NOS DÁ UM DÓ


Assistindo a certas pessoas em suas posturas e expedientes, convivendo com outras, a gente vê o quanto faz tanta falta a chamada educação de berço nos quesitos mais elementares de uma humana e saudável ética familiar. E essa precária ou insuficiência absoluta dos sentimentos de empatia pelo outro, nos gestos mais rotineiros e comezinhos da convivência mostra que essas pessoas não têm culpa. Trata-se aqui de um defeito de formação originário (uma forma de pecado originário primário da família). 

Basta lembrar o princípio basilar da formação ética e educativa familiar do indivíduo, vem de um grande pensador. Está assentado no livreto de Aristóteles: da Ética a Nicômaco: “O vício saboreia-se e a Ética ensina-se”

Quantos são as pessoas, homens ou mulheres, para os quais a vida, a centralidade de sua existência está nos baixos instintos do digestivo, do excretório, da satisfação em libações etílicas e Coca-Cola e no ápice do prazer sexual. Qualquer outro valor humanista ou virtudes estão fora de seus objetivos de ascensão social, civilizada ou intelectual.

São tipos e perfis sociais que acordam, deitam e levantam sempre pensando na satisfação pura e plena do apetite, do paladar, do empachamento da boca, esôfago, estômago e intestinos.  É o quanto basta para essas pessoas. E de preferência, se essas tais e quais gentes tiverem essa satisfação ao custo e trabalho de outra pessoa anfitriã. Pessoa disposta e cordata que banca tudo, que vai para a pia, prepara o apetitoso e suculento almoço. E a outra e o outro por ali, consultando os posts, os vídeos, os bips, os toques, os tiques, as frívolas mensagens, as futilidades comuns a todos imersos do Instagram; todos em íntima comunhão com os seus celulares.

Na análise dos porquês, dos mecanismos desse e tantos comportamentos dessas pessoas desvalidas, despossuídas desses humanos sentimentos da cooperação, da colaboração dos ônus e bônus inerentes da vida, fica uma certeza: faltou o ensinamento desses cânones, dessa mera “compliance” de uma vida de convívio. Por isso, se repete a quem compete nessa análise. Têm culpa os pais desse indivíduo que perderam o bonde da educação familiar e de berço de mais qualidade.  Dá dó. Essas pessoas despossuídas dessas virtudes de convivência não têm culpa. A culpa é originária. A culpa que nos remete aos genitores, pai e mãe, com toda culpa no cartório de registro civil, de civilidade, de civismo, de humanismo, de boas e solidarias normas humanas! Que pena, que dó.

 João Dhoria Vijle Lisboa

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