segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Megalocracia e omissão

Megalocracia e omissão DIÁRIO DA MANHÃ JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA O fim de outubro/2012 será eternamente lembrado pelos americanos pela gigantesca borrasca que assolou vários Estados do país. O (a) Sandy, ciclone no mar e furacão em terra, passou com forças e efeitos de uma tsunami. Tudo cronologicamente previsto pelos meteorologistas e sismólogos de plantão. Diante de tão gigantesca tragédia, humana e material, com prejuízos de bilhões de dólares, cerca de uma centenas de pessoas mortas, grande impacto na flora e fauna, pus-me a refletir sobre a responsabilidade e/ou omissão dos governos sobre catástrofes dessa dimensão como fenômenos da natureza. Não só no caso dos EUA, mas de outros países sujeitos a estas fúrias e revoltas naturais. Um belo exemplo de como investir em infraestrutura e tecnologia para enfrentar e prevenir os devastadores efeitos de catástrofes é o Japão. Dois momentos tão distantes mostram como essa nação oriental foi capaz de soerguer dos escombros e ruínas e se tornar a potência econômica de hoje. Falo da 2ª Guerra Mundial e das recentes tsunamis (março-2011). São duas marcas históricas de como esse povo é organizado, preventivo e proativo quando o assunto é tragédia. Em 1945, o país nipônico foi destroçado. Em poucos anos se refez das hecatombes da guerra. Alguém se lembra das tsunamis que trituraram o país em 2011? Tudo foi refeito rapidamente. Reporto de novo ao Sandy nos EUA. Essa potência ocidental sabe que ciclones, furações, tempestades ali são cíclicas, passam e voltam. Intriga-me ver essa nação, que se julga dona da bola, quando a questão é tecnologia e ciência, deixar os seus cidadãos à mercê destas megatragédias a cada 2 ou 3 anos. Uma outra questão que trago à reflexão das pessoas é a seguinte: o homem, aqui falamos de estadistas e governantes, tem mesmo mania de grandeza (megalomania). De novo o exemplo americano. No projeto espacial, missões para a lua e Marte, os EUA gastam cifras de trilhões de dólares (isto mesmo, 12 zeros). Imagina bem! Naves, robôs espaciais para Marte para quê? Qual o benefício desses projetos para o povo, para a humanidade? Eu ainda não consegui captar sobre os benefícios imediatos de tão vultosos investimentos. Assim caminha a ambição do homem, enquanto se procura chifre, ou melhor, água e bactérias em Marte, as pessoas morrem e perdem tudo, de forma periódica. O país (EUA) não se manca. Eles não dão conta de proteger a população de catástrofes com dia e hora para acontecer e querem encontrar ETs em outros planetas! Não, que espírito o desses estadistas e governantes megalocráticos. Uai, este qualificativo não existe? Pronto, não existia, porque fica aqui consignado desde já. Então Japão neles, que não tem muita ambição em missão espacial, mas sabe abrigar as pessoas de sismos e terremotos que ocorrem por lá com grande frequência.

A rouquidão e miopia de um ex-presidente

A rouquidão e miopia de um ex-presidente DIÁRIO DA MANHÃ JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA "Falta à sociedade brasileira, incluindo todos os setores: política, economia, justiça, mídia etc, uma âncora moral” – Antonio Callado (1917-1997). Definição de Voltaire para Ética: "É aquilo que nós queremos que os outros não façam”. Se perguntássemos a qualquer analfabeto brasileiro a definição de honestidade, certamente ele não teria dificuldade em, se não expressá-la com termos elegantes, no mínimo lembrar de seus contraexemplos que vêm ocorrendo em nossos atuais governos. Seja em âmbito municipal, estadual ou federal. Mas, sobretudo da administração lulopetista do ex-presidente Lula até sua atual sucessora e vassala Dilma Rousseff. A mim beira ao escárnio e ao deboche quando um ex-presidente tão arguto e inteligente como sua excelência o sr. Luiz Inácio da Silva se diz surdo e míope em não ter ouvido ou visto tantas traficâncias ilícitas e ilegais ocorridas nas alcovas de seu governo. E elas não param. A putrefação vinda e exalada dos bastidores e intimidade do governo é tamanha que a gente fica a indagar: qual será a próxima fedentina? Será que os mandatários-mores do PT têm deficiência olfativa também? A condenação de 25 dos 40 mensaleiros torna-se um alvissareira realidade para uma sociedade que desacreditava até mesmo na Justiça brasileira. A posição firme, arrojada e isenta da maioria dos ministros do STF pode ser emblemática de um avanço que as pessoas almejavam neste País de tantos desmandos, de tanta corrupção e impunidade. Pode ser esta postura de nossa suprema corte um facho de luz e muita esperança onde ainda impera muito escuridão e incertezas, os bastidores dos palácios de governo. A Operação Porto Seguro da Polícia Federal neste novembro/2012 desbaratou mais uma quadrilha comandada por uma apaniguada do ex-presidente Lula. Os líderes das traficâncias exerciam cargos de “confianças” no núcleo do poder. Isto durante pelo menos os últimos 10 anos. O que intriga as pessoas não surdas e não míopes é o seguinte: nós brasileiros tomamos conhecimento do mensalão e outras ilicitudes no governo porque houve delatores, porque a mídia denunciou ou a Polícia Federal fez diligências e pegou muitos desses larápios em franca atividade. Nunca esqueçamos como esses fatos vieram ao conhecimento público. Pois bem, então fica a dúvida, a nossa pergunta! E aqueles ladravazes e gatunos do governo com todos os sentidos bem apurados (não cegos, não surdos)? Aqueles “agentes públicos” capazes de façanhas e crimes perfeitos que não deixam rastros? Que não têm “deslizes” no cometimento da corrupção? Aqueles mercadores e “profanadores da república”, que não negociam via celular, via e-mail , etc, e não deixam pistas que os incriminem? Então o que temos até então de mensalão e Porto Seguro pode ser apenas a ponta de um grande iceberg muito mais caudaloso. Credo em cruz, que Deus nos livre de tanta devassidão! (João Joaquim de Oliveira, médico. E-mail: joaomedicina.ufg@gmail.com)

Riscos de morte em uma cirurgia plástica

Riscos de morte em uma cirurgia plástica DIÁRIO DA MANHÃ JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA Risco anestésico-cirúrgico é a probabilidade de complicações e/ou óbito decorrentes do ritual pré, peri e pós-operatório. As chances destas intercorrências são dependentes de fatores diversos, como estado de saúde do paciente, qualificação profissional da equipe médica, técnica operatória e instituição hospitalar. Constitui requisito capital na segurança e sucesso de qualquer procedimento cirúrgico uma avaliação clínico-laboratorial criteriosa do doente no período pré-operatório. Não raramente, esta pode ser a primeira oportunidade para algumas pessoas passarem por um “check-up” médico, quando então diversos fatores de risco para doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, derrame cerebral, insuficiência cardíaca, arritmia ou doenças constitucionais como diabetes, doenças renais, tireoidianas, colesterol elevado podem ser detectados. O não tratamento e a instabilidade destes fatores encerram grande risco no período trans e pós-operatório. A avaliação pré-operatória não deve restringir-se a uma lista de exames laboratoriais. Conforme a condição física, constituição do paciente, porte e duração do ato anestésico-cirúrgico, faz-se necessário uma consulta prévia (história clínica) pormenorizada seguida de exames complementares e específicos para cada pessoa. Nesta entrevista médica, são essenciais informações sobre alergia ou intolerância a medicamentos, anestésicos, antissépticos, uso de drogas ilícitas ou psicotrópicos, e outras reações adversas em algum procedimento cirúrgico-odontológico pregresso. Independentemente da complexidade da cirurgia, o paciente deve passar por alguns exames básicos, como hemograma completo (contagem de hemácias, leucócitos e plaquetas), análise da coagulação sanguínea, taxa de glicose (diabetes), exame de função renal e eletrocardiograma. Em cirurgias de médio e grande porte (intra-abdominal, intra-torácica, craniana, vascular), cirurgia plástica qualquer, é recomendável exames mais sensíveis objetivando a presença de insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, infarto do miocárdio antigo já cicatrizado etc. Estas doenças, ainda que leves ou silenciosas, somadas ao estresse metabólico e circulatório de qualquer cirurgia, agravam o prognóstico com iminentes riscos de vida em qualquer cirurgia. Há que diferenciar os riscos inerentes e inevitáveis de certos procedimentos daqueles que eletiva e antecipadamente podem ser minimizados ou evitados. Neste contexto, temos como exemplos as cirurgias emergenciais (e.g. úlcera gástrica perfurada, hemorragia interna por rompimento vascular, aneurismas) e traumas, onde as circunstâncias exigem pronta intervenção cirúrgica para salvar a vida do enfermo. Nas cirurgias plásticas, lipoaspiração e corretivas anatômicas em geral, existe um tempo hábil de planejamento pré-operatório, quando então todos os exames pré-admissionais à internação são executados com quantificação dos riscos alusivos à pessoa e procedimento e medidas atenuantes e profiláticas. Um grupo particularmente susceptível de complicações no trans e pós-operatório é representado pelos idosos. Nesta faixa etária existe uma incidência maior de comprometimento de órgãos vitais, como coração, aparelho circulatório, cérebro e rins. O sistema imunológico é menos operante nessa faixa etária. Portanto, além de maior ocorrência de infarto e derrame cerebral, há risco de infecções na ferida operatória e em todo o organismo (septicemia). A avaliação pré-cirúrgica do idoso, mesmo hígido, é sempre mais rigorosa. Nas cirurgias eletivas de grande porte, além dos exames rotineiros, torna-se mais prudente considerar exames mais sensíveis de função cardiovascular (teste ergométrico, ecocardiograma, cateterismo cardíaco). Outro grupo que merece orientação e cuidado especial são os portadores de doença de valvas cardíacas (com ou sem próteses artificiais). Neste grupo, há grande risco de infecção intracardíaca (endocardite infecciosa). Trata-se de doença de grave prognóstico independente do risco pertinente ao ato cirúrgico. As únicas maneiras de evitar a endocardite são técnica cirúrgica rigidamente asséptica e uso adequado de profilaxia antibiótica (medicamentos antimicrobianos). O ritual operatório é um trabalho de equipe, onde todos devem assumir seu papel com zelo, ética, humanismo e competência para um fim comum, que é a saúde e satisfação do paciente. Cirurgião, anestesista e auxiliares devem atuar solidários para o bem- estar do doente. Um integrante que tem papel primordial, considerado vital na cirurgia, é o anestesista. Este profissional deve ser conhecedor não apenas de técnicas anestésicas, mas da fisiologia do paciente como um todo. Uma parcela significativa de pacientes cirúrgicos é portadora de múltiplas afecções que com o estresse da cirurgia são passíveis de agravamento, com exigência de manuseio eficaz e emergencial. Todo medicamento e modalidade anestésica têm potenciais efeitos adversos no organismo. O sistema circulatório e coração são particularmente vulneráveis aos anestésicos e fármacos adjuvantes no ato anestésico-operatório. Ainda que a instituição hospitalar disponha de monitores, equipamentos e todo instrumental cirúrgico modernos, o melhor monitoramento peri e pós-operatório é a própria equipe médica. No curso operatório, o anestesista em especial, este profissional paramentado de vestes brancas e pouco lembrado torna-se o verdadeiro “anjo da guarda do doente”. (João Joaquim de Oliveira, médico. E-mail: joaomedicina.ufg@gmail.com)

Bolas e bilhões para a Copa-Fifa

Bolas e bilhões para a Copa-Fifa 2014, bananas e relento ao doentes do SUS DM.COM.BR DIÁRIO DA MANHÃ Nós brasileiros, aqueles que vêem alguma coisa que presta pela TV, e lêem algum jornal ou revista que publicam matérias com significado social, cultural e político, temos visto imagens e fatos de dois cenários que são a só tempo mostras de poder e opulência de um organismo e da miséria e abandono de outro. Estou a me referir ao mundo da bola comandado pela Fifa/CBF e ao submundo e caos da saúde pública do Brasil. Nosso SUS anda como um carro na banguela ou desgovernado sob a batata do PT. Digo PT porque a presidente, o ministro da saúde e todos os gestores da saúde do governo Dilma ou são petistas ou base de apoio da sigla vermelha. Nada contra este ou aquele partido ; poderia ser PSDB, DEM etc, por acaso o PT é a bola da vez. Mas, então falando desses dois mundos, não podemos desmerecer que a Fifa sempre administrou e muito bem e com mãos de ferro o reino do futebol. Todos sabemos de seu poder econômico e rigidez na imposição de suas regras quando se realiza um torneio qualquer e copa do mundo. Só não é muito ética com as traficâncias de alguns cartolas. Todos ficamos sabendo num passado recente de negócios corruptos dos ex-cartolas João Havelange e Ricardo Teixeira (Fifa/CBF). Estas trapaças e subornos respingaram até no atual presidente Joseph Blatter. Mas, para o bom andamento dos negócios da Fifa/CBF aqui no Brasil, falar das propinas recebidas por esses ex-dirigentes , neste momento, soa leviano e cheira fichinha perto dos milhões de nossos corruptos aqui no Brasil. Então, bola para frente que se não a gente perde o jogo, ou melhor a copa . Uma marca imutável da Fifa são suas tirânicas exigências. Sob pena de boicotar a realização da copa neste ou aquele país escolhido como sede deste torneio quadrienal do futebol. O Brasil não está sendo exceção a estas pétreas regras. Alguma lei foi quase revogada para atender a entidade e os patrocinadores. Caso da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. O estatuto do torcedor já foi relaxado. Na copa haverá cervejas e outras bebidas á vontade para todos. Mas, só durante a copa por imposição da Fifa e multinacionais de bebidas. E o mundo da saúde aqui no mundo Brasil? Nosso ministério da doença ( que chamam eufemicamente da saúde ),não dá conta de resolver e salvar as pessoas das enfermidades mais corriqueiras. Nos prontos (ou atrasados )-socorros as pessoas morrem de pneumonias, infartos, asmas, fraturas e falta de tudo. Faltam macas, médicos, medicamentos, UTIs e funcionários treinados. Faltam até educação, respeito e generosidade aos doentes. Nossa carta magna, tem sido uma carta maligna em tratar de forma tão indigna nossos pobres e desvalidos irmãos. Na verdade, não ela, mas nossos políticos-governantes, os seus intérpretes e aplicadores. Nela está em cláusulas pétreas e lindas sentenças : a saúde é um direito de todos e dever do Estado. Quanto desrespeito à nossa constituição não é cometido pelos nossos dirigentes da Nação! Para os donos da bola, para a Fifa, as multinacionais patrocinadoras da copa tudo. Estádios na faixa de um bilhão (itaquerão por exemplo), hotéis e estradas de luxo, apoio logístico e segurança no top da modernidade. São esses dois mundos e cenários que temos visto no momento. Os holofotes, o foco e os bilhões para a copa do Brasil e da Fifa em 2014. Os usuários e doentes do SUS às favas, ao relento e ao abandono. Para esses o ministério da doença ( não saúde ) destina apenas muito verbo. E põe verbo nisso, sobretudo em palanques em véspera de eleições. Verba que é bom mesmo , para comprar o básico para socorrer e salvar as pessoas, parece que fica entalada nos crivos e peneiras da corrupção. (João Joaquim de Oliveira, médico, cronista DM.E-mail: joaomedicina.ufg@gmail.com

terça-feira, 13 de novembro de 2012

MEDICINA DE MÁQUINAS

Na relação médico-paciente, uma consulta (anamnese) feita de forma segura, calma e confiante jamais substituirá qualquer procedimento diagnóstico. A primeira entrevista de um paciente com o médico, se mal conduzida, se for superficial e sumária pode trazer riscos de diagnósticos incorretos, exames inadequados e caros, retardo no esclarecimento da causa da doença e sérios transtornos nos contatos futuros do profissional com seu cliente. Trata-se de um algoritmo lógico e técnico que não pode ser quebrado: anamnese(ausculta)> exame físico >exames diagnósticos. Infelizmente hoje temos assistido com as gerações mais novas de médicos uma inversão desta milenar arte da consulta médica , que é primeiro saber ouvir o doente e interpretar suas palavras ( auscultar), depois interrogar e colocar os ouvidos e mãos no paciente , depois sim exames complementares, se necessários. Os avanços das ciências médicas com os métodos diagnósticos e terapêuticos de ponta (high tech) vem inebriando os profissionais de saúde. Os médicos pouco ouvem, pouco veem, pouco examinam seus doentes. Torna-se cômodo simplesmente listar exames caros e a esmo, entregar ao cliente e aguardar os resultados. Fica a parecer um jogo lotérico, quanto mais exames se faça mais chance de algum dar alterado. Se nenhum der pistas diagnósticas , tudo recomeça do zero. A tão antes valorizada relação médico/paciente tem se tornado maquinal, robótica, informática, fria e sem diálogo ; ou seja inexistente! Na década de 1950, uma boa historia clínica, um eletrocardiograma e radiografias simples eram tudo que o médico tinha na área cardiovascular. E olha que se resolvia tantos casos quanto os médicos de hoje. Com as modernas técnicas de imagens de agora pode-se mapear o corpo humano de alto a baixo. Isto é inovador e eficaz? Claro que sim, mas com critérios. Existe o alto custo e tem efeitos colaterais. Imagina a carga radioativa de raios x, tomografias em um curto período de tempo , pode ser um perigo invisível e que um dia deixará suas marcas . O paciente nesses laboratórios modernos de diagnóstico e investigação passou a ser um número, um prontuário, um caso bom ou ruim, uma boa imagem para publicação, uma ilustração de aula, palestra, etc. É a tecnologia da desumanização da Medicina, do doente fatiado em “peças”. O médico passou a tratar não um doente , mas um coração, um fígado, um pulmão, um cérebro, uma perna e assim por diante. Um dia desses eu senti esta tendência na pele. Um médico-residente de cardiologia trouxe-me para opinião um cateterismo de um paciente que ele atendeu. O exame exibia uma doença coronária, cujo sintoma é angina (dor) no peito. Perguntei ao colega residente: trata-se de angina estável ou instável? Ele não sabia, não havia perguntado ao doente como era e qual a frequência da dor. Faltou melhor auscultar os sintomas do paciente e interpretar suas queixas, as dores no peito que o motivaram a buscar ajuda. Há certos diagnósticos que se faz tão somente ouvindo as queixas do enfermo. Imagina um indivíduo com sintomas de esquizofrenia. Todos os exames bioquímicos e de imagem serão rigorosamente normais. A confirmação diagnóstica só se faz interpretando(ausculta) os sintomas do doente. A medicina vem perdendo “pari passu” este lado humanístico que a sempre a caracterizou. Trata-se de um sacerdócio , onde o médico deve estar aberto a todas as confissões e angústias do cliente. Na gênese dessa deturpação de uma relação profissional com o paciente de generosidade, de amparo, de conforto entram vários fatores. A baixa qualidade da assistência oferecida pelo SUS , políticas públicas ineficazes e de pouco resolução para doenças as mais corriqueiras que assolam nossa população , falta de hospital e unidades que atendam a todos com dignidade, etc. Do lado do profissional da saúde, podemos citar a baixa remuneração nos serviços públicos, péssimas condições materiais e estruturais oferecidas pelo governo, necessidade de múltiplos empregos para se viver dignamente. O que seria ideal para o médico? Ter apenas um vínculo de trabalho e ser pago de forma digna para isto. Seria como ocorre na área jurídica, onde há a exigência, de dedicação exclusiva. Para isto, seria oferecido, salário justo e condições de trabalho compatível com o múnus exercido : Cuidar da saúde dos outros dentro dos melhores princípios éticos e técnico-científicos. Aliás, um direito de todos, creio uma cláusula pétrea de nossa Carta Magna. Mas, enquanto o gozo desses direitos não chega de forma plena, nós profissionais da saúde, podemos fazer um pouco mais de arte do que Ciência, mais humanismo do que tecnicismo, mais ouvidos, mais olhos e mãos, do que as grafias de tantos pedidos de exames, das ultrassonografias, das radiografias, das tomografias, e assim por diante. Vamos pensar nisso que dá para fazer muito mais pelos nossos doentes, que , às vezes pedem apenas para serem mais escutados e compreendidos em suas lamúrias . E nessas horas, nós médicos e humanos, precisamos de ser também pacientes. Joao Joaquim de oliveira joaomedicina.ufg@gmail.com

HORÁRIO DE VERÃO CONTRA NATUREZA

Entre outubro e fevereiro , aqui estamos nós: trabalhadores, estudantes, pais e mães de alunos a vivermos com as agruras e os inóspitos dias do pernóstico, malsinado e mal decretado horário de verão. Muitas pessoas já afeitas com minha posição irredutível e contrário a essa nociva invenção de nossos digníssimos representantes e governantes perguntam-me, como se adaptar a tal interferência tão insalubre como esta em nosso organismo ? Basta relembrarmos o seguinte : a natureza dotou os organismos vivos, inclusive as plantas, de um ritmo ou relógio interno. Assim, os seres vivos têm um ciclo de funções que sofrem influência de elementos biológicos e ambientais os mais diversos. Na espécie humana, várias funções biológicas, como sono, temperatura corporal, síntese e liberação de hormônios, são constantes e repetitivas num período chamado circadiano (circa dien, cerca de um dia). A temperatura corporal e o cortisol, por exemplo, se elevam antes de o indivíduo acordar. Muitas enzimas digestivas são ativadas nos horários habituais das refeições ( 12 h, 18 h, etc ). A sincronização e regularidade de muitas funções dão ao ser humano uma referência de tempo e horário, mesmo sem o relógio de pulso. Isto se processa através do relógio biológico interno. Por que somos assim? São mistérios e prodígios da natureza . O que sabemos é que a interferência, a quebra destes ritmos tem profunda e negativa influência na saúde e qualidade de vida das pessoas, de qualquer ser vivente, até no reino vegetal . O funcionamento, a coordenação e interdependência destes ciclos têm participação de estímulos endógenos (do próprio organismo) e meio ambiente (luz solar, período claro/escuro, hora de adormecer e acordar). O primeiro experimento científico de grande relevância sobre estes fatores internos e externos foi empreendido pelo astrônomo francês D’Ortous de Mairan. Este cientista isolou uma planta heliotrópica, a mesma da espécie de nossa conhecida onze-horas da incidência de qualquer luz solar. Para grande surpresa do cientista, essa belíssima planta herbácea manteve a mesma periodicidade de abrir e fechar as folhas e desabrochar as flores, sempre no mesmo horário (11 horas), mostrando que, apesar de ao abrigo da luz (escuro), tinha um estímulo interno (relógio endógeno) responsável por seu comportamento que se repetia sempre no mesmo horário. Os pesquisadores Aschoff e Weber, utilizando voluntários humanos isolados em cavernas, documentaram que essas pessoas resistiam por vários dias e mantinham quase inalterados os ritmos de secreção hormonal e outros parâmetros fisiológicos. Todavia, concluíram que a privação prolongada da luz natural, a inversão do ciclo dia/noite, como no horário de verão, gerava marcantes mudanças fisiológicas com um amplo espectro de efeitos, de elevada morbidade, interferência na saúde, quebra da homeostase (equilíbrio e interação orgânica interna), ou seja, com muitos reflexos negativos na qualidade de vida. Todos sabemos que muitos fenômenos naturais, como tempestades, enchentes, secas prolongadas, tufões, terremotos, trazem enormes impactos ecológicos, riscos à segurança e bem-estar das pessoas. São acidentes meteorológicos naturais inevitáveis, contra os quais nada se pode fazer. Inaceitável e condenável por qualquer pessoa de bem, lúcida e de bom senso é assistir repetidamente a ações e teimosias que voluntaria e deliberadamente são produzidas e perpetradas por muitos administradores públicos e governantes, que inúmeros constrangimentos, danos e malefícios trazem à população através de uma medida provisória, decreto-lei etc. Um exemplo dessas ações e medidas (des)governamentais é o malquisto e nocivo horário de verão, que, conforme estudos científicos e estatísticos, traz grande impacto à paz, à segurança e à saúde das pessoas. Tudo sob a justificativa de questionáveis e ínfimos índices entre zero e 4% de economia de energia elétrica. Mesmo sob reiterados protestos das pessoas, participação ativa de muitos políticos, o governo atual teima na manutenção de tão insalubre medida no estado de Goiás que já se sabe não se beneficia com tal mudança. Mesmo se tal economia fosse concreta, justificaria tanta sacrifício de estudantes e trabalhadores que têm de madrugar , ter noites maldormidas e se expor a riscos de assaltos em pleno escuro, entre 5 e 7 horas da manhã ? Na verdade, o governo precisaria era de mais investimentos em usinas hidroelétricas e mesmo fontes alternativas de energia. Isto, sim, mereceria admiração e apoio de todos nós. O horário de verão nada mais é do que um daqueles arbítrios próprios de governos populistas como este que vimos aturando , sob os auspícios dos ideários do lulopetismo. Até quando ? A paciência do povo tem limites. Por ora os nossos protestos e um basta para medidas muito antipáticas como esta de termos sono perturbado e levantar uma hora mais cedo com tantos reflexos danosos em nosso organismo. João Joaquim de Oliveira médico joaomedicina.ufg@gmail.com

NEUROSES E DEVASSIDÃO

NEUROSES E DEVASSIDÃO NO MUNDO DOS HUMANOS Nós vivemos tempos e costumes que para quem lê a Bíblia deve lembrar a lenda de Sodoma e Gomorra. Estas, eram cidades localizadas em Cananeia – próximas do Mar Morto . Conta esta lenda dos tempos do patriarca Abraão ( Genesis 19) que os pecados , a baixaria e a devassidão ali eram tamanhas que a solução foi a completa destruição através do fogo e enxofre , como castigo de Deus para purificar aquela região . Hoje assistimos fatos, comportamentos, atitudes e tendências que acredito só mesmo as chamas sagradas dos céus poderiam queimar e purificar, neste mundo de tantas coisas para lá de loucas . Há a questão do estado de espírito e emocional das pessoas, e o desejo de consumo e escolha das pessoas em suas vidas, seja na cultura , em diversão ou vida social. Há um desvario total em todas as esferas da vida e da sociedade. Senão, vamos listar e pincelar algumas das cenas diárias desse mundo insano. Comecemos pelo despertar de cada um. Quantos de nós já não acordamos de mau humor, com alguma enxaqueca, mal-estar e angústia pelo começo do dia! Mesmo fora do horário de verão, porque este já é um presente de grego de nossos palacianos e eminentes (ou iminentes) governantes. Imposição como esta( acordar mais cedo) deve ser mais uma via do purgatório dos brasileiros. O ritual de levantar, com ou sem despertador, não importa, já pode indicar quão estressante será o dia das pessoas . Há cidadão que sai de casa como se tivesse comido jiló cru ou jurubeba com suco de bílis negra. Este humor amargo dá para perceber quando cruzamos com os vizinhos no elevador ou garagem dos condomínios. Aliás, condomínio me traz à lembrança o conceito de vizinho. Sentido hoje completamente deturpado. Existe gente mais distante de nós do que nossos vizinhos? Deveriam ser as pessoas mais próximas e afetivas do que nossos parentes! Fica a pergunta: quantos vizinhos nós os conhecemos de verdade? Nome, o que faz, o que podemos fazer-lhes de útil e solidário? Há pessoas que giram anos, décadas sem ter feito uma visita ou conhecer melhor o condômino do lado . Culpa de quem? Das loucuras e velocidade de nosso tempo. Pode piorar ou melhorar ? Pode ambos. Depende de nós. O progresso e todas as tecnologias têm nos escravizado. Dentre os recursos, os objetos dos avanços tecnocientíficos temos os equipamentos de mídia. O aparelho de mídia que mais tem alienado e neurotizado o ser humano chama-se telefone celular. Os efeitos negativos e anti-sociais do celular se tornaram tão massivos e impactantes que chegamos ao princípio do “ eu não falo mais com você, eu estou conectado”. Aliás, celular em mãos de muitos adolescentes e jovens é usado não como telefone, mas como mídia de acesso á internet. Todos necessitam estar conectados. Esta tendência pode piorar? Depende de como estamos educando os filhos. E por falar em mídia, e as nossas músicas? Ainda me lembro, era criança; as músicas encerravam belas melodias e poesia. Caso de um Nelson Gonçalves, Clara Nunes, Dolores Duran. As músicas mais badaladas de hoje ( nada contra Michel Teló, Sorriso Maroto , mr Catra , etc) nos dão a sensação de que estamos em um cabaré ou casa de prostituição. Os refrões são incentivos e apelos flagrantes ao sexismo, à pornografia e ao erotismo de baixo calão. Um escárnio à moral e aos bons costumes. Artistas e emissoras têm culpa? Penso que não! Elas vendem e lucram porque há um filão consumidor sedento no mercado. E as mídias televisivas? As mídias que todos os brasileiros vêem . O cidadão pode mal assinar o nome, mas um aparelho de TV ele tem. Num Brasil com milhões de analfabetos absolutos e funcionais o que vemos pelas redes de televisão ( canal aberto ou fechado)? Várias emissoras se digladiam na apresentação do que tem de mais fútil e pobre quando se trata de comportamento e feitos humanos. Existe uma contra-cultura na televisão . Não se trata apenas de cenários do cotidiano do combate de policiais x criminosos. Aqui temos a exibição de tudo ,em sangue e cores, ao vivo, a qualquer hora. Esses reality shows são liberados para todas as idades, choquem ou não crianças, adolescentes ou pessoas dotadas de sentimentos de bom gosto cultural , fraternidade e altruísmo. Para a TV , aqui vale o princípio: os fins ( lucros) justificam todos as exibições possíveis. Um exemplo dessas baixarias e programações anti-sociais temos no horário nobre de ir para a cama, pela Rede Globo. Neste programa intitulado amoral e sem nexo, ou melhor amor e sexo, temos muito bem exibida a mais explícita e requintada teatralização de erotismo, sexismo (não sexualidade) e pornografia grã fina que a TV pode trazer aos lares brasileiros. Tudo encenado por belos homens e lindas mulheres ( globais em geral). As regras para participar desse teatro erótico-pornográfico são : não se vexar, não se envergonhar do linguajar chulo ou gestos os mais íntimos e baixos instintos de que o ser humano é capaz dentro de quatro ou nenhuma parede. Ressalve-se que tais programas não são exclusivos da TV globo. Basta zapear por outros canais e escolher o que há de pior para consumo. É claro que por falta de espaço e mesmo pudor deixo de citar algumas das coisas que são oferecidas pelo mercado virtual, e mesmo a céu aberto , para as pessoas consumidoras de tanta patifaria de nossos tempos. Existem muito mais coisas loucas e degradantes do que estas aqui comentadas? Penso que os pecadores de Sodoma e Gomorra iriam ficar morrendo de inveja, se assistissem às muitas cenas e fatos da sociedade de nossos tempos. João Joaquim de Oliveira cronista DM e médico joaomedicina.ufg@gmail.com

sábado, 8 de setembro de 2012

SEDENTARISMO ADOECE, ENVELHECE E MATA

Uma recente pesquisa publicada pela prestigiada revista The Lancet (Reino Unido) trouxe mais luzes e advertências sobre os riscos do sedentarismo para a saúde humana. Em termos sucintos e práticos os médicos pesquisadores comparam os malefícios da inatividade física ao do tabagismo. Não é novidade para a Medicina que o estilo sedentário de se viver traz muitos danos ao organismo humano. A própria OMS em 1993 editou as diretrizes que alertavam a comunidade médica e outras organizações de saúde sobre os benefícios e impactos positivos da prática regular de atividade física. Hoje considerado uma pandemia, o sedentarismo é responsável por mais de 5 milhões de mortes por ano no mundo. Não é custoso entender as razões, uma vez que em seu caudal existe outras alterações fisiopatológicas e orgânicas com altas taxas de morbidade e mortalidade. Na esteira desse espectro temos duas vezes mais doença coronária com os desfechos de infarto e morte súbita. Há uma prevalência maior também de hipertensão arterial, diabetes mellitus, obesidade, taxas mais altas de colesterol e triglicérides, várias doenças crônico-degenerativas e até mesmo incidência maior de vários tipos de câncer de mama e intestino. Torna-se fácil constatar que as pessoas fisicamente inativas em geral agregam outros fatores insalubres(de risco). Quanto mais fatores de risco mais interação entre eles, pior a qualidade de vida, mais chances de doença, de invalidez e morte prematura. A cada dia a Medicina vem recomendando o chamado estilo de vida saudável. Este ritmo ou comportamento de viver com mais saúde significa dieta saudável com menos de 2000 Kcal/dia para um adulto não atleta, abstenção de vícios (fumo, álcool, drogas), sono de boa qualidade, lazer e atividade física de no mínimo 30 minutos 4 vezes/semana. A chamada Medicina baseada em evidencias há mais de duas décadas vem constatando os inúmeros benefícios preventivos e terapêuticos da atividade física regular. Seguramente há melhora significativa da qualidade e expectativa de vida. Em termos práticos não há limite de idade para se exercitar. Os exercícios aeróbicos estão indicados, e de preferência, para qualquer pessoa. Crianças e adolescentes abaixo de 16 anos não devem fazer musculação (exercícios estáticos resistidos ). Antes de qualquer atividade deve-se fazer 5-10 minutos de alongamento para promover a flexibilização músculo-tendínea . Toda pessoa sedentária e saudável com menos de 35 anos, antes de iniciar qualquer atividade física deve submeter-se a uma consulta com um clínico geral ou cardiologista e realizar pelo menos dosagem dos lipídios, glicose, hemograma e eletrocardiograma. Acima de 35 anos é recomendado um teste ergométrico com cardiologista. Pessoas portadoras de alguma doença crônica, por exemplo: asma, bronquite, diabetes, doença cardiovascular; devem além de orientação do médico assistente, ter uma avaliação cardiológica. Deverá haver a prescrição do exercício conforme as limitações e aptidão de cada pessoa. Como se pode concluir a atividade física é, além de preventiva, medida terapêutica complementar e de reabilitação em muitas enfermidades, inclusive no infarto ou acidente vascular cerebral(AVC). O imobilismo, a apatia física ou mental, fatalmente conduz a pessoa á baixa autoestima, á depressão, ás doenças e morte prematura. Nosso próprio coração é um exemplo e convite ao movimento. Vamos seguir o exemplo e símbolo deste órgão máximo do amor, da saúde e da vida.

PREVENÇÃO DO INFARTO DO MIOCÁRDIO

O infarto agudo do miocárdio (IAM) é a principal causa de morte em todo o mundo. Cerca de 25% dos pacientes morrem na primeira hora do início dos sintomas, muitos desses antes de chegar ao hospital. A maioria das mortes súbitas se deve a uma falência ( extensa necrose) do miocárdio e/ ou arritmia. O que é e como se dá o infarto? É do senso comum se ouvir : fulano(a) não sentia nada, era saudável e morreu de infarto! Na verdade é assim mesmo que ocorre. Na gênese do infarto existe a doença da artéria coronária (DAC), formada por depósito de colesterol e triglicérides no interior dos vasos(artérias). Estas placas de colesterol se formam ao longo da vida. Se estas placas de gorduras obstruem mais de 70% das artérias coronárias, elas se tornam de risco porque podem se romper, interromper o fluxo sanguíneo e por consequência provocar o infarto daquele tecido ( músculo) antes irrigado pela artéria agora obstruída. Quais são os fatores de risco para o infarto ? Os fatores mais importantes são taxas altas de colesterol e triglicérides (dislipidemia), hipertensão arterial, o tabagismo, o diabetes, a obesidade, sedentarismo, o estresse emocional e a história familiar de infarto ou derrame em parentes de 1º grau. A principal causa de derrame cerebral são as placas de colesterol nas artérias encefálicas. Os fatores de risco são os mesmos do infarto do miocárdio. Quais são as pessoas de risco para IAM? A história familiar de infarto ou derrame cerebral mais o estilo de vida pessoal vão indicar se o indivíduo tem mais ou menos chance de sofrer da DAC. Em outros termos, quanto mais fatores de risco maior o perigo da primeira manifestação fatal, o infarto do miocárdio. Em termos práticos: todas as pessoas, inclusive crianças, devem fazer dosagem de glicose, triglicérides e lipídios sanguíneos. Todos acima de 35 anos devem fazer no mínimo a cada 2 anos um eletrocardiograma e um teste ergométrico cardiológico. A melhor estratégia contra a doença arterial obstrutiva ( infarto ou derrame cerebral) está na sua prevenção precoce. Esta começa por uma dieta saudável rica em fibras alimentares, com baixo teor de gorduras e carboidratos. Atividade física aeróbica pelo menos 4x/ semana. Dieta e exercícios regulares são as atitudes mais eficazes contra a doença arterial coronária. Vale ressaltar que antes de iniciar qualquer atividade física deve-se fazer uma consulta com cardiologista, inclusive crianças e adolescentes. Um indivíduo jovem e saudável, ainda que não sinta nada não está imune a sofrer um infarto. Hipertensão arterial e dislipidemia são fatores de risco de grande importância e silenciosos , e estão cada vez mais presentes nas pessoas sadias, mesmo jovens , em função dos outros fatores como sedentarismo, obesidade, glicose sanguínea elevada, dieta hipercalórica, tabagismo, ingestão abusiva de bebidas alcoólicas, etc. O principal sintoma do infarto é dor torácica esquerda de forte intensidade e contínua. Para quem não é médico os primeiros socorros devem constar de colocar a vítima em repouso absoluto sentado ou deitado; analgésico de preferência injetável(efeito rápido), um comprimido de aspirina(AAS) 100 ou 200 mg dissolvido via oral, um isordil 5 ou 10 mg sublingual e conduzir o paciente com urgência para um hospital que tenha unidade cardiológica. É importante enfatizar que quanto mais rápido o paciente chegar ao hospital, mais chance ele terá de sucesso no tratamento, menos complicações , menos sequelas e menor risco de morte.

CRIANÇA TEM HIPERTENSÃO ARTERIAL

Em cerca de 80% das pessoas com hipertensão arterial(HA) não se sabe a causa da doença . A teoria de um fator genético é amplamente aceita. A maioria das pessoas com HA tem o início da doença na infância, daí a importância de se aferir a pressão das crianças em consultas médicas. Atenção médicos pediatras! Existe interação do fator genético e história familiar com outras condições como obesidade, alimentação hipercalórica rica em sódio, carboidratos e gorduras, sedentarismo , stress , etc. A presença destes fatores de risco e outras condições mórbidas em qualquer idade é mais impositiva para mensuração cuidadosa e seriada da pressão em crianças de qualquer idade. Sabe-se que quanto mais precoce o diagnóstico, mais chance de prevenção, tratamento mais eficaz e menos lesões nos órgãos vitais como coração, rins e retina. Vale registrar que a medida da pressão da criança exige aparelho próprio para a idade. Os aparelhos mais confiáveis sãos os de coluna de mercúrio . Os mais usados e também muito precisos são os do tipo aneróide. Os equipamentos portáteis e automáticos , são muito falhos e passiveis de falsas medidas, em geral com medidas acima da pressão real do individuo, seja para adulto ou criança. O ideal é que esta aferição seja feita por médico(a) ou enfermeira(o). Existe tabela de normalidade( tabulada em percentis) conforme a idade da criança e do adolescente. Atualmente os profissionais médicos estão mais conscientes e zelosos quando em consultas rotineiras de crianças e adolescentes. Tal prática deve ser observada sobretudo por pediatras em fazer a medida da pressão arterial( PA) de seus pequenos pacientes , onde a relação médico/paciente é sempre mais próxima e de mais confiança. O rigor na aferição destas medidas deve ser dar sobretudo quando a criança além de fatores de risco já mencionados, tiver parentes hipertensos ou condições mórbidas para doenças cardiovasculares em geral. Vale reiterar que em 80% dos hipertensos não se consegue chegar a uma causa orgânica para a doença. Todavia, em crianças, o diagnóstico de HA deve induzir o médico a buscar uma causa secundária. Como exemplos de doenças que podem cursar com PA elevada temos tumores renal , cerebral e de supra-renal, nefropatias, baixo crescimento ou nanismo ( tumor de hipófise), insuficiência cardíaca inexplicada, convulsões, uso de drogas hipertensoras (antinflamatórios, corticóides, antiasmáticos ), drogas ilícitas, etc. Na avaliação de uma criança com HA deve-se incluir necessariamente o perfil lipídio sanguíneo, exames de urina, de função renal e tireoidianos, glicemia de jejum e ultrassom renal. As principais causas orgânicas de HA no adulto e crianças são doenças renovasculares ( mal formação de vasos renais venosos ou arteriais). O tratamento da HA na infância deve iniciar com as chamadas medidas higienodietéticas, onde se destaca o combate a todos os chamados fatores de risco como sedentarismo, obesidade, dieta hipercalórica etc. Deve-se realçar que tais medidas, às vezes, são necessárias também para os pais e cuidadores da criança. Como se pode prescrever uma dieta saudável para o filho, se os pais não adotam este cardápio alimentar? É quase impossível a adesão da criança a esta prescrição, se a família não tem a mesma atitude. Ou seja aqui vale o velho jargão de que para o filho vale o exemplo. Os filhos são os grandes imitadores e seguidores dos pais, babás e tutores. Quando necessário o uso de medicamentos, salvo um e outro caso de contra-indicação, todos os anti-hipertensivos de última geração podem ser administrados na infância com segurança. Qualquer que seja a natureza da HA deixamos como recomendação que é fundamental promover a educação da criança no sentido de ter uma dieta equilibrada e saudável e praticar alguma atividade conforme a aptidão , vocação e limites da idade. O chamado estilo de vida saudável tornar-se-á um hábito na vida adulta se ele é incorporado desde os primeiros anos de vida. A glutonaria, as orgias alimentares, a ingestão de alimentos como forma de prazer pode se tornar um vício como o de qualquer outra droga ou álcool. Na verdade segundo o dito popular devemos comer para viver e não viver para comer. Isto pode começar bem e melhor quando ensinamos corretamente os nossos filhos desde pequenos. J o ã o J o a q u i m de Oliveira – médico – joaomedicina.ufg@gmail.com

PREVENÇãO DE DOENÇAS CARDÍACAS NA INFÂNCIA

A doença das artérias coronárias (DAC) causada por depósitos de colesterol ( arteriosclerose) é a principal causa de mortes no mundo. Só nos USA são mais de 500.000 óbitos/ ano. O início da DAC se dá infância; quanto mais fatores de risco, mais é acelerada a formação das placas de gordura no interior das artérias. Neste artigo concentraremos sobre os 05 grandes fatores de risco, presentes cada vez mais nas crianças e adolescentes, nestes tempos virtuais, quando há um apelo de marketing exagerado ao consumo de alimentos hipercalóricos ricos em carboidratos e gorduras. Tabagismo- o impacto da nicotina é tão grande na saúde humana que se não houvesse fumantes teríamos 20% menos descolamento prematuro de placenta, complicação esta responsável por muitas mortes fetais e maternas; 20% menos recém-nascidos de baixo peso; 30% menos DAC ; 40% menos mortes de crianças entre 1-5 anos; 50% menos câncer de bexiga e sistema urinário e 90% menos tumor maligno de pulmão. As crianças e adolescentes se tornam vitimas do cigarro( tabagistas passivos ou indiretos) quando um ou ambos os pais são fumantes. Dentre os danos para as crianças temos bronquites, infecções do aparelho respiratório, alergias, baixa imunidade, déficit intelectual etc. Sedentarismo- a inatividade física implica em sobrepeso, pressão arterial mais alta, baixa autoestima, dislipidemias e depressão. Todas as pesquisas científicas pertinentes são uníssonas de que a atividade física propicia melhor qualidade e quantidade de vida. Por isso sua prática deve ser ensinada desde a infância. Obesidade- as sociedades médicas (endocrinologia, cardiologia ,pediatria ) têm se preocupado e feito campanhas contra o excesso de peso. Crianças e adultos obesos quase invariavelmente apresentam outros fatores de risco como colesterol alto, hipertensão arterial, diabetes tipo II e mais DAC. Vale frisar que crianças e adolescentes obesos quase sempre serão adultos obesos de difícil tratamento. Eles desenvolvem a chamada obesidade hiperplásica , Isto é , com aumento do número das células adiposas em todo o organismo. Hipertensão arterial (HA)-pressão alta significa mais placas de colesterol, mais DAC, mais derrame cerebral, mais insuficiência cardíaca, mais insuficiência renal e morte prematura. A HA é doença silenciosa, por isso deve ser medida a partir dos 3 anos de idade. A criança ou adolescente com HA deve ser encorajada a ter uma atividade física qualquer, ingerir alimentos mais leves com menos colesterol, menos gorduras e carboidratos, e manter o peso normal . Na criança e adolescente com HA , em face dos efeitos colaterais, deve-se evitar quando possível o uso de drogas hipotensoras . Colesterol- trata-se de um grande fator de risco silencioso. Só se sabe deste íntimo inimigo fazendo sua dosagem sanguínea. O colesterol total no adulto não deve ultrapassar 200mg/dL. Em criança abaixo de 12 anos, os limites máximos são 150 mg. É importante reprisar que a formação das placas de colesterol (arteriosclerose), começa na infância e antecede em muitos anos aos primeiros sintomas das doenças cardiovasculares ( angina, infarto, derrame). Por isso a recomendação preventiva deve se dar precocemente( na infância). Os triglicérides na criança deve situar abaixo de 100mg / dL . Além desses 5 grandes fatores de risco temos outros como o diabetes e a história familiar (herança genética ). Na prática, a influência genética deve ser considerada na presença de doença cardiovascular manifesta ou morte súbita em parentes de primeiro grau abaixo de 55 anos. O diabetes mellitus é outro grande fator de risco, de alta prevalência na população geral. Toda taxa de glicose acima de 110mg/dL, mesmo silenciosa encerra em fator de grande morbidade para órgãos vitais como coração, cérebro, retina e rins. Vale ressaltar no fecho destas orientações que é comum a criança, adolescente ou adulto ter mais de um fator de risco para DAC, ou doença cardiovascular latu sensu. A interação entre estes fatores se torna muito mais nociva e com grande chance de desenvolver doenças de altas taxas de morbimortalidade. Em face destas noções e conhecimentos, os trabalhos medico-científicos e as especialidades médicas como pediatria, endocrinologia e cardiologia alertam os pais e as pessoas em geral para a importância da prevenção e cuidados higienodietéticos. Por isso , mais uma vez se exalta o valor de adoção de um estilo de vida saudável. Estas medidas se adotadas na educação da criança podem além de mais sucesso torná-la um adulto muito mais consciente, disciplinado, e perenemente sadio e feliz. João Joaquim de Oliveira cardiologista joaomedicina.ufg@gmail.com

RISCO CIRÚRGICO

PREVENÇÃO DE COMPLICAÇOES E MORTE EM UMA CIRURGIA João Joaquim de oliveira Risco anestésico-cirúrgico é a probabilidade de complicações e/ou óbito decorrentes do ritual pré, peri e pós-operatório . As chances destas intercorrências são dependentes de fatores diversos como estado de saúde do paciente, qualificação profissional da equipe médica , técnica operatória e instituição hospitalar. Constitui requisito capital na segurança e sucesso de qualquer procedimento cirúrgico uma avaliação clínico-laboratorial criteriosa do doente no período pré-operatório. Não raramente esta pode ser a primeira oportunidade para algumas pessoas passarem por um “check-up” médico ,quando então diversos fatores de risco para doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, derrame cerebral, insuficiência cardíaca, arritmia ou doenças constitucionais como diabetes, doenças renais, tireoidianas, colesterol elevado podem ser detectados . O não tratamento e a instabilidade destes fatores encerram grande risco no período trans e pós-operatório. A avaliação pré-operatória não deve restringir-se a uma lista de exames laboratoriais. Conforme a condição física , constituição do paciente, porte e duração do ato anestésico-cirúrgico faz-se necessário uma consulta prévia (história clinica) pormenorizada seguida de exames complementares e específicos para cada pessoa . Nesta entrevista médica são essenciais informações sobre alergia ou intolerância a medicamentos, anestésicos, antissépticos e outras reações adversas em algum procedimento cirúrgico-odontológico pregresso . Independentemente da complexidade da cirurgia o paciente deve passar por alguns exames básicos como hemograma completo( contagem de hemácias, leucócitos e plaquetas), análise da coagulação sanguínea , taxa de glicose (diabetes), exame de função renal e eletrocardiograma .Em cirurgias de médio e grande porte( intra-abdominal, intra-torácica, craniana, vascular) é recomendável exames mais sensíveis objetivando a presença de insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, infarto do miocárdio antigo já cicatrizado etc. Estas doenças , ainda que leves ou silenciosas somadas ao estresse metabólico e circulatório de qualquer cirurgia agravam o prognóstico com iminentes riscos de vida em qualquer cirurgia . Há que diferenciar os riscos inerentes e inevitáveis de certos procedimentos daqueles que eletiva e antecipadamente podem ser minimizados ou evitados. Neste contexto temos como exemplos as cirurgias emergenciais (e.g. úlcera gástrica perfurada, hemorragia interna por rompimento vascular, aneurismas) e traumas, onde as circunstâncias exigem pronta intervenção cirúrgica para salvar a vida do enfermo. Nas cirurgias plásticas, lipoaspiração e corretivas anatômicas em geral, existe um tempo hábil de planejamento pré-operatório, quando então todos exames pré-admissionais à internação são executados com quantificação dos riscos alusivos à pessoa e procedimento e medidas atenuantes e profiláticas. Um grupo particularmente susceptível de complicações no trans e pós-operatório é representado pelos idosos. Nesta faixa etária existe uma incidência maior de comprometimento de órgãos vitais como coração, aparelho circulatório, cérebro e rins. O sistema imunológico é menos operante nessa faixa etária. Portanto, além de maior ocorrência de infarto e derrame cerebral, há risco de infecções na ferida operatória e em todo o organismo(septicemia). A avaliação pré-cirúrgica do idoso, mesmo hígido, é sempre mais rigorosa. Nas cirurgias eletivas de grande porte além dos exames rotineiros torna-se mais prudente considerar exames mais sensíveis de função cardiovascular (teste ergométrico, ecocardiograma, cateterismo cardíaco) . Outro grupo que merece orientação e cuidado especial são os portadores de doença de valvas cardíacas (com ou sem próteses artificiais). Neste grupo há grande risco de infecção intra-cardíaca (endocardite infecciosa). Trata-se de doença de grave prognóstico independente do risco pertinente ao ato cirúrgico. As únicas maneiras de evitar a endocardite são técnica cirúrgica rigidamente asséptica e uso adequado de profilaxia antibiótica (medicamentos antimicrobianos). O ritual operatório é um trabalho de equipe, onde todos devem assumir seu papel com zelo, ética, humanismo e competência para um fim comum que é a saúde e satisfação do paciente. Cirurgião , anestesista e auxiliares devem atuar solidários para o bem estar do doente. Um integrante que tem papel primordial, considerado vital na cirurgia é o anestesista. Este profissional deve ser conhecedor não apenas de técnicas anestésicas, mas da fisiologia do paciente como um todo. Uma parcela significativa de pacientes cirúrgicos é portadora de múltiplas afecções que com o estresse da cirurgia são passíveis de agravamento com exigência de manuseio eficaz e emergencial. Todo medicamento e modalidade anestésica têm potenciais efeitos adversos no organismo. O sistema circulatório e coração são particularmente vulneráveis aos anestésicos e fármacos adjuvantes no ato anestésico-operatório. Ainda que a instituição hospitalar disponha de monitores, equipamentos e todo instrumental cirúrgico modernos o melhor monitoramento peri e pós-operatório é a própria equipe médica. No curso operatório, o anestesista em especial, este profissional paramentado de vestes brancas e pouco lembrado torna-se o verdadeiro “anjo da guarda do doente”. JOÃO JOAQUIM DE OLIVEIRA – cardiologista Assistente Serviço Risco Anestésico-cirúrgico HC/FM - UFG
ALCOOLISMO E DOENÇAS CÉREBROVASCULARES < João Joaquim de Oliveira O derrame cerebral é a 3ª causa de morte entre adultos e a principal causa de invalidez de idosos no mundo. Nos EEUU ocorrem em média 150.000 óbitos e 2 milhões de sobreviventes de acidente vascular cerebral (AVC) por ano. A doença arterioesclerótica ( placa de colesterol) está na gênese da maioria dos casos de derrame. Existem vários fatores de risco pessoal e ambiental para as afecções cerebrovasculares. Os principais fatores são a tendência hereditária, o tabagismo, a hipertensão arterial, o diabetes, sedentarismo, colesterol alto, alcoolismo etc. Neste artigo discorreremos sobre o álcool como um fator de risco significativo para doença cerebrovascular ( derrame, isquemia cerebral). A literatura médica é farta em trabalhos científicos mostrando a estreita relação entre o consumo excessivo de álcool e maior ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC). Esta relação existe mesmo naquele bebedor ocasional em função de sua predisposição genética e outros fatores pessoais de risco. O consumo moderado de bebidas alcoólicas (40-60g álcool/dia), contínuo ou esporádico, já representa risco aumentado para complicações e doenças cardio e neurovasculares. As principais anormalidades associadas ao consumo abusivo de bebidas alcoólicas são alterações: da função hepática e da coagulação sanguínea, hemorragias, baixa de plaquetas e hipertensão arterial. O álcool aumenta a liberação de cortisol, renina, aldosterona, vasopressina e adrenalina. A consequência desse pool de substancias é o surgimento de grave crise hipertensiva, infarto do miocárdio, edema agudo de pulmão e hemorragia cerebral. Doenças estas de alta mortalidade, e muitas sequelas incapacitantes permanentes. Além dos acidentes vasculares cerebrais ou encefálicos (AVC) o alcoolismo é fator causal de vários outros distúrbios orgânicos com elevadas taxas de morbidade e mortalidade. Dentre estas pode-se listar: arritmias cardíacas, miocardiopatia , hipertensão arterial, trombose venosa ou arterial, embolia pulmonar, hemorragias internas, pancreatite aguda ou crônica, cirrose hepática, neuropatias periféricas, demência precoce, etc. Como em tudo na vida, trata-se de questão de equilíbrio. Não se quer abominar e abolir a ingestão de bebidas com os mais variados teores etílicos. Basta prudência, senso critico e sopesar bem a relação prazer etílico e os agravos á saúde. Então em relação ao consumo do álcool podemos deixar as seguintes recomendações: Adolescentes e jovens abaixo de 25 anos não devem ingerir nenhuma bebida alcoólica . Nesta faixa etária o risco de dependência e vicio é muito grande. Nos adultos saudáveis a ingestão não continua de até 30gr /dia ( 1 taça de vinho 250ml, 1 lata cerveja) não representa nenhum agravo à saúde. Em qualquer pessoa portadora de hipertensão arterial, diabetes, miocardiopatias e outras doenças cardíacas e vasculares o álcool tem contraindicações relativas . Neste grupo de pessoas deve-se consultar o médico sobre a ingestão de bebidas alcoólicas . O álcool é incompatível com a maioria dos medicamentos de uso continuo. Como exemplos temos os anti-hipertensivos, medicamentos para cardiopatias, antidiabéticos, antinflamatórios, antibióticos, etc. Usuários de medicamentos psicotrópicos ou neurotrópicos jamais devem ingerir bebidas alcoólicas. A interação de efeitos álcool + psicotrópicos são graves e encerram seriíssimos riscos para o usuário e pessoas à sua volta pelos efeitos psiquiátricos e neurológicos que essa associação pode provocar . João Joaquim de Oliveira joaomedicina.ufg@gmail.com

domingo, 15 de abril de 2012

O SAQUEADOR - O SENADOR E AS LEIS

O saqueador, o senador e as leis

João Joaquim de Oliveira

http://www.dmdigital.com.br/novo/#!/view?e=20120415&p=20


Diante de tantas ações criminosas, ilegais, ilícitas e más cometidas pelo homem contra o próprio semelhante, contra os animais e a natureza, é por óbvio e normal as pessoas mais sensatas e inclinadas ao bem fazerem muitas indagações, sentirem-se perplexas ou mesmo perderem o último refúgio que nos resta que é a esperança de um mundo melhor, mais ético e justo. Eu ainda acredito em homens bons e que o mundo tem jeito .
A história, as narrações míticas, a própria bíblia comprovam que a maldade, o antagonismo entre o bem e o mal são inerentes ao homem desde os seus primórdios. Mas, será que estatisticamente a prática do mal, os desvios de conduta, os crimes de toda ordem, as ilicitudes aumentaram proporcional e linearmente com o progresso? Será que as regras do capitalismo, do liberalismo econômico, o apelo massivo ao consumo, ao prazer fundado no materialismo têm nexos diretos com o aumento da violência e as condutas antiéticas, ilícitas e ilegais das pessoas?
Parece não haver dúvidas de que todos estes fatores contribuem com as condutas antissociais dos indivíduos, os crimes de toda ordem.
As contravenções penais e atos ilícitos de toda magnitude nos demonstram isto. Parece que se tornaram seriados ou mesmo um reality show no cotidiano da mídia .
Outros fatores que se podem apontar na gênese dos atos e condutas aéticas e criminosas das pessoas seriam o desemprego, a alta taxa de analfabetismo e a leniência e ineficácia na aplicação das leis.
Ao analisar estes três fatores: desemprego, analfabetismo e ineficácia das leis poderiam surgir dissenso e questionamento entre os estudiosos da matéria. Analfabetismo, baixa escolaridade e desemprego estão intimamente interligados. Não é difícil compreender porque estão fortemente correlacionados á toda sorte de comportamento antissocial, ilícitos e aos mais variados graus de crime. Conforme a natureza do comportamento revela-se em reações de sobrevivência. Ás vezes, atos contra a falência alimentar.
Em oposição ao analfabetismo e desemprego temos que nas classes ricas, com pessoas de melhor formação e qualificação profissional, representados por empresários, agentes públicos, sejam parlamentares senadores ou não, ministros ou governantes; temos presenciado repetidos e altos índices de crimes financeiros, corrupção e comportamento antiético indignos de um cidadão comum . Agora imagina um agente público, um fiscalizador ou aplicador das leis desses delitos. Deveriam ser punidos de forma muito mais rigorosa. Mas não é isto que sucede no Brasil.
Ora bolas! Não precisa ser nenhum sociólogo, cientista político ou criminalista para se convencer de que os altos e recalcitrantes índices de crimes nestas diferenciadas classes e tipos profissionais se deve exclusivo e tão somente á ineficácia e baixo rigor das leis. Aliás, para algumas categorias de pessoas não existe nem leis. Eles próprios, os parlamentares, criaram um antídoto, uma vacina com validade permanente de nome antipático e arrogante que é a imunidade parlamentar. Tal imunidade mais eficaz e protetora do que soro antiofídico é extensiva a presidente, governadores, ministros, agentes do ministério público e juízes. Então digníssimos Senadores , juízes e sequazes de toda ordem podem se aliar e participarem de qualquer organização criminosas e bandidagem V Excias criaram as leis e elas os protegerão para sempre. Olhando por este ângulo , este País não tem jeito mesmo e estamos todos perdidos.


João Joaquim de Oliveira - joaomedicina.ufg@gmail.com www.jjoaquim.blogspot.com

sábado, 25 de fevereiro de 2012

COOPERATIVISMO E A REPÚBLICA DE PLATÃO

O COOPERATIVISMO E A REPÚBLICA DE PLATÃO

João Joaquim de oliveira


As cooperativas de trabalho ,seja de produção ou serviços, vêm se tornando cada vez mais numa forma muito atraente e justa de empreendimento. Os números dizem por si mesmos. O Brasil tem cerca de 6650 cooperativas. São 15% da população ou 30 milhões de pessoas ligadas a essa atividade. No mundo são mais de um bilhão de habitantes em atividade cooperativista. Isto não é pouco porque gera cerca de 100 milhões de empregos, sendo 300 mil só no Brasil .
O sistema cooperativista começou a ter o formato do que temos hoje no inicio do século XIX com a revolução industrial na Inglaterra . Nessa época com a mecanização da indústria e o ideário do liberalismo econômico surgiram o desemprego em massa, a miséria coletiva , a intranquilidade e a insegurança social. Nessa atmosfera, surgem então as organizações de trabalhadores através de sindicatos e associações de classe. Nascem daí as primeiras cooperativas de produção e ajuda solidária.
A primeira cooperativa registrada economicamente importante foi a “Rochdale society of Equitable Pioneers “. Isto se deu em Rochdale – Inglaterra, em outubro de 1844. Ela era constituída de operários tecelões- 27 homens e uma mulher.
Ao longo da história encontramos vários filósofos, políticos e sociólogos que defenderam os princípios da atividade cooperativista.
Charles Gide (1847-1932), francês , foi o fundador da Escola de Nimes . Robert Owen (1772-1858) , inglês , é considerado o pai do cooperativismo e fundou várias organizações de trabalhadores. Preocupado com aspectos de instrução e educação Owen criou escolas para os filhos de operários. Um médico e político que teve atuação destacada como cooperativista foi sir William King(1786-1858) que propugnou pela criação de um sistema de cooperativa internacional.
Um gigante da filosofia ocidental que não é lembrado na história do cooperativismo é Platão . De fato em nenhuma de suas obras existe menção ao verbete cooperativismo como empreendimento. Mas, quero me reportar à sua emblemática obra A República. Nesta magnífica criação, esse notável filosofo grego( nascido em 428 aC), expõe de forma lógica, metódica e muito organizada como deveria ser constituído um governo de estado e a administração de uma cidade. Os princípios e razões para a atuação de cada integrante em uma gestão pública deveriam se basear nas exigências da competência, da justiça e aptidão de cada membro. Cada integrante do governo teria uma função segundo seus méritos pessoais, dando o melhor de si para o bem de todos. E então ? não constitui a excelência e a essência em termos de atuação ou filosofia cooperativista? Nada mais justo do que lembrar desse mestre grego e que tinha como pilares de vida o exercício da justiça, da cooperação, da verdade e da Ética como meios e fins para uma sociedade fraterna, generosa e feliz.
Enfim são muitas as atividades nos moldes cooperativistas. Existe vasta literatura, teses e livros sobre o tema. No concernente ao cooperativismo médico, nenhuma organização tem a relevância e peso do sistema Unimed. Na condição de usuário e cooperado acompanho há mais de duas décadas a Unimed Goiânia . Seus dirigentes sempre tiveram como meta valorizar e remunerar dignamente os cooperados. Pode não ser de fato os mais merecidos honorários a que faz jus o médico, mas a cooperativa sempre teve a marca da pontualidade e que melhor paga aos seus filiados, quando comparada com outros seguros-saúde. A Unimed Cerrado é outro belo exemplo de gestão responsável , eficaz e altamente ético. Uma grande preocupação dos dirigentes, sobretudo vinda da congênere do Cerrado são os cursos de atualização para cooperados e funcionários. Trata-se de uma concessão privilegiada, quando todos os médicos e interessados, possam manter informados de novidades, avanços técnicos em todos os ramos da Medicina e áreas profissionais correlatas.
É recorrente a queixa de muitos médicos de que a Unimed deveria remunerar melhor pelos serviços prestados. Reivindicações com as quais eu faço coro. Todavia, esquecem os que assim pensam e queixam que os motivos desta não mais justa remuneração são os próprios cooperados. Professo esta opinião do alto de meus 25 anos de cooperado e pelo que vejo e constato neste tempo como clínico , cardiologista e plantonista por 18 anos do Hospital Unimed Goiânia . Faltam a muitos médicos os princípios e primados do cooperativismo. A Unimed mais que Empresa Privada é uma entidade com meios e fins voltada para o bem de todos: usuários, funcionários e cooperados.
Dentro desta reflexão- a da culpa dos próprios cooperados- quero citar o exemplo da prática que eu chamaria de “ nociva e sem critérios ” de muitos colegas na solicitação e execução de exames complementares. Vemos nesta etapa de uma consulta grandes abusos e absurdos. Há casos concretos tão esdrúxulos , em consultas corriqueiras ou de check-ups, que o médico mais parece um mero despachante de suas clinicas e hospitais. Ou seja , o profissional parece já ter as planilhas de exames prontas no computador. Basta clicar, imprimir e encaminhar o cliente ao laboratório. Isso é uma inversão técnica . Primeiro exames depois a consulta ?
Mais do que a perda do encanto, fica a sensação de que o médico esqueceu todos os ensinamentos de semiologia e técnicas de um exame físico bem feito. Enfim cadê o raciocínio clinico, o suspense , o encadeamento tão inteligente de uma historia médica acurada e dela afunilar em poucas possibilidades os diagnósticos prováveis, sem tantos meio diagnósticos.
São práticas, entre outras, que ao gerar lucro e ganho para poucos trazem danos e rombo no caixa da Cooperativa e prejuízo para a maioria dos cooperados.
O exemplo aqui citado de uso indiscriminado e sem critérios de indicação clinica para tantos exames e outros procedimentos, invasivos ou não, fere de morte os princípios éticos em geral e o compromisso do médico firmado quando se torna cooperado .
São condutas que se perpetuadas e generalizadas poderiam até mesmo comprometer e inviabilizar a saúde financeira da Unimed. O que seria uma pena, dada a importância social e econômica que tem o sistema para todas as pessoas que dele dependem. A Unimed não é de poucos , ELA pertence a todos -usuários , cooperados e funcionários.

João Joaquim de Oliveira – joaomedicina.ufg@gmail.com médico

VIOLENCIA NO ESPORTE, PAPEL DA REDE GLOBO

Esportista como sou , fã não fanático por futebol, fico triste e preocupado com a violência e os crimes das chamadas torcidas organizadas. Neste breve ensaio faço as seguintes indagações: por que de tanta hostilidade e brutalidade desses torcedores e simpatizantes dos clubes? Será que a mídia televisiva tem alguma influência no comportamento desses torcedores? O comportamento de repórteres de campo, de locutores de radio e TV e cartolas teriam influência na agressividade, discriminação e intolerância dessas “organizações “ que vestem as cores dos times de futebol?
Conforme algumas pesquisas e estatísticas a maioria dos membros dessas torcidas são de baixa escolaridade e pertencem às classes C e D. A violência e crimes em geral têm certa relação com baixo grau de instrução e escolaridade. As pessoas pouca instruídas buscam lazer e cultura nos canais abertos de TV. No quesito bom gosto e qualidade, todos sabemos que muitas emissoras se equiparam em baixaria e apelos por audiência os mais vulgares e fúteis possíveis. Para comprovar esta realidade basta navegar pelos vários canais de TV , de dia ou de noite, e assistir os festivais de besteiras e patifarias que são exibidos.
É do senso comum que televisão , animadores de programas e jornalistas são os grandes formadores de opinião deste país. Isto significa o que? Estes profissionais não só formam o modo de pensar dos cidadãos , mas também a conduta e atitude das pessoas em sociedade. De que forma a televisão e seus profissionais podem influenciar na violência das torcidas organizadas? Basta a esses órgãos de mídia e jornalistas, repórteres de campo e locutores assumirem o papel de torcedores. Isto se torna muito estimulante e agressivo quando são repetidas as palavras de ordem do tipo humilhar, arrasar ou massacrar o outro time, os adversários , etc.
Quem assiste a futebol pela TV está habituado a esses jargões nada educativos ou éticos. Não importa que o time oponente seja local, de outro estado ou estrangeiro. Aqui no Brasil, a Rede Globo encarna muito bem este papel. A emissora tem a exclusividade na transmissão de jogos da seleção. Seus locutores, repórteres de campo e comentaristas assumem o papel de torcedores-símbolo do Brasil. Como falam muitas bobagens, impropérios e referências pejorativas das equipes que enfrentam nossa seleção, isto resulta em um modelo de atitude e opinião muito grave pelo poder de influência que tem esta mídia nas pessoas em geral e torcedores.
Quando a equipe adversária é a Argentina então, a TV globo cria um clima de guerra. Não é incomum ouvirmos de locutores e repórteres que vale tudo para ganhar de “los hermanos” argentinos, desde quebrar pernas dos adversários até peitar o árbitro do jogo por um resultado a favor do Brasil.
Um outro cenário de profissionais que representam péssimos modelos de conduta e imoralidade são os cartolas de futebol no Brasil. Suborno, lavagem de dinheiro e corrupção fazem parte da agenda desses profissionais da bola. E vejam que este” modus-operandi” é próprio não de só de altos dirigentes da seleção brasileiro, mas até dos magnatas da FIFA.
O que mais causa arrepio e pasmo nas pessoas de bem é surgir denúncias e evidências de que a Rede Globo se tornou conivente e complacente com todo o cenário de roubalheira, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo diretores e presidente de nossa Confederação Brasileira de Futebol- CBF.
Então não se poderia esperar nada diferente dos membros dessas torcidas “(des)organizadas”. Imagina os padrões ou modelos de conduta que eles têm! Uma Rede de TV altamente engajada que para atingir fins lucrativos pouco importa com os meios empregados. Somado a isto existem repórteres e locutores de TV no papel de torcedores que incentivam a intolerância e violência em campo. Como piores dos exemplos temos cartolas ladrões e corruptos em todos os segmentos do futebol.
Fechando estes péssimos fatos e modelos de conduta basta lembrar que toda essa gente vive lisa, leve, solta e feliz na absoluta impunidade. Os rigores da lei nunca atinge esses gangsteres do nosso glorioso futebol.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

FRACASSOS NO VESTIBULAR , POR QUÊ ??

SOS VESTIBULANDOS! O QUE REVELAM AS PROVAS.
João Joaquim de Oliveira
O POPULAR E DIÁRIO DA MANHÃ –



Em época de exames vestibulares pais e candidatos entram em polvorosa. Não tem como fugir ao estresse que a espera do exame provoca. Dias de provas então e quando da divulgação dos resultados são de dar arrepios e muita insônia.
Atacado de curiosidade em saber a quantas anda o nível das provas aplicadas e o desempenho de nossos vestibulandos fui ler alguns exames de universidades federais. As provas de hoje constam de 1º fase com questão de múltipla escolha para todos os candidatos, com um ponto de corte e seleção para a 2º fase. Esta etapa final consta de redação( português ) e questões discursivas especificas para cada curso.
As provas ,em geral ,são bem elaboradas e dentro dos conhecimentos do currículo do ensino médio. Nada que um bom aluno não saiba . Quando se analisa o desempenho dos candidatos pelas notas obtidas, isto é: os que são selecionados para a 2º fase (prova discursiva); ai é de dar descrença em amantes por educação e cultura, como eu, ou nos próprios educadores mais sérios e idealistas deste país.
Recentemente, em um “papo-cabeça” com um escritor e dois professores universitários abordamos justamente o tema aptidão cultural e escolar da juventude na era digital. Nós, os quatro, consentimos no seguinte: hoje não se pensa e não se pratica cultura e conhecimento como um bem de 1º necessidade e grandeza ,como era em épocas dos pais e avós desses jovens vestibulandos.
O estágio cultural e conhecimento das matérias de 2º grau de nossos vestibulandos são tão pífios e ruins que o aluno não consegue ao final de tanto estudo acertar 40%, 50% das questões de aferição de seu aprendizado.Em tempo: muitos desses candidatos, além da conclusão do 2º grau, têm 3, 4 anos de cursos pré-vestibulares. Em muitos desses vestibulares os candidatos são peneirados para a 2º fase com uma nota menor que 2( 20%). Na UFG, houve cursos, caso de Ciências Sociais e Pedagogia, que alunos foram para a 2ª fase com nota de corte igual a 1,7(17%). Agora imagina o que deve ficar registrado nas questões de redação e prova discursiva desses candidatos, onde não há mais a opção lotérica do chute! Estas provas não se tornam públicas. Sinceramente eu gostaria de ler as asneiras e futilidades que devem ficar registradas de nossa juventude.
E vejam que situação gozada e esdrúxula: a Instituição terá que selecionar os menos ruins dos candidatos, senão ficariam vagas ociosas nos cursos, fosse por exemplo exigir uma nota mínima 5 (50%) nas provas finais. A primeira fase não pode haver zero. Com qualquer outra pontuação o candidato é concorrente a uma vaga .
Em verdade os exames vestibulares revelam o rebaixamento dos valores culturais porque passa a sociedade. Leitura e cultura geral parecem algo careta e supérfluo para nossa garotada. O apelo das indústrias e comércio de tudo, o apego aos bens digitais e ao mundo virtual vem detonando a capacidade de refletir e pensar das pessoas. A maioria não quer nada com a dureza de pensar.
Nossas crianças e jovens têm sido as principais vitimas desse sistema. Isto vem se revelando até mesmo na postura de muitos pais, escolas e alguns dirigentes pedagógicos que se julgam estar antenados com a modernidade. Não se condena o computador, os tablets, os iPads, e a internet como instrumentos escolares. O exagero e o mau uso é que tornam-nos nocivos e inibitórios á capacidade de raciocínio e pensar do aluno.
Eu ainda sou dos que acreditam no poder construtivo e cultural da leitura e do livro impresso. O aluno desde cedo tem que ser estimulado e exigido a ter habilidade com o lápis e a caneta, em expressar por escrito os seus pensamentos e conhecimentos. Computador e internet no ensino fundamental e médio devem ser adjuvantes e nunca protagonistas no aprendizado escolar. Ou professores, escolas e pais despertam para essa realidade ou continuaremos sendo escolas medíocres e as piores do mundo. Que o digam os exames e indicadores de cultura e escolaridade como o ENEM, o ENADE, PISA, IDEB e de arremate nossos vestibulares da Universidades Federais.
E sem querer ser chato, estou aqui a falar de alunos e candidatos a ingresso nas melhores Universidades, onde se tem em conta melhor estrutura física, grade curricular decente, e um staff docente melhor qualificado. Se eu for falar de nosso alunato de faculdades privadas.. não! aí não , senão vou ter náusea, engulho e prefiro ficar por aqui mesmo.

João Joaquim de Oliveira médico - joaomedicina.ufg@gmail.com

NAO FALE MAIS COMIGO . TÔ OCUPADO

EU NÃO FALO MAIS COM VOCÊ
João Joaquim de Oliveira

O mundo tecnocientífico em que vivemos nessa primeira década do século XXI tem nos imposto profundas alterações nas relações sociais quando se compara com os idos de 30 ou 40 anos atrás. Nessa época(anos 80) a informática e internet estavam apenas na forma de embrião, em compassos bem rudimentares. Essas transformações, propiciadas por tantos avanços das ciências e da tecnologia mudaram positivamente a rotina e a vida das pessoas em todos os níveis seja no trabalho, no comércio, na indústria, no âmbito jurídico , na esfera social, afetiva etc.
Não há dúvida de que frente a tantas conquistas de bens e aparelhos, sejam estes para melhorar a produção industrial ou mesmo o exercício de cada profissão, a vida e a produtividade do homem tiveram um salto de qualidade. Na área de lazer, recreação e entretenimento então, são amplos e notáveis os resultados de tanto progresso. O que há de se lastimar é que as classes menos abastadas, de baixo poder aquisitivo, continuam à margem dessas conquistas, sem desfrutar de tantos utilitários eletro-informáticos e outros equipamentos e insumos, sejam para o trabalho ou para diversão.
Tantos ganhos e alcances, em termos de aparatos tecnológicos que trouxessem impacto na sociedade seja na esfera de produção ou diversão, é natural de se esperar igual impacto no âmbito das relações sociais, da ética, das obrigações civis ou jurídicas das relações familiares ,da educação , entre outras.
Sem acirrar sobre tamanhas e tantas mudanças desses tempos da era digital faço algumas reflexões sobre a temática educação em especial “lato sensu”, as relações pais/filhos e alunos/professor.
Aqui expresso minha opinião como pai de um casal de jovens e cultor incondicional que sou da boa educação como fator decisivo na formação do bom caráter e moral do indivíduo. Este , aliás, um conceito defendido por Aristóteles na antiga Grécia. No quesito educação o que presenciamos é que a qualidade dos valores culturais e formação educacional de nossas crianças, adolescentes e jovens caminha em sentido inverso ao pregresso tecnocientífico.
Quando menciono valores culturais e formação educacional, refiro-me não apenas à formação escolar da criança e jovem no conhecimento das disciplinas básicas ensinadas nas escolas, mas sobretudo o amadurecimento moral, social e ético como “pessoa humana”.
As tecnologias de hoje, em especial , as de mídia (celular, internet, games ) vem subvertendo a importância que sempre se deu a sentimentos e atributos quase inatos e que sempre foram cultivados e ensinados ainda no berço, no seio familiar. Ou seja o amor, a generosidade, a fraternidade parecem não pertencer mais às relações humanas. Hoje, fala-se tanto em direitos das crianças e adolescentes que sugere uma inversão de valores. Filhos não respeitam ou cumprem orientações de pais ou responsáveis e educadores. Nossos adolescentes e jovens perderam completamente o sentido e o valor da hierarquia pai/filho e professor/aluno. Fica a sensação de que ,se respeito houver ,este deve ser do pai ao filho, do professor ao aluno, do idoso ao jovem
Exemplo de tanto mudança, domínio e força nesta era digital e da internet foi a edição da lei “palmada” que diz: se um pai ou mãe desferir uma palmada mais forte na punição ou correção do filho, poderá haver processo, contra o genitor, se denunciado pelo filho. Se esse castigo , mesmo leve, ocorrer na relação professor/aluno, poderá haver exoneração, processo e execração pública do educador. Ou seja , tornou-se desestimulante e um risco a indelegável e santa missão , a de educador.
Necessário e urgente se torna que as famílias, educadores e as políticas educacionais repensem valores e ensinamentos de ética, civismo e moralidade nesses tempos modernos. Do contrário estaremos criando uma geração de pessoas embrutecidas e empedernidas que são tocadas e sensibilizadas apenas por máquinas e computadores. O ser humano foi concebido não apenas para repetir e copiar o que está pronto. Precisamos formar e educar pessoas pensantes, criativas, criticas e que possam inserir , mudar e melhorar o seu meio social, o mundo que queremos melhor. Para tanto, precisamos também de pessoas melhores.
Hoje já vemos muitos desses jovens que no domínio desses objetos e utensílios de informática e mídia, parecem verdadeiros autômatos, alheios à natureza, às pessoas e à vida.
Crianças ainda em tenra idade, adolescentes em formação de personalidade e caráter, jovens e adultos estão perenemente plugados nas tecnologias da modernidade. Todos se encontram ocupados e conectados com suas mídias, ninguém mais vive sem o celular, sem os smartphones, sem os notebooks, sem desgrudar das redes sociais. As pessoas não falam mais com as pessoas, elas falam com as máquinas.
Até aonde chegarão estas transformações , este alheamento? Isto dá medo! Até onde? Até quando?

LIÇÕES DO CANCER - STEVE JOBS, LULA, ALENCAR

AS LIÇÕES DO CÂNCER
João Joaquim de Oliveira

Um atributo que a divina criação concebeu ao homem é ele viver sem a preocupação constante com a morte. Trata-se de uma característica muito bem pré-concebida e imanente aos humanos, uma vez que somos dotados de tantos outros dotes divinos como a razão, o pensamento lógico e sentimentos exclusivos da espécie humana.
Viver como imortal não significa pouca coisa. Imagina se as pessoas vivessem pensando que a qualquer momento o interruptor da vida pudesse ser desligado. Viveríamos todos com fobia daquela execrável dama da foice, em pânico e atacados de muita angústia. Todavia, existe algumas circunstâncias em que experimentamos de forma intensa nossa mortalidade. São aqueles contextos ou fatos que põem em risco, nossa integridade física. Sempre que somos vitimas de alguma doença, uma ameaça qualquer tomamos conhecimento de nossa finitude, sentimos a condição de mortais. Trata-se de uma sensação tão impactante e aflitiva que ela é vivenciada até mesmo pelos seres irracionais. Há algumas espécies de cervos e alces por exemplo que diante de uma ameaça muito grande eles têm morte súbita, tamanha a carga de adrenalina e angústia por que passam.
Independentemente do lado místico, da crença em Deus ou mesmo em outros valores filosóficos e culturais das pessoas, a iminência ou consciência de morte traz sentimentos que desorganizam a estrutura psíquica de cada um. Uma demonstração das tantas reações das pessoas quando são confrontadas com a inelutável realidade da morte, pode ser observada em doenças graves. O diagnostico de um câncer por exemplo. Até mesmo a pronúncia da palavra causa arrepios e repulsa nas pessoas.
Recentes em nossas memórias temos os casos do vice-presidente José Alencar e Steve Jobs (da Apple). Foram duas personagens públicas que de forma muito natural, positiva e rica deram lições à humanidade de como mesmo com o prenúncio da morte tocaram a vida normal e falaram dela como um capítulo certo, último e inevitável da vida. Ninguém normal e em sã consciência vai glamourizar ou enaltecer a morte. Esta sempre representará um transe doloroso para quem vai e dias pesarosos , solidão e saudade para quem fica.
entretanto, algumas reflexões e mesmo ensinamentos possamos extrair de algumas enfermidades malignas, cheias de estigmas como são as neoplasias malignas (câncer). Quais seriam os aspectos metafísicos ou surrealistas destas doenças que ainda representam verdadeiras e intrigantes incógnitas para as Ciências Médicas? Sem dúvida que podemos destacar o curso inelutável e a imutabilidade da natureza delas. Em outros termos, quem delas for acometido terá as mesmas dores, as mesmas angústias, as mesmas seqüelas, o mesmo sofrimento. Não importa que a vítima seja humilde ou arrogante, pessoa anônima ou celebridade rico ou pobre. Todos sentirão igualmente na pele e na consciência a pequenez, a fragilidade, a transitoriedade e a condição de mortais que todos carregamos.
Ter ciência e assistir o curso de doenças graves ou incuráveis de algumas figuras públicas como as mencionadas devem servir de alerta e reflexões para todos nós.
Quantos de nós tocamos a vida de forma tão imprevidente? A Medicina de hoje tem respostas e prevenção para muitos doenças graves e incuráveis. Quantos hábitos adquirimos na vã certeza de que eles não nos causarão nenhum mal ! Parece que a desventura, o mal, as doenças, a morte estão sempre reservadas para os outros, não para mim .
Assim, por que o vicio do tabagismo se sei que posso morrer de câncer pulmonar ou de laringe ? Por que me torno alcoólatra se posso ter cirrose hepática ou tumor de pâncreas ? Por que saio de carro desembestado por aí se posso matar ou morrer de forma violenta ?. Por que o consumo guloso e só por prazer de alimentos industrializados, enlatados e embutidos ricos em nitrosaminas que sabidamente aumentam os riscos de doenças metabólicas e tumor de colo intestinal ?
Como disse Guimarães Rosa “ viver é perigoso”. Agora de forma irresponsável então, imagina o quanto então é mais perigoso!

João Joaquim de Oliveira joaomedicina.ufg@gmail.com

VIOLENCIA NO ESPORTE, PAPEL DA REDE GLOBO

Esportista como sou , fã não fanático por futebol, fico triste e preocupado com a violência e os crimes das chamadas torcidas organizadas. Neste breve ensaio faço as seguintes indagações: por que de tanta hostilidade e brutalidade desses torcedores e simpatizantes dos clubes? Será que a mídia televisiva tem alguma influência no comportamento desses torcedores? O comportamento de repórteres de campo, de locutores de radio e TV e cartolas teriam influência na agressividade, discriminação e intolerância dessas “organizações “ que vestem as cores dos times de futebol?
Conforme algumas pesquisas e estatísticas a maioria dos membros dessas torcidas são de baixa escolaridade e pertencem às classes C e D. A violência e crimes em geral têm certa relação com baixo grau de instrução e escolaridade. As pessoas pouca instruídas buscam lazer e cultura nos canais abertos de TV. No quesito bom gosto e qualidade, todos sabemos que muitas emissoras se equiparam em baixaria e apelos por audiência os mais vulgares e fúteis possíveis. Para comprovar esta realidade basta navegar pelos vários canais de TV , de dia ou de noite, e assistir os festivais de besteiras e patifarias que são exibidos.
É do senso comum que televisão , animadores de programas e jornalistas são os grandes formadores de opinião deste país. Isto significa o que? Estes profissionais não só formam o modo de pensar dos cidadãos , mas também a conduta e atitude das pessoas em sociedade. De que forma a televisão e seus profissionais podem influenciar na violência das torcidas organizadas? Basta a esses órgãos de mídia e jornalistas, repórteres de campo e locutores assumirem o papel de torcedores. Isto se torna muito estimulante e agressivo quando são repetidas as palavras de ordem do tipo humilhar, arrasar ou massacrar o outro time, os adversários , etc.
Quem assiste a futebol pela TV está habituado a esses jargões nada educativos ou éticos. Não importa que o time oponente seja local, de outro estado ou estrangeiro. Aqui no Brasil, a Rede Globo encarna muito bem este papel. A emissora tem a exclusividade na transmissão de jogos da seleção. Seus locutores, repórteres de campo e comentaristas assumem o papel de torcedores-símbolo do Brasil. Como falam muitas bobagens, impropérios e referências pejorativas das equipes que enfrentam nossa seleção, isto resulta em um modelo de atitude e opinião muito grave pelo poder de influência que tem esta mídia nas pessoas em geral e torcedores.
Quando a equipe adversária é a Argentina então, a TV globo cria um clima de guerra. Não é incomum ouvirmos de locutores e repórteres que vale tudo para ganhar de “los hermanos” argentinos, desde quebrar pernas dos adversários até peitar o árbitro do jogo por um resultado a favor do Brasil.
Um outro cenário de profissionais que representam péssimos modelos de conduta e imoralidade são os cartolas de futebol no Brasil. Suborno, lavagem de dinheiro e corrupção fazem parte da agenda desses profissionais da bola. E vejam que este” modus-operandi” é próprio não de só de altos dirigentes da seleção brasileiro, mas até dos magnatas da FIFA.
O que mais causa arrepio e pasmo nas pessoas de bem é surgir denúncias e evidências de que a Rede Globo se tornou conivente e complacente com todo o cenário de roubalheira, lavagem de dinheiro e corrupção envolvendo diretores e presidente de nossa Confederação Brasileira de Futebol- CBF.
Então não se poderia esperar nada diferente dos membros dessas torcidas “(des)organizadas”. Imagina os padrões ou modelos de conduta que eles têm! Uma Rede de TV altamente engajada que para atingir fins lucrativos pouco importa com os meios empregados. Somado a isto existem repórteres e locutores de TV no papel de torcedores que incentivam a intolerância e violência em campo. Como piores dos exemplos temos cartolas ladrões e corruptos em todos os segmentos do futebol.
Fechando estes péssimos fatos e modelos de conduta basta lembrar que toda essa gente vive lisa, leve, solta e feliz na absoluta impunidade. Os rigores da lei nunca atinge esses gangsteres do nosso glorioso futebol.

ANIMAIS DE EXPIAÇÃO OU ESTIMAÇÃO.. A ÉTICA DE CADA UM

OS RISCOS DO CONVIVIO COM ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO.

João Joaquim de Oliveira


Ter um animal de estimação exige prudência, regras básicas de convívio e segurança. Não se admite, de nós racionais, esperar de um animal irracional que ele adote postura de segurança para não nos fazer mal , ainda que de forma silenciosa e não intencional. Albergar em um apartamento, um cão , um gato, um pássaro e compartilhar com ele nossos utensílios de cozinha, a cama , sala de estar , permutar afagos etc é se colocar como presa fácil de contrair as mais bizarras e insolentes doenças, sobretudo aquelas que sub-repticiamente devastam e minam nosso sistema imunitário.
João Dhoria Vijlle - biólogo/imunologista


A relação do homem com os animais remonta à própria história e existência da humanidade. Através da domesticação e adestramento o ser humano sempre buscou ter nos animais aliados para o trabalho, para a caça, o transporte, o esporte e mais corriqueiramente como guarda domiciliar ou uma companhia doméstica no papel denominado animal de estimação, caso dos cães, gatos e aves em geral.
Hoje ,disseminou-se e popularizou tanto a posse do chamado "animal de estimação" que é raro encontrar uma família sem pelo menos uma espécie de algum animal em casa que pelo confinamento passa a ser tratado e tido como um membro da família.
Todavia, esta proximidade, este convívio continuo de contato físico mais íntimo com os animais não estão isentos de riscos para as pessoas. É interessante frisar que os riscos para a saúde humana existem mesmo que todos os cuidados de higiene e de saúde(vacinação por exemplo) sejam adotados com o animal.
O alerta que fazemos aqui vai muito além dos riscos para as chamadas doenças benignas, curáveis ou não, caso das alergias, das ectoparasitoses ou helmintíases como sarna e bicho-geográfico(larva migrans, causada por nematelminto das fezes e urina dos cães ) etc. De gravidade intermediária pode-se destacar a hidatidose(acometimento hepático), doença parasitária contraída acidentalmente do cão ; a triquinelose também contraída de cães, que acomete principalmente os músculos . De alta gravidade cita-se a tão temida e amplamente conhecida toxoplasmose, transmitida pelo convívio com cães e gatos. A toxoplasmose representa doença de elevada taxa de morbidade e letalidade quando contraída pelo feto através do contato da mãe com animais contaminados . Uma característica fundamental , mas desconhecida e negligenciada pelas pessoas, é que na toxoplasmose o animal ( cão ou gato) não apresenta sinais ou sintomas da doença. O animal representa apenas um vetor ou portador do agente infeccioso ( toxoplasma gondi). Ou seja: eu posso ter um animal aparentemente belo, saudável mas, completamente contaminado pelo agente causador de uma doença silenciosa mas altamente incapacitante e mortal para o nascituro ( feto em formação). As manifestações mais comuns da toxoplasmose são cegueira por retinopatia, doença cerebral causada por hidrocefalia e calcificações cerebrais, retardo mental grave e morte intra-útero.




Chama-se a atenção das pessoas neste caso ,é bom que se reprise , onde a origem primária desta tão devastadora doença é um “animal de estimação” com o qual se estabelece uma relação humanizada de amizade no contato, mas ao mesmo tempo muito promíscua e insalubre para os membros humanos da família, sobretudo para crianças de baixa idade.
Os agentes biológicos permutados entre pessoa/animal podem ser parasitas diversos, protozoários, bactérias ou vírus. À luz dos conhecimentos atuais, notadamente da engenharia genética e imunologia se sabe que os vírus continuam representando um grande desafio para a Medicina. São agentes capazes de mutações devastadores no sistema imunológico do ser humano. Um exemplo bem atual é o vírus influenza da gripe suína (gripe tipo A H1N1)) disseminado entre aves silvestres, porcos e pessoas com alto potencial patogênico no homem e nenhuma manifestação clinica nos mencionados animais-vetores(aves e porcos).
Já é bem conhecida a relação entre a ação viral e muitas formas de câncer(câncer de colo uterino causado pelo HPV, por exemplo) além de outras doenças degenerativas incapacitantes graves e incuráveis como as polineuropatias , leucemias etc.
É oportuno relembrar que as estruturas imunológicas e genossômicas( mapa genético) do ser humano e cão ou gato são completamente distintas. Um vírus banal como o da gripe ou resfriado que transmito para um animal de estimação certamente não lhe causará a mesma doença, uma vez que seu organismo é menos complexo e tolerante ao vírus. Entretanto, este vírus encontrará um meio próprio (no organismo do animal)para adquirir marcantes mutações, tornando-se mais virulento e patogênico ao ser humano. Reinoculado no organismo da pessoa através do convívio e contato com o animal de estimação , este vírus agora totalmente degenerado e mutante poderá ocasionar graves danos ao DNA e células de defesa da pessoa com efeitos severos, doenças incuráveis e morte.
Mas, sejamos racionais , prudentes e profiláticos . Com todas as assertivas aqui reproduzidas amplamente conhecidas e emanadas de pesquisas consistentes e sérias , não se quer com isto afirmar que devamos não adotar ou descartar nossos animais de estimação. O que se recomenda é que na aquisição e convívio com qualquer animal, seja de estimação ou não , haja um expediente seguro e higiênico no seu manuseio; que o contato se dê com limites de segurança. Ter em mente que o habitat do animal deve ser dele . Já o lar , a casa onde alimentamos e dormimos é o nosso habitat humano. Para tanto basta lembrar que os excrementos( fezes, urina), pelos ou lanugem ,saliva, microlesões, ainda que não vistas a olho nu , ou seja mesmo em microparticulas ou microgotículas representam os principais riscos na veiculação de graves doenças, algumas delas aqui enumeradas, e o melhor remédio para muitas dessas afecções incuráveis e traiçoeiras chama-se prevenção. Para tanto, basta adotar normas elementares de higiene pessoal e com o animal e limites no convívio e manuseio dos tão encantadores e estimados animais que passa a fazer parte dos membros da família.

João Joaquim de Oliveira- especialista Medicina Interna joao@medicina.ufg.br www.jjoaquim.blogspot.com

FUTILIDADES E VAGABUNDAGEM EM FAMILIA E NA SOCIEDADE

DESFILE DE FUTILIDADES E BAIXARIA

João Joaquim de Oliveira



A cada leitor deste meu artigo faço uma pergunta provocativa, mas não menos significativa. Quais são os bens ou atributos de maior valor em sua vida ? Em outros termos, que objetos, patrimônio ou realizações torna você, senhor, senhora ou jovem uma pessoa bem sucedida e feliz ?
Ao proferir estas insinuantes indagações expresso-as provocado que sou em meu dia-a-dia pelas coisas que ouço, que leio, que vejo e assisto por todos os meios de comunicação, sobretudo a televisão e internet.
A vida diária das pessoas , não todas, vem se revestindo de tanta banalidade, de tanta futilidade que é direito dos incomodados fazerem esta pergunta: mudaram-se os parâmetros de satisfação pessoal, o conceito de felicidade ?
Exemplos do cardápio de vulgaridades e inutilidades na vida das pessoas, começam na própria alimentação. Prova substancial de tanta besteira e futilidades que as pessoas engolem e bebem está na população de diabéticos, de obesos, de infartados e mortes por estas mesmas doenças.
Nada contra os fabricantes de coca-cola, fermentados, de enlatados e outros nutrotóxicos. Nos quesitos lazer e diversão o que exibem as rádios e televisão ?- Música com coreografia e insinuação de gozo sexual explícito a la Michel Teló, ou o próprio sexo explícito à la BBB.
O que a família brasileira tem a assistir nas horas vespertinas ou noturnas de descanso, cultura e lazer? - Pode se escolher entre as violências urbanas( Brasil urgente Band), desajustes e baixarias conjugais (SBT nas tardes/noites), as crises afetivas, adultérios e homossexualismo ( novelas 20hs ou 22hs, vários canais ), as vulgaridades e bisbilhotagem da vida alheia ou mesmo erotismo e sexismo dos reality shows( BBB e Amor e Sexo – Rede Globo) etc . Nada contra as TVs, Band, SBT, RECORD , TV GLOBO e outras.
Aliás, para as pessoas mais tímidas, adolescentes e jovens; aqueles que querem saber mais de sexo e sexismo de baixo calão , vejam a Rede Globo, 23 h “amor e sexo”. Erotismo e sexismo com linguajar e baixaria para todos os gostos, fantasias e fetiches!
E as relações afetivas, conjugais e esponsalícias desses tempos digitais? Como mudaram os significados e pesos desses laços pessoais. Hoje casa-se pela internet ou procuração, casa-se para ter uma nacionalidade em outro país, casa-se pelos dotes monetários ou midiáticos do cônjuge, casa-se e descasa-se como em qualquer contrato mercantil.
Na era pré-informática como era romântico e saudável comunicar-se com as pessoas por telegrama ou carta manuscrita. A cada mensagem lacrada e selada , vinda dos correios, parece que os afagos e cheiro da pessoa querida ou amada estavam guardados e grudados naquelas linhas tão cuidadosamente escritas.
Nossos jovens de hoje não sabem mais desse romantismo. Agora tem-se as redes sociais. Nestes recursos da internet pode-se constatar , assistir e praticar o que o ser humano tem de mais vil, ignominioso e sórdido dentro de si contra o outro. As pessoas chamam de amigos quem nunca se viu na vida. Que amizade é esta ? Amigos fantasmas ?
O que se presencia no MSN, Orkut , facebook e outras redes, constitui , às vezes, não a quintessência , mas a décima essência da putrescência a que chega uma pessoa de per si contra o semelhante. Nessas redes sociais, pela chance do anonimato, é que tomamos ciência a que baixeza e vilania das futilidades um individuo pode chegar; a ponto de pessoas não habituadas a essas torpezas perguntarem : seriam os praticantes destes atos seres humanos ? Seriam eles dignos de habitar este tão belo e generoso planeta ?
Hoje as relações ditas “afetivas” se vulgarizaram tanto que a semântica do romântico está no material, fama e poder.
Nos quesitos virtudes e qualidades pessoais ,sobretudo entre as mulheres, destacam-se a busca do corpo perfeito. Não basta extirpar esta e outra imperfeição, flacidez ou cicatriz. Os objetos e mudanças do consumo são bumbuns e mamas turbinadas por silicone, excesso de peso corrigidas por lipoaspiração ou redução gástrica. Tudo isto custe os olhos da cara, longas prestações em cartão de crédito ou financiamento de longo prazo. Aqui vale o ditado popular, em vaidade mais vale o luxo do que o bucho .
Numa projeção futurista, de tanta futilidade reinante é possível as pessoas pensarem em mudar não apenas a cor de sua pele, mas se possível, até a própria personalidade, alguém duvida? Anotem e esperem!