INFLUENCIA DIGITAL
A EPIDEMIA DOS
INFLUENCIADORES DIGITAIS
João Joaquim
Eu fico a imaginar qual teria sido o
resultado da 2ª guerra mundial, nos seus
horrores, se naquele tempo já existisse a internet com sua ubíqua
conectividade, com suas ubíquas redes sociais. Será que os resultados de perversidades,
o catastrofismo seriam os mesmos?
Impossível de se ver e de se
imaginar. Algumas indagações simples seriam: todos aqueles soldados e os
oficiais participantes e cúmplices tinham algum distúrbio psíquico e
psicopático ou foram coagidos e induzidos a participar das cenas do holocausto?
Como lembrete, holocausto (de holo,
completo, inteiro; e causto, queima, incineração). Esse era um processo de
morte coletiva de grupos e minorias pelo nazismo de Adolf Hitler .
Lamentavelmente, em alguns pontos do planeta, são cometidas atrocidades
semelhantes. Talvez não com gases
tóxicos, mas com outros meios igualmente cruéis e sanguinários. A guerra na
Síria, tem sido um desses macabros e hediondos exemplos mundo afora.
A violência de pessoas desumanas
contra outras de seu grupo (o homem como lobo do homem, conforme teorizou
Thomas Hobbes em o Leviatã)) permeia todas as sociedades, em todos os grupos
étnicos, contra todas as classes minoritárias, contra todos os estilos de vida
e opções sociais e de comportamento. Não precisa nem estar na Síria , em Cuba, no Afeganistão ou Coréia do Norte.
Tal mais prolixa introdução foi
apenas um modo de dar vazão a outra questão, de natureza igualmente em
profusão, que é a influência digital. A era da internet e redes sociais
propiciaram a que tivéssemos então a época ou a vez dos influenciadores
digitais. Eles ganharam corpo e voz e pululam pelo espaço virtual como
bactérias em provetas de leveduras e
outros meios de cultura. Alguns surgem para o bem, pena que são minoritários,
porque divulgam cultura, entretenimento de bom gosto e cultura. Mas, em
profusão, e aos borbotões têm-se os mercadores de futilidades, inutilidades e
toda sorte de platitudes e mediocridades.
E eles, em se tratando de Brasil
ganham fama, visibilidade e sobrevivência. E pela singela razão de que vivemos
um contínuo processo de idiotização e imbecilização. Somados os absolutos e
funcionais somos quase 100 milhões de analfabetos. E referidos influenciadores
digitais nem precisariam desse rebanho de cegos escolares ou pessoas na rota da
contracultura.
Na vigência e existência dos
formadores de opinião, de estilo de vida, de opção cultural, do que comer e
vestir, dos gurus, dos profissionais de autoajuda, entra em ação um fenômeno que passou a ser
estudado após a 2ª guerra mundial. Esse
período belicoso, motivou, entre outros estudos, este de grande relevância no
entendimento do cérebro, da mente e do comportamento das pessoas. Foi-lhe dado
o nome de CONFORMIDADE SOCIAL ,
porque passou a ser estudado e debatido pela psicologia social. Mas , afinal o
que vem a ser o processo de conformidade social? trata-se de um fenômeno
psíquico em que o indivíduo reage como a água em um recipiente. Em outros
termos, a água adquire o formato do receptáculo que a contem. A mesma tendência
tem o indivíduo com o mundo e meio social que o cerca , que o contem .
O meio social ou grupo social que o
cerca em primeiro plano é a própria família, a célula mater da sociedade. O
indivíduo que é pouco ou nada assertivo vai, frequentemente , seguir, ser
obediente, se tornar sectário e conformado (ter o mesmo formato) de
pessoas do seu entorno; ou até mesmo
de uma única pessoa com o poder e efeito
de influenciá-lo.
O fenômeno da conformidade (social)
tem comprovação não só empírica como em vários ensaios e estudos científicos.
Como referido, basta que surja apenas um líder com ares messiânicos , um caudilho, um cabeça de alguma ideologia,
de uma revolução. Ele tem todos os ingredientes para exercer o poder da chamada
conformidade social e fazer os seguidores, os sectários, os súditos, os
sequazes de todos os estratos sociais, independentemente do nível escolar, ou
formação técnica desses submissos , desses cordões humanos, desses rebanhos de
pessoas.
O processo tem os mesmos mecanismos
psíquicos e neurais do efeito-manada. Os agora tão prevalentes e salientes
influenciadores digitais são os mais novos empresários e profissionais a se
beneficiar dos efeitos da conformidade social.
Do lado do cidadão. Tendo-se à mão
qualquer aparelho de mídia, como um tablet ou smartphone, encontraremos os tão
famosos e esfaimados influenciadores digitais. Têm-se nas páginas e links que
nos chegam, de forma invasiva e graciosa, desde os variados personals até
aqueles que nos vendem de tudo. Sexo, terapias alternativas, auto ajuda, dietas
da moda, academias virtuais, até como
ganhar dinheiro sem trabalhar. E nós, os
idiotas e imbecis consumidores, somos os
mantenedores desses tais que crescem como bactérias nos caldos de cultura ou
larvas varejeiras. É o rebaixamento do indivíduo em todos os escores de
cidadania, de valores éticos e cultura. Julho/2018.