Coifas e Carapuças

 Entre as regras de boa convivência humana há aquela de não dizer a verdade nua e crua a respeito de certas gentes, pessoas, homens, mulheres, entidades, religiões, seitas, partidos políticos, e outras sociedades. Fiquemos no que diz respeito a certos tipos socioculturais de pessoas. Nessa natureza do chamado politicamente recomendável, não o real; o quanto todos nós mentimos, dissimulamos, escamoteamos e expressamos virtudes e predicados falsos de pessoas de nosso entorno social, familiar, conjugal, íntimo.

Porque a verdade real e super sincera, agora no expediente de La Palice ou do Conselheiro Acácio. Magnifico engenho humano que foi o eciano. Nessa hora, haurir e saborear (saber e sabor) a criação de Eça de Queiroz (Póvoa do Varzim 1845-França 1900) nos chancela pelo que expressamos. Dizer a verdade real e super direta é iniciativa para poucos, porque na certa surgirão os protestos, antipatizantes e invejosos. Mas, vamos neste espírito.

Pensa-se que gente pobre, não que seja indigno ser pobre. Mas , pensa-se que para esse estrato social estivesse vedado de ter filhos. E há uma regra simples e racional para essa vedação. A relação custo/benefício nessa no ato da maternidade. É suficiente imaginar o fardo negativo que se gera para essa pessoa nascida desse casal pobretão. Fardo negativo para ela recém-chegada à vida e para os genitores que não planejaram esse nascimento. Saúde, provisão alimentar, moradia, vida digna, escolas de qualidade, assistência médica, vida feliz. Porque não é só criação! Trata-se de uma missão ingente, laboriosa e racional. Do contrário, esses pais estão incrementando as legiões de pessoas desassistidas, marginalizadas e sofridas neste mundo, desigual e desumano ter esse filho (a).

Existem outras questões de super sinceridade. Posse de pets, cachorros, gatos, animais exóticos. Mas, fiquemos nos cachorros que certas mulheres e homens põem dentro de casa como bichos de estimação. Que estimação é essa? Confinamento, prisão, restrição de liberdade, coleiras, imundícies no interior da casa, fedor, ambiente pestilento, doenças, alergias. Um expediente e gosto que beira a sandice e maluquice. Sem justificativa. Há gente que dorme com bicho, come com bicho, beija o bicho, casa o bicho, cerimonia para bicho. É muita sandice e insanidade emocional e racional, com super sinceridade.

E para nem tanto estender certas considerações de super sinceridade. Porque se falar, gera saia-justa e muito desconforto. Imagine, em se tratando de mulher que se casa com o único objetivo, ou fim maior; se ajeitar na vida, uma forma confortável de vida. Tipo aquela meio pobretona, estilo estroina, não muito laboral, nada laboral. Entretanto, há homem que se vê impelido a aceitar aquela pretendente, tipo adoção esponsalícia. Eh, existe marido bonzinho. Então. Ah, mas, e o filho almejado pelo patrocínio, patronímico! Hum! É um só? Então vai! Depois se cria uma razão para não mais. Que seja de esparrela e espavento! Resolvido o impasse. Vínculo pétreo.

E assim, vão outros atributos. Exclusivos de certos tipos sociais e corporais. Barangas, de chorrilho. Corrilho, chocarrices. Não pode é falar. Sequer sugestionar. Azedume e quizila na certa. E gente pusilânime! Aquela pessoa atacada de melindres! Se ofendida, busca um atalho. Oh, fulano disse isto que parece ser para mim! “Carapuça”. Preciso de uma revindita. Vindita hein. Vindima! Ai, ai. Esse mundo é muito vário e diverso. Há tipos para tudo. Biodiversidade de personalidade da humanidade. Comodato!

 

João Dhoria Vijle - Crítico Social e Escritor 

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