TIPOS HUMANOS
Para falar neste presente tema: a vocação do cuidado e da generosidade eu busco uma referência, e mesmo fazendo uma homenagem a este personagem: José Datrino (1917-1996), mais conhecido como Profeta Gentileza. Ele foi um pregador urbano brasileiro, que se tornou conhecido por fazer inscrições peculiares nas pilastras do Viaduto do Gasômetro, no Rio de Janeiro, e se tornou uma espécie de personalidade daquela cidade. Andava pela Zona Central com uma túnica branca e longa barba, ao estilo Nazareno.
Em se discorrendo sobre essa vocação do cuidado emergem logo outros sentimentos e valores que devem permear as relações humanas. Muitos são os sentimentos que bem caracterizam a espécie humana, como um bicho racional, pensante, reciproco e solidário no tratamento e interações com outros indivíduos diferentes ou semelhantes, com os irracionais e com o meio ambiente. Partamos da seguinte proposta relacional: o cuidado e generosidade se encerram em uma vocação e disposição de espírito, de físico e material, que tanto melhor e mais leal e fiel, quando expressada e praticada de mão dupla.
Neste sentimento e postulado é que se busca o exemplo do Profeta Gentileza (Datrino) que pregava pelas beiradas por onde passava a mensagem de “gentileza se paga com gentileza”. Vamos deslindar melhor o sentido humano, humanitário, social, civilizado e ético (honesto) dessa glosa, da reciprocidade do cuidado e da gentileza ou generosidade.
Existe no mundo, no Brasil, onde quer que se esteja, aquele tipo social e característico que se classifica como servido e inservível. Esclarece-se esse tipo de personalidade ou caráter: existe indivíduo que tem uma afeição, uma inclinação de em tudo ser bem contemplado, bem servido, agradado. Entretanto, na chamada mão única. Dificilmente, esse tipo de gente é capaz de espontaneamente servir bem a outra pessoa de seu convívio, de sua intimidade, parental, colega de trabalho. Esse caráter de gente, aprecia muito, inclusive, ainda que falsamente, ter referências laudatórias, no íntimo significa: “ te engano que sei que você gosta”; no estilo dito politicamente correto. Quer agradar, em demasia certos tipos humanos? Pessoa impostora e falsa? Diga várias virtudes e atributos “dela” que ela não tem. Porque se for super sincero, inimiga na certa!
E assim, já enquadrando essa mini resenha, pode-se dar outro exemplo de gentileza não se pagar com gentileza: de forma metonímica, imagine aquele tipo chamado de mercador de calotas. Não cranianas, porque é contravenção ignominiosa”, mas, pecúnias, de autos. O sujeito tem o chamado estilo perdulário, espoliador e bulha! Ou zangão da praça! Este inclassificado racional e cognato. Aprecia ter uma bela e opípara vivenda, com viveres de 1ª classe. Trastes e baixela de grife. Mas, sua receita não é suficiente. Não há de que: há gente ingênua, tonta, servil, que está de plantão em servir esse ser vil. Servido sempre. Bom demais, não? Vida boa! Gentileza para o mercador de calotas é isto. Receber e não devolver! E são as hipocrisias e falsidades, máscaras que portam certos tipos humanos, parentais ou não. Por liames gênicos ou interesseiros. E junto vai se acercando, afetivamente de sua vítima, ingênua, boazinha, fofinha. E tudo vai se naturalizando. A vítima vai sendo contaminada e assimilando a síndrome de Estocolmo. Tudo ridente, bazófias, galhardos e digestórios encontros. Macondos! Gabo bem o descreveu!