AQUI SE FAZ E AQUI SE PAGA

São algumas doutrinas, certas teologias e ramos místicos que versam sobre as chamadas dívidas ancestrais. O que vem a ser uma dívida ancestral? Seria o indivíduo pagar por algum labéu, algum pecado de seus antepassados genéticos: fala-se em até três gerações anteriores. Os bisavôs são esse modelo de ancestral. Noutros termos, um trineto, uma trineta pode, conforme esse conceito doutrinário e teológico e teleológico, passar por certas circunstâncias de privação, de sofrimento, de danos psíquicos ou corpóreo como paga, como ressarcimento e compensação dos erros, dos ilícitos, da vida desregrada e desgarrada de seu trisavô ou trisavó, ou pais.

Pode até sugestionar uma certa trama mental; no entanto quando se analisa a biografia, a trajetória terrena de muitas pessoas, há de pronto e de plano esse convencimento. Vêm certas difíceis perguntas, de difíceis respostas. Por quê, o porquê de uma pessoa levar uma vida que ressuma ser padrão, correta, nos ditames da civilidade e passar por certas tituladas provações, privações, dissabores, fracassos, reprimendas sociais e civis. Feitas pela própria vida. Vem daí a ideia do que se conceitua como carma, os passivos da vida, as pagas de dívidas dos antepassados.

São pessoas e vidas que trazem aquele inesperado caiporismo, um carma como retribuição e indenização pelo que fez alguém de seus antepassados. E atenção! Nem precisa que esse antepassado tenha levado uma vida de recalcitrância em regramentos e padrões de honestidade, de convivência, de civismo e civilidade. Trata-se no que se denominam os doutrinários dos qualificativos das manchas morais e sociais.

Na objetivação demonstrativa bastar pensar em um chefe de família que lançou sua prole ao mundo e proveu-lhe todos os necessários recursos materiais. Ou os módicos bens, insumos e recursos dignos. Todavia, esse marido, esse pai, esse chefe de família deu azo e vez a um vício de álcool ou outra substância ilícita e de efeito comportamental e moral. Tem-se aqui um modelo, segundo os sábios doutrinários, um labéu, uma mancha, um tisnar moral e ético. O carma para os descendentes está sendo consubstanciado. E ele virá de alguma forma. Uma doença, um fracasso profissional, um filho ou filha fora dos padrões civilizatórios e laborais.

Vêm dessas leis e fisiologia existencial tais e outras consequências que as pessoas não podem negligenciar. O conceito e realidade do inferno estão nessas premissas. O sentido da dívida de cada pessoa conforme os atos, atitudes e comportamento está bem sedimentado. Não há o que dissentir. Tal previsão é bem prática e preventiva para aquela pessoa que passa a vida inclinada às coisas mais fúteis e triviais. Gente sem nenhum compromisso construtivo para um mundo melhor. Sequer promove o próprio incremento de si. Como um trabalho rentável, com vistas à própria subsistência; uma formação técnica ou cultural na busca de uma qualidade de vida. Sequer se mostra zelosa ou voluntária em assear ou cuidar de um pai ou mãe carentes de cuidados básicos. Enfim, gente oca e vazia em tudo. Assim, o palestram esses sábios da constituição binária corpo/alma, do arcabouço holístico da pessoa humana, espíritas e doutrinários.

 João Dhoria Vijle Lisboa

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