Captura de Consciência
-Está vendo aquela senhora indo meio esbaforida? - Não é a Florinda de tal? -Isto mesmo, Maria Florinda de tal, não recordo o nome completo. -Sabia que ela faz o estilo de ir com outras pessoas? -Como assim, não entendi? Explique! -Explico. Imagine você na condição de tomar decisões. Tomar decisões, ela toma quando é para cumprimento de suas obrigações, deveres assim e assim, dela pessoal. Mas, quando recebe alguns pedidos, tomadas disso e aqueloutro bem, objeto, ela parece perder a autonomia e independência de personalidade. –Conhece ela de muito tempo! De muitos anos, convívio próximo e de confiança.
-Vamos a ao fenômeno e ouça com calma e atenção. Dentro das variantes dos comportamentos ou personalidades humanas, existe a síndrome da captura de consciência, a que muitas pessoas são acometidas. A neurociência ou Psicologia Social, também a chama de perda da autonomia. E essa pessoa se torna manipulada e explorada por outras pessoas, ideologias, doutrinas, sistemas!
A captura de consciência é comum em regimes políticos autocráticos, em doutrinas, religiões, seitas prometedoras de milagres, associações de mudança de status quo, de condições sociais e de vida. O processo dessa captura de consciência ou autonomia se faz através de um discurso, uma promessa, uma prédica, um ensinamento e convencimento. O efeito depende da elaboração e sugestionabilidade que essa comunicação produz.
Os cenários ou organismos muito useiros e vezeiros de se ver a agora já estudada síndrome da captura de consciência são as religiões de toda ordem, os partidos políticos, os regimes autoritários. Para sua eficácia e resultados esses sistemas dispõem dos chamados comunicadores, os candidatos das mudanças de um estado vigente, uma condição social, profissional, um ganho qualquer na vida das pessoas adestradas e doutrinadas.
Existe aqui, ali e alhures a igreja, seja da linha católica, evangélica, evangélica neopentecostal etc.; Ou um candidato político a mudar o regime político vigente. São então os apóstolos, os pastores, os pregoeiros e messias das mudanças. E os adeptos, vão se engajando, e em tudo acreditando, piamente, credulamente, carneirinhos, ovelhinhas juntadas.
A mesma síndrome e os mesmos mecanismos da captura de consciência de outra pessoa se fazem, nos meios sociais e familiares, e nestas massivamente. Porque existe aqui o vínculo de penates, o liame e bridge genético. O objeto interposto pelo capturador de consciência é mais facilmente atingido pela boa-fé da pessoa que tem sua consciência e independência pessoal capturada. A índole dessa pessoa capturada, vem sendo objeto de estudos da neurociência. É bem observável, tipicamente se dá entre aquele parental, de boa comunicação, de facie ao natural, de jeito impostor e patusco, com os chamados verbetes melífluos e promissórios. São iscas e ardis psíquicos bem elaborados. E a pessoa ingênua e de boa-fé se entrega os seus desígnios.
-Então, agora entendeu, como se dá, o processo do qual, até nossa amiga Maria Florinda é vítima.? –Entendi, e não tinha observado o fenômeno. -No popular, chama também o fenômeno de Maria-vai-com-as-outras. Ou com outros, bem explicado, porque pode ser induzido por homem ou mulher! Não importa.