segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Anti-Medicina...

 A ROBOTIZAÇÃO E  DESUMANIZAÇÃO DA MEDICINA.
João Joaquim 

A diferença em qualificação tecnocientífica entre um médico que se forma hoje e aquele que se formou há 50 anos é enorme. E abaixo vem as razões. Há 50 anos não se dispunha da sofisticação de exames que temos atualmente. Nos idos de 1950 e 1960 o arsenal de exames imunobiológicos, hematológicos e de imagens era muito restrito.
Essa carência tecnológica de exames complementares em décadas passadas exigia do profissional de saúde uma formação mais aguçada como clínico; qualquer que fosse a sua especialidade. Especialidades médicas que aliás eram poucas. Na falta de muitos exames laboratoriais o médico se via na obrigação de ter um apurado raciocínio semiológico . Para tanto duas disciplinas na formação médica eram capitais: semiologia e fisiologia( fisiopatologia).
Uma semiologia padrão se inicia através de uma minuciosa anamnese (entrevista). É o  momento   em que deve-se dar liberdade à livre expressão do paciente. Oportunidade em que o médico escutará (escutatória) atentamente cada queixa, sentimento, sintoma e relato do doente. Trata-se de uma fase significativa da consulta médica na qual o profissional já inicia uma análise, um juízo, uma presunção diagnóstica da pessoa.
Terminada a anamnese vem a segunda etapa igualmente importante que é o exame físico. E neste expediente da consulta eu me detenho e exalto a sua importância. Ele representa um item lapidar na consulta de qualquer especialidade.  Com  um exame físico ético, isento e altamente técnico o médico tem a oportunidade de avaliar a natureza do quadro clínico, a intensidade da doença, o diagnóstico anatômico e até a causa (agente etiológico) da afecção motivadora da consulta.
Com os avanços e aprimoramento nas técnicas diagnósticas tem havido, na mesma proporção , um declínio na formação, na aptidão e na capacitação clínica do profissional. O que representa uma perda na formação ou vocação humanística do médico. O que é lamentável. Pelo que assistimos hoje, o estudante de medicina já inicia o curso visando uma especialidade.
O recém formado sai da faculdade certo de que terá ao seu dispor um cardápio enorme de exames. Muitas vezes esse egresso do curso de graduação pouco ou nada conhece dos métodos diagnósticos no mercado médico. O que representa uma distorção em sua formação. Como eu solicito uma tomografia sem contraste, se eu não tenho conhecimento dessa técnica diagnóstica? O que ela vai me revelar? Quais suas limitações, contraindicações e riscos de agravo à saúde? Parece uma insanidade profissional, indicar um exame sem o domínio de sua técnica, e o que pode acrescentar numa boa consulta.
Cada exame complementar se torna significativo e de boa relação custo/benefício, na medida em que haja uma boa correlação clínica na sua prescrição. Nesses tempos da digitalização em tudo, tenho visto um despreparo e imprudência generalizada no emprego de exames complementares. Há profissional de saúde que tem o desplante de frente a uma pessoa hígida, saudável em tudo; solicitar uma lista de 30 ou 40 exames de sangue, sem nenhum critério, sem nenhum dado clínico( sintomas) que os justifique. Charlatanismo puro. Imagine esse cenário, muito encontradiço: paciente jovem, sem nenhuma doença ou queixa submeter a dosagens de vitaminas , minerais, exames de tireóide, enzimas hepáticas, imunoensaios para vírus hiv, hepatites, sífilis , doenças inflamatórias; considerando que este cliente não tem nenhum dado semiológico ou epidemiológico , nenhum comportamento ou fator de risco para realizar esses exames. São situações frequentes nos laboratórios.
Sem mais delongas três conselhos eu deixo para os colegas de profissão, sobretudo aos noviços e iniciados.
Primeiro: humildade, consciência e aceitação de que ninguém, nenhum médico sabe tudo que deveria saber. Na dúvida peça ajuda a quem sabe mais. Médico não é magico e nem é Deus; alguns consideram infalíveis. Vaidade pura.
Segundo: clareza na comunicação ao doente e familiar, sobre a impressão diagnóstica na primeira consulta.
Terceiro: moderação e muito critério na solicitação de exames e na  prescrição de medicamentos e/ou  qualquer outra terapia.
O que temos visto hoje são médicos com precária formação clínica, conhecimento insuficiente em semiologia médica, pouca escuta e exame físico superficial do  paciente. Enfim, relação médico/paciente desumanizada e artificial. São profissionais que escutam pouco e mal põem a mão no doente. E para se chegar ao diagnóstico há uma exagerada e inapropriada solicitação de exames.
O expediente de muito exame se torna em uma Medicina fria, maniqueísta, robotizada e desumana, o que  empobrece a relação com o doente e encarece o tratamento. São efeitos colaterais na saúde e no orçamento. O que  desmerece ainda mais a profissão  praticada nos tempos das tecnologias de ponta e digital. Dessa forma são médicos que parecem despachantes de saúde, tal a falta de habilidade e pobreza no raciocínio clínico das queixas e achados alterados num exame físico bem feito.  Outubro  /2017.  

Reumanização...

A URGENTE  REUMANIZAÇÃO DA PESSOA HUMANA
João Joaquim  
Com as escusas daqueles que pensam ao contrário. Mas, esta é uma de minhas prerrogativas na presente época, dizer o que penso para que outros de igual forma passam pensar o que eu digo. Existe uma urgente necessidade de reumanização das pessoas. Algum parlamentar ou governante do executivo poderia ter tal “insight” e fazer uma proposta de emenda constitucional (PEC) com a seguinte dicção- A reumanização da pessoa humana.
O que se tem de feito e de fato e de concreto é que estamos passando por tempos, por acontecimentos e cultura muito estranhos. Tempos e condutas de muita insensatez e disseminada mediocridade. Nada tem escapado a esses imperativos, a esses costumes medíocres  e modas vulgares  em vigor.
Não soa exagerado afirmar que o ser humano tem perdido a sua humanidade. Aquele conjunto de atributos, qualificativos, virtudes e racionalidade inerentes e pertencentes unicamente ao gênero humano. Muitos são os setores e ramos de atividade nos quais o homem pode ou deveria mostrar a que veio. E assim tem sido justamente em muitos de tais e quais segmentos que vemos as manifestações de imbecilidade e de idiotização das pessoas. Como modelo consideremos a gastronomia; a cultura e entretenimento; os meios de transporte; a política  e administração pública entre tantos ramos de atividade.
No tocante à gastronomia, qual é a sua relevância na saúde e na  vida humana? Seria empreender os conhecimentos e técnicas alusivas ao que de bom e saudável existe nos alimentos. Mas, não é o que se presencia no preparo das refeições como de resto em todos os acepipes e produtos comestíveis. Numa consideração rasa e direta, fica a sensação de que a arte e a ciência no preparo dos alimentos se tornaram uma armadilha e engodo para adoecer o indivíduo. Assim podemos afirmar que soa descabido ter a um só tempo um nutriente que nutre, que dá prazer, mas também se torna a gênese de muitas doenças incapacitantes e letais. São os casos dos excessos de gorduras saturadas de carbono cujas consequências são a aterosclerose, as placas de colesterol no interior das artérias, os acidentes vasculares cerebrais ou infartos com sequelas e mortes em profusão ocorrentes em todo o planeta.
Nesses esquisitos tempos digitais as pessoas chegaram a tal  grau de imbecilidade de depositar e investir no hábito de comer em toda  intensidade de prazer e felicidade. Nesse expediente e atitude não bastam só nutrir e suprir a fome. Há que se refestelar e esborniar à mesa. Uma manifestação típica das neuroses e obsessões pela prazer da comida se dá na seguinte invenção: criaram a tal cirurgia da obesidade, ou técnica bariátrica. Tem esta a seguinte finalidade: primeiro na vida,  coma tudo e o quanto puder, do bom, apetitoso e melhor. Deixe instalar a obesidade como sobrepeso ou mórbida. Ao final, quando não mais conseguir engordar opte pela bariátrica. Para tanto necessário se faz passar por uma reeducação alimentar. Do contrário ganhará todos os quilos perdidos. Talvez até mais do que antes e então resta se refestelar de comida e mais comida, e morrerá pelas consequências de tanta gordura acumulada por dentro e fora das artérias. Quer esquisitice maior do que essa?
E na cultura e entretenimento? Música entende-se  como poesia e melodia. O que se vê nos diversos estilos musicais são obscenidades, baixaria, e até apologia a crimes e ao consumo de drogas. No mais é barulheira a perder de vista e de ouvidos.
A invenção do automóvel como meio de alta eficiência para o transporte de bens materiais e de pessoas. Tudo bem pensado  por Henri Ford e outros inventores. As velocidades das máquinas foram aumentando. A imprudência e insensatez na mesma proporção. De tal sorte que os carros hoje, em se tratando de Brasil, se tornaram uma das armas mais mortíferas e letais. Os números de mortos e mutilados se equiparam ao de guerra. As estatísticas se equiparam às do conflito na Síria, cerca de 60.000 mortos/ano. O que é pior, o sujei mata um, dois ou três e saindo livre, leve e de carro para carro. É um nonsense completo das leis.
Na política e na arte de governar, considerando o Brasil, atingimos os paroxismos do absurdo de termos vários governantes corruptos, delatados e denunciados por diversos crimes. Eles compõem uma camarilha, uma choldra ou quadrilha do mal. E o que é pior e melancólico, muitos continuam no comando da nação. Enfim, se Deus não ajudar  de novo nossa brasilidade, estamos prestes e iminentes ao naufrágio no pior mar de lamas de nossa história. Por isso se reitera  torna-se urgente a reumanização da pessoa humana.   Outubro /2017

Jabuticabas e....

JABUTICABAS E TARTARUGAS

João Joaquim  


Há coisas, fatos, atos, feitos e hábitos que parecem exclusivos do Brasil. São as chamadas jabuticabas. Pequi também. Ao que parecem, tais frutas e plantas (jabuticabeira e pequizeiro), de forma nativa, só vingam e dão bons frutos aqui no Brasil. Na verdade elas entram como metáforas, simbólicas de muitos outros eventos e ocorrências tão arraigadas e aderentes em nossos costumes e cultura. Singularidades brasileiras.  Outra comparação pertinente de coisas estranhas em nossa Pindorama é que até jabuti ou tartaruga sobe em árvore, dada a excentricidade dos acontecimentos.
Vamos começar pela atual crise de segurança que reina no Rio de Janeiro. Essa bela capital fluminense vive em permanente estado beligerante. Há ali uma diuturna guerra entre o intitulado crime organizado e as forças do Estado Legal.
Que desvario absurdo que se tem no Brasil. Existe um estado bandido e criminoso ,organizado, como o chamam nossas autoridades, encravado dentro do Estado Oficial. Estado que, por consequência, se mostra desorganizado, frágil, ineficiente em combater tantas facções criminosas. Facções que se sustentam do tráfico de drogas, de assaltos e saques de cargas de transportadoras, de assaltos a bancos, residências e pessoas.
O Rio de Janeiro é o mais emblemático desse tipo de coisa criminosa que se repete em outras capitais. Em São Paulo tem por exemplo o primeiro comando da capital-PCC, que tem ramificação até no Paraguai. O comando central , ou QG ( quartel General) fica na capital Paulista, comandado por Marcola.
No momento, cerca de mil homens do exército tentam prender e conter as quadrilhas que infernizam as pessoas nos morros e favelas do Rio. O curioso é que os bandidos têm uma guerra entre si pelo domínio do tráfico na Favela da Rocinha. Mas também pudera! Um estado (RJ) em que um ex governador, Sérgio Cabral, está preso com seus principais assessores (leia ex asseclas e corruptos), não se podia esperar coisas melhores do submundo do crime que manda e desmanda nos morros das favelas cariocas. Essa jabuticaba parece não existir em nenhum outro país. E tem outras jabuticabas e jabutis. O ex presidente do COB, Carlos Nuzman acabou de ser preso. Eles, Cabral e asseclas compraram votos para que o Rio fosse sede das Olimpiadas 2016. Uma vergonha internacional.
E nossa reforma política? Nossos congressistas criaram até um nome curioso para um modelo de eleições. O distritão. Seriam regras, em que os velhos e vitalícios parlamentares se reelegeriam até o fim da vida. É para lamentar mesmo! Nesse processo o mais esdrúxulo seria o financiamento de campanhas eleitorais com dinheiro público. Propuseram um fundo de campanha de três bilhões e seiscentos milhões de reais.
A ideia era tão estapafúrdia que merecia levar todos para um distrito, um distritão da polícia federal e ministério público. Não foram! Ao menos jogaram a proposta no lixo depois de muitos protestos da sociedade, imprensa e grupos políticos contrários à ideia original. Na pseudorreforma que agora passou na câmara, tem um destaque em que o candidato pode pedir ao provedor de Internet, sem ordem judicial,  para tirar algum conteúdo ofensivo ou difamante , à sua pessoa,  das redes sociais.. Ou seja, censura prévia , só isso.   E tem mais jabuticabas, jabutis e tartarugas.
E as brigas ou bate-bocas que têm sido vistos entre nossas autoridades do judiciário e do poder executivo? O caráter de baixaria que tomaram as acusações do ministro Gilmar Mendes contra o ex procurador Rodrigo Janot não tem exemplos na história. Como temos a prerrogativa da liberdade de opinião e expressão, o sujeito fala o que lhe dá na tela. Parece discussão de botequim. As trocas de farpas e acusações entre o atual presidente e Ministério Público é outro exemplo dessas baixarias.  Agora , fica essa pergunta das sociedade: como contestar áudios, malas de dinheiro, 51 milhões de reais ( ou geddéis), diálogos com corruptos e criminosos. Querem  tapar o sol peneira ou plástico translúcido. Não vão conseguir .  
Outros comportamentos não menos bizarros são as disposições de autoridades em ficar dando entrevistas sobre decisões e sentenças. É o comportamento do próprio Gilmar Mendes , ministro do Supremo Tribunal Federal, com suas concessões de habeas corpus e prisão domiciliar a empresários endinheirados e poderosos, mas corruptos e bandidos. E não ficam só nisso as nossas frutas nativas.
Chefões de gangues e quadrilhas que estão presos e dão entrevistas e ordens para seus advogados e camaradas de crimes. E nesse cenário, não apenas os criminosos  e presos do baixo clero. Tal expediente se registra desde um tal de Fernandinho Beira ou Nem( apelido de preso carioca), até ex políticos presos que continuam fazendo suas articulações delitivas. Inclusive como transportar e guardar dinheiro sujo e de propina desviado de empresários e órgãos públicos. Será que teremos que manter tais jabuticabas, depois de tantos inquéritos, processos e condenações. Quem viver verá! Viu!  (“  Tem que manter isso, viu “)  .                Outubro / 2017

Justiça

UMA PERGUNTA PARA A JUSTIÇA , O QUE É JUSTIÇA ?
João Joaquim 
O diabo vinha, lamentando-se de que a esperança começasse de entrar no coração dos homens; que ele, diabo, tinha jus antiquíssimo de desesperar toda gente- Alexandre Herculano, lendas e narrativas-
Têmis, a deusa da Justiça . A faixa que lhe cobre os olhos foi introduzida no século XVI por artistas alemães, com o fim de que se atribuísse à Justiça a ideia de imparcialidade. O que esses não perceberam é que a venda lhe prejudica, pois arranca sua capacidade de enxergar, e ver o quanto de coisas erradas andam cometendo quanto invocam seu nome;  nos tribunais, nos juízes, nas sentenças, nas penas ao condenados aqui no Brasil e no mundo. 
O cenário político, policial, econômico e jurídico do Brasil anda tão esdrúxulo e fora de prumo que mais do que nunca tornou-se difícil, impossível definir o que seja justiça. Conceito tal que sempre foi impossível de consenso.
Em todos os tempos, em todas as culturas ,a inteligência humana sempre enfrentou o real e ideal sentido do que seja justiça. Uma classe de homens sábios que sempre trouxe o tema justiça à discussão foi a dos filósofos. E dentre esses os de maior relevo foram os pensadores gregos Sócrates, Platão, Aristóteles entre outros. Eles  propuseram  o tema à reflexão. Sempre suscitaram muita discussão, mas  com muita dissensão. E as divergências perduram pela história a fora do mundo do direito e do pensamento.
Uma definição entretanto, de um grande filósofo grego sempre me causa admiração, simpatia e adesão. Foi Platão. Na obra A República tem um diálogo seu com outros filósofos interlocutores. Um dos temas foi justamente o conceito de justiça. Disse ele: justiça é atribuir a cada um o que lhe é de direito e de dever .  
Platão define a justiça como a relação harmônica das 3 virtudes fundamentais que devem regular a alma: a temperança, a coragem e a sabedoria. A justiça é a justa medida, onde a temperança representa a sensibilidade regulamentada segundo a justiça;  a coragem é a justiça do arbítrio (da vontade);  e a sabedoria é a justiça do espírito. O homem justo é, para Platão, aquele no qual prevalece a conjunção harmônica das 3 virtudes, portanto, justo é o homem virtuoso
Em minhas considerações este é o ideal de justiça porque ele pode ser aplicado em todos os âmbitos da vida, por todas as pessoas, inclusive na educação e relações dos pais com os filhos, de professores com os alunos (educandos) e mesmo com muita firmeza e isenção por todos os operadores do direito e da justiça.
Dissecando e deslindando o conceito platônico de justiça. Dar, atribuir a cada um o que lhe é de direito e dever. Nessas duas palavras concentra o mais amplo e puro sentido de justiça a que deve-se concentrar e se dedicar qualquer juiz, qualquer magistrado e julgador. A cada pessoa o dever e o direito na dosimetria justa.
Dentro dessa baliza, desse índice da relação entre direitos e deveres é que deveriam funcionar todo o sistema de justiça, de julgamento, de conceder a cada pessoa o que lhe é devido, seja como um ônus, um castigo, uma pena, um sacrifício;  ou um bônus, um bem, uma garantia, uma liberdade, um gozo e fruição benéfica qualquer.
Assim, suponhamos um indivíduo da pior estirpe delituosa que praticou um latrocínio. Ou um ex-presidente que desgraçou, destroçou e quebrou um país! A esses criminosos deverão ser cominadas as penas na exata medida de seus graves e hediondos delitos. Nem de mais , nem de menos, princípio da balança de dois pratos.
Nenhum gravame a mais , nenhum vilipêndio de mais nem de menos. Nesse contexto então é que entram todos os profissionais operadores do direito, tantos os defensores privados (advogados) ou públicos: os advogados dativos (do Estado), defensores públicos , promotores e juízes.
Muitas vezes, ante um réu hediondo alguém perguntaria espantado. Como um advogado defende alguém dessa natureza, dessa periculosidade! É aqui então que entra o sentido da “justiça justa”. Porque irá atuar como o fiel da balança, símbolo de justiça. Ele atuará com o seu múnus o mais ético e fiel possível para que o seu cliente ou paciente não seja apenada a mais, nem a menos do que o seu crime praticado. De igual forma atuarão  promotores, jurados e o juiz na equilibrada e merecida pena do réu.
De posse e consciência dessas assertivas, dessas noções e premissas do que significa justiça, muitas pessoas  se cobrem de razão em se perguntar ou afirmar: então não se tem justiça aqui e alhures/  Seja na China, no Brasil e nos EEUU?  Nesse país americano modelo e geratriz de democracia e direitos humanos.
Se fala de Brasil temos que muitos criminosos bem apessoados e muito aquinhoados de dinheiro não cumprem suas penas no xilindró. Se portador de cargo eletivo e parlamentar tem a tal e imoral imunidade política. Se é um ricaço e empresário corrupto e corruptor ou fica em prisão domiciliar ou de tornozeleira eletrônica. Quando fica, porque conforme a biografia e antecedentes, tem plena liberdade de ir e vir, como sói ocorrer com inúmeros criminosos de gravata e ternos de alto padrão.
Ah, tem mais, se é primário, tem curriculum vitae de bons antecedentes e endereço fixo, vai para casa e aguarda decisão como se nada de errado tivesse cometido.
Afinal de contas, para nossa JUSTIÇA BRASILEIRA , o que é mesmo justiça?  - Outubro / 2017

Mentes assassinas

MENTES ASSASSINAS E CONDUTAS SOCIOPATAS
Joao Joaquim

Duas tragédias nesta 1º semana de outubro de 2017, mostram alguns fatos terrificantes e bestiais de nossa civilização. Do quanto de patológica, de complexa, e imprevisibilidade se torna a mente humana. Foram duas tragédias, em dois países democráticos, Estados Unidos e Brasil. Horrores que mostram também como se dão os órgãos de governo, as políticas de segurança pública, de saúde mental; enfim ao impedimento que inexiste para que psicopatas e sociopatas circulem e trabalhem livremente em órgãos públicos e privados. Ou até ao direito absurdo de um cidadão americano comprar um arsenal de armas de guerra e portá-lo livremente, por onde andar.
De igual modo perigoso, um psicopata trabalhar numa creche (“crianças vulneráveis”), ter contato frequente com essas crianças, com ofertas de guloseimas e picolés. Até que um dia, esse desvairado mentecapto, num surto psicótico, entra nessa creche, com um galão de álcool, borrifa o combustível em cerca de 40 criancinhas e ateia fogo em si, em todos a sua volta, e provoca a mais horrenda e hedionda mortandade homicida( infanticídio, na verdade), além de feridos e mutilados que hão de sobreviver desse ato tresloucado, fruto  de uma mente esquizofrênica e assassina, que trabalhava normalmente nessa instituição de ensino infantil. Com as palavras a Prefeitura de Janaúba MG, os órgãos de saúde de Medicina do Trabalho, os médicos responsáveis pelos exames pré-admissionais desse município. Continuemos o relato.
Para contextualizar, a 1º bestialidade se passou com o americano Stephen Paddock 64 anos. Ele se hospedou no 32º andar do hotel Mandalay Bay, Las Vegas, e de lá desferiu rajadas de fuzil AR-15 e AK-47, contra mais de  20.000 pessoas, a 460 metros do hotel, que assistiam a um show de música country, 59 pessoas foram mortas, mais de 500 feridas. Muitos mutilados e deficientes com as graves sequelas para relembrar o horror dessa mente humana.
A tragédia mais criminosa e bestial do Brasil, porque envolve gente muito vulnerável, se deu em Janaúba MG, cidade do norte mineiro. O personagem psicopata era o vigia noturno de uma creche, mantida pela prefeitura. Segundo informações verídicas o Sr. Damião Soares dos Santos , 50 anos, padecia de sintomas mentais (esquizofrenia sic) e fazia uso de medicamentos psicotrópicos. Ao que sugerem apurações das autoridades locais, não havia preocupação de prefeitura (Setor Pessoal , Recursos Humanos) e direção da creche no concernente à saúde mental do mentecapto. Prova disto é que esse doente mental, ia ao encontro dessas crianças, frequentemente, e as mimava com doces, balas e picolés.
Ao contínuo, em certa manhã, esse alienado entra na creche, com um galão de álcool, e num desvario suicida e homicida incendeia a si e a todas as crianças e professoras à sua volta.
Até o manuscrito deste texto, 9 crianças e uma professora morta. O doidivanas e mentecapto criminoso também morreu pelas queimaduras.
E assim seguem os efeitos e horrores das tragédias humanas. Assim se dá o ramerrame dos homens de bem, tidos e havidos como racionais e lúcidos. Esses mesmos que dizem, governam os que não governam a si mesmos. Será ?
Até porque, esses intitulados gestores das coisas públicas e das pessoas, públicas ou privadas,  em sua minoria, governam os demais, criam estamentos, leis, códigos, “compliance”, convenções, constituição, códigos civil e penal e muitas outras regras de condutas e relações sociais. Entre estas as de trabalho, de regras de convivência, de respeito a quem quer que seja.
Enquanto vigorarem, de forma mais aguda e vívida, a consternação das pessoas, o aturdimento da sociedade, a cobrança de segmentos sociais, da imprensa e outros organismos representativos, muitos debates, conferências e propostas serão postas à mesa, para conhecimento de todos , após essas tragédias.  
Certamente estarão em pauta o controle da venda de armas letais lá nos EEUU, bem assim lá e cá, mais prevenção, tratamento, monitoramento e vigilância das doenças mentais. Como sucede com as reações humanas, tudo passa e voltam todos às suas costumeiras e vezeiras  zonas de conforto, à síndrome da acomodação. Armas e loucos voltarão ao atual “status quo”. Continuarão assim as mentes e as  decisões de quem nos governam.
Só como amostra grátis desse estado de coisas que nos cercam. Como aceitar que pedófilos e assassinos passionais, anunciem seus crimes por telefone, redes sociais, registrem  ameaças e só depois de perpetrados os crimes planejados, sofrem alguma apenação, quando sofrem? É o mesmo que sucede com os feminicidas, os infanticidas , e outros maridos ou namorados que eliminadas suas companheiras (ou ex) é que cumprem alguma restrição de liberdade. Por igual comentário, as mulheres também matam, mas menos.
Pedófilos, estupradores, assassinos passionais;  rigorosamente todos deveriam ou ser vigiados pela justiça, ou uma vez cometido seus crimes ser segregados do convívio social eternamente. Como costuma ocorrer com a Justiça nos EEUU e em outros países europeus. Aqui , ainda estamos na fase discursiva.
Assim, com a mesma estratégia, mesmo rigor e sem preconceito, deveriam ser tratados os débeis e doentes mentais.
Do  contrário , na mesma frequência e de igual natureza continuaremos a presenciar e nos consternar com tais desatinos que são os crimes isolados ou coletivos desses indivíduos lunáticos que são os psicopáticos de toda natureza.
Outubro/2017.

Patifaria na TV

ABUNDA PATIFARIA NOS CANAIS DE TELEVISÃO
João Joaquim 
Será que nesta vida vale tudo ou tudo vale para se chegar ao sucesso ou para sobreviver? Pelo menos para alguns canais de televisão parece que sim. E assim eu afirmo e confirmo com base em algumas matérias que se tornaram useiras e vezeiras em nossas redes de comunicação. Não se trata de nenhuma novidade para qualquer telespectador que assiste a essas mídias que chamam-nas de jornalismo, comunicação e entretenimento.
Mostrar o que o ser humano tem de mais torpe e repugnante, exibir as deformações físicas e de caráter, mostrar as hediondezes  sociais, mostrar delinquências em sua forma mais requintada, fazer da mediocridade e futilidade humana um “reality show”. Tais expedientes seriam jornalismo?  Seriam Comunicação?  Entretenimento?
Nossos canais de TV estão fartos, empanturrados de todas essas matérias. Fica a impressão que cada emissora participa de gincanas de mesma natureza. O objetivo e metas finais são as mesmas. Quais sejam: o aturdimento e espanto das pessoas, o pasmo, o estarrecimento do telespectador. Mais audiência ganha aquela emissora que primeiro exibe as cenas com a maior crueza e dramaticidade possível. Assim se torna verídica tal assertiva: Vale tudo ou tudo vale para o sucesso e a sobrevivência no mercado das telecomunicações. Tal constatação não é exclusiva do Brasil.
Verte todo sentido e razão aquele conhecido brocardo: “A civilização de um povo se mede pelo que as pessoas assistem na TV”. Trata-se de uma máxima das mais pertinentes quando se fala em cultura e entretenimento. O grau civilizatório, a qualidade cultural, a grau de desenvolvimento de uma pessoa, de uma sociedade, de uma nação se dão na medida da preferência que essas pessoas têm por toda forma de lazer, de diversão, de cultura, de conhecimento e comunicação.
Todas as mídias de massa (do inglês mass media) foram concebidas e idealizadas com os fins precípuos de comunicação, de jornalismo e entretenimento. Aqui se fala desde o tradicional jornal impresso, do rádio (radiofonia), da televisão e da internet com suas tão populares e ubíquas redes sociais. Que abrigam hordas de imbecis.
Em outros termos, nenhum tecnólogo, cientista, físico ou engenheiro pensaram em uma mídia para levar futilidades, mediocridade, degradação e mazelas sociais aos usuários desses veículos de comunicação. Ou seja, a questão central não está nos recursos das tecnologias de comunicação. Elas são inócuas, neutras e inofensivas em si, para dizer o mínimo. Todas podem ser boas ou más.
A observação e crítica que se fazem se voltam para as pessoas empresárias e exploradoras do ramo e para as pessoas usuários e exploradas pelo sistema reinante. Está havendo, de forma sub-reptícia e subliminarmente uma espécie de lavagem cerebral das pessoas. É o mesmo método e efeito dos grandes tiranos e déspotas com os seus súditos e comandados. O indivíduo pari passu se sente incorporado àquela realidade.
Pergunte para os habitantes e membros do exército venezuelano, do Irã, da Coreia do Norte. A maioria, se não todos, devem supor e ter aquele sistema de governo como o único do mundo, a última conquista da terra. Eles não conhecem outro sistema, outra cultura, outras opões.  Por isso têm-nos como o sal da terra, o suprassumo em tudo.
Particularizando a questão intrínseca da comunicação televisiva. Deveria predominar maior intervenção do Estado e menos neoliberalismo nesse ramo de atividade. Falta maior controle de qualidade do que é exibido ao público. Não se trata de censura de conteúdos, mas, acima de tudo, monitorização daquilo que é transmitido sob o título de jornalismo, comunicação, lazer, diversão, humor e entretenimento. Que televisão é essa com tanta devassidão?
Nesse sentido, e sem mais delongas,   e pedindo todas as vênias a todas as emissoras de televisão do Brasil, o que se tira de útil e de cultura das grades de programação é muito pequeno e restrito. Têm -se muita patifaria, mediocridade e conteúdos de baixa qualidade .  Salva-se pouca coisa, das muitas emissoras.  E isso é grave e triste.  Muito triste.   Outubro/2017. 

Democracia

NOSSA ENFERMIÇA   DEMOCRACIA
João Joaquim  

Quais cores, sabores, esplendores tem a nossa Democracia? Ao que parece , carece de definição . A nossa Democracia, a brasileira, ainda pode ser considerada muito jovem. Algumas de suas predecessoras sucumbiram pelo caminho. A começar por aquela representada pela Monarquia de Pedro pai e depois o Pedro filho. Foram os reinados dos Bragança, D. Pedro I e D. Pedro II.
 Depois da monarquia veio o golpe de Deodoro da Fonseca, de 1889, seguido por Floriano Peixoto, cognominado o marechal de ferro. Diz a história que o homem era muito austero. Tanto assim que governou como um tirano. Mas enfim, foi o começo de nossa história republicana. Foi então a intitulada República Velha. Nesta, então, teve a ascenção do gaúcho Getúlio Vargas, que destronou Washington Luiz. Este tinha seu lema que era: “governar é abrir estradas”. O presidente Getúlio, foi o presidente do Estado Novo (1937-1945). Época difícil e turbulenta porque estava em andamento a 2ª Guerra mundial.
Dizem a história e muitos cientistas políticos que Getúlio simpatisava com o nazifascismo de Mussolini e Hitler. Ele só se opôs aos planos do eixo (do mal ), formado por Alemanha, Itália e Japão, depois de muita cobrança da sociedade, da imprensa e dos EEUU. Mas que ele tinha ideologia ditatorial e fascista ninguém duvida. E basta revisitar nossa história e constatar o quanto o gaúcho mandou e desmandou em seus dois mandatos( 1930-1945, 1951-1954) como presidente. Deixou boas conquistas e garantias também. A Petrobras e a CLT são exemplos de seu legado.
 Agora, se tem um fato digno de menção na era do queremismo (do slogan, queremos Getúlio), foi o embate que havia com o deputado Carlos Lacerda. Não eram adversários, eram inimigos da pior animosidade, de natureza biliosa e fidagal. A inimizade e antipatia   eram tamanhas, que a história nos conta o “The end”. Getúlio suicidou-se em 1954. Não sem antes deixar documento, em carta testamento. “Saio da vida para entrar para a história”. Aí,  na continuação da história vieram Café Filho, J.K , Jânio Quadros, João Goulart( Jango) ,  Regime Militar, redemocratização a partir de 1985, Sarney, Collor, Itamar Franco, FHC , Lula, Dilma, Temer.
 Estamos hoje na chamada era pós PT. É como se estivéssemos entre a cruz e a caldeirinha, saímos das chamas e precipitamos nas brasas ( do pau-brasil), nas cinzas rescaldantes  do que se queimou. Estávamos  melhor nas brasas, porque meio atordoados e queimados. Estamos no mais incandescente Brasil (brasil, de  braseiro). Condição em que as labaredas da corrupção, de crimes de colarinho branco e de desgoverno ameaçam queimar até nossa última energia , nossas forças e  a nossa esperança.
 Vivendo e analisando a nossa República Democrática de hoje, se torna oportuno perguntar e esclarecer. Por que se tornou um sistema de governo tão caro? Nosso regime foi conquistado a duras penas, com sacrifícios e mortos. Mas seria para tanto? Numa análise e consideração mais rasas  pode-se firmar que tudo se volta para o comportamento e natureza do bicho homem, eternamente enigmático, muito incompreendido, em seu caráter, em sua índole e objetivos. Basta rememorar cada crise, cada revolta, cada insurreição, cada golpe, cada guerra.
Em cada crise, em cada conflito, teremos sempre como protagonista (s) homens de mentes desalinhadas com a realidade vigente, personalidades paranoicas, condutas e ideologias tirânicas dos mais variadas vieses. Tais são os exemplos de um Solano Lopes da guerra do Paraguai, de um Getúlio, de um Lacerda, de um Jânio Quadros, de um Hitler, de um Mussolini, de um Lula, entre tantos outros.
 E já arredondo e quadrando esta digressão sobre democracia, da nova Democracia Brasileira,  concluo em poucas linhas .  Assim propugna este signatário articulista. Gestor público, tal como um presidente da República, deputado ou senador deveriam passar não por um escrutínio de urnas eletrônicas como são nossas eleições  , por voto popular ; ou que assim fosse, mas posteriormente por rigoroso concurso público. Nos mesmos moldes de um juiz, um promotor, um outro funcionário público de mesma responsabilidade. Para tanto,   esses meios de seleção deveriam ser exigidos de qualquer candidato a cargo eletivo; acrescidos da obrigação de   uma formação universitária compatível com aquele múnus desejado pelo (a) concorrente. Trata-se até, conforme nossa constituição, de uma igualdade plena em direitos e deveres. Mantido o “status quo”  continuaremos em risco de termos aventureiros , déspotas e tiranos com maquiagem e sermões de democratas.  Com o risco de nunca termos uma democracia de excelência, onde de fato todos gozem dos mesmos direitos e deveres, conforme preceitua o artigo 5º de nossa Constituição.  Falei e disse.    Outubro/2017