domingo, 29 de maio de 2016

DEMOCRACIA...

DEMOCRACIA É BOM , MAS COMPLICADA EM SUAS RELAÇÕES

“Soldados! Não vos entregueis a esses desalmados. Homens que vos desprezam e escravizam, que controlam as vossas vidas! Que vos ditam o que fazer, pensar e sentir! Que vos condicionam, vos tratam como gado e se servem de vós como carne para canhão! [...]Não sois máquinas! Não sois gado! Homens é que sois! [...]Lutemos pela liberdade!”.Charles Chaplin.

João Joaquim 


Eu sabia que democracia era bom. Eu só não sabia que na forma de presidencialismo era tão complicada. Eu não tinha noção de que a demissão de um(a) presidente da república era tão penoso assim. Penoso, burocrático e tão traumático. Nesse ponto, ao que parece, regredimos . Definitivamente nos tornamos retrôs, de retrógrados. Andamos para trás  mais de 20 anos.
Assim considero porque no impeachment do ex Fernando Collor os trâmites de seu desapoderamento  foram longos e com muito disse-que-não-disse. No da agora quase ex Dilma Rousseff está  também sendo longo, mas o que se gastou de falatório, discursos, papéis, bravatas, insultos, mútuas acusações e outras alocuções  não está escrito e previsto em nenhum inciso  da Constituição daqui e alhures. 
Com tudo isso, sem a contabilização de pizzas, mussarela, salame, cafezinhos, baurus, batata frita, foguetes, fogos de artifícios e outros ingredientes, houve muito consumo de palavras e verbos. Entre algumas estatísticas por exemplo eu gostaria de ver aquela do uso de erudição, do juridiquês e do politiquês. Por exemplo, palavras como procrastinação, postergação, exórdio, preclusão. São termos fora do domínio das pessoas comuns . Haja vernáculo e tanto espetáculo .
Contudo, na sessão do dia 11 de maio 2016, a que acolheu a admissibilidade do impeachment, foi instalado um palavrômetro por alguns órgãos de mídia , mas apenas dos verbetes mais repetidos. Assim tivemos a palavra presidente (a) reverberada 1411 vezes, excelência 717 vezes, pedalada (gastança de dinheiro público) 1352,  fiscal (de pedalada) 913, impeachment 869 vezes.
Enfim eu não imaginava que destituir um presidente (no presidencialismo democrático) era tão complexo e oneroso em gasto de verbas, verbos ,  palavras, e tanto protocolo. E as coisas não param por aqui. Para abertura  do processo do impedimento eram precisos 41 votos, houve 55 a favor.  0 senado tem até 180 dias para instrução, oitivas de defesa e acusação, sessões de comissão julgadora e veredicto final. Ou seja, o que vai haver de chicanas, parlatório e protelação não está escrito em nenhum regimento.
O agora interino presidente Michel Temer fez um discurso exordial (de abertura) que me agradou sobremaneira. Achei-o sóbrio, coerente, conciliador, pacífico. Não falou nada de sectarismo, militância esta ou aquela; nem tão pouco das minorias sem essa ou aquela propriedade ou sem  direitos infraconstitucionais(os fora da Constituição). Exalto aquele seu pensamento de lembrar dos muitos sem emprego, assim dando uma outra semântica aos chamados MST, movimentos dos sem trabalho( desempregados) . Essas mais de 11 milhões de pessoas, são aqueles(as) que querem trabalhar, os chamados desempregados pela crise econômica que se abateu sobre o País. Pena que nesse rol de milhões estão aqueles chamados nem nem . Nem trabalham , nem têm vontade para tal. São os chamados vagabundos por opção. E como os há por aí.
Pontuando um outro gesto do provável definitivo presidente Temer foi sua referência respeitosa à interina ex-presidente Dilma. Isso mostra seu espírito cristão. Ele que tem sido intitulado traidor e golpista pela claque do PT e pela presidente afastada devolve agora em uma moeda de generosidade e civismo. Belo exemplo. 
 Por fim uma frase de relevo do sóbrio e culto presidente foi evocar o termo religião. Religião ( lat religare), religar. Assim ficou exaltado que busquemos ajuda dos céus, de Deus;  e que possamos nos irmanar na mesma energia para fazer do Brasil uma pátria de todos, de paz e harmonia e não uma república de poucos que vivem  à margem das leis , os  privilegiados. Ninguém pode se considerar mais igual do que os outros 200 milhões de brasileiros.
Agora num quesito eu considero que Temer cometeu um equívoco: o de ter auxiliares de 1º escalão( ministros) sendo investigados na operação Lava-Jato. Todos vimos que com 10 dias de interinidade, seu governo já teve uma baixa, o senador Romero Jucá , ex-ministro do desenvolvimento foi afastado por suspeição  de obstruir investigações da Lava-Jato. Contudo, acertou o presidente em exonera-lo até completa apuração da conduta dele( senador Jucá). Devemos lembrar de um principio fundamental de nossos códigos civil e penal de que todos têm direito a ampla defesa e ao contraditório. E como vem reiterando o próprio  ex-ministro investigado, não há nenhum demérito em ser investigado, o demérito é a condenação após o trânsito em julgado.
 Presidente Michel, conte comigo, estou com V. Excia e aberto a críticas positivas! Diferente do paraquedista, morto pela resposta contrária( estou consigo e não abro)  de seu paraquedas , numa única e fatal vez de infidelidade. Que trágico.   Maio/2016.

Manada





EFEITO MANADA    
João Joaquim

Deparou-se-me uma situação comezinha, a que todos um dia poderão ter assistido, mas que me inspirou o tema desta crônica. Não queiram achar-me com laivos de fuga de realidade. Porquanto, um feito, um gesto por mais ínfimo que seja pode dar azo a fatos de maior monta e grande significado.
Com efeito, estava a espiar uma fila de nuvens a se mover no céu de abril. E só não era mais azul pela alvura algodonosa das referidas. Mas, não foram aqueles rituais nubífugos os que tanto me causaram enlevo e incendiaram outros pensamentos. Ao rés do chão, algumas moitas de gramíneas sem flores. Pousada, uma borboleta, relaxada e com ares de adormecida. De repente, ela esvoaçou-se e se foi. Continuei admirado e indaguei: será que causei algum susto, alguma perturbação em tão vaidoso inseto?  Não era! Concluí de fora para mim. Era um vento que se assoprava e o colorido inseto foi-se nesse suave embalo daquela aura vespertina.
No deslizamento do comboio das nuvens no céu e no voo da borboleta pelos ares veio-me outro fenômeno, este agora de maior peso. O chamado efeito manada. É de se pensar também nessa influência universal. Quem nesse mundo um dia não foi movido pela energia do seu grupo, pelos companheiros desse e outros objetivos. Se assim não for, que então se afaste da manada.
Os estudos da efeito  manada têm uma de suas bases na própria natureza, nos animais irracionais. Dessas observações e registros vêm os estudos no comportamento humano. Os dados empíricos, a experiência e deduções de  observações com muitas espécies animais sempre foram os pontos de partida para que os pesquisadores empregassem outros ensaios e pesquisas científicas em tão importantes questões do mesmo comportamento e efeitos na espécie humana.
Nesses termos tornam-se de bom grado e esclarecedores alguns casos bem característicos no meio animal (os irracionais). Numa família de elefantes por exemplo. Quase sempre nos grupos desses bichos há uma fêmea, carinhosamente chamada matriarca, que conduz os demais membros do grupo. Em geral essa matriarca é a mais velha a ser seguida. É a sua maior experiência, melhor percepção sensorial, as razões de ser seguida fielmente pelos outros animais da família.
O mesmo comportamento se verifica com outros animais inferiores. Nos cães por exemplo. Todos tendem a seguir um líder. As mesmas características se verifica nas criaturas humanas.  Nas atitudes, nas iniciativas, nos gestos,  nas mais diferentes ações das pessoas há um comportamento muito repetitivo do efeito manada, à semelhança do encontrado entre os irracionais.
Vamos pontuar alguns expedientes, gestos, mímicas e outros feitos como exemplos do efeito manada entre nós humanos. Na audição de uma música. Se ela tem uma melodia agradável, aos poucos toda a plateia, mesmo se não entende a letra tende a vocalizar as notas e fazer alguma mímica ou movimentos de pés e mãos em harmonia com o vocalista e outros presentes.
 E assim muitos outros cenários dos mais simples  aos maiores expedientes. É uma influência semelhante à cola, à imitação, à repetição dos feitos e atitudes de uma terceira pessoa. Uma experiência já repetida por psicólogos consta do seguinte: um grupo de 10 pessoas é chamado a participar. Isto se dá em via pública. O primeiro participante está caminhando e subitamente para( verbo parar) e olha de forma atenta para uma direção do céu como se estivesse vendo um objeto no espaço. E assim os outros componentes do grupo vão parando admirados, olhando no mesma direção do primeiro membro. O certo é que ao final da experiência, dezenas de pessoas param em busca de ver aquele objeto estranho no céu. Mas, não há nada no céu, que pode estar limpo e azul. Mais que isso, alguns dos primeiros 10 pesquisadores  dizem estar vendo o tal objeto fantasma. Resultado final: vários transeuntes(dezenas) começam a relatar a visão do tal objeto inexistente , por pura sugestão. É o clássico  efeito manada.
O fenômeno ou efeito manada sempre foi e sempre o será uma atitude e ação construtiva e de afirmação em todas as espécies animais.
Entre os humanos ter referencial de gestos e atitudes se torna além de um recurso de sobrevivência em um fator decisivo no cabedal de civilidade e de  educação para a criança e o adolescente. Os primeiros referenciais e modelos para os filhos são os pais. Puro efeito manada. Este comportamento tem uma influência marcante e definitiva , inclusive, na educação como ética e civilidade e até na  personalidade do indivíduo.
As questões negativas e destrutivas do efeito manada entre os homens se dão quando um líder, um guia, um chefe, um governante do grupo opta por incitar e instigar  os outros membros para caminhos e objetivos ímpios, corruptos e criminosos. Nesses efeitos manadas é que muitos seguidores mais manipuláveis e frágeis de caráter se enveredam pelo ilícito, pelo desonesto, pelo antiético e tanta forma de infrações, fraudes e corrupção.
 Muitos grupos no Brasil têm sido tais e agido de forma desonesta exatamente pelo efeito manada. Quão triste!
 Ainda bem que muitos outros brasileiros de bem, puros e éticos seguem outras manadas de honestidade, de civilidade e do bem . Que bom.    Maio /2016.

ANTROPOLOGIA

 ANTROPOLOGIA SOCIAL DA RAÇA BRASILEIRA
João Joaquim  


Hoje deu-me na telha em falar um pouco de Antropologia. A etimologia, de muitos sabida ,vem de anthropos.  Vocábulo grego que significa homem (gênero) e tudo a ele relativo. Curioso como existe um sem-número de palavras que emprega esse radical. Misantropia, filantropia, antropofagia, antropocentrismo entre muitos. Tem até um neologismo, pilantropia , ainda não dicionarizada.
Eu prefiro falar aqui um pouco de Antropologia Social. É um ramo de estudo da humanidade onde se busca caracterizar a espécie humana em suas origens, costumes, religião, organização política, cultura, comportamento etc.
Como o campo de estudo é por demais vasto, o que se pretende nesta rasa resenha são alguns pontos de mais difusão e clara compreensão. Um item que sempre me desperta atenção e aguça até hoje minha curiosidade se refere à classificação racial. E hoje em dia com tantos debates sobre direitos humanos, nos vários segmentos organizados da sociedade, há de se ter até muito cuidado no emprego dos termos. Mas, como não estou me dirigindo a um grupo distinto, vou me deter ora a um e outro termo como equivalentes,  por entende-los de mais clareza. Assim entendo normal dizer raça negra, raça indígena, raça branca. Raça ou Etnia, qual empregar ?
Com efeito têm-se empregado os verbetes raça e etnia como equivalentes. Defendem alguns estudiosos, por exemplo, que raça lembra racial, de discriminação racial e o melhor seria etnia; no que eu discordo porque etnia se refere a um grupo populacional com certa homogeneidade linguística, religiosa, genética e cultura muito apuradas.
Quando se fala em classificação humana, com os estudos atuais, fica evidente que não pode essa tipagem de pessoas se fundamentar naquela mais geral e anterior das três grandes subdivisões. Ainda se fala muito nas três raças principais, a saber a caucasoide ou raça branca, a africana ou raça negra e a mongoloide ou raça amarela.
Em face dos  cruzamentos genéticos e a grande mobilidade e imigração dos povos, essa denominação das três raças já não faz muito sentido. Contudo em que pese as críticas a essas subdivisões temos algumas nações onde existe uma relativa homogeneidade fenotípica e genética das pessoas. São os casos por exemplo da China, do Japão e da Índia. Os habitantes e nativos desses países tem traços faciais e anatomia muito peculiares.
Quando adentramos aos grupos de direitos humanos, às políticas das minorias, percebemos o quanto tais questões de antropologia social ganharam em vieses ideológicos;  em questões meramente de defender os direitos dessa e daquela etnia; ao acesso por exemplo às universidades, a empregos públicos e outros benefícios do Estado. São as políticas das cotas raciais. A mim soam como iniciativas esdrúxulas , porque sugerem um tratamento de atribuir menor aptidão , menos valia e capacidade intelectual inferior a esses contemplados com tais medidas protetivas.
No sentido de abolir  termos discricionários ou com conotação de  discriminação racial  tem até a proposta de eliminar a tal classificação racial. Há uma sugestão de abolir tal nomenclatura e ter-se apenas uma expressão: raça humana. O que não faz sentido. Imagine levar essa proposta para outros gêneros de animais .  A raça canídea , a bovina, a caprina, a asinina por exemplo. Tal expediente se tornaria muito pobre no âmbito de qualquer estudo animal.
Têm sido de conhecimento amplo da sociedade  os debates dos  grupos minoritários e as políticas das cotas universitárias e nos serviços públicos. Cada vez mais vêm surgindo os candidatos às universidades e empregos que se autodenominam de etnia negra. Muitas desses jovens  podem ter até pele e olhos claros, mas se dizem de ascendência negra em nome de um privilégio e vantagem( diferente de direitos)  em relação aos autodeclarados brancos.   São costumes e jeitinhos próprios da cultura  brasileira.
Por falar em Brasil, fala-se muito à boca miúda e em paralelo à nossa História oficial, que hoje já se considera a raça brasileira. Em resumo, assim dizem a historiografia e cultura popular que  ela se deu assim:  primeiramente  veio o séquito de Pedro Álvares Cabral(167-1520), o nosso Pedrão do descobrimento,  Como Pindorama ou a Terra Brasil estava desabitada ,foram de Portugal desterrados vários outros grupos. Então vieram o grupo   dos ladrões, dos salteadores, dos mentirosos, dos defraudadores, dos preguiçosos, dos vadios, dos corruptos , dos sem terra, dos sem vontade de trabalhar, etc. Assim se formou a raça brasileira. Pelo menos é o que dizem, à sorrelfa, e nas rodinhas de bate-papo. O certo é que desde o desembarque dos portugas por aqui sempre foi preciso muita raça para sobreviver neste imenso país. Uma bela nação .               Maio/2016.   

PESADOS E SADIOS...

AS PESSOAS PODEM SER OBESAS , SAUDÁVEIS E FELIZES
João Joaquim  


 Eu já disse e reitero nesse texto, a alimentação na saúde e na vida das pessoas é tão significativa que deveria ser prescrita por (sempre) nutricionistas, médicos e psicólogos. Porque rigidamente tudo aquilo  que bebemos e comemos tem de fato a ver com nutrição, saúde “lato sensu” e equilíbrio psicoemocional.
Trata-se de afirmação sujeita a dissidência, mas vale a pena ser lembrada: a maior causa da obesidade é a ânsia e busca do alimento não como fonte de saúde, nutrição e qualidade de vida, mas como objeto de prazer e pura satisfação do sentido do paladar. As pessoas dos tempos modernos têm nos alimentos uma fonte de alegria, prazer e “felicidade”.
Cada vez mais os diversos ramos das ciências médicas têm se dedicado aos impulsos, aos instintos e  às compulsões por alimentos como causas de muitas formas  de sobrepeso. As causas, na verdade, são multifatoriais, tendo entre elas fatores genéticos, culturais  e comportamentais. Um dado curioso e plausível de compreensão é que muitas pessoas , permanentemente, com peso acima do normal criam uma dependência alimentar muito similar ao fenômeno de adição química à nicotina, álcool e outras drogas.
O fenômeno da dependência alimentar é uma explicação para a alta taxa de abandono das medidas prescritas pelos profissionais que mais trabalham com esses grupos de pessoas, os nutricionistas ,  médicos nutrólogos e endocrinologistas por exemplo. Os intitulados adictos (dependentes) alimentares, em graus moderados e pré-mórbidos são os de maior risco de insucesso (recidivas).
Para os obesos classificados como mórbidos existem as chamadas cirurgias para obesidade. São procedimentos complexos, que conforme a técnica empregada, traz um grande risco no período trans e pós-operatório. Não é sem razão que tais pacientes passam por uma rígida avaliação antes dos procedimentos ( pouco ou muito invasivos) com uma equipe multiprofissional; e  para tanto é exigido um extenso consentimento informado de todo candidato a tais tratamentos.    
Em nome de esclarecimento e informação transparente para a sociedade é bom que se registre. O índice de fracasso das chamadas cirurgias da obesidade é muito alto quando se considera um acompanhamento de longo prazo, de pelo menos 5 anos. Hoje, com a popularização dos procedimentos, se tornou fácil fazer essa estatística em um período mais alongado. Os índices de insucesso a partir de 2 anos são muito altos. E esse fracasso na perda de peso se explica pela própria natureza de uma doença de causa multifatorial. Tratar qualquer enfermidade que envolve adição (semelhante ao vício de dependência do álcool ou fumo)mais  ansiedade e comportamento de origem familiar representa um desafio para toda especialidade médica.
Em que pese ter toda forma de obesidade alguma marca genética a educação alimentar tem uma influência marcante. Essa educação terá mais chance de sucesso quando feita e iniciada na primeira infância. Tal tarefa cabe aos pais e aos cuidadores (babás, avós e responsáveis) pela criança. Para tanto basta lembrar que a criança nasce com o gosto ou sentido do paladar como uma tábula rasa ou lousa em branco. Ela aprende a ter prazer com o salgado ou o adocicado, se a ela for oferecido tais aditivos em qualquer alimento. É inadmissível e gesto de insanidade dar a uma criança abaixo de 5 anos toda forma de suco natural (da fruta, não industrializado) com açúcar ou mel e outras guloseimas contendo sal como biscoitos, bolachas, e salgadinhos.
Tais práticas, de alimentos com aditivos de açúcar ou sal em crianças de baixa idade,  constituem atitude condenável  de pais, babás, responsáveis , creches e escolas .  Uma criança e adolescente oriundos de uma família com estilos de alimentação errônea, hipercalórica e desbalanceada se tornam fortes candidatos a obesos crônicos e intratáveis; os tão encontradiços obesos mórbidos.
A obesidade constitui hoje uma pandemia de difícil controle. Trata-se de uma doença que não se encerra em apenas um biótipo de muita restrição e discriminação psicossocial e rejeição  do acesso ao mercado de trabalho;  mas em uma entidade mórbida com um amplo espectro de comorbidades( hipertensão, colesterol alto, diabetes) de permanentes impactos na qualidade e expectativa de vida de seus portadores. 
Como mensagem final, eu , como médico cardiologista, diria aos obesos de difícil controle. Cada um pode ser um obeso(a) saudável e feliz. Dieta não significa passar fome. Pode-se alimentar bem e estar sempre saciado com alimentos de baixa caloria, pouca gordura e manter todos os indicadores de boa saúde normais; como as taxas de colesterol, de açúcar(glicose) e pressão normal;  tendo inclusive a prática regular de atividade física. Quantas pessoas crescem e vivem de bem com a saúde e com a vida, sempre acima do peso? Quantos idosos obesos de 80, 90 , 100 anos não temos à nossa volta. Sempre foram obesos assumidos e normais. Essas pessoas provam que cuidando-se bem ,  fazendo consultas e revisões médicas regulares, etc, o excesso de peso  se torna um mero detalhe da silhueta corporal.   Maio/2016.

OS X, Y, Z

OS CLASSIFICADOS E OS SEM CLASSE
João Joaquim


Uma das ocupações permanentes da humanidade é a classificação das coisas. Porque de fato esse expediente dos humanos facilita a comunicação, o entendimento e compreensão de nossa própria existência. Aliás, tal maneira da relação entre os seres e animais iniciou lá no Éden , quando Deus deu nome aos bichos. Os mamíferos, os anfíbios, as aves, os irracionais, os répteis e assim em frente.
 Nós homens e mulheres fomos classificados de racionais. Darwin e seus seguidores adotaram os termos aptos, e mais aptos, os mutantes e não mutantes, adaptados e desadaptados  e assim até o fim do mundo.
Por falar em seguidor, olha aqui uma classificação dantes , de sempre e que  agora  ganhou energia e corpo na era da hipermodernidade. Desde a antiguidade tínhamos os seguidores de Abraão , de Moisés, de Confúcio, de Buda. Nasceu o salvador e passamos a ter os seguidores de Jesus Cristo. Já em tempos da era industrial tivemos os seguidores de Stalim, de Mussolini, de Hitler etc. Temos aqui no Brasil os seguidores de um Edir Macedo, de Lula, de um Prestes, de um Ustra, de um Bolsonaro.
Na época da hiperconectividade, voltamos aos tempos dos seguidores. São aqueles que de forma ininterrupta( todos on-line e grudados nas mídias) acompanham os classificados ídolos, heróis, expoentes desse e outro segmento social, profissional e díspares  setores desse mundão de meu Deus e de todos os humanos. E aqui à guisa de alguns desses filões de ídolos e heróis podemos lembrar os ídolos e heróis, que  por  alguns dias ou  meses se passam como tais , de algum  BBB da Rede Globo,  e reality shows de outras emissoras; de algum galã da novela das 21:00 horas; de algum craque milionário do futebol; de um cantor sertanejo ou funk etc. Ou seja; o que não faltam são os seguidos e seguidores. Os “amigos” e usuários das redes sociais sabem muito bem o que seja ser seguidor dessas e outras personalidades.
Por falar em classificação, da mania dos segmentos da sociedade civil em classificar as coisas e pessoas, eu não posso omitir-me numa nominação   de gente. Ela surgiu na hipermodernidade. Todos já ouviram falar na chamada geração X; tal classe X refere-se àquelas pessoas nascidas antes de 1980. Mais especificamente antes da internet. Eu por exemplo. Nasci nessa leva de pessoas. Em meus tempos de colégio, telegrafia e datilografia eram aquisições de luxo. Telefone fixo era recurso da burguesia e indicador de status socioeconômico. Respeitar os pais e mais velhos era educação vinda do berço.
Quanta diferença dos classificados de última geração (de que falo já). Hoje telefone celular é objeto descartável. O jovem moderno pode ter quantos números, de quais operadoras desejar. De cada número se compra um chip no camelódromo. Não há nenhum controle de qualquer órgão governamental. O número de celulares ultrapassou em muito o de habitantes. O IBGE já desistiu de contar. Virou pirataria nacional. Com a internet veio a classe da geração Y. São os nascidos entre 1980 e 1990. Iniciou-se a turma ou galera dos conectados. No começo era a sociedade dos internautas, dos chats, dos amigos do Orkut e dos  e-mails. Os jovens Y, ainda o são, 25 anos a 35 anos, ainda liam ou digitavam mensagens, trocavam ideias por conferências e chats on-line etc.
Com a eclosão das redes sociais, a partir dos anos 2000, surgiu uma nova classe de pessoas, a geração Z. Se alguém lembrar de zero não está de todo errado. Z também de zoar, de azarar, de zoeira .  Muitos jovens da geração Y migraram para Z; haja azaração.
As tão massificadas redes sociais; facebook,  whatsApp,  twitter e instagram; são as que deram azo e asa à geração Z. Se a geração y foi a responsável pelo chamado internetês, a Z enterrou esse dialeto. Toda a comunicação agora é audiovisual. Ninguém mais digita, tecla ou lê.
Tudo se resume a um toque. Só áudios e imagens para tudo. Será que virão outras gerações. O pior é que acabaram as letras do alfabeto. Bom! Pode-se recomeçar Z1, Z2.....
O que remanesce de certo e merencório é que os atributos dos jovens X se tornaram algo careta e motivo de mofa e desprezo para a garotada e jovens classe  Y e Z. Vivemos tempos onde filhos mandam e escarnecem dos pais e professores, quando não os agridem moral e fisicamente, se julgam no desplante de ter privilégios, de ter os melhores pertences da moda como tênis, comidas das melhores e roupas de grife. Civilidade , cidadania, estudo e trabalho  passam longe de seus ideais.   Parecem mesmo um zero à maneira comunista.    Maio/2016.

CO(RRUP)RAÇÃO...

COM MUITA CORRUPÇÃO MORRE-SE MAIS DO CORAÇÃO
João Joaquim 


 Uma curiosidade que invade minha consciência e imaginação nesses conflagrados dias do impeachment de nossa primeira mulher presidente, foi a seguinte: qual a relação que existe entre corrupção e coração? Como do país inteiro sabido, o dia 12 de maio 2016 ficará para a história como o começo do fim, do fim  do  governo da presidente Dilma Rousseff. Em nome da fidelidades dos fatos ; que as futuras gerações saibam, ela não está sendo impedida de gerir o Brasil por ser mulher. Longe disto! Sua despedida se dá por outras razões assim delineadas.
Sua exoneração do cargo, aliás muita penosa e traumática, se dá motivada por muitas pedaladas. E não por pedalar todos os dias em sua bike, nas cercanias do palácio da  alvorada, mas pura e simplesmente  por pedaladas fiscais. Fiscal no sentido fazendário, ou de milhões, bilhões de reais gastos sem autorização do congresso nacional. Segundo acusam-na o TCU( tribunal de contas da união ) câmara e senado, tais montanhas de dinheiro  foram gastos à semelhança de um “cheque especial”. Naquele velho lema : gasto agora e depois vejo se dá para acertar.
Mas, em tese, corrupção e coração. É o mote da presente crônica .  Tudo tem a ver uma coisa com a outra. E de todas essas coisas, sairá algum resultado que magoará o nosso tão místico, tão simbólico e vigoroso órgão de muitos sentimentos, do amor e da vida, O Coração.
 Na primeira consideração devemos ter em conta, o ponto de vista dos corruptíveis não participantes da corrupção em voga (mensalão, petrolão como exemplos). À luz da chamada medicina baseada em evidências, e mesmo da medicina psicossomática, se sabe que a inveja e a cobiça maltratam o coração, fazem aumentar a adrenalina (hormônio do estresse). Assim, todo brasileiro corruptível, não contemplado com os frutos e furtos da corrupção, por somatização, passará por situações de dor precordial, cefaleias, dores no peito, opressão torácica; todo um conjunto de sintomas semelhantes a uma cardiopatia. E de fato, conforme estudos de casos-controle, esses indivíduos têm maior risco de angina, arterioesclerose( que também envelhece a pessoa) e infarto do miocárdio. Somados a outros fatores mórbidos como cigarro, alcoolismo, sedentarismo e colesterol, então, é que o quadro pode antecipar e desandar, e o potencial corrupto sofrer infarto e outros eventos vasculares de alta gravidade.
 E sob a ótica e ética  do brasileiro honesto e probo, o que pode haver de nexo causal entre corrupção e coração ? Se aplicam as mesmas evidências( da Medicina Baseada em Evidência e da Psicossomática ) . Sabe-se que a indignação é causa de doença cardíaca e morte prematura. A frustração, a angústia e a desesperança da pessoa honesta colocam-na em maior risco de sofrer do coração. Se o amor, a alegria e a felicidade são energéticos e vitamínicos  para o nosso coração, o ódio e a revolta representam toxinas e venenos que o aniquilam, estrangulam e matam-no lenta ou subitamente. Aqui então é que se dão aqueles princípios morrer de medo, morrer de raiva. Quantas pessoas morrem subitamente do coração sem nenhum aviso ou sintoma prévio?
Por último, um fator que não se pode perder de análise entre corrupção e maus tratos ao coração refere-se ao dinheiro roubado e não investido em saúde. Basta lembrar o quanto de pessoas desassistidas temos visto por esse Brasilzão a fora. Sem marcapassos, sem stents, sem cateterismo, sem válvulas cardíacas, sem uma simples aspirina ou sinvastatina. Ou seja, não precisa nem um tantinho para deixar tanto coração em completo desatino. Como já sentenciou um meditabundo caboclo, em se tratando de material, medicamentos e outros recursos no SUS há uma “fartura” em tudo. “Fartam” desde leitos hospitalares até vergonha na cara dos governantes por promessas não cumpridas.
O que se espera é que de ora avante, todo homem público aja com o máximo da razão e coloquemos um ponto final em tanto mal como a  corrupção que tanto estrago  faz ao  coração, a brasileiros honestos  e a toda uma nação. Maio/2016. 

OS MAIS =S

OS SUPREMOS PRIVILEGIADOS E MAIS IGUAIS DESTE BRASIL 

JOAO JOAQUIM


Embora por formação e confissão seja eu leigo em Política e Direito, gosto muito de ler e de me informar sobre determinados assuntos. Em todas as fontes buscadas e consultadas não encontro explicações convincentes e razoáveis para minhas dúvidas, que acredito ser também a de muitas outras pessoas. Leio por exemplo a Constituição atual (editada e promulgado em 1988), código penal (muito antigo) e civil (2002). Por exemplo, alguma dúvida eternizada: por que da tal imunidade parlamentar?
 Explicações de especialistas: ah essa prerrogativa foi criada para o parlamentar ter direito a expor suas ideias e opinião. Tal justificativa hoje não faz sentido, considerando que não há censura de opinião e expressão. Por que do tal foro (tribunal) especial? A explicação é idêntica à da imunidade e também  sem sentido em nossa democracia vigente. Porque a liberdade de opinião e expressão  também não pode ser absoluta e irrestrita. Imagine, como modelo, um parlamentar que defendesse a prática de pedofilia ou atos e pregação do nazifascismo? Isto seria intolerável aos olhos da sociedade e ao crivo do Judiciário, nosso defensor e guardião das leis e da Constituição.
Outra dúvida que não me sai da cabeça: por que para processar e condenar um político é tão moroso e quase sempre os processos não resultam em nada? Até mesmo ex políticos, poucos estão na cadeia. Mais uma: por que para banqueiros, grandes traficantes, próceres e poderosos tem sempre um juiz ou ministro do supremo tribunal federal  de plantão para garantia de habeas corpus ou liminar a favor do acusado ?
Uma das justificativas  dessas pessoas não  serem condenadas é o julgamento tardio e prescrição das penas. O grande Ruy Barbosa , dizia que justiça tardia não é justiça. Agora imagine então a prescrição de penas por falta de julgamento em tempo hábil . Mais uma dúvida no meio político: por que em muitas investigações e processos, os investigados são apenas destituídos dos cargos (cassados), e voltam para a vida privada incólumes de qualquer reparação pelo que roubaram , por  improbidade administrativa, peculatos e outros  delitos?
No mundo dos endinheirados e ricos é notório que muita impunidade se vê pelo poder pecuário que detêm muitos dos criminosos e o tráfico de influência que exerce o dinheiro e a cooptação que esses agentes têm com políticos e autoridades.
Uma outra razão de impunidade é a prática corporativa de muitas categorias profissionais. São os casos por exemplo de um delegado, de um oficial militar ou integrantes de ministério público e judiciário. Quando surge um delinquente nessas classes profissionais, como é difícil  um justo julgamento e uma justa condenação. Alguns recebem como pena uma aposentadoria compulsória. Parece que esta modalidade punitiva só existe no Brasil. O sujeito comete um crime, é destituído do cargo e ainda aposentado, com aquele salarinho que todos sabemos.
O que se tem de esperançoso e promissor é que a sociedade cada vez mais vem se tornando mais e mais participativa, mais informada, mais cobradora e tudo vem mudando para melhor. Todos sonhamos com um mundo melhor.
Como    exemplo desse relevante papel das pessoas e sociedade  eu citaria dois exemplos bem contundentes e atuais. Um, o impeachment em curso da presidente Dilma Rousseff. Outro, a prisão do senador Delcídio do Amaral, já com mandato cassado.
Uma outra grande dúvida, ou melhor enorme estranheza que me causa é a operação lava-jato. Trata-se de  enorme investigação da Policia  Federal e Justiça Federal, sediada em Curitiba PR, onde se investiga corrupção de empreiteiras, Petrobras e partidos políticos. Por que até agora nenhum político foi preso, só empresários? Ou seja, os mentores e chefões dos carteis e quadrilhas estão livres, leves e soltos. Alguns nos comandos do legislativo e do executivo. Algum ex político preso representa caso pontual . Mas , são raros.  Há muito blábláblá e pouco punição .
Enfim, voltando à Constituição, o que parece é que o seu artigo 5º  não tem sido aplicado a alguns cidadãos desse país. Muitos, entre tantos, como autoridades, ex isso, ex aquilo, políticos, parlamentares, coronéis e caciques de Estado se mostram bem mais privilegiados, com direito a foro e julgamento especial e no fundo e ao cabo mais iguais do que os outros brasileiros. Só no Brasil mesmo! Foi daqui do Brasil que surgiu o refrão , políticos e autoridades constituem uma classe de pessoas mais iguais do que os outros iguais perante a lei. Maio/2016.  

BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA...

A SATISFAÇÃO E ORGASMO  PELA  VINGANÇA E VIOLÊNCIA 

Chegamos a um estágio de tanto culto, gosto e banalização da violência, que o agressor é capaz de cometer atrocidades as mais hediondas, de comprazer junto aos amigos, rir de seus atos e ainda postar tais atrocidades em redes sócias. Estamos todos perdidos, perdemos pelo visto nossa humanidade e capacidade de condoer com a dor do outro.
João Joaquim  


Alguns ramos das neurociências tratam e explicam bem os sentimentos humanos como o amor, o ódio, os sentimentos de vingança, a generosidade, a solidariedade entre muitos outros. Enfim, essas especialidades de saúde como a psicanálise e psicologia até tratam e explicam muito esses atributos neuropsíquicos  de nossas relações com os nossos semelhantes, com a flora e fauna e a natureza como um todo. Todavia, ficam algumas perguntas  não respondidas   quanto a por exemplo esses dois sentimentos: o primeiro, a vingança. Por que há indivíduos que frente a uma ofensa, por pequena que seja, têm uma sede insaciável da desforra e do desagravo, chegando muita vez à eliminação do outro?
A melhor opção que defendo a uma ofensa ou injúria, sem um pedido sincero de desculpa do ofensor, é um compromisso tácito e íntimo ou mesmo expresso de não vingança, embora essa lembrança não se possa ser apagada da memória. Pessoalmente , frente à alguma crítica infundada e acrimoniosa à minha pessoa e honra, algum ato não me devido ou qualquer gesto reprochável por simples fofoca ou inveja ou outra razão que o valha; eu como resposta sempre  procurei fazer dele uma troça, um chiste e  mesmo me inspirar e  criar até uma crônica de humor. Sempre foi a melhor revindita que achei. Ninguém é consenso no mundo dos néscios e amesquinhados. Nunca iremos ser unanimidade ante os intentos éticos ou patológicos de todos.
O segundo sentimento que tento saber seus mecanismos é o gosto ou atração do ser humano pela violência. Quando se fala em violência devemos entendê-la em todo o seu espectro. Assim podemos descrevê-la tanto em seu estado micro como macrodimensional (permitam-me o neologismo). No seu estágio maior podemos ter como exemplo a violência do Estado contra o cidadão. E como tal ela não ocorre somente nos regimes tirânicos de exceção. O Estado comete violência em toda forma de omissão, seja na saúde, na educação, na segurança e infraestrutura qualquer. Imaginemos como modelo as rodovias mal conservadas do Brasil, as vias urbanas esburacadas, hospital caindo aos pedaços! As condutas dos homens públicos, em se falando das tiranias, representam o suprassumo dessas pessoas em questão do gosto ou prazer (mórbido) pela violência. Basta rememorar as perseguições políticas,  o cerceamento à liberdade de expressão e opinião, as execuções de adversários .
Em seus estágios menores quantos gestos são praticados no dia a dia de violência? Eles são repetitivos no cotidiano de todos. Sejam esses atos contra a natureza, contra os animais domesticados ou selvagens, contra o meio ambiente. São às centenas, milhares por dia. O que ocorre nesses casos é um processo de analgesia ou anestesia das pessoas. Pela repetição, nós humanos vamos perdendo a capacidade de espanto e de indignação com tudo fora da norma, da ética , do legal, do humano, do que se convencionou  como cartilha básica de convivência.  Para melhor contextualizar o gosto, o mórbido prazer das pessoas pela violência vamos buscar a aplicação de uma responsabilização civil, penal ou política de um culpado(a) por esses “delitos”. O que preconiza o código penal no caso de um furto? Que o réu cumpra uma pena de reclusão. Essa vingança imposta pelo Estado como legal  é o que expressa a lei de forma enfática e cristalina. É o que se chama em Direito de dosimetria da pena , que não pode ser nem de mais nem de menos. Justiça é isso  ,é atribuir a cada um o que lhe é  de dever e de direito.
Fica aqui a pergunta: quantas pessoas, especialmente se forem as vítimas, não gostariam de além dessa pena imposta, ver o condenado sendo injuriado, torturado ou até executado pelos agentes de Estado (policiais)? Quando não o fazem com as próprias mãos.  Um outro exemplo bem em voga. No impeachment da presidente Dilma Rousseff. O que diz a constituição no referente à sua responsabilização e punição? Está lá de forma irretocável e indiscutível: cassação do mandato e dos direitos políticos por oito anos. Ao que assistimos? Dos mesmos parlamentares que redigem e aprovam as leis ouvimos ofensas e injúrias nos mais variados graus de menosprezo, vilipêndio e agravo à pessoa da presidente. Tudo ao vivo e a cores para o Brasil e para o mundo.
Por fim um genuíno exemplo da morbidez atrativa e gosto pela violência eu citaria o absurdo que chamam de esporte, as lutas de UFC. A última de que tenho notícia no UFC 198(maio de 2016), contou com mais de 45000 pessoas presentes e cerca de 50 milhões de telespectadores pelo mundo. O combate durou dois minutos e meio. É o tempo que o vencedor com socos, coices e cruzados levou o vencido à lona; desmaiado, e com o rosto cheio de hematomas e outras injúrias internas, que em geral de forma silenciosa levam o lutador a sequelas neurológicas, doença de Parkinson e viver uma vida vegetativa futura. É muito triste.
Tudo isso, ou só isso, diriam  os apreciadores de violência, com ingressos caros , sob apupos e  demorados aplausos. Os organizadores e empresários do ramo de lutas marciais, pugilismo etc,  chamam toda essa selvageria de esporte e entretenimento. Imaginem, se não fosse hein!          Maio/2016