OS FILA-BOIAS
Não há mais o que dissentir, o que discutir. Porque são estudos, ensaios e protocolos científicos, vindos por exemplo da Universidade de Seul – Coréia do Sul, e Tóquio – Japão. Dizem respeito à personalidade dos chamados comilões e glutões. Indivíduos que centram suas vidas nos prazeres gustativos, nos regalos e gáudios da boca e do baco. Nos ditos folclóricos, há inclusive os chamados fila-boias.
Como se caracterizam esse perfil social e emocional de gentes? A qualquer oportunidade de se empanturrar, de se refestelar em boas comidas, elas estão ávidas, sequiosas, famélicas por esses gáudios e regalos. Costumam até se sacrificar a outros expedientes. Não as convidem, para simplesmente assistirem a uma sessão de cultura, de reflexão, de participar de uma reunião de arte ou algo que valha. Fila-boias são assim, nessas expensas de suas energias. Costumam viajar trajetos longos e calorentos porque o rodizio de carnes e massas e doces está à espera e grátis.
Aniversários, aquele lanche oferecido, pães, chocolates, doces, rega-bofes? Com eles, os mesmos! Mesmo em detrimento de outros promissórios e suspensórios e supositórios! Ai, ai. Pura debilidade mental e sandice, de quem foi criado e engordado em famílias tais e quais. Pai bebum, comilão, casa cheia de amigos de copo, cozinha, garfos e bebidas. Ambiente de chulice e tolices; papo-reto e cabeça de vento! Era assim, o história de seu Galdino, para quem a vida, a centralidade e gravitacional da vida eram as panelas, galinha assada, frituras, carnes, cerveja, papo-reto, correto. Bebedeiras, pés em chinelos de dedo, pança de fora, refestelar, grunhir, comer, dormir. Ah, que vida! Filhos iguais!
Conforme os citados estudos orientais. Toda essa hiperfagia insana, essa social e pernóstica compulsão alimentar, a chamada compulsão alimentar contínua, tem de forma originária duas heranças bem caracterizadas pelos estudos de seguimento e experimentos. Não se nega o fator genético. Somado ao principal que é o fator hereditário familiar.
Na busca original se tem aquele pai beberrão, bebum, comer e beber sempre foi o ponto gravitacional, o fiel da balança de sua vida, de sua desdita vida antissocial. Amigos de copo e panelas no reforço. Filhos criados no mesmo insano e débil ambiente ético e social. O que se esperar de tais e quais dotes legados à prole. Gente de mesma iguala. Ciência e experimentos que consubstanciam assertivamente o aqui afirmado.
-Oh, a gente tem o social e cerimonial civil no endereço passado. Depois o almoço no endereço tal. -Ah, ok, tamos lá pode deixar! Hum. Delícia hein! Nordestinos e com destinos iguais a mineiros, goianos, manauaras, e por aí vai na mesma esparrela. Originários. Ordinários. Sem essência, ficaram na mera e tacanha existência!