INSERVÍVEL E SERVIDA
Muita gente tem noção do que seja gratidão. Outras não têm, algumas têm precárias noções. Tanto assim que quantas vezes nós ouvimos a expressão obrigado, obrigada, muito grato, muito grata (conforme o gênero, se homem ou mulher). E é oportuno lembrar que esse termo obrigado é o particípio de obrigar. E já de plano, expliquemos: não significa que a expressão obrigado/obrigada, esteja obrigando (a) a algum retorno, a uma obrigação de restituir uma gentileza, um favor, uma dádiva, um presente. Nadinha disso. Significa simplesmente reconhecer o bem recebido, seja ele abstrato ou material, o bem móvel ou imóvel, o patrocínio de uma festa, um casamento, tantas regalias, que aquela pessoa ou família nunca teria condições de bancar! Uma festa solene, uma efeméride, um luxo de apresentação. Um casamento do sonho no lugar dos sonhos.
Por falar em gratidão e agradecimento. Existem pessoas tão descoladas desses sentimentos de reconhecer um favor, uma gentileza, um agrado de outra pessoa que sequer sabem usar o verbete correto. É o caso de certas mulheres expressar obrigado. O certo seria obrigada (feminino). Mas, enfim, cultura. Porque na condição de tabaréus e tabajaras virtuais, da escola de Instagram, sequer conhecem os termos mais simples de uma frase como sujeito, verbo e predicado. Tempos de futilidades. Esse descolamento de gratidão e agradecimento é bem peculiar de gente muito jovem. Agora imagine, pessoas já rodadas na vida, já tendo vivido 5 lustros, 6 lustros de vida, ser tão alienadas a esses sentimentos ligantes a outra pessoa dadivosa, gentil, lhana, receptiva que tudo faz pela outra e não ser reconhecida. É no mínimo estarrecedor esse tipo de desprezo e desdém!
Vamos continuar no tema gratidão e reconhecimento, agradecimento e sentimento de solidariedade. Quantas são as pessoas, que seguem aquele ditado do “quem nunca comeu mel ou melado quando come se lambuza”. Vamos em frente e nada plangente. Imagine aquela jovem ou moço que vem de uma família, onde algum não possui onde cair morto. Porque vai precisar de ajuda de terceiros para prover a essa e o ataúde ou féretro quando vier aquela vingadora dama e delir o sujeito ou sujeita desse planeta. E então!
Imagine aquela jovem cuja vida é estar entranhada em redes sociais. E vai e vem! E vai e vem. Pré conúbio, depois de conúbio. E pronto; tudo nos altos requintes e qualify. Quem diria. De luxo um quase solar. De mobilidade um belo objeto que jamais a casa de orates teria provimento. O consorte do sonho e de boa estirpe, e vai e vem!
Tudo obtém! Amostra grátis. Entretanto, um mínimo, um misero obrigada pelo que vocês fizeram por mim, por nós, meu entorno, meu contorno, não me torno. Gratidão que é boa mesmo, necas de pitibiribas! Nas calendas gregas! Quem sabe! São tipos humanos que caem naquela vala dos inúteis. Aliás, corrija-se porque muitas são essas gentes que além de inúteis se tornam um peso negativo. Isto porque além de inservíveis gostam de serem bem servidas, incensadas, com rapapés, salamaleques. São gentes, jovens ou maturadas que portam aquele chip interno de regulação do melindre. Ao modo de um termômetro. A temperatura, ou melhor, qualquer desagrado o melindre vai lá em cima. E reclama hein! Ah, se reclama, costuma até ter porta-voz nessas horas! SÃO gentes e tipos sociais que portam tais vícios éticos e essas máculas nas relações interpessoais porque a questão é tipo o pecado original. O pecado original é o conceito teológico que descreve a condição de imperfeição, inclinação para o mal e separação de Deus com que todos os seres humanos nascem. Ele é a consequência herdada do primeiro pecado cometido por Adão e Eva no Jardim do Éden. Assim, são aquelas pessoas desadaptadas, antissociais nos mínimos e máximos contatos de convívio social, parental, amistoso, com sogro e sogra. Gente inservível e que gosta de ser bem servida! Cruz credo dessas pessoas! Aqui seus vícios e defeitos vêm da precária educação recebida de mãe e pai.
João Dhoria Vijle Lisboa