Amor de Coração
É bem sabido que até para os sentimentos existem umas classificações. Tome-se o caso da honestidade ou da ética. Existe a ética do coração e a ética da coerção. Quer assim dizer esses termos que muitas pessoas se comportam de forma civilizada e honesta pelo medo da repreensão, da punição (Vigiar E Punir, obra do filósofo francês, Michel Foucault). Um outro modelo de bom comportamento por vigilância e coerção, o indivíduo custodiado pela Justiça. O sujeito encarcerado. O apenado está no pátio da penitenciária no seu banho de sol. Mas, vigiado por metralhadoras, câmeras de monitoramento e guardas. E vem o chamado exame criminológico, o condenado passa em todos os quesitos. Como não passar? É posto em liberdade, logo, logo, volta à sua atividade criminosa, assaltos, furtos, homicídios. Ah, mas ele estava preso, cumpriu a pena de prisão e passou no exame criminológico de aptidão para voltar à liberdade! Qualquer pessoa má vai se comportar bem quando vigiado.
Assim, com esse mote ou essa glosa eu dou de falar até sobre o amor. Sugere um exagero. Mas, existem assim amor por coerção, amizade por coerção, cumprimento ou saudação amistosa por coerção, elogios e boas referências ao outro por coerção (leia-se protocolo de civilidade). Aqui estão ao redor, no entorno ambiental das pessoas os olhos de monitoramento, a vigilância social.
Ah, está bem! Mas, isto aqui posto é um exagero! Não! Não é exagero. Muitos são os comportamentos praticados porque a pessoa assim praticante sente como que impelida, convencida de forma subliminar, estimulada pelo círculo social e parental a mostrar para o outro um certo apreço, uma amizade, uma consideração. É a amizade e consideração ao outro (de forma pérfida e hipócrita) por pura persuasão.
Margarida, ou maganíssima para alguns; Raríssima em tudo, vamos assim nominá-la, era essa pessoa cujos genitivos e genitores se mostravam de cultura com déficits funcionais. Margarida, Margo, ou Raríssima para alguns era essa mulher que ao que sugere foi criada, engordada como um doce de chocolate, ou aquela porção de comida final e derradeira, a rapa das panelas. Assim foi se fazendo no mesmo diapasão e toada da genitora, secundada pelo marido. Instrução e educação de berço no estilo mambembe e seja o que os deuses quiserem e dessem provisão.
Este exemplo é clássico da expressão de amizade e consideração por persuasão ou coerção. De bandeja jogou e foi sorteada na maisena. O consorte ou esponsal dos contos de fados e fadas. Um solar de alto quilate. Mobilidade de primeira grandeza e ordem. Solenidade esponsal de primeiro mundo e alto luxo. Salamaleques, rapapés. Lantejoulas, purpurinas, Instagram, imagens, multicores. Ah, quanta felicidade. Gratidão que é bom mesmo, necas de pitibiribas. Criação, engorda, instrução, hereditária, social, genética.
Um contundente e sério trabalho foi desenvolvido no Johns Hopkins- Baltimore USA. O que versa e reversa esse magnífico estudo de forma vertical e horizontal? Porque envolve duas heranças no comportamento ético e social das pessoas: o ambiente familiar e a genética. Exatamente de como as pessoas se movem por interesse. Muito mais por interesse do que de forma espontânea e natural. Entram nos braços do estudo as chamadas amizades, laços amistosos, parental colateral ou genético; onde e quando as expressões de afeto, de acolhimento, de cumprimentos supostos afetivos trazem força da coerção e persuasão. Suasório, suntuário, suntuoso. Admirável é a Ciência em nos deslindar de como se dão a mobilidade, a personalidade e comportamento de muitas pessoas no trato umas com as outras. Maria vai com outras!
João Dhoria Vijle Lisboa