GENTALHAS SEM QUALIDADE

Hoje eu dou de falar sobre extremos, recordes e quintessências. Exatamente esses conceitos e exemplos. Existem certas medidas que vão para o livro dos recordes, o Guinness World Records. Além de fatos e façanhas mensuráveis, existem outros valores abstratos que poderiam ser catalogados no Guinness. Aqui vai minha proposta.

Poder-se-ia começar por certos atributos humanos. Exemplo: honestidade. Conheço dois homens que poderiam, não eles, mas o seu mau-caratismo entrar nos recordes: o calotismo ou prática do calote e estelionato. O primeiro. Ele compra um imóvel, se compromete ao pagamento em prazo certo e convencionado! Além de não o fazer, o ladravaz e lambareiro vende e embolsa o lucro do imóvel. Recordista em desonestidade, Guinness nele.

O segundo homem cara-de-pau e dos maiores caloteiros que me deparou. O expedito e finório de forma natural e normalizado toma empréstimo de pessoas parentais, que nessa relação se mostram cordatas, lhanas, afáveis e de boa-fé. O gênero geratriz traz essa nuança! O caloteiro e meliante fica só no promissório. Não apenas não salda o prometido, como continua na convivência com a maior desfaçatez e naturalidade: sorriso largo e franco, felicidades em borbotões e hilaridade com vítimas de suas investidas pecuniárias. Guinness nele, porque está no top modelo dessas duas máculas caracterológicas.  Como sentenciou o filósofo e poeta romano Terêncio: “ Sou humano e nada que é humano me espanta”.

E aquela juvenil senhora, que leva vida boa de namorada e nubente, toda esteta e colorida. O cotidiano a mimetizar sua heroína do fútil e do inconsútil. Fotos, imagens, imagos, aparências, “ser é estar no Instagram”, cores, sabores, cama, mesa farta de incessantes convivas. Imitações, repetições, reco-recos, polias, idem, ibidem! Se refestela e come até empachada. Despachada e natural, sai da mesa e vai curtir posts e instagram. Repimpada do bom e saboroso.

“Hum, você tá linda, hein! Você ficou bem! Cabelos lindos” – ah, obrigada! Sente-se, vamos comer. Tem essa opção, gostosa. Você quer? Ah, quero! Hum, delícia mesmo. E vai, e come, e bebe, e engrossa de nutritivos.

Quintino, oh, tem sobremesa na geladeira, viu! Pegue lá que Melissa quer. Ela gosta! Melissa se refestela em tudo; do bom e do excelente! Hum tô cheia.  Sentar ali. Celular à mao. Penso, logo vou ao Insta. Merece também ir para o Guinness. Recordista. Sinceridade e Empatia, passaram ao largo e ao longe, muito longe.

Musil, foi esse polímata magistral. Descritivo e cáustico, bem descreveu os labéus, as maculas e vícios humanos. Quantos homens sem qualidade, quantas mulheres que mergulhadas nas futilidades de certas amizades e futilidades, não passam da tacanha, da janota e xucra existência. Homens e mulheres sem qualidades. Que nenhuns cultivos à essência buscam em suas instintivas e digestivas realidades. Todos e todas se soam o fazem como um tambor, zunem pelo vazio interior. Os conteúdos são o vazio de conteúdo. E os algoritmos com sua ampla eficácia, teúdos e manteúdos. Tidos e mantidos na escravidão do escracho e da escrotidão.  Que nível chegou certos humanos. O homem sem qualidades, vale a leitura – Robert Musil.

 

 João Dhoria Vijle Lisboa

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