FAUCE HIANTE
É bem cantado e decantado que hienas gostam de savanas. Não importa que hora seja, mas elas, se surgir um azo, elas estão ali, regozijando, se refestelando do bom e do melhor. De preferência às custas de algum parental, nomeadamente se for parental e paredista ingênuo e paspalhão. Porque assim a exploração fica patente e deixa o golpista e folgado mais relaxado e tranquilo.
Mas, por incrível que pareça em algum recanto de cá e de lá existem gentes hienas. Gente que aprecia banana. Imagine aquela sacana que encontra uma ignara e começa a paspalhar! A lacrar. Certas hienas passam como se fossem ignaras. Catervas, turbas. Turbas-multas! Quando se olha o mundo de Hosana, mais nos lembramos de mundana. E vem então aquela carraspana! Santinha, o que você está por fazer? Tudo certo? Tudo certo!
Vivemos em um mundo dos prazeres instintivos. Como há rebanhos e rebanhos de pessoas que não passam da tacanha, da frugal e medíocre rotina de sobrevivência! Como existem! Sobrevivência que se encerra em três pilares de sustentação para essas catervas de gente: a satisfação gustativa pura e simples, pelo simples prazer do paladar e do apetite digestivo; do gozo sexual, não importa que tipo de relação interpessoal; do gozo e satisfação instintiva nas libações alcoólicas ou mesmo não alcoólicas como a ingestão irracional e cativa de Coca-Cola etc. Gente que não passa da mera existência. Elas existem! Simplesmente existem! E basta.
Porque viver além do mero e ordinário estado vivencial dá trabalho, exige gasto de ATP, de energia ativa, de mentalização, de cognição, de elaboração intelectual, laboral, profissional, cultural, técnica etc. Logo nada produzir e nada pensar é mais simples, sem dispêndio, sem dispensa ou dispensação. Porque hão de convir e convencer. Para que esfalfar, ralar, suar roupa? Dá trabalho e muito trabalho! Portanto, viver apenas sob os auspícios de uma faminta fauce hiante é mais prazenteiro e leve.
João Dhoria Vijle Lisboa