GENTE INSERVÍVEL
João Dhoria Vijle Lisboa
Aqui na cultura nordestina, predestinada, destinada, de muita identidade quando se depara com certos tipos sociais, notadamente os mais jovens, os sem apego ao cooperativismo, ao partilhar de ônus e bônus, a gente dá uma peia neles e costumam melhorar. Temos assim, a geração mais jovem, os sem empatia pelo outro, pelos mais idosos e quem os sustenta. Caso daquela jovem mulher, recém-casada que se passava por uma hóspede de luxo na casa dos sogros! Dormir, levantar, café do bom e do melhor, almoçar, se empanturrar de bons pratos, levantar, ir para o sofá, dormir, mais, telas de celular! Foi quando levou um peia do sogro e sogra e se retirou! Foi tarde. Acontece aqui NE.
Disse o grande Filósofo Aristóteles que “O Vício Saboreia-se a Virtude Ensina-se. Esse princípio ou cânone de vida deveria ser o mote, a diretriz maior das famílias ao criar, instruir e educar os seus filhos, as suas crias. Esse expediente deveria ser parte da cartilha de instrução de filhos e filhas a partir do berço. A boa ou má educação vem da infância.
Porque só a educação continuada, amorosa (quem ama cuida) e disciplinada, não excessivamente maternal nem paternal, vai forjar o bom caráter, a personalidade do indivíduo. Não há como retroceder. Trata-se de um corolário, de um dividendo, de legados que pais responsáveis e conscientes de seu maior papel e dever têm para com os filhos a gerar, gestar e soltar ao mundo.
Pais e mães conscientes desse sagrado dever e desiderato deveriam aprender com os pais e mães-águias. Essas magnificas e simbólicas aves que chocam os seus ovos (gestação), criam os filhotes, descartam até alguns deles (quando atrapalham), os treinam para os altaneiros e majestosos voos e os empurram dos ninhos, quando prontos para a vida. E prontos porque são treinados para a vida; por isso jogados das alturas. E assim se tornam novas e majestosas águias, independentes e autônomas águias. Que belo símbolo de educação nos dão as águias. Vivam as águias! Vivam os pais-águias1
Reiterando aqui o dístico ou mote aristotélico: O vício saboreia-se e a virtude ensina-se. Estamos cada dia e cada vez mais assistindo a uma geração de pessoas, moços e moças que herdeiros de famílias displicentes e negligentes, são pessoas que apreciam e se prazenteiam em serem bem servidos. Entretanto, são inservíveis. São indivíduos completamente deficientes e carentes dos valores humanistas mais elementares como a cooperação, a generosidade, a solidariedade e empatia. Falta empatia, por vezes com pessoas carentes desses sentimentos, como os pais ou parentes mais idosos e que invertem até a ordem natural das coisas, de pessoas cuidadas passam a ser cuidadoras dessas mocetonas e marmanjos porejando e vendendo saúde. JÁ imaginou avós, pais já idosos tendo que se preocupar, manter e até cuidar de filhos e netos já adultos e marmanjos.
Cada vez mais eles (filhos e filhas) constituem uma classe de gente inservível quando a questão é o convívio compartilhado em termos de ônus e bônus. Porque o que lhes servem é apenas o bônus, o prazer, a satisfação pura e simples das carências do digestivo, dos sabores da boca e do baco. Pouco importando quem produziu, quem fez, quem se esfalfou para ir para o fogão, que cozinhou e fritou seus saborosos nacos de carne e bife, preparou os apetitosos almoços e jantares, dos capitosos e deliciosos manjares.
São indivíduos, em geral mocetonas e marmanjos, porejando e irradiando saúde e vitalidade. Moram e vivem com os pais e sogros e sogras, avós, outros parentais que por ventura os abrigam e hospedam. São incapazes de prestar uma ajuda nas horas de preparo das refeições, de carregar uma compra de supermercado, de oferecer sequer uma ajuda no preparo de uma mesa de almoço. Empanturrados das saborosas iguarias feitas a seu gosto, têm o desplante de saírem da mesa com a cara deslavada, voltarem ao sofá e às telas do celular e conferir as redes sociais. Geração inútil e inservível é essa dos chamados tempos da pós modernidade que Zigmunt Bauman chamou de tempos fluidos e voláteis.
João Dhoria Vijle Lisboa