O VÍCIO SABOREIA-SE E VIRTUDE ENSINA-SE


É de consenso ser a mãe Natureza uma de nossas melhores mestras. Nós nascemos e morremos aprendendo com os fenômenos naturais. Sejam estes no Reino Animal, sejam no Reino Vegetal, no Reino Mineral e Cósmico. Pode-se buscar inúmeros modelos dessa perene verdade, da Natureza como nossa melhor mestra. Quantas são as coisas e seus fenômenos a nos ensinar o que se pode tirar de melhor para uma vida saudável, pela simples vida. Nas relações humanas, interespécies e interindividuais. O quanto podemos buscar dos belos exemplos da natureza. Podem ser mostrados um sem-número de exemplos.

Neste contexto e matéria veio-me aqui o exemplo de algumas espécies animais. O caso dos lobos selvagens. Como eles se formam em famílias ou matilhas e sua organização. E como os humanos podemos tirar lições desse comportamento e administração familiar nas mais variadas relações interpessoais, com as mais diferentes classes de pessoas, seja no âmbito doméstico, corporativo e recreativo.

É bem observado e admirável o papel dos chamados membros alfas, os betas e ômegas nesses grupos de animais. O alfa, geralmente um macho, mas pode também ser uma fêmea, seria o líder ou a líder como referência aos demais. Esse lobo alfa, como aqui no exemplo, é o animal mais idoso, mais experiente, por isso se torna respeitável, sem ser um ditador e humilhador dos demais. O beta seria um vice alfa. E o ômega, o subalterno, mas com papel também de moderador, de alegrador do grupo e brincalhão, caso dos lobos.

Mas, o que os humanos fazem de imitação dessa Natureza dos lobos, como ocorre de igual forma em outras espécies, macacos, elefantes, babuínos e baleias? Há muita semelhança nessas relações humanas. Tome-se o caso de uma família. Têm-se os pais, os avós como fontes respeitáveis de sabedoria, de experiência, de fonte de conselhos de vida, de moral, de conduta e normas de procedimento. São referidas como pessoas de elevada reserva moral, como o são na maioria dos casos. Não desconsiderando que há certos tipos puras tranqueiras e maus exemplos de idosos nas famílias. Muitos maus caracteres ficam velhos, bandidos envelhecem, caloteiros envelhecem, alcoólatras envelhecem, desonestos envelhecem, vagabundos envelhecem, maus maridos e cônjuges envelhecem.

Mas, eis que poder-se-ia questionar, de indagar e perguntar: esse funcionamento das relações sociais, de respeito e alta estima aos mais velhos e experientes, seja em que âmbito for, surge de forma natural e ao acaso? Não. Decididamente que não! Há que ser ensinado à criança, ao jovem, ao adolescente. São preceitos e diretrizes de vida. Da importância da hierarquia social e familiar, corporativo, profissional. Aristóteles afirmou: o vício saboreia-se a virtude ensina-se.

Não infrequentemente, temos assistido a certas famílias, cuja dinâmica se mostra deturpada nesses quesitos e regras do bom viver. Na origem e causas, fica a nítida desnaturação desse ensinamento, dessa instrução, dessa educação às crianças e filhos, desde os primeiros anos de vida. São erros na chamada educação de berço, os filhos são criados e engordados, mas não corretamente ensinados nos quesitos da ética social e familiar, dos princípios morais. É bem sabido pelas Ciências de Humanidades que bons princípios, a empatia, a generosidade e altruísmo são aprendidos e não nascem com a criança.

Imagine aquele filho ou filha, desde crianças e adolescentes, que não foram instruídos e não educados nos padrões de civilidade e cordialidade, vão sendo formatados sem nenhuma ciência do habitual e normal respeito aos mais velhos, pais, avós, parentais e professores. Alguns se tornam até portadores do chamado transtorno opositor desafiador (TOD), outros impulsivos e celerados, antissociais.

Aquele jovem ou moça, criados que foram sem as balizas, os limites do isto pode e isto não pode. Que não sabiam o significado do não. Que mal lavavam o prato onde comiam. Que chegavam na casa de uma anfitriã idosa, parente ou não parente, se refestelavam dos melhores pratos. Barrigas cheias e bem nutridas iam deitar e aguardar o lanche da tarde ou sobremesa. Com as caras mais deslavadas. Faltaram famílias e educação de berço a esses tais e quais desqualificados que na vida adulta vão mostrar os seus baixos instintos e péssimos hábitos de civilidade e convívio.

Ou da noiva que nos preparativos festivos, de qualquer data, não se continha e em tudo dava palpite. E seus pareceres tinham que ser seguidos e comprados. Do contrário, era certo o calundu e aguçamento do melindre. Não pode, não pode! All Rigth! Aqueles preparativos esponsais e do conúbio de antevéspera. E vai e vem, e ida e volta. E aquela noiva? Nunca havia provado do capitoso e cobiçoso mel. Agora se lambuzava. E dá palpite, e oh, compre isto e aquilo e aqueloutro. E anfitrião de emolumentos, de bons acordes e que nunca acorda da exploração! E tudo faz, e tudo obedece. Verso e reverso, reverbério. All Right! Perdeu-se a conexão, de todo não. Foi embora a empatia, o senso de consideração ao alfa do grupo. Degeneração, deturpação ética e social.

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