SE REFESTELA DO BOM E SABORORO E VAI DORMIR
JOÃO DHORIA VIJLE LISBOA
SE NÓS, emissores de opinião, pesquisadores sociais e civilizatórios formos fazer um compilado do comportamento social e ético da geração deste quarto de século do século XXI com os idos tempos pré Internet, pessoas e pesquisadores mais idosos e veteranos ficarão espantados e estupefatos com o que se via antes e se vê agora nesses chamados tempos da pós modernidade. São as gerações com suas mudanças aceleradas, mas com precários qualificativos de civilidade e boas relações sociais. Quase tudo é descartável.
Quando se busca as causas, as origens dessa classificada e apontada degradação nos costumes, no descolamento, no desmazelo e falta de disciplina e responsabilidade das novas gerações, é tempo de apontar alguns fenômenos sociais, culturais e tecnológicos. Ao cabo e no frigir das coisas, nessa triagem científica, tem-se de pronto as chamadas conquistas dos direitos civis e sociais. Vamos tomar o Brasil como exemplo desses avanços.
A partir da Constituição atual, inaugurada em outubro de 1988, foi-se aos poucos, dando-se muita ênfase, muita valoração aos chamados Direito Humanos. E ato contínuo, menos valia, pouca importância aos chamados deveres humanos. Deveria lá na Declaração Universal dos Direito Humanos –DUDH-, ter-se também promulgado o Instituto dos Deveres Humanos. A Declaração Universal dos Direitos Humanos representa um dos momentos mais decisivos da história. Pela primeira vez, o mundo reconheceu formalmente que toda pessoa, independentemente de origem, credo, raça, gênero ou condição social, possui direitos inalienáveis. Entretanto faltou o contraponto, o dos chamados Deveres Humanos!
Em continuidade temos então, as gerações de pais nascidos após os anos 1970, pessoas nascidas ainda, no período da Ditadura Militar (1964-1985). Os adolescentes de 1988, que se tornaram pais após nossa atual constituição cresceram e se formaram família nessa atmosfera, nesse clima de todos os direitos, do slogan é proibido proibir. Basta ver como eram as escolas antes e após a constituição de 1988. Fica a constatação de uma regressão qualitativa, no ensino, no aprendizado escolar. A partir dos anos 2000, tornou-se proibido reprovar alunos de ensino fundamental e médio; seria algo discriminador, segregacionista. Como reprovar! Não pode. Tendo aprendido ou não aprendido os conteúdos escolares daquele ano ou série, o aluno é passado de ano. Direitos Humanos.
Temos assim essa geração que comparada com a geração de pais e avós, geração que se faz de pessoas (essas novas gerações) de moços e moças inúteis, fúteis e frívolas, quando se levam em avaliação os quesitos de cooperação, participação nas responsabilidades domésticas, na autonomia financeira, no dispêndio de energia ao trabalho produtivo, ao labor que gere no mínimo autonomia e manutenção pessoal. Imaginemos bem, filhos criados dependentes de pai e mãe nos suprimentos básicos de vida: casa onde morar, refeições, roupa lavada, nada de preocupação!
Quantos sãos os jovens e moças que moram com os pais, tendo em conta que são mocetonas e marmanjos que nada fazem, ao menos em casa, com vistas à manutenção de uma casa limpa e asseada, com a higiene necessária e diária do quarto e cama de dormir, do banheiro, do cuidado por vezes com um pet, com a ida e ajuda na compra do supermercado, com a organização geral da casa. São moços e moças, porejando saúde e vitalidade. Entretanto, em vista de tanto vigor e energia, vivem como se fossem hóspedes de luxo. Nada fazem. Querem tudo prontinho, a tempo e hora. Roupa lavada, comida fresquinha. São constatações a horrorizar, como se disse às pessoas mais antigas e dos tempos analógicos. Quão Triste, né.
Imagine, aquela mocetona, bonitinha ou bonitona, chegada na casa da sogra e ser incensada, tratada como VIP, rapapés, salamaleques, já íntima da sogra. Come do bom e do melhor, se refestela até deixar restos de comida no prato. Sai da mesa, celular na mão e vai se esticar no sofá até dormir, dorme. Natural e normal para essa geração.