HÓSPEDES DE LUXO
-Imagine aqueles filhos e filhas, que já na madureza da vida e fase adulta, vivem com você, mas que no íntimo e convivência trazem uma pobreza de sentimentos empáticos. Tipo aquela reação assim:
-“Seu pai ou seu avô está internado, ele passou mal com dor-de-barriga”.
“Ah, eh! Que dia foi?
- Uê, já tem 2 dias!
Hum! Entendi... E ele volta que dia?
-Talvez amanhã mesmo.
- Hum que bom”!
Ou esta alocução mais ilustrativa, da ausência de generosidade, de sentimentos de humanidade, mesmo intrínsecos ao núcleo familiar: -
-“Seu avô morreu esta noite.
-Uê, ele não tava bom esses dias?
- Estava, mas adoeceu, idoso! Aí vem a doença, fraquejou”.
-Mas, agora?
-Então, agora vem o velório e enterro amanhã...Amanhã eu vou lá”.
São diálogos que com suas variantes, demonstram os sentimentos de tantos e quantos jovens e moças dos chamados tempos da pós-modernidade. Quando se busca as teorias e propostas de uma vida boa e saudável, podemos nos estribar por exemplo em Plotino, em Sêneca e Marco Aurélio. Deste, temos o livreto As Meditações. Platão lançou por exemplo a tese do Inatismo, para ele os humanos trazemos intrinsecamente, conhecimentos ancestrais. Já Aristóteles afirmava que Ética e Moral são valores que devem ser ensinados e treinados desde o nascimento. Toda criança nasce amoral e aética. E nessa esteira vem a teoria dos empiristas como David Hume e John Locke: todos nascemos como uma tábula rasa, uma lousa em branco, com a vida em andamento esta lousa vai sendo escrita.
Quando se analisa a conduta, o comportamento e atitudes sociais e familiares dos moços e moças, de pessoas tituladas nativas digitais, temos o seguinte: conforme a qualidade do relacionamento social geral, mas principalmente com os familiares coabitantes, esses jovens e moças se mostram frios, indiferentes e alheios ao que aqueles convivas possam estar sofrendo, vivendo e carecendo. Essa carência pode ser material ou uma cooperação laboral, de diálogo, de apoio a alguma opinião. Pobreza de sentimentos de boas relações humanas, em resumo.
Aos exemplos encontradiços e cediços, muito useiros e vezeiros para ilustração. Imagine aquela filha ou parental que mora com você. Esta pessoa vive em sua casa tratada como uma hóspede de luxo. Come do bom e do melhor, os melhores acepipes e refrescantes bebidas naturais, as iguarias mais escolhidas e capitosas. Baixela na mesa de brilhantes louças e pratas. Precisa-se de melhor tratamento?
Como se faz e comporta esse filho ou filha ou parental? Vive como hóspede de luxo. Todo desleixo e indiferença ao que sugerem as atitudes, a falta de colaboração na manutenção de higiene, limpeza e organização da casa. Essas tendências e atitudes se mostram, assim o afirma a Sociologia ou Psicologia Social, como uma herança familiar para essa parental por afinidade. Filhos e filhas, de mesma iguala nos quesitos organização, limpeza, higiene de quartos de dormir e sanitários. Imagine essa hóspede luxo! Louças a serem lavadas depois de repimpada do saboroso almoço? Não é comigo. Tô nem aí. Celular e redes sócias à espera. Vou me descansar. A dona da casa que se esfalfa, queime mãos e dedos. Para quê
E anfitriã? Sempre ali, lhana, cordata, ovelhinha e cheia de mansuetude e conformismo. Que geração de gente, de moços e moças. Digitais e niilistas. Nada querem de dureza, de fadiga, de sudação e cooperação. Geração perdida nos quesitos de empatia, ética, solidariedade e generosidade.
João Dhoria Vijle Lisboa