quarta-feira, 27 de maio de 2009

CIGARRO FAZ BEM `A SAÚDE ...

O CIGARRO FAZ BEM À SAÚDE DE ALGUMAS PESSOAS..



João Joaquim de Oliveira *


O tabagismo é a principal causa evitável de morte em todo o mundo. Nos EUA cerca de 500.000 pessoas morrem a cada ano de doenças provocadas pelo cigarro. Este número equivale a 20 % de todos os óbitos naquele país. No Brasil esta cifra chega a 150.000 mortes / ano. As grandes campanhas contra o tabagismo tiveram seu marco em 1964 quando as sociedades médicas norte-americanas alertaram sobre a significativa relação entre os componentes do cigarro e câncer de pulmão . O primeiro e segundo exportadores de cigarro são EUA e Brasil respectivamente. Como a produção americana vem caindo e a do Brasil aumentando, estima-se que em breve o Brasil se tornará o principal produtor e exportador de tabaco. Liderança esta nada promissora pelos impactos que isto representa para a saúde pública doméstica e mundial
O tabagismo é tóxico para qualquer ser vivo, determinando a morte inclusive de insetos herbívoros que tenham contato com a flor e folhas do vegetal . A toxicidade torna-se maior se ele é seco e queimado como ocorre na brasa do cigarro cuja temperatura excede 800o C , quando então por reações de pirólise surgem outras substâncias extremamente tóxicas ao organismo. Todas as formas de apresentação do fumo são altamente lesivas; sejam elas em pasta, rapé, pó nasal ou as diversas formas fumadas como cigarro artesanal, industrial, charuto ou cachimbo.
Os malefícios para a saúde são proporcionais ao número de cigarros fumados/dia e tempo do vício. Todavia, vale ressaltar que existe interação com outros vícios como álcool e drogas ilícitas, além da susceptibilidade individual para sofrer esta ou aquela doença causada pelo cigarro. Quando o fumante , mesmo leve, tem alguma condição mórbida (doença) ainda que incipiente ou controlada, a exemplo de hipertensão, diabetes, cardiopatia, o risco de um evento mórbido com sequelas ou morte súbita é bastante alto.
Popularmente há alguns mitos e verdades sobre o tabagismo que precisam ser esclarecidas . O hábito de o fumante não tragar a fumaça como acontece com os apreciadores de charuto e cachimbo de fato reduz a chance de câncer pulmonar, mas aumenta as taxas de câncer de boca e vias aéreas altas como faringe e garganta. O filtro do cigarro diminui a incidência de câncer pulmonar mas aumenta o risco de infarto. A explicação, nesta última circunstância, se dá pela fumaça aspirada altamente concentrada em monóxido de carbono (CO). O filtro limita a aspiração (diluição) do ar ambiente (rico em oxigênio), aumentando a saturação de monóxido de carbono para os pulmões. O CO é um dos maiores causadores de doenças cardiovasculares, entre elas a mais mortal o infarto do miocárdio.
Os tão propagados cigarros de baixo teor nicotínico trazem em sua composição muitos aditivos químicos que os tornam mais odoríficos, mas cujos efeitos são igualmente tóxicos como a nicotina. Por terem baixo teor de nicotina o indivíduo tende a fumar mais unidades/dia, sofrendo portanto, a mesma toxicidade dos cigarros com teor normal de nicotina e alcatrão.
O fumante passivo, aquele que convive diariamente com um fumante ativo ,está exposto aos mesmos riscos. Esta ameaça se explica pela corrente de fumaça lateral do cigarro e pelos tóxicos expirados pelo fumante, sendo agravante quando esta convivência se dá em ambiente fechado como dormitório ou ambiente de trabalho.
As principais vítimas do tabagismo passivo são os cônjuges e filhos de fumantes. Crianças de pais fumantes têm sérios riscos de contrair doenças respiratórias como asma, bronquite , infecções respiratórias e formas graves de câncer .
Trabalhos científicos mostram que o cigarro , quando aceso, exala cerca de 5000 substâncias tóxicas. Destas as principais são a nicotina, alcatrão, benzopireno e o monóxido de carbono. Os principais efeitos nocivos seriam bloqueio respiratório, desorganização da divisão celular, deficiência imunológica, formação de células cancerígenas, déficit circulatório em órgãos vitais (coração, cérebro, rins), impotência sexual, infertilidade conjugal, etc. As maiores causas de morte no fumante são, infarto, derrame cerebral, câncer (de pulmão, vias aéreas altas, boca e todo o aparelho digestivo, rins, bexiga e colo de útero), doenças pulmonares (asma, bronquite, enfisema).
Pelo contato direto com a fumaça ,os órgãos da respiração , especialmente os pulmões, tornam-se o alvo principal das ações deletérias do cigarro. O pigarro, a tosse , a respiração entrecortada e ofegante são comuns a todo fumante e sinalizadores de doença crônica futura se o vício não for abandonado. Para chegar ao enfisema basta comparar o pulmão a um fole; um sistema elástico cuja função primordial é a troca do dióxido de carbono(CO2), expelido pelos pulmões , por oxigênio atmosférico. A nicotina e demais tóxicos destruindo estas fibras elásticas tornam o pulmão como uma bexiga inelástica, insuficiente, cheia de CO2 e outros tóxicos, intoxicando e comprometendo todo o organismo. No coração e sistema circulatório as principais conseqüências do fumo são a aterosclerose, a hipertensão, os derrames cerebrais, a coagulação do sangue, a trombose venosa ou arterial e o infarto do miocárdio.
O maior risco e temor ao fumo decorrem de seu potencial cancerígeno e mal-formações fetais. O cigarro possui cerca de 60 cancerígenos, com agressivos efeitos sobre o DNA, os óvulos e os espermatozóides. Assim pode causar câncer não só no fumante mas ,em sua prole. Das mal-formações congênitas as mais comuns são o lábio leporino(grave malformação labial, por vezes associada com anomalias de cavidade oral, garganta e pálato) e as cardiopatias congênitas .
O combate e o tratamento do tabagismo deveriam começar pela restrição à sua divulgação e propaganda. Considerando o cigarro uma “droga lícita”, as leis relativas ao “marketing” mostram-se pouco eficazes. O principal meio de propaganda é o próprio viciado que exerce um efeito cascata na perpetuação do hábito em todos os seus contatos sociais.
Existem várias modalidades terapêuticas para o tabagismo. As medidas mais eficientes como em todo o vício seriam o esclarecimento por profissionais de saúde, escolas e órgãos sanitários sobre os riscos da dependência.
Com a decisão tomada de abandonar o vício, o fumante dispõe desde medidas psicoterápicas, aconselhamento médico, acupuntura, grupos de ajuda compostos de ex-fumantes e medicamentos que vão atuar minimizando a ansiedade e outros sintomas da fase de abstinência. Entre os fármacos podem-se empregar os antidepressivos, tranqüilizantes e mais modernamente os adesivos cutâneos de nicotina. Esta nicotina absorvida através da pele vai atuar diretamente no cérebro saciando o desejo de fumar. Não constitui medicamento milagroso. Deverá ser usado em doses decrescentes com o objetivo apenas de auxiliar nos sintomas de irritabilidade e ansiedade comuns no período de “desmame”do cigarro.

Como se vê, após a leitura deste artigo , o cigarro faz muito bem à saúde. Obviamente que à saúde contábil das indústrias do tabaco e pessoas que comercializam o cigarro . Estas sim, desgraças à saúde e vida dos fumantes, têm a saúde financeira cada vez melhor .




* João Joaquim de Oliveira médico -

Um comentário:

Greciely disse...

ADOREI O ARTIGO,"PARABENS"...BJS