estou? Trata de dúvida que não deveria ser de difícil compreensão uma vez que se refere ao presente, ao local onde me encontro no universo, na terra e ao momento de minha existência. A essa grande interrogação da humanidade vem-me à lembrança aquele papo de alguém que se acha o rei ou rainha da cocada. Seria aquela pessoa dada à gabolices ou sabichão de tudo ou com poderes e rompantes de autoridade. Não é incomum trombarmos com essas arrogantes criaturas que no gozo de algum status socioeconômico  ou função pública (delegado, policial ou juiz) dão as famosas carteiradas. No Brasil, volta e meia assistimos às empáfias e soberbas dessas grotescas figuras com o expediente “ você sabe com quem está falando”? A esse tipo de gente deixo a seguinte resposta: o Sr ou Sra  é uma ínfima subunidade do quase nada que habita um pedacinho deste planetinha que orbita em torno de um pequeno sol deste imensurável universo.
 À dúvida- Onde é que eu estou ?   -poder-se-ia acrescentar outra grande interrogação: o que sou e o que  estou fazendo aqui? Esta, sim, a grande questão para os agora nascentes e viventes humanos  neste mundinho que é o mais belo ( se o homem não destruir) planeta do   nosso sistema solar.
A você, meu caro leitor e leitora, não importa a sua idade. Se você ou vossa excelência (como muitos exigem ser tratados) se lê, já tem juízo crítico e livre-arbítrio ( e livre cultura) eu faço a seguinte e contundente inquirição: o que você esta fazendo na vida enquanto habitante deste planeta ? Você, ou outro tratamento que lhe couber por convenção dos homens, tem justificado a sua passagem ( que aliás é curta), por esse mundo?
Estamos em pleno século XXI. Vamos falar, sem meias palavras, ao que vimos e assistimos em nossos dias. Eu sou um vivente que estou no meu segundo  cinquentenário de vida e sinto-me muito preocupado com o futuro da humanidade. Sem rodeios ou circunlóquios  e direto ao ponto. Hoje estamos vendo pessoas, jovens e adultos maduros que passam a vida sem nada fazer. São indivíduos, permitam-me assim resumir, que  nem fedem nem cheiram. Passam o tempo todo envolvidos com futilidades. São moços e moças que, às vezes, não estudam, nada produzem.
Quando “estudam” , muitos deles e delas  são pelo simples fato de ter um diploma de curso secundário ou superior. Muitos desses diplomados vivem uma vida de ociosidade. Muitos têm  suas vidas mergulhados nos vícios e nas futilidades. E nem falo dos  vícios de bebidas e drogas porque já é a perdição total e absoluta;  mas aos vícios do apenas comer e dormir, do consumismo insano e desenfreado, do apego e uso desmedido das inutilidades e nocividades da internet e redes sociais; da posse neurótica dos recursos digitais ( celular, notebook);  e de outras tantas idiotices criadas pela civilização do prazer e do consumo. E sabem de uma notícia trágica e horrendo desses grupos de pessoas fúteis e desocupadas?  Muitas delas tocam a vidinha consumista, vazia e prazenteira às custas de pais já velhos e decadentes, idosos  e doentes, dos avós, das famílias. São fardos pesados e negativos para os parentes, para a sociedade e até para o Estado. A sociedade, as famílias, o mundo onde vivemos estão enojados com esta classe de gente. E outra má noticia, há uma nítida tendência de crescimento desse grupo de pessoas. Não bastasse o grupo dos nem, nem do IBGE (nem estudam, nem trabalham) agora temos outro grupo de nem, nem : nem fedem e nem cheiram.
E à terceira  pergunta: O que sou e  para onde eu vou? Eu imagino que sou resultado ( passos  evolutivos, claro) de uma ideia e concepção divina. Creio na minha dualidade corpo e alma. A minha vida de gozo no paraíso vai depender de minhas respostas eficazes e prósperas a segunda  pergunta, onde é que eu estou e o que faço aqui onde vivo?
Não custa lembrar que a vida é  curta e a arte é breve. Pelo sim, pelo não, não é demais a gente fazer o melhor, o mais honesto, o mais ético e generoso para com a terra, com os animais de minha espécie e os outros animais classificados por nós, humanos e inteligentes,  como sem almas  e irracionais . Os outros animais são mesmo animais irracionais e sem alma ?
Contou-me uma vez um professor que os mineiros(MG) são muitos existencialistas e filosóficos.  Em uma placa, beira de estrada, próximo a Belo Horizonte havia essa inscrição em uma placa :                DON CÔ VIM, ON CÔ TÔ, QUEM CÔ SÔ.  Vejam que não sou o único com essas dúvidas, minha origem, meu planeta, para onde vou.  
     
João Joaquim médico- cronista DM  joaomedicina.ufg@gmail.com

IMPRENSA E EXPRESSÃO ..



A OVELHA, A CASCAVEL, O TIGRE E A LIBERDADE DE IMPRENSA E EXPRESSÃO

João Joaquim

 Eu sei que serei apenas mais uma gotinha (João gotinha) em tanto molhado no que tem sido o atentado ao jornal  satírico Charlie Hebdo, em Paris, em 07/01/15. Na verdade foram 2 atentados em 2 dias, resultando em 17 vítimas . Somando os três terroristas metralhados pela policia , 20 mortos. Como sou cronista, escrevo para alguns jornais e no meu blog (www.jjoaquim.blogspot.com) não posso deixar de expressar e editar o que penso de terrorismo, liberdades de imprensa e expressão.
O terrorismo, fundado e justificado por ideologia religiosa, a exemplo desses fundamentalistas islâmicos, me parece uma abominação e excrescência em pleno século XXI. Fica a sensação de que esses fanáticos jihadistas e aqueles  do chamado estado islâmico (isis) estão vivendo em pleno  século XIII ou na época das cruzadas da idade media, quando os cristãos  perpetravam as maiores atrocidades contra hereges e infiéis. Muitos desses ditos dissidentes eram muçulmanos . Vejam como é a História , hoje eles mudaram de lado.
Nunca é demais repetir que esses fanáticos e terroristas nada têm a ver com o Islamismo e com os ensinamentos do Corão (Maomé, Alá). Até onde eu já li e me informei as escrituras do corão encerram mensagens de pura ética, virtudes e honestidade. Jamais a violência sob qualquer pretexto.
O mais preocupante e inquietante para todas as nações ocidentais é que esses grupos extremistas vêm recrutando e treinando jovens de outros países (EUA e Bélgica por exemplo). Esses terroristas, de condutas e sentimentos nazifascistas, do estado islâmico e boko haram(Nigéria ), são o que pode haver de mais perverso e facinoroso  em termos de fanatismo e de imposição de seus conceitos religiosos. São ideias e crenças só comparadas á época das trevas, aos mitos pré-culturais da idade média. O desalentador é que se torna muito difícil tais sacripantas e energúmenos mudarem de opinião e de princípios. Fundados em suas crenças ( desvirtuadas dos ditames do Corão ) eles vivem um estado de extremo sadismo e cegueira de entendimento e de  interpretação dos dogmas do Islã .
Quanto ao atentado ao Charlie  Hebdo, trata-se de um ato pavoroso, terrificante e inominável. O destino dos criminosos não poderia ser outro que não prisão perpétua ou serem executados ,como o foram por opção, porque não se renderam à prisão e ainda cometeram outros assassinatos no embate com as forças de segurança francesa .
No concernente  à questão maior em xeque, e, todo o imbróglio do ataque terrorista de Paris ,Liberdade de Imprensa e de Expressão- O que o mundo civilizado e democrático não quer é um xeque-mate nesta que é a maior das liberdades(de imprensa e de expressão ). Como repetido por várias mídias, a linha editorial do Charlie Hebdo é massivamente de teor satírico. A primazia deste humor é criticar os mais altos e conservadores segmentos sociais, entes estatais, políticos e religiões. Até então os editores do semanário não pouparam nem o papa, Jesus Cristo , o  cristianismo e a santíssima trindade. Enquanto debocharam de estadistas e cristãos, retaliações e vingança não  lhes ocorreram, porque cristãos são pacíficos, não fanáticos e não fundamentalistas ( pelo menos na idade moderna).
Então, agora todos sabemos, que quando o Charlie começou a satirizar e ridicularizar o Islamismo, o profeta Maomé e alguns líderes dos fanáticos muçulmanos, aí as ameaças se concretizaram. Primeiro foi em 2011, quando o jornal foi incendiado, e agora com a carnificina dos irreverentes e atrevidos jornalistas com suas  ousadas e grotescas charges envolvendo símbolos sagrados como o corão, Alá e o profeta Maomé.
Sobre a liberdade de imprensa e de expressão. Eu penso que ela não pode ser absoluta e irrestrita. Toda pessoa, instituição pública ou privada e sobretudo religião, personagens ou símbolos sagrados têm o direito à privacidade, ao respeito e ao resguardo da imagem.
Nenhum direito no mundo pode ser considerado absoluto, ao extremo, porque no outro lado  está outro ser, outra pessoa , outro ente, não importa se  profano ou sagrado.
Eu gostei muito do papa Francisco quando de sua viagem pelas Filipinas (15-01-15). Disse ele: “ Você não pode provocar, não pode insultar a fé dos outros, você não pode zombar da fé  . Liberdade de expressão tem limites”( papa Francisco).
A todos aqueles que fazem humor, aos que vivem dessa forma de diversão, desta forma criativa e inteligente de comunicação, como o eram os editores do Charlie Hebdo; eu deixo meu parecer de que liberdade de opinião, de expressão e de imprensa não pode ser absoluta, preconceituosa e extremada. A pretexto de tudo que ocorreu em Paris, concluiu o papa Francisco: “ Você não pode matar em nome de Deus”.
 O que os lideres dos sectários do Islamismo- sejam estes seguidores  fanáticos ou moderados e sensatos- ao sentirem-se ofendidos devem fazer é a procura  dos  meios legais de reparação, como se faz  em toda nação democrática como o exemplo da França. A pura e simples caricatura e galhofa de uma profeta não pode justificar terrorismo e execução de pessoas.
Essa tão discursiva e declamada liberdade de Imprensa e de Expressão ( peculiar nas democracias ) é bom que tenha um mínimo de crivos éticos. Vamos por analogia e alegoria imaginar a liberdade que tenho em afagar uma ovelha com suas sedosas lãs. Aqui nada de nocivo me ocorrerá pela mansidão do animal. Agora imagina a mesma liberdade que posso exercer de forma deliberada e absoluta (ou direito) em tocar uma cascavel ou tigre num zoológico. No mínimo vou ser injetado de veneno ou ter um braço dilacerado pela reação, ferocidade e natureza desses animais. Eles não entenderão a inocência e liberdade de meus afagos. Um jornalista caricaturar e satirizar um cristão ( pacato e manso como ovelha) é uma coisa, agora cutucar um terrorista e fundamentalista( cascavel) pode estar certo de que tolerância e compreensão não terá  . Aqui vale o principio de a cada ação uma reação virá, e  ela poderá ser  da forma mais terrificante e perversa possível . 


    João Joaquim – médico e articulista do DM joaomedicina.ufg@gmail.com  WWW.jjoaquim.blogspot.com

BURRICE E PREGUIÇA




                                CRÍTICAS À BURRICE E À PREGUIÇA 

 João Joaquim 

O mundo moderno, com todas as suas tecnologias, com todo seu aparato industrial, a automação e mecanização de tudo que era antes manufaturado ( feito á mão de fato) trouxe muitas e vultosas mudanças de melhora na vida humana. Isto é questão pacífica e insusceptível de controvérsia. Quem teria a coragem e mesquinharia de criticar o aumento da produção e da produtividade de tudo que se consome neste mundo? Acho que ninguém.
Agora, vale lembrar que evolução  e tecnologias não são inócuas e sem efeitos adversos para os humanos. Fazendo uma rasa reflexão sobre tais desdobramentos da evolução e revolução dos nossos tempos faço uma digressão sobre dois fatos.  Basta um olhar mais atento para perceber como e o quanto esses efeitos colaterais  estão presentes em nossa sociedade , na  era da mecanização, da computação e da digitação em tudo.
O primeiro fato que me parece sem volta se refere a incultura ou burrice  das pessoas. Cada vez mais somos uma humanidade (coletivo de pessoas ) aficionada e dependente de tecnologias, mas pouco preocupada com o aprimoramento e ganho cultural. Cultura aqui “ latu senso”. Não se quer fazer algum reparo ou exigência de uma cultura formal, esta ou aquela faculdade. Curso superior nada tem a ver com sabedoria porque diploma de médico, advogado, administrador se consegue em muitas esquinas de cidades médias e capitais e até na Bolívia, Venezuela e Cuba. Cultura aqui  compreende uma ativa interação social, civil e até política. Como isto pode ser dar na pratica? Na leitura de bons autores nacionais e estrangeiros, na leitura de bons jornais e revistas, na leitura de bons críticos de teatro e cinema; enfim no interesse por muitos segmentos de arte que possam trazer e agregar algum valor na vida em sociedade de cada um.
Atenção ! Uma observação e registro, eu respeito a opção e preferência de cada um. Como a maioria das pessoas está empregando os seus preciosos momentos de ócio, de lazer e entretenimento? Na internet, nas redes sociais, nos seus portáteis aparelhos de mídia,  facebook,  whatsapp etc. Pergunta-se : ao final de cada dia, cada noite, semana, mês e ano; o que esses usuários e internautas ( não seria náufragos?) acrescentaram de bom, de  útil e de  cultural às suas vidas? Na vida  de seus filhos e famílias? Como se trata de um mar de abrolhos ou cama de faquir, melhor deixar tal questão com apenas estes comentários. As pessoas têm o seu chamado livre-arbítrio e ponto final .
Um segundo fato muito presente na vida das pessoas se refere à preguiça. No parágrafo anterior fiz referência ao ócio, que deve ser entendido não como indolência, passividade ou pachorra. Momentos de ócio podem se transformar em horas as mais profícuas e saudáveis de uma pessoa. São períodos nos quais eu não só descanso meu físico, como também e ao mesmo tempo eu posso meditar, refletir, me envolver em uma criação artística; ou simplesmente admirar a natureza, assistir a um bom espetáculo de arte, me interagir com familiares e amigos etc.
O que constatamos nas pessoas de hoje? Uma aversão a qualquer esforço físico ou mental. Cada vez mais somos uma sociedade indolente, morosa,  lenta e preguiçosa.
Nós humanos chegamos a um grau tão alto de passividade e pachorra que inventamos as cirurgias e técnicas de perder gordura e peso corporal. Isto mostra uma certa sandice e debilidade mental com a chegada de  todas as tecnologias modernas. Há controle remoto para tudo, televisor, microondas, porta dos carros, etc.
As pessoas vão se imobilizando, automóvel até para ir à padaria e tudo o mais. Ninguém quer se movimentar, andar a pé, um quilômetro que seja. Pesquisas vem demonstrando que a obesidade e o sedentarismo representam as maiores causas de doenças crônicas e cardiovasculares. São frutos das tecnologias da modernidade.
Quer uma demonstração de insanidade mental em matéria de preguiça ? A pessoa matricula numa academia de ginástica, e vai de carro. É custoso e sofrido caminhar meio ou um km. Outra insanidade ,a moda do personal em casa. O sujeito ou a madame quer malhar, mas tem a pacholice e a preguiça de andar 500m, contrata-se então um personal. Ah, e tem mais,  o nome é pronunciado bem forte e com enorme empáfia peeersonal traaainer . Tornou-se o top model em atividade física.
Outros exemplos da epidemia da preguiça, o jovem, a bela moça passa toda a juventude no sedentarismo, se empanturrando de toda a porcariada de comida e bebida,  vem a deformidade corporal, obesidade antissocial com todos os agravos à saúde. Qual a solução? Tratamentos infrutíferos e nocivos com endocrinologista e outros charlatões, cirurgias de sucção de gordura no abdome, lipoescultura, cirurgias bariátricas etc. Lipoaspiração retira a gordura(s)  do contorno corporal, da barriga; mas aquela do intorno, a visceral , do coração e das artérias está  lá , e estas gorduras invisíveis  são as que causam infarto, derrame cerebral, etc. Para estas há  duas atitudes infalíveis , alimentação saudável e exercícios .
Ou seja, e já dando contornos finais, pode-se diante dessas digressões singelas, mas não menos verídicas concluir que em que pese todas as vantagens e ganhos com múltiplas tecnologias ( transporte, velocidade , comunicação, internet) elas também trouxeram muitas atitudes e comportamentos perniciosos e insalubres ao seres humanos.
Dentre estes ficam aqui consignados dois bem marcantes, a saber, a incultura ou burrice e a preguiça, condições insalubres,  epidêmicas que acometem e afetam a grande maioria das pessoas.  Que triste ! 


    João Joaquim médico- cronista DM  joaomedicina.ufg@gmail.com  WWW.jjoaquim.blogspot.com

CANABIDIOL



OS PERIGOS DA LIBERAÇÃO DE DERIVADOS DA MACONHA
                                                                                                                                            João Joaquim

A imprensa científica (médica) e leiga noticiaram sem muito alarde a liberação do canabidiol (derivado da maconha) pela ANVISA . Esta substância conforme depoimentos de vários neurologistas e outros profissionais de saúde  é eficaz no controle (não cura) de alguns tipos de epilepsia. São formas raras de doença neurológica refratárias a todos os anticonvulsivantes disponíveis no mercado. O principio ativo ainda parece ser eficaz em casos de doença de Parkinson, dor neuropática , esquizofrenia, formas graves de ansiedade e autismo.
A esse propósito em faço dois comentários. Primeiramente aos usuários da cannabis sativa (nome científica da maconha). Aqui considerados aqueles fumantes eventuais (ritualísticos) ou mesmo já adictos da droga. A esses eu já me antecipo, não me venham agora com mais um argumento de inocuidade e inofensividade da maldita verdinha. Ela sempre foi, é e não deixará de ser uma “droga” no sentido nocivo e tóxico do termo. Ainda que não agressiva e devastadora para a saúde humana como a cocaína e crack, a maconha por si só traz grande impacto no comportamento, saúde mental e físico do indivíduo , como também representa um chamariz para drogas mais pesadas.
Vale lembrar, ao que parece,  que o canabidiol, um dos vários princípios ativos da planta, não gera dependência e pode de fato trazer eficácia,  bem-estar e controle de algumas formas graves de doença neurológica que cursam com crises convulsivas, conforme depoimentos abalizados de profissionais médicos. A segunda questão que trago à baila se refere à segurança na fabricação, comercialização e receita da droga. Eu não entraria nem na questão da pirataria e compra clandestina do medicamento, visto que dada a natureza corrupta e antiética do ser humano ele está propenso a vender a própria alma e comprar até o indulto dos pecados junto a algumas igrejas de falsos profetas. Para essas condutas antiéticas e desonestas não há leis ou fiscalização que dêem  jeito.
Eu refiro-me estritamente ao rigoroso controle na dispensação da substância pelos conselhos de farmácia e criteriosas exigências dos conselhos de medicina relativas às prescrições médicas. Qual será a cor da tarja do produto, preta , vermelha ou roxa ?
A esse respeito e para ilustrar minhas preocupações para a saúde humana eu rememoro o lançamento dos compostos diazepínicos (sintetizados na década de 1950). De muitos sabidos, são medicamentos sedativos, ansiolíticos, soníferos com amplo emprego na Medicina por várias  especialidades. Todavia, mercê de normas frágeis dos conselhos de Farmácia e de Medicina, hoje são drogas populares, receitadas até por amigos e vizinhos. Quem por exemplo não usa, ou não conhece o popular lexoton, diazepan, rivotril etc. No Brasil temos muito mais pessoas dependentes e adictas dos diazepínicos do que usuários de maconha ou cocaína. Este consumo se refere àqueles indivíduos que usam esses sedativos e tranqüilizantes sem critério ou indicação médica. Eles o fazem por indicação de outras pessoas ou como automedicação. O que constitui outra prática condenável do brasileiro, uma vez que no Brasil é fácil comprar qualquer droga, inclusive remédios .  Tornou-se um problema de saúde pública.
 Como se sabe a regulamentação e liberação do uso restrito do canabidiol foram decorrentes do clamor de populares, sociedades médicas e grupos de familiares de pacientes portadores de formas graves de epilepsia. Com toda  a colaboração também de muitos veículos da mídia televisiva e impressa.
O que esperamos é que este potente e eficaz canabidiol traga de fato melhora na qualidade de vida para muitos doentes e seus familiares. Mas, que os órgãos fiscalizadores como ANVISA e conselhos de Farmácia e Medicina, não afrouxem no controle de fabricação , comercialização e prescrição   do produto. Com este expediente evita-se  o uso abusivo e indiscriminado desse psicotrópico extraído da maconha , como são hoje os compostos á base de rivotril, lexotam, diazepan e muitos outros psicotrópicos já conhecidos e usados pelas pessoas de forma perigosa  com um alto grau de dependência psíquica e orgânica.      

   João Joaquim-  médico- articulista do  DM  joaomedicina.ufg@gmail.com  WWW.jjoaquim.blogspot.com




FILHOS BASTARADAS DA...



 OS FILHOS BASTARDOS DO  PROGRESSO E DA INTERNET http://www.dmdigital.com.br/?old=1#!/view?e=20150119&p=21



João Joaquim


Como é impactante o progresso e toda forma de invenção  no comportamento e socialização e até mesmo na saúde das pessoas!  Neste começo de 3º milênio (2015) não há como falar de progresso sem recorrermos aos avanços do mundo da informática, dos avanços das comunicações, da indústria de equipamentos digitais e tantos outros produtos relacionados com a internet.
O surpreendente  e curioso é que quando uma sociedade se acha plenamente imersa em determinadas tecnologias fica difícil para as pessoas sobreviverem sem elas. Isto é mais notável  nas novas gerações. Imagine se privarmos  um jovem do uso do telefone celular! Aliás, ex-celular, porque o que a garotada menos faz são ligações telefônicas com as tais maquininhas . O aparelhinho virou um microcomputador de bolso. As novas gerações entraram em uma neura da conectividade, todos ligados e on-line.   Mas, enfim as tecnologias de ponta chegaram não só para facilitar o trabalho em todas as profissões, elas vieram também para mudar atitudes, comportamento, entretenimento , postura em tudo, educação lato sensu e cultura ou contra-cultura e deseducação .
Há certos ramos profissionais e indústrias que dá para se perguntar: e se não existe o tal do computador, dos equipamentos de informática, como seria? O processamento de dados e digitalização facilitou a vida global. Vamos pinçar dois exemplos aqui bem corriqueiros em nossas vidas, a fotografia e a Medicina. Na fotografia, a maioria das pessoas com mais de 30 anos se lembra da trabalheira que era fazer algumas fotos. Havia  aquelas máquinas enormes  e o rolo de filme. Faziam-se as fotos, levava o filme para se revelar e fosse o que Deus quisesse, porque não tinha como conferir a qualidade das imagens. E hoje? Fazem-se quantas fotos quiser ,  até com celular ou Ipad e são conferidas no instante do clique . Não ficou ideal a imagem , deleta-se e nova foto. Tudo pode ser armazenado num cd ou pendrive. Maravilha pura. No 2º exemplo, a Medicina. Muitos já devem ter ficado espantados ao se verem inteiro por dentro em um exame de tomografia ou  ressonância magnética. É evidente que aqui entra uma tecnologia do uso de um radioisótopo, ou apenas do hidrogênio (ressonância magnética ). Quando esses dados são processados e digitalizados ficam a parecer coisas de ficção científica. São as maravilhas da computação gráfica pró ciência, saúde e vida.
Há de se render páginas e mais páginas de louvor  a todo o aparato tecnológico empregado na melhoria das condições de vida,  na saúde, no trabalho, com quantidade e qualidade da produção industrial. Isto está pacificado e sem polêmicas. É consensual .
Todavia, o que também é inegável são os efeitos colaterais ou desvios de função de tantas inovações. Desvios e danos estes que as invenções não têm culpa. O problema está com o ser humano, na sua formação pela família , pela sociedade , pelo meio onde se encontra inserido o indivíduo. Não perdendo de vista que existe um marketing de toda rede industrial e comércio para tornar o cliente um escravo de seus produtos. Como existe também um idolatria pelo consumo e pelo modismo, todos se tornaram presas fáceis do sistema.
Para dar consistência a esta outra face de muitas invenções e descobertas tecno-científicas vamos pontuar alguns exemplos. No campo da Física temos o estudo dos elementos radioativos. São substâncias com propriedades altamente eficazes na produção de energia empregada em indústrias, na Medicina etc. Entretanto a humanidade jamais vai esquecer seu emprego nas guerras, a exemplo da destruição de Hiroshima e Nagasaki na 2ª  guerra mundial. Uma tragédia inominável.
A invenção do avião foi com o fim primordial de facilitar o transporte humano e comercial. No entanto tem sido empregado nas carnificinas de guerra. Não foi por outra razão que seu inventor, Santos Dumont suicidou-se.
Os inventos da internet e recursos digitais são outros exemplos de tecnologias com efeitos colaterais muito danosos aos seus clientes. O emprego abusivo e vicioso das mídias digitais (celulares, smartphone) e da internet ( com as  redes sociais) tem criado uma legião crescente de autênticos idiotas, imbecis e alienados. Já temos um quadro anti-social bem definido de adolescentes e jovens que vivem uma crise de isolamento social. Parcela significativa desses usuários tem a chamada webdependência e/ou transtorno de ansiedade digital. São verdadeiros zumbis ou autômatos humanos que passam grande parte da vida plugados em seus aparelhos celulares, no smartphone, Ipad, tablets e redes sociais. São indivíduos com sintomas de ansiedade, fuga do convívio humano, isolamento social, dispersão familiar e outros transtornos nas relações afetivo-sociais .
 Quer um exemplo desses efeitos nocivos da digito ou eletrônico-dependência ? Os resultados do ENEN e tantos outros testes de conhecimentos em Português, Matemática e outras habilidades escolares. O declínio em conhecimentos nessas disciplinas do ENEN/2014 em relação a 2013, foi de cerca de 10% . Com essa tendência em 10 anos teremos 100% de analfabetos . Mais de 500 mil alunos do ENEN 2014, tiraram zero em redação . Uma tragédia em educação . Isto contando que a maioria esmagadora desses deficientes em educação básica, terminaram o 2º grau e frequentaram um ano de cursinhos pré-vestibular.
Para esses efeitos adversos no uso das tecnologias digitais e da internet a melhor terapia está na prevenção, que deve começar na infância e adolescência, quando pais, famílias e educadores devem orientar e disciplinar o acesso e uso de todos os instrumentos de internet, recursos digitais e jogos eletroeletrônicos. O que parece , segundo cientistas e pedagogos, é uma displicência dos novos pais( igualmente internautas ou náufragos da grande rede)  na criação e educação dos  filhos. As famílias e escolas parecem perdidas, dispersas e distraídas sem saber o que fazer para reverter essa tendência à formação de uma geração que não tem mais o hábito da leitura, de escrever, de pensar, de transcrever para o papel o que pensa. Em tempo, e para que pensar ? Não precisa, os “ celulares” já trazem tudo pensado por outros, ainda que todos os pensamentos prontos sejam de péssima e nociva qualidade. Que triste!
 João Joaquim médico- cronista DM  joaomedicina.ufg@gmail.com