quinta-feira, 29 de agosto de 2019

MORTE social


MUITOS MORREM SOCIALMENTE ANTES DO FIM

Uma da piores zonas de conforto que toma conta das pessoas se chama negligência com a saúde. Trata-se de um processo paulatino, no qual a pessoa vai aceitando condições mórbidas ; condições essas que podem ser constitucionais ou adquiridas. Vamos dar exemplos práticos muito encontradiços na população. Duas doenças silenciosas, populares, mas de alta gravidade pelas complicações e risco de morte. A hipertensão arterial e o diabetes mellitus.
E elas podem  se tornam graves, gravíssimas. Justamente porque a pessoa portadora, de uma ou ambas vai se assentado em sua tão useira e vezeira zona de conforto. Trata-se de uma regra, tudo aquilo que não dói, não tira o sono, não dá fadiga ou falta de ar não motiva o indivíduo a procurar o médico. É impossível a pessoa morrer de cálculo renal ou de bronquite. A dor ou falta de ar motiva o paciente a procurar assistência médica. Simples assim!
O indivíduo e sua relação com o biótipo ponderal ou silhueta corporal. Aqui tem que se ter em conta que não se trata de mera questão de estética, beleza ou imagem. Os efeitos nocivos à saúde são devastadores. A obesidade e todo o seu espectro de comorbidades constituem na 3ª  causa de morte no mundo.
Analisada de forma primária e original a maioria das pessoas com excesso ponderal chegou a essa condição mórbida pelo lento e insidioso processo de acomodação ou zona de conforto. Imagine se a pessoa ganhasse peso da noite para o dia , 20 kg, ele entraria em pavor. De forma lenta, se aceita.
E assim se dá em muitos outros cenários da vida. Na verdade zona de conforto é morte. Nosso cérebro com suas múltiplas funções tem culpa no processo. Trata-se do órgão mais prodigioso do corpo humano, mas que se torna de alta performance se estimulado continuamente. O cérebro é preguiçoso e acomodado. Daí a necessidade de estímulos permanentes.
Por vocação o animal humano entra facilmente na inércia, na acomodação ou zona de conforto. Em todas as esferas de atividade o indivíduo está sujeito a zona de conforto. Alguns exemplos frequentes se dão na vida profissional, nos campos de trabalho, nas relações conjugais, até mesmo no âmbito religioso. Quantas não são as pessoas que uma vez habilitadas em sua profissão, nesta se tornam estagnadas. Não buscam nenhum aprimoramento em sua formação, não reciclam, não se atualizam com o  que se tem de novo e moderno em suas técnicas de trabalho. Tal fenômeno se faz pelo simples e já estudo processo da acomodação ou zona de conforto.
 A mesma tolerância ou imobilismo se constata na vida conjugal. Muitos são os casais que uma vez juntos, entram na desarmonia, em uma vida de monotonia, em uma vida sem sentido. Tomados pela falta de energia, do medo da mudança, do princípio do ruim juntos, pior separados, assim permanecem até que a indesejada das gentes os separem. Zona de conforto na quintessência.
Nas doutrinas, na política, nos sistemas, nos ritos religiosos; inúmeros são as pessoas que perdem a energia motriz de mudança. E assim assentadas na zona de conforto, se acomodam por décadas e décadas, até os últimos bafejos de vida. Por isso com assertividade se diz que acomodação é morte na certa. No mínimo na forma social antes da biológica.  “A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo.” ALBERT SCHWEITZER

REFÉM


O PROCESSO DE REFENIZAÇÃO DO OUTRO

Neste artigo vamos tratar do processo ou conduta de tornar uma pessoa refém. O termo tem origem no idioma árabe. Vem de rihan com o significado de prenda ou penhor (garantia). No âmbito criminal refém pode se referir a uma pessoa ou bem que fica em poder de outro como garantia de um benefício exigido, seja um pagamento em dinheiro, um bem material ou outra condição abstrata, libertação de um preso por ex.
Todavia, o processo de refenização tem se dado também nas relações sociais e pode ser objeto de estudo da sociologia, da psicologia do comportamento, na psiquiatria e nas neurociências. Numa projeção de medicina futurista, tal transtorno das relações interpessoais entrará na classificação do DSM. Relembrando ,o DSM se refere ao manual estatístico e diagnóstico, da associação americana de psiquiatria (APA). É um mecanismo psíquico onde uma pessoa exerce influência, dominação e aproveitamento de outra.
A conduta de refenização se dá de forma biunívoca em que um explorador e a vítima vão construindo um contato lento e paulatino à maneira de um parasitismo ou manipulação pessoal. Trata-se de um  comportamento análogo a um indivíduo dominante ou alfa nesse grupo de relações. Pode ser uma relação entre duas pessoas. Mas, pode também ser um número maior de indivíduos, quando nesse grupo surge esse domínio de forma marcante, progressiva, muitas vezes dissimulado;  de uma pessoa sobre outra. É um contato contínuo de um sujeito ativo sobre o outro de reação (ou não reação, inação ) submissa e passiva.
Mais consistente e substancial se torna a explicitação através dos contextos encontradiços nas diversidades das esferas sociais. Nas relações conjugais e outros laços parentais, como irmãos, filhos/pais, etc. Tem sido muito frequente o expediente ou comportamento da refenização das pessoas. Nesse processo de tornar o outro refém a mulher tem sido a principal vítima. É a natureza do homem, no papel de macho alfa, que se vale de seu porte, sua força física, sua virilidade hormonal em refenizar a mulher. São essas as razões sociais e biológicas desse predomínio do homem como explorador da mulher (refém).
Em uma proporção infinitamente menor a mulher pode também assumir o papel de indivíduo alfa e praticar intenso domínio em tornar o homem um refém de seus caprichos, desejos e manipulação.
A prática de refenização nas relações conjugais vem sendo objeto de estudo de sociologia, antropologia e criminologia. Uma consequência dramática desse comportamento, predominante do homem em relação à mulher, são os casos que resvalam para a violência doméstica sofrida pela mulher (namorada, companheira, esposa), com uma perversa e alta taxa de feminicídios.
Por último, ainda no âmbito familiar, não é incomum constatar o fenômeno da refenização.  como deve ser entendido o organograma de uma família? Sua dinâmica funcional deve ou deveria se estabelecer ao modo de uma empresa, onde todos os integrantes devem ter isonomia de direitos e deveres; todos deveriam ter direitos e deves conforma a aptidão pessoa.
Em outras definições, com exceção das crianças dos idosos ou incapazes (inaptos para o trabalho), todos devem ter responsabilidade na manutenção, no zelo, na higiene, nos cuidados e receita dessa família, dessa casa , porque como empresa tem despesas com energia, água, higiene e víveres para o sustento.
E então, eis que nesse ambiente surge com frequência os chamados filhos e filhas, irmãos e irmãs no processo de refenização de outro parente ou parenta que torna vítima, refém desse (a) aproveitador (a). E não é raro que esse parente(a) empregue algum recurso chantagista. Um exemplo é se valer de interpor um filho(a) num laço afetivo com a vítima dessa relação. O expediente do afilhado(a) se revela um ardiloso expediente com a vítima e refém no processo que sensibilizada vai se perpetuar na condição de submissão e prover muitos caprichos e desejos desse explorador da relação. É o eterno e incompreendido bicho homem, de muitos caracteres   e dissimilações. Quantas não são as famílias que têm que aturar uma pessoa que se considera melhor, mais bonita, mais poderosa, mais sabichona. De forma sub-reptícia, subliminar essa pessoa( mulher ou homem) vai tendo uma presença dominante em explorar e tirar proveito de outros do grupo. Basta um olhar de boas lentes e elas estão ao nosso redor .

Descaminhos da sociedade

O IMPÉRIO DAS FUTILIDADES POLÍTICAS E  SOCIAIS
João Joaquim  

De forma objetiva ou não, Lúcida ou não, consciente ou não, o gênero humano sempre buscou um sentido, um significado de sua estada no mundo. É o estar no mundo de forma coletiva, integrar um grupo, uma família, a sociedade como um todo.
O animal humano é um ser gregário. Isto é: tem a vocação em formar uma grei, um grupo, uma junção com outros indivíduos. O homem é uma animal político – Aristóteles.  O instinto e inclinação em buscar um significado existencial acha-se patente em cada pessoa ao se ver estendido ou perpetuado em seus descendentes. Ao conceber, criar e dar início à educação de um filho o pai ou mãe já tem a preocupação com a formação, escolarização e futuro do filho. Daí a emblemática preocupação: “o que essa criança vai ser quando crescer”?
A lucidez e objetividade não nasce com o indivíduo, o significado de estar no mundo, o sentido de vida não são sentimentos inatos (princípio do inatismo de Platão). Assim como a ética e a virtude (segundo Aristóteles), o papel ou função de cada pessoa deve ser ensinada, treinada e exercitada dentro do ciclo educacional desde os primeiros anos de vida.
Em cada indivíduo, desde os primórdios de suas relações sociais, familiares e escolares, deve ser incutido a busca por um sentido existencial. Porque todos nascemos aéticos, incapazes, inaptos e ineptos para a vida. Não é sem razão que o animal humano é o que mais tardiamente demora a atingir a sua maturidade plena. Conforme o país, 16 anos, 18 anos (maioridade civil e social ).
Essas são as premissas, os princípios e postulados que deveriam ser o norte, as balizas   na vida de qualquer sujeito, cidadão e habitante deste planeta; notadamente aquele sujeito que se propõe a ser genitor, uma geratriz de outra pessoa. Ser pai ou se tornar pai e mãe não se encerram em simples conluio carnal, esperar pelo parto e criar o filho  ao feitio de outro animal. Animal é animal e gente não é animal.
O mundo social mudou, as sociedades e culturas se transformaram, os valores éticos e morais vieram no mesmo bojo. Progressivamente ,  pari passu o homem vem perdendo o norte da vida, a estrela-guia de sua existência e por fim de sua essência, seu papel no mundo . Os descaminhos do padrão têm sido a tônica de nossa sociedade que se tornou líquida, amorfa, insípida e volátil. Quase tudo vem se tornando fluido e descartável. Até a vida.
Todos os cenários sociais têm se tornado um palco de mediocridades, futilidades e patifarias. Nenhum segmento da vida civil tem escapado às insignificâncias e frivolidades de que o engenho humano se tornou capaz. Na política, na cultura, na culinária, na educação, no entretenimento. Tudo está tomado por mediocridade e insignificância. Além de mentiras e hipocrisias.
Se tomarmos a população no formato de uma pirâmide social. imaginemos no seu vértice, aqueles que nos governam, que elaboram as leis, os que protegem e fiscalizam essas leis (o judiciário), esses constituem o ápice da pirâmide.  O que deveriam fazer e de que se ocupar esses servidores públicos?
O adjetivo já se  define por si: cuidar das coisas públicas.  Ou  não? Imagine um servidor público, notoriamente de alta hierarquia ou patente,  imagine esse sujeito  defender interesses alheios e escusos ao que deveria ser de utilidade pública. Soa como absurdo. E isto temos  presenciado por altos medalhões de nossos órgãos públicos. Gente do Judiciário e do Governo.
O  que constatamos é exatamente o contrário do múnus público . São presidentes dos três ou mais poderes, se mostrando com desvios de poder. São vaidades pessoais, egolatria, culto da  personalidade , disputa pelos holofotes e luzes da ribalda. E nesse proscênio ou tablado teatral nada de útil se faz em prol do público (pessoas).
E saindo do vértice dessa pirâmide, todo esse sistema de comportamento de vaidade vazia e fútil tem se horizontalizado e contaminado todos os setores da atividade social, cultural e até religiosa. Ninguém mais escapa aos efeitos dessa onda de vaidades , a essa “fashion” social que vem imperando em nosso País.
Para fecho de matéria dois modelos de mediocridade e futilidade de nossos tempos :  gastronomia e redes sociais.
Em gastronomia. Comida e alimentos deveriam ter como finalidade o que? O nome diz tudo :  alimentar e nutrir nosso organismo. Ao que assistimos? O indivíduo entra num rodízio de churrasco ou pizza e se empanturra de vaca, porco, batatas, mandioca, sacarose, açúcar e álcool. Dois dias de enxaqueca e intoxicação alimentar. E morre paulatinamente, quando não subitamente. Esta é uma forma de gozo e felicidade de nossa sociedade. Mediocridade e insanidade em sua quintessência.
E nas redes antissociais? Elas se constituem de rebanhos e legiões de pessoas diuturnamente ocupadas em exibirem-se em suas poses, em suas festas, em suas sessões gastronômicas e libações etílicas, em suas roupas sumárias ou nuas, em seus novos formatos de seios, nádegas e silicones. Em seus longos sorrisos de uma só letra, kkkkk. Todos se mostram como ter encontrado o suprassumo do gozo e da felicidade. Mediocridade e vaidade na forma mais pura e estéril; todas produzidas, praticadas e fruídas pelo gênero humano.  Logo por nós, humanos.