terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Felicidade..

A FELICIDADE IMPOSSÍVEL   SEM  TRABALHO E SEM ESFORÇO


João Joaquim 


Desde sempre, na mente humana,  houve projetos, desejos e sonhos que se tornaram a ordem do dia. Os termos podem variar, mas no final com o mesmo significado. Se fossem designados em uma palavra, esta palavra seria a felicidade. Tanto que ela passou a ser uma expressão do bem extremo que queremos a quem tanto amamos e temos em nossa mais alta estima.
E tem plena razão todos que buscam esse estado físico e de alma. A felicidade é um fim em si mesma, é o objetivo último e máximo do gênero humano em sua existência. Ninguém em sã e lúcida consciência, em  higidez mental e psíquica vai querer um mínimo de sofrimento ou dor que seja. Se assim o faz é porque padece de algum distúrbio de saúde mental, dano  patológico,  e portanto ,  precisa de algum ajuste terapêutico no campo psíquico , psicanalítico ou até medicamentoso.
Ser feliz . Este tem sido o desiderato de todos em sua humana lida. Mas seria tal estado orgânico e de alma possível? Para aqueles adeptos do determinismo, do existencialismo, tal projeto e desejo seriam inatingíveis. Todos estão predestinados a algum sofrimento, diriam os deterministas e existencialistas. Mas, eu rebato essa tese, e temos que , sim, buscar os caminhos da felicidade.
A vida se faz, se principia, se brota, se vem à luz do mundo entremeada já com um pouco de dor, choro e início de sofrimento. Disso ninguém discorda. Tomemos a vida humana a partir da fase fetal. Esse feto, ainda que em plena higidez física, nos primórdios de sua interação com a mãe e com o meio externo receberá e sentirá os estímulos nocivos e estressores, tanto exteriores quanto aqueles sofridos pela mãe.
O ventre, o útero e placenta não são garantias nem imunidade contra injúrias externas, tanto de agentes físicos quanto  imunes e biológicos . O feto pode adoecer! Tanto que anda em voga a chamada Medicina Fetal. Especialidade que monitora ,  diagnostica e trata as anomalias do feto.  Hoje, se faz até cirurgia fetal.
Com a maturidade plena do feto, vem o período expulsivo ou do trabalho de parto. Pode-se considerar o maior trauma da vida humana. Para tanto a natureza com seus indecifráveis mistérios criou um estado fisiológico chamado amnésia. Ninguém vai se lembrar desse primeiro grande trauma, desse “doloroso transe”  que é o nascimento.

Para tanto sofrimento bastaria imaginar o trabalho de parto de um adulto. Fosse possível, em grandes dimensões, regredir um adulto ao ambiente uterino e ele lutar 10 horas para voltar à luz. Quanto suplício e sequelas psíquicas. Que fique só na imaginação, de preferência com amnésia absoluta desse “sofrimento angustioso”.
Vieram os avanços tecnocientíficos, no mesmo passo as ciências médicas. Dentre essas o aprimoramento da analgesia e da anestesia. Hoje campeiam os partos cesarianos, porque se fazem com uso de analgesia e anestesia. Pena que abrevia-se o trabalho de parto sem dor para a mãe. Mas,  para o nascituro( futuro recém-nascido) o mesmo trauma. O mesmo sofrimento, a perda da proteção da barriga da mamãe  e do  aconchego uterino. Parece um descaso e injustiça da natureza  com o feto. Mas, é a lei, são os mistérios da vida.
Há diversos estudos na área de obstetrícia e neonatologia provando que o parto natural e espontâneo é muito muito saudável para a criança e mesmo para a mãe. Evitam-se com isto um trauma cirúrgico, o uso de vários fármacos na anestesia que têm os efeitos colaterais para a  mãe e feto.
As evidências são de que o esforço e esse sofrimento impostos ao feto para nascer têm efeitos saudáveis nessa transição da vida uterina para o mundo externo. É a passagem da circulação fetal e dependência placentária para a respiração pulmonar e circulação no modo adulto. Todo esse trânsito dolorido e árduo do chamado trabalho de parto é nada mais do que o primeiro ensinamento da natureza de que a vida humana tem como finalidade última e máxima a felicidade. Mas, a vida e a felicidade não têm isenção absoluta de alguma forma e grau de sofrimento, de esforço, de trauma  e de trabalho.
Trazendo esse objetivo e perene busca da felicidade a que todos se dedicam para o contexto de nossos dias, para as novas gerações, para a civilização moderna, munida de internet, redes sociais e tecnologias de informação, do mundo digitalizado.
O século XXI tem se caracterizado por intenso debate e avanços sociais no que se refere às liberdades individuais, garantias as mais amplas de direitos humanos e novas diretrizes na educação. Entre essas novas normas de liberdade e educação têm-se como exemplos a proibição de reprovação escolar e a lei da palmada.
Em outros termos, o aluno mesmo com nota abaixo de 5(50%) tem que pular de série. Não interessa se ele aprendeu o suficiente na série anterior ou não. É proibido reprovar. Lei da palmada: os filhos além de ser criados sem limites ou castigos não podem receber o menor constrangimento físico, a exemplo de uma palmada ou chinelada.
Tomo de empréstimo as palavras da Psicóloga Virgínia Suassuna: “ os chamados psicotapas” , tão úteis das avós das gerações digitais. Até esses estão proibidos pelos novos legisladores, pelas novas diretrizes dos modernos educadores. São novos tempos.
Os pais e famílias dessas novas gerações têm embarcado nessa nova pedagogia e nessas novas diretrizes educacionais. Tudo pode , “ é proibido proibir”  !
Os adolescentes e jovens dessa nossa intitulada sociedade moderna e digital estão sendo criados, formados e protegidos de qualquer esforço, de qualquer sacrifício ou trabalho. Nenhum filho pode cooperar ou se empenhar no seu próprio sustento. O roteiro dos chamados pais modernos tem sido este para os filhos: é proibido sofrer, se esforçar ou trabalhar. Zero dor, zero sofrimento, inclusive o esforço psíquico, a  frustração, o insucesso na busca do prazer, da satisfação dos órgãos sensitivos. 
Para isso, foram sintetizados os ansiolíticos, os antidepressivos, os psicotrópicos de toda ordem. Até os medicamentos que ajudam no rendimento intelectual, no raciocínio , no pensamento lógico. O ato de pensar, calcular, criar se tornou algo torturante. De preferência que todo conhecimento, todo saber  já venham prontos e pensados por outros.
Talvez o resultado dessa nova ordem de vida sejam mais depressão, mais ansiedade, mais suicídios, incapacidade de lidar com as críticas (bullying), mais dependência de psicotrópicos, de psicoterapias e até drogas ilícitas.
Infelicidade na sua forma mais pura.  É a vida sem esforço e sem os sofrimentos, os mínimos que sejam!  -        Janeiro /201

Inteli


O BRASIL ESTÁ PERDENDO OS SEUS TALENTOS E CIENTISTAS



É preocupante ! É muito preocupante a crise que se abate  em uma linha de produção e fabricação em nosso País. Não se trata aqui de  uma produção  industrial convencional . Trago à tona a grave questão da geração de ciência, de talentos, de cientistas e de conhecimento que vem se declinando a olhos vistos.

Uma mostra contundente de tão grave crise se vê na redução do orçamento para tudo quanto é órgão destinado a essa tão significativa produção , e mais , dos investimentos minguados nas universidades públicas ,no desprestígio à  produção de pesquisas e trabalhos científicos. Outro setor que atesta tão preocupante e triste realidade é o próprio Ministério de Ciência e Tecnologia com o seu igualmente reduzido investimento aprovado pelo governo.


Ou em outras palavras, para ser mais incisivo, não bastasse as outras crises, temos agora mais essa, a crise em duas palavras, da Ciência e da Tecnologia. Na verdade as outras crises são tão drásticas e dantescas que engoliram a que está aqui em discussão. Só para registrar para a história do Brasil, tais crises maiores, de momento, e do mundo todo sabidas são a política, a ética, a administrativa, a jurídica e de segurança pública etc. É muita ingerência e desgoverno para um momento só, para um país de dimensões continentais como o nosso. Há uma relação linear com o tamanho do país, mas não precisava tanto.
Por que a nossa crise de ciência e tecnologia nos traz preocupação e incertezas? Basta que se faça esta valorização: a produção de ciência e tecnologia é o maior investimento que um país, uma pessoa, ou uma sociedade podem fazer. É um patrimônio imaterial que logo resultará na maior fábrica de bens e serviços de uma nação para o seu povo, para as pessoas. Estamos perdendo pari passu esse PIB, esse produto interno bruto , em Ciências, talentos e conhecimento.

São visíveis e constatáveis os dados de descaso dos últimos governos (Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer) com o ensino, com a educação em todos os ciclos, com as universidades, com o patrocínio e verbas públicas para os programas de trabalhos científicos. A negligência e desprezo das políticas do ministério de ciência e tecnologia chegaram a um ponto de crise que muitos trabalhos e pesquisas estão sendo interrompidos por falta de quase tudo:  de  material, de instrumentos, de pagamentos a funcionários, de bolsistas e dos pesquisadores.

Outros sinais e provas dessa lenta tragédia têm sido vistos nas universidades públicas. A maioria encontra-se sucateada, com estrutura física e laboratórios de ensino ultrapassados e sem manutenção. E aqui entra uma outra grave questão que é a má gestão dessas instituições, entidades essas com todas as suas dependências, com todos os instrumentos de ensino e treinamento destinados aos professores, alunos e estagiários. E nesse estado de coisas (ou crises) tem-se um item muito sensível e delicado que é a indigna e injusta remuneração aos docentes. Cada vez mais os professores e pesquisadores se veem desestimulados em suas funções por essas duas razões fundamentais: condições precárias de trabalho e baixa percepção salarial. Só de entusiasmo, vocação e idealismo não se vivem os pesquisadores. Todos têm famílias e dívidas a quitar.

Por último como demonstrativos mais ostensivos da crise de produção científica e de cientistas em nosso país têm sido as levas de estudantes, de estagiários e pesquisadores em busca de oportunidades em outros países. Um bom exemplo nesse sentido tem sido Portugal. Esse país tem facilitado cada vez mais a chegada de imigrantes do Brasil que buscam trabalho, empreendedorismo, universidades e formação tecnocientífica. Uma boa notícia nesse sentido é que aquele país vem aceitando alunos com boa nota de nosso exame nacional de ensino médio-ENEM, para ingresso nas universidades portuguesas. Trata-se de um ótimo aceno para os jovens que , frente a tudo de ruim e pior que se vive aqui buscam a sorte em países do velho continente.

O triste e melancólico com o estado de crises porque passa o Brasil é que o país aos poucos vai perdendo esse singular e intransferível patrimônio, que é a inteligência brasileira. E ela existe em grande escala, em todos os rincões de nosso território. Corremos o risco de um dia termos que importar nossos talentos de volta, para nos assistir em muitos ramos das Ciências e Tecnologia. Que triste, não ?  Janeiro/ 2018.

Insalubridade básica

Nossa crônica Insalubridade Básica
João Joaquim 
O que fazer com nossos excrementos e secreções orgânicas ?  . Nosso cocô, nosso xixi podem ser fontes de energia ( elétrica , biogás) e até , acreditem, de proteínas. Bastam para tanto ter tecnologia e profissionais habilitados. Como é feito na Inglaterra e Estados Unidos.
Eu me inspirei para escrever este texto quando estava, agorinha há pouco, bem confortável, em meu wc. Para as gerações mais jovens eu traduzo, wc é a sigla para water closet, um anglicismo, entre milhares, que se incrustaram em nosso idioma. O nosso banheiro ou sanitário em Portugal é chamado casa de banho; na Grã-Bretanha recebe o simpático apelido de water closet (wc).
No caso aqui em discussão o banheiro entrou como um mote. Trago à baila a grave e muitas vezes esquecida questão de saneamento. Quando se fala em saúde pública ele é tão significativo que recebe o adjetivo básico.
E básico, como sugere o termo, porque deveria ser prioritário, fundamental e preocupação primeira de cada governante, de todas as esferas político-administrativas desse país. Ou seja, de prefeitos, governadores e presidente da república. Não é!
Vamos pegar como piloto, em tão sensível questão, a cidade do Rio de Janeiro. Afinal, ela é nossa capital turística, visitada por turistas e delegações do mundo inteiro. Ali tivemos a copa de futebol FIFA 2014, e as olimpíadas- COI 2016. Foram bilhões de investimentos em marketing, estradas, estádios, arenas de esportes, ginásios, vila olímpica entre outras obras de infraestrutura. Os investimentos em saneamento básico foram pífios ou mínimos. Enorme foram as verbas para a corrupção.  
O descaso é brutal. Tanto assim que as paisagens de insalubridade, lixos e esgotos, a céu aberto, continuam as mesmas de antes desses referidos eventos. Ficam a impressão e o visual de que nada foi modificado no que concerne aos crônicos e anacrônicos problemas com os excrementos e resíduos produzidos pelas pessoas.
Calcula-se que ali na capital fluminense sejam lançados, a cada dia,  nos rios, mananciais e mar cerca de 5000 piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento. Ou seja, têm-se com isto um cenário de absoluta degradação sanitária.
Não se trata apenas de um impacto negativo na saúde humana. Dentre as doenças dessa putrefação podem-se destacar as hepatites, disenterias, parasitoses, viroses e muitas outras infestações e intoxicações advindas de lixo doméstico e industrial.
A par dos danos à saúde humana, há uma degradação ambiental, com acometimento da flora e fauna e deterioração da paisagem natural. Quanta feiura e mal-estar aos sentidos causa um ambiente pútrido e insalubre. É o completo adoecimento da natureza, dos rios e mares, das florestas e atmosfera.
Não bastasse vivermos tempos medonhos na política nacional, temos que assistir aos horrores que têm sido as políticas com o saneamento da natureza, com todas as fontes naturais de recursos que a terra nos proporciona. E desses, a água, como recurso minera, ela  tem sido a mais maltratada e degradada. É sabido que o Brasil é o país mais rico em aquíferos de água doce. E que triste ironia! Somos a nação que mais desperdiça, que mais contamina e mais doenças produz com águas poluídas.
A cidade do Rio de Janeiro serve como modelo, triste exemplo do que ocorre Brasil a fora. Certamente com alguns exemplos mais melancólicos . A região norte é a mais abundante em água doce. As estatísticas recentes do IBGE revelam que a falta de água potável e tratamento de esgoto chega a quase 80% em regiões do interior. As capitais Manaus (AM) e Belém (PA) padecem da mesma degradação ambiental do Rio de Janeiro. Paralela a essa grave questão de saneamento básico, existe uma igualmente grave, a saúde pública das doenças endêmicas. Dentre essas pode-se destacar a malária, que tem em seu ciclo o mosquito vetor anófeles, cujo roteiro reprodutivo depende do clima (tropical) e água.
Em conclusão o que se pode afirmar é que saúde humana e saneamento ambiental (básico por objetivo e finalidade) constituem marcadores e preditores civilizatórios. Tal assertiva e proposta têm validade tanto no âmbito individual como coletivo. Tais índices se mostram reveladores de nosso desenvolvimento social, educacional, ético, e de respeito ,  tanto na esfera privada ou pública.
Uma pessoa, uma cidade, uma nação, uma sociedade são mais civilizadas, ou menos, na exata proporção de sua condição de higiene de saúde pessoal e nos cuidados e saneamento do ambiente e espaços à sua volta.
Tais iniciativas cabem a cada um, em sua casa, no trabalho, na natureza, nos ambientes públicos, nas escolas; não só os governantes têm responsabilidade.

Iluminismo...

                   UM NOVO E  NECESSÁRIO  ILUMINISMO
João Joaquim  



Com todos os motivos e justificativas tinham razão os iluministas ou ilustradores do século XVIII, ao se redesenhar e moldar uma onda de transformações. Para tão magnificente e épica empresa, eles se rebelaram contra dogmas, postulados, costumes, crenças e outras normas  da época. Daí aquele movimento e pacto ter sido intitulado o iluminismo, o século das luzes ou  filosofia das verdades. O Marco e símbolo do iluminismo foi a criação da chamada Enciclopédia . Os seus principais idealizadores foram ninguém menos que Jean Jaques Rousseau, Voltaire, Diderot, Espinosa, Montesquieu , John Locke, Kant, entre outros. Estamos, a bem da verdade, necessitando que surjam os iluministas da era digital, tamanha as trevas que ameaçam nossa cultura e razão.
Esse grupo de pensadores, sábios e notáveis romperam com o que havia de obsoleto, arcaico, medieval, ultrapassado, retrógrado. E estabeleceram esses pensadores uma nova ordem de cultura com fundamento na razão, no pensamento racional, na matemática, nas verdades fundadas no racionalismo e provas científicas. Estabeleceram como que a Filosofia das luzes.
E porque o aqui tacanho e comedido escriba, de singelas e sóbrias crônicas traz as ideias iluministas nessas linhas dianteiras (exordiais)? Pelas simples razões desse pensamento: “ Felizes daqueles que envoltos nas trevas da ignorância são novamente iluminados pelas luzes do conhecimento e da razão” . Frase esta pespegada por um pensador popular .  
Estamos vivendo a chamada era das comunicações. Época  essa marcada pela instantaneidade e celeridade das informações e dos debates e discussões. O que temos de mais avançado e técnico nesses tempos das comunicações se chama internet.
Esta tem possibilitado a todos em tempo real, e quase graciosamente, se falar e transmitir informações, dados, áudios, imagens, a quem quiser, quando e onde estiver.
Por outro lado em que pese o encantamento e maravilha em que se transformou o chamado mundo virtual, ele tem ganhado outras características e atributos. E desses, tornam-se útil alguns destaques.
Encanto e embriaguez; todos, sobretudo a chamada geração digital ou z se encontra como que infectada por esses vírus da virtualidade, os vírus  do encanto e intoxicação pelos recursos, aplicativos, os “gadgets” digitais. Pelo jeito do comportamento ,se revela uma moda sem volta.
Filtros ou controle de qualidade. A internet e todas as suas plataformas de entretenimento e redes sociais se encerram em um ambiente, onde tudo pode, tudo se ouve, tudo se permite, tudo se posta; sem normas, sem regras, sem exigência de um padrão básico e mínimo, como se fosse uma terra sem lei, sem ética, sem códigos de postura.
A condição, até certo ponto, do anonimato resume em outra propriedade dessa grande rede de provedores e computadores que deu voz, vez e direito a quem quer que seja, de falar o que quer, contra ou favor de desafetos, inimigos ou de iguais da mesma tribo. Qualquer  imbecil, cretino, tabaréu ou troglodita dizem as platitudes, abobrinhas e asneiras que lhe venham na telha.
As idiotices ou vilanias mais novidadeiras de nossa moderna feira de debates e informações tem nome anglicano. São as “fake news”. Tais falsas informações e discussões se notabilizaram em tão alta escala que se iniciaram e perpetuam na boca do fanfarrão e histriônico presidente americano Donald Trump. E elas continuam em seus palanques e púlpitos fazendo o máximo de sucesso. E quem lhe poderá fazer oposição? Difícil projetar.
Outro grupo de noticiosos e debates que vez e outra ganha manchetes e locuções se refere às pós-verdades. Estas bem parecem com a visão, brilho e cor do nobre metal, mas num exame mais detido e racional não passam de ouropel. São fofocas, boatos, factoides na mera intenção do embuste, do logro  e  boato para iludir as pessoas.
Tem sido assim nossa era digital das informações e debates. Nossos tempos das tão massivas e rebarbativas redes antissociais( que chamam-nas de sociais); são  de grupos de desocupados e mentes vazias e imbecis.
São as tribos  dos embevecidos e ébrios pelas maravilhas e encantos das chamadas “redes sociais”. Todos deslumbrados com os cantos das sereias da internet. Eu , na dúvida, prefiro continuar como Ulisses, meio marrento e desconfiado com tanto deslumbramentos e encantos fúteis , desse mundo virtual.
Bom e salutar seria se nesse mundo de trevas, culturalmente falando, nessa era dominada por fofocas, Fake News e pós verdades, se revelasse um novo iluminismo, novos cérebros pensantes e trouxessem  mais razão e luzes (lucidez) a tantas trevas e alienação. Um iluminismo mental e pensante.
Janeiro /2018

Internet e educação


CONTRIBUIÇÃO DA INTERNET E REDES SOCIAIS NA FORMAÇÃO ÉTICA E ESCOLAR DA JUVENTUDE

João Joaquim 


Quando se fala em meios de comunicação e seus usuários tem-se lá a classificação dessas pessoas:   X, Y e Z, de acordo com a popularização da internet e se a pessoa nasceu antes, junto ou após a massificação da grande rede de computadores, simbolizada pelo trio de ws, www. Eu, por exemplo, sou geração X porque em minha época de estudante secundário e universitário, máquina de datilografar era luxo, ainda se usava mimeógrafo para reproduzir textos e telefone celular parecia um objeto de ficção científica. Só para relembrar, X seria  pré - internet(1960-1980), Y nascido concomitante(1980-2000), Z seriam aqueles nascidos com o mundo virtual já em pleno funcionamento. São  os adolescentes de hoje. 
Hoje, quando se fala em conectividade, uma das chaves da discussão dessa ubíqua (global) conexão se refere ao que esse recurso tem agregado à cultura, aos conhecimentos, à formação do seus usuários. Comparada com gerações anteriores, essa nova geração tem aproveitado os recursos virtuais e digitais na sua formação ética, social e profissional ? Veremos.  
Na condição de usuário X eu nunca demonizei e praguejei a internet. Ao contrário, a cada etapa bem usufruída eu me senti e muito bem servido com os seus recursos em termos de informação , celeridade ,  troca de dados,  contato com empresas e pessoas. Aliás, esses foram seus objetivos originais, informação e permuta de dados (forças armadas, NASA, EUA).
A mim, ressoa como um privilégio poder fazer como que uma interface entre a tradição( época sem internet)  e a modernidade( virtual). Em outros termos, uma mistura da cultura e escolas sem e com a internet. Uma das vantagens da época sem o mundo virtual e digital é que se escrevia mais e se lia mais. Trata-se de parecer subjetivo desse modesto escriba.  Pode ser até que os recursos digitais e da internet permitem que as pessoas leiam muito ou se informem muito. Todavia, sem a qualidade e proveito que se fazia da leitura com recursos físicos. A saber, livros, revistas, apostilas, jornais, textos escritos  (tudo em papel).
Quando se traz à discussão o papel da internet e mídias sociais para a educação e formação escolar a questão central se refere aos critérios de uso dessas ferramentas. Desde os instrumentos da informática aos conteúdos técnicos e científicos disponíveis nos provedores. Uma dúvida muito sensível e pertinente, para os pais e educadores, se refere à idade com que oferecer à criança os primeiros recursos de informática e mídias para a sua alfabetização. Quanto ao conteúdo oferecidos por provedores não há controle de qualidade. Uma dica é olhar sempre as fontes de informação e os autores dos conteúdos . Se a televisão veicula um festival de besteiras, platitudes e abobrinhas, imagine então a Internet  ! 
No entendimento de muitos educadores e psicopedagogos, com os quais eu concordo, é que primeiro deve dar preferência aos métodos tradicionais na alfabetização da criança. Ou seja, a leitura, a escrita, o desenhar, o rabiscar com o emprego do livro físico, o papel e lápis.
  Existem estudos de neurociências mostrando o quanto esses métodos tradicionais estimulam as sinapses cerebrais, o raciocínio, o pensamento logico, e consequentemente, a inteligência na infância. Seria como um jogo de xadrez com o tabuleiro físico e nada virtual. O que é digital e pronto tende a desestimular a criança a pensar. E até mesmo o adulto na sua chamada zona de conforto. Nada de escrita, nada de aritmética, de matemática, tudo pronto e pensado.
A criança vai assimilar (aprender), incorporar em suas atitudes diárias, culturalmente falando, aquilo que lhe for apresentado e ensinado. Se oferecido um smartphone ou tablet aos 3 anos ou 5 anos de idade, como esse aluno vai trocar esse objeto tão “lúdico” e colorido por um livro, caderno ou lápis? Dá trabalho! Exige habilidade e pensar com os neurônios. Nos objetos de informática e digitais tudo parece pronto e mágico.
Basta considerar que toda criança, em termos de aprendizado e informação, nasce com o cérebro e memória como uma lousa em branco. Teoria da tábula rasa de John Locke. A responsabilidade das primeiras inscrições nessa tábula rasa ou lousa virgem será dos pais e primeiros professores. O que for ensinado e treinado ficará gravado para sempre. Portanto, quanta responsabilidade de pais, monitores, cuidadores e professores ( o homem e suas circunstâncias, Ortega e Gasset, teoria bom selvagem de  Rousseau).  
No concernente à relação da juventude (geração z) com a internet e suas tão massivas redes sociais, pairam ainda muitas discussões e dúvidas sobre a influência de todos esses recursos na cultura, na formação, no aprimoramento do usuário como um indivíduo pensante, inteligente e construtivo.  O objetivo magno e supremo da educação, lato sensu, é  formar   um cidadão criativo, participativo, evolutivo e transformador.
Fica a sensação, assistindo ao emprego excessivo e exclusivo da internet e mídias digitais; fica a sensação de que esses jovens usuários têm se tornado e capacitados   em indivíduos meramente informativos e pouco ou zero formativos. Há uma enorme diferença entre o que o mundo virtual me traz de informação e o que me agrega e me acresce de formação. Informação sugere algo superficial, transitório. Formação vai agregar valor, virtudes, preparo ético e profissional. 
Neste sentido basta que cada usuário (seja, x, y  ou z) faça a si mesmo o seguinte desafio, repto ou pergunta: com tanta informação, mensagens, troca de cumprimentos, notícias (muitas até fake News e pós-verdades) à minha disposição, de forma ininterrupta, o que elas me trazem de positivo, de valor e melhora em minha vida pessoal, familiar e profissional? A dúvida sobre essa contribuição já seria um bom exercício de nossa capacidade crítica como indivíduo pensante e criativo, frente ao festival de besteiras e asnices que a   Internet  e as redes sociais ( ou antissociais para muitos) nos oferecem . E ponto final .  
Em que pese parecer um viés pessimista, quando falo da relação dos jovens com a Internet, ainda se veem bons exemplos de leitores  adolescentes e jovens. Um bom expediente seria a leitura do livro eletrônico. Barato, prático e de  mesmo valor do livro físico. Eu cito meu próprio exemplo. Tenho gostado de ler os e-books. E economiza papel, tem esse valor ecológico.    Janeiro/2018

futebol e politica...

POLÍTICA E FUTEBOL ESTÃO IRMANADOS EM CORRUPÇÃO E IMPUNIDADE
João Joaquim  


Muitas cenas e ocorrências do futebol brasileiro são mostras e provas do que têm sido outros fatos, funcionamento e decisões de outras instituições públicas e órgãos de Estado de nosso país. Assim têm sido os expedientes e expedições dos poderes executivo, legislativo e judiciário nas três esferas de governo (municípios, estados e união); assim têm funcionado os  órgãos e agências reguladoras; assim têm sido todas as instituições que  ditam  o que o cidadão  pode e não pode fazer;  assim são os que editam normas de conduta; os que legislam o que  deve ou não pagar o cidadão,  de impostos, entre outras obrigações e imposições. 
Dentre essas instituições de Estado, os órgãos do judiciário são por dever de ofício e natureza os protagonistas. A justiça, como da maioria sabido, é fiscal e guardiã das leis e da constituição. O referendo e a última palavra quem os dá é o judiciário.
Entretanto, como vivemos um sistema político onde prevalece o estado democrático de direito, se torna de direito o cidadão opinar. A sociedade tem essa sagrada prerrogativa de achar essa e aquela deliberação certa ou errada, conforme referida  decisão, de qualquer poder, lhe trouxer benefício ou malefício. Seja uma medida do executivo, do legislativo ou do judiciário. Por isso, estou aqui a opinar, o que me constitui uma garantia e um bem constitucional, liberdade de expressão e opinião .
Fazendo uma analogia com a colmeia. Ainda que uma partícula de néctar faça bem apenas para uma abelha, esta abelha tem o direito de discordar da rejeição desse néctar por toda a colmeia. É o princípio “nem tudo que é bom para a abelha é bom para a colmeia”. Mas, se a constituição ou organização da “apis mellífera, for democrática, é de direito dela (abelha) sua discórdia de toda a sociedade meliponídea( colmeia das abelhas). 
Retomo então o tema central, o futebol brasileiro como um esboço ou reflexo de muitos fatos, feitos e funcionamento de nossa política, de nossas instituições públicas, de nossos governantes, de nossos chefes de Estado, enfim de todos aqueles que comandam as coisas do país.
Todos aqueles (as) afeiçoados e admiradores (torcedores) do futebol sabem a que condição de degradação ética e moral chegou o comando máximo desse esporte , o mais popular , do Brasil e  do planeta. Basta lembrar que os últimos três presidentes da confederação brasileira de futebol (CBF) estão com gravíssimas questões legais a resolver com a Justiça Americana, com a Justiça da Suíça, com o FBI e com a própria FIFA.
José Maria Marin, encontra-se em prisão domiciliar nos EUA; Ricardo Teixeira encontra-se foragido do FBI e homiziado (escondido) aqui no Brasil. E por último o atual chefe/presidente Marco Polo Del Nero está afastado de qualquer atividade esportiva por 90 dias, por decisão da FIFA. Todos por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Eles são vigiados pela Interpol.
Paralelamente ao estado de degradação do futebol, temos a crise vivida pelo Brasil, em todos, ou quase todos os níveis de governo. Nenhum cenário ou esfera da administração pública parece escapar a tanta ingerência, a tanto desgoverno, a tanto desmando e escândalos de corrupção, suborno, peculato, tráfico de influência e outros desvios de conduta. 
O próprio judiciário, nas pessoas dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tem sido uma ilustrativa amostra grátis dessa disrupção ética e moral que abateu sobre o país. A sociedade não vem acreditando em nossa Justiça, ante muitas decisões , habeas corpus e outras regalias  concedidas a criminosos engravatados, ricos e poderosos.
Existe uma epidemia de miséria ética e moral que teima, que se rebela em alastrar mais e mais em todos os braços e órgãos públicos da nação. Para onde estamos indo?
Os escândalos que nos rodeiam são muitos. As práticas de corrupção e suborno, os atos de lavagem de dinheiro e outras traficâncias dos cartolas do futebol nunca foram punidos pela justiça brasileira. Há como que um conluio entre Política e Futebol. E nessa empreitada entram inclusive os patrocinadores. A Rede Globo de Televisão, por exemplo, única transmissora dos jogos do Brasil, tem sido chamuscada por denúncias de delatares lá nos tribunais dos EEUU, nos julgamentos de muitos cartolas presos, entre eles o brasileiro Marin.
Todos esses crimes financeiros praticados na CBF ocorrem há mais de duas décadas. São inúmeras as denúncias e provas documentais. Tanto ministério público quanto os tribunais superiores de justiça( do Brasil) nada fizeram para punir os culpados e mafiosos do nosso esporte mais popular e visto no Brasil. Reitera-se , denúncias e provas não faltam. CPIs que foram engavetadas e nenhuma punição aos ladrões e mafiosos do futebol brasileiro .
Mas, a justiça Americana fez diferente. Ela tem mostrado à nossa justiça brasileira, o que deve ser feito. O FBI tem ensinado ao Brasil como se faz com os gangsters do futebol. Preso está lá nos USA  o ex CBF José Maria Marin e no encalço está do Sr. Teixeira e Del Nero. Com um obstáculo a se fazer justiça, o  Brasil não tem tratado de extradição de criminoso brasileiro para os Estados Unidos. Por isso, esses dois procurados e foragidos, Sr. Teixeira e Del Nero, continuam livres e seguros aqui no Brasil. Como de resto muitos outros criminosos ricos e poderosos que andam sendo agraciados com o benefício do “habeas corpus” ou cumprindo as penas nos doces refúgios dos suntuosos lares. Ou melhor, nos suntuosas palacetes e castelos. Porque são residências que mais lembram essas construções régias, de reis e imperadores. E esses criminosos, são como que barões e imperadores , em termos de dinheiro e patrimônio. Tudo roubado de estatais brasileiras, como a Petrobras e Eltrobras. Tudo  roubado dos cofres públicos.  
Tudo de acordo com o contexto geral de quem hoje governa o país. Bem irmanados, política e futebol, nunca estiveram tão em baixa, em estado de completo descrédito e subversão moral e ética

Gente Nervosa

PESSOAS EXPLOSIVAS
João Joaquim  

Uma característica necessária e construtiva nas profissões em geral é a chamada interdisciplinariedade. Embora rabilongo eu explico melhor este conceito. Trata-se na verdade dos conhecimentos interespecíficos. Ou seja, é a busca de conhecimentos em outros ramos profissionais, em outros ramos científicos, no sentido de uma otimização na prestação de um serviço, de uma assistência profissional.
Tal expediente pode ocorrer nas mais distintas áreas do conhecimento humano e especialidades. São os casos por exemplo do direito, da engenharia, da física, da química e da medicina. Como este iniciado escriba, deste modesto artigo, é discípulo de esculápio, ele falará do exemplo dessa profissão, cujo mister é a prevenção e a cura das doenças.
Assim ocorre com os chamados operadores das ciências médicas, nos seus mais variados ramos. É provável que sejam os médicos os que mais precisam desse conhecimento interdisciplinar para a mais técnica, ética e humana prestação de serviço. Na compreensão das doenças como se torna importante dominar informações de fisiologia, de biologia, de química, de zoologia. Muita vez até de história e religião.
Na área de laboratório e diagnósticos o quanto se usa de dados da física, de biofísica, de matemática e engenharia elétrica.
Para um clinico de qualquer especialidade o quanto é importante o domínio de semiologia, de psicologia, de cultura popular, e de língua portuguesa, em se vivendo no Brasil.
Particularmente, como cardiologista sempre faço muita interconexão dos sintomas com a psicologia e psiquiatria. E neste sentido falo de uma doença pouco citada na literatura médica, mas que pela prevalência carece de mais realce. Trata-se do transtorno explosivo intermitente (TEI).
O que se tem de certo é que é um distúrbio comportamental da idade do próprio homem. Ele começa a ser citado pela psicologia e psiquiatria já em fins do século XVIII. Por definição é uma reação explosiva de raiva e de ódio diante de uma frustação até banal. Nessa circunstância o indivíduo numa reação colérica reage e responde violentamente com destruição material, xingamentos, podendo chegar a graves agressões físicas e assassinatos. Como  exemplos, uma leve colisão de trânsito, uma queda do sinal de internet, um defeito de aparelho elétrico, o fim de um relacionamento conjugal etc.
Calcula-se que o TEI nos EEUU atinja entre 2,5% a 3% da população. No Brasil não há estatística sobre a doença; mas deve ter quase a mesma prevalência da sociedade americana.
Quanto a causa (etiologia), admite-se que possa haver uma origem  biológica com baixa concentração de mediadores neuro-horrmonais. Ao que sugerem alguns estudos, a serotonina, hormônio do humor e bem-estar, esteja reduzida de forma crônica nesses indivíduos explosivos. Uma outra hipótese bem consistente refere a influência transgeracional. Ou seja, um filho cujo pai tenha tal transtorno, copiará, modelará tal comportamento. Trata-se de um fator educacional. Uma influência por mimetização, por modelagem do educador( pai, cuidador).
O que fica claro é que a doença tem uma causa mista. Uma vez havendo o fator biológico neuro-hormonal, o seu portador passaria essa influência aos filhos com o reforço por educação e modelagem. O filho repetiria as mesmas reações dos pais. Há uma imitação como  se estas fossem a única forma de lidar e superar as frustações do dia a dia, as mais banais para uma pessoa normal e equilibrada.
O que é reconfortante é que há tratamento para essa disfunção comportamental. Consiste basicamente em alguns psicotrópicos temporários; e mais alongadamente uma  psicoterapia cognitiva e comportamental. Nessas sessões terapêuticas, o portador de transtorno explosivo intermitente irá aprender a lidar e conviver com as frustações da vida. Será um aprendizado e diretriz a se repetir pelo resto da vida. Vida que se quer com paz, respeito e serenidade para com os objetos, com as coisas, com os animais e sobretudo com as pessoas à nossa volta, que são as maiores vítimas dos portadores desses transtorno, os  explosivos e nervosos intermitentes ou contínuos. E eles andam soltos por aí sem tratamento e representam um perigo para a sociedade.
Não confundir com as pessoas portadoras de personalidade psicopata ou sociopatas; são os casos por exemplo do assassinos passionais, os feminicidas e outras autores de crimes por motivos fúteis.                                  Janeiro /2018