O primeiro motor

 

Esse mini artigo inicia-se pelo memento do chamado primeiro motor. Trata-se na Metafísica de uma teoria de Aristóteles. Para esse grande filósofo grego, o primeiro motor é um conceito algo teológico e teleológico. Seria a causa inicial de todos os outros movimentos. O motivo e gatilho inicial de toda mobilidade no Universo.

Esse mote ou glosa é no intuito de falar sobre o que move as pessoas nos diferentes aspectos da vida. O motor primeiro de grande parcela de pessoas chama-se Interesse! Muitas são as gentes e indivíduos, homens ou mulheres que são mobilizadas por interesses, dos mais comezinhos aos mais complexos.

Faça por exemplo um pequeno regabofe em sua casa. Por que o comparecimento é massivo dos convidados? O interesse no regabofe. Quanto mais saboroso e mais suntuoso o cardápio, mais presentes estarão os convivas e convidados! Nesse contexto, faça um contraponto, convide várias pessoas, amigos e parentais para uma reunião, uma troca de ideias e sirva apenas água e cachorro-quente aos contatados. Poucos irão ao encontro.

Uma outra cena de contexto social. Imagine aquele indivíduo que tem um sonho, um desejo de uma aquisição, de um status social ou profissional qualquer. Mas, sozinha essa pessoa (xis ou épsilon) não se vê capaz da aquisição, desse alcance! Então vem à lembrança. Ah, Sicrana ou Cigana (cada nome) vai me ajudar, ela pode. Ela tem força e poderes, de prestigio, de boas relações e patrimonial! Ela ganha bem! Basta ver o apartamento dela, o carro e as roupas! (Marketing).

E assim o indivíduo interessado (xis ou Ípsilon) se encontra com a pessoa alvo e bem aquinhoada, com bons predicados bancários e CPF, tantas quantas vezes forem necessárias na obtenção de seu desejo ou sonho. E vêm os rapapés, os salamaleques, as loas, os encômios, os panegíricos, as referências e adjetivos. Há como que um quadro cenográfico. E atenção! Muita atenção! Muitas pessoas-alvos desses incensos e fogo-fátuos acreditam, santelmos puros da pessoa interesseira!

E para concluir o tema interesse! Certamente que muitos estão interessados. Tomando de empréstimo a expressão de Nelson Rodrigues, o chamado óbvio e ululante. Não se quer satirizar e nem censurar esse sentimento de mobilidade das pessoas, o interesse como uma forma de motor. Existe o interesse saudável, construtivo, solidário. A vida faz sentido com as mútuas trocas entre as pessoas. Negócios são feitos e construídos com interesse de parte a parte. O que se abomina e reprocha ou critica negativamente são aquelas figuras pérfidas, fingidas e simulacros de amigos e amigas, de consideração e afeição na pura e indisfarçável intenção de obter louros, lucros e vantagens. O interesse pelo interesse!

 João Dhoria Vijle Lisboa

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