segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

MALAS

OS  CATEDRÁTICOS DA MALANDRAGEM E DO CRIME
João Joaquim  


Para a grande maioria das pessoas a honestidade é um comportamento assimilado e aprendido com os pais, com a família, nas escolas e do  meio social. Porque como já preconizava Aristóteles, a ética e a virtude são atitudes que devem ser ensinadas e exercitadas. Agora, há certos indivíduos que , ao que sugerem seus expedientes e atos de vida,  fica a sensação de que sua desonestidade está entranhada em seu DNA, em sua personalidade. Tal constatação se faz naqueles indivíduos que têm plena consciência das ilegalidades e ilicitudes praticadas mas, continuam nas mesmas práticas  contrárias à  ética e às leis.
E é com esses fundamentos e justificações que os juízes expedem mandatos de prisão provisória ou preventiva e encarceram muitos acusados e réus no curso de inquéritos e processos penais. Isto se faz necessário porque o réu solto criará embaraços na apuração de seus delitos, como também continua na prática criminosa. É ao que o Brasil e o mundo estão assistindo com a prisão, antes da condenação, de muitos políticos e empresários nas diligências e operações da lava-jato. São criminosos tão recalcitrantes e refratários que podem prendê-los e condená-los mil vezes, e mil vezes serão flagrados em novos delitos.
 Então deduz-se  desses agentes da desonestidade e do mal que eles padecem de uma deformação genética de caráter. Que no caso aqui suposto, têm indicativos e indícios de hereditariedade. De encontro a essa  afirmação  temos a teoria do bom selvagem, do sociólogo Rousseau: “todo homem nasce bom, a sociedade é que o corrompe”. Entra nesse contesto – pessoas incuráveis nas condutas criminosas -  a interação (fica a impressão) de uma deformação da índole mais o reforço dos laços familiares e meio social.
 Uma criança jamais nasce com as informações sensoriais (sentidos) do que é honesto e desonesto, salvo os casos psicopatológicos, as personalidades antissociais e psicopáticas, são exceções em que o sujeito não consegue distinguir o ético do antiético, o honesto do desonesto.
Nascidas normais como é a estatística da imensa maioria das pessoas elas devem ser treinadas, instruídas e educadas ao exercício e repetição do bem, da virtude e da honestidade. Se assim fosse feito no processo educacional das crianças,  dificilmente encontraríamos indivíduos tão afeitos e recorrentes a uma vida de crimes e ilícitos. Se buscarmos as biografias de muitos corruptos e corruptores de nosso Brasil, veremos que alguns deles tiveram uma família de maus exemplos, de pessoas mau caráter .
A propósito do jeito e maneiras nada lícitas e antiéticas de se viver eu conto  uma historieta  de uma família de minha convivência. O anonimato tem razões óbvias. Frequentávamos a mesma igreja e alguns encontros sociais, festejos, aniversários. Às vezes, no mesmo dia, saídos da igreja, encontrávamos nessas reuniões sociais. Era então , nessas descontrações e animações que esses membros familiares revelavam o seu outro lado de vida( o lado profano), quando então em tom de vantagem eles falavam das trapaças e trambiques em seus negócios e de como  faziam suas vítimas. Muitos fatos e realizações eram narrados em caráter de deboche e desdém de quem tinha sido enganado e malsucedido. Agora, analise bem que duplo caráter tem esse tipo de gente. Em um só dia o sujeito comete as mais baixas vilanias e delas se vangloria, tendo participado de um ritual religioso, ouvido os sermões , as pregações da “ boa moral”, do bem, da convivência ética entre as pessoas e até participado de uma hóstia sagrada.

Assim são as centenas de outros corruptos e corruptíveis de nosso Brasil. Sejam pessoas na vida pública ou privada. Daí a suposição de que alguns casos, como os aqui narrados,  têm esse “modus delinquendis”  no DNA e na alma. Sem cura. Como imaginar a recuperação de um tipo de gente dessas que leva uma vida de hipocrisia, de falsidades e sem noção do que se deseja, quer, pode e deve ser feito.   Dezembro/2016. 

NATAL SEM CARNE

QUE TAL UM NATAL MENOS CARNAL ?

João Joaquim  


Esse dezembro de 2016 bem que poderia ser uma ocasião para, entre tantas reflexões, uma de grande significado e valor espiritual na vida das pessoas. Significado e valores não materiais, embora advindos justamente de dinheiro, luxo, pompa, exibição de riqueza e poder. Basta colocar em relevo que estamos passando pela pior crise econômica e financeira de nossa história. Igual ou pior do que essa talvez só o pós guerra do Paraguai(1865-1870), aquele conflito  em que houve um autêntico genocídio com o povo daquela nação guarani, onde 70% da população masculina foi dizimada pela tríplice aliança:  Argentina, Brasil e Uruguai. E não sem motivo vindo do lado de lá( do tirano Solano Lopez)  mas, que foi um extermínio foi! Matéria para dezenas de outras crônicas, ensaios e novas histórias.
 Mas então, luxo, pompa e riqueza na pior recessão vivida pelos brasileiros. O escabroso e plangente é todos saberem que a angústia e depressão por que passam  nossa economia e crescimento advêm de outra crise imaterial e muito mais grave que é a crise ética. A que também poderíamos nominá-la de moral, dos costumes, das leis, de governança, de  política ; entre outros nomes pejorativos e indignos. Por isso, concito a todos, indignai-vos ante tanta infâmia , tanta depravação e devassidão que nos tornam todos vítimas e pagadores de contas que não contraímos . A recessão e aniquilamento da economia atingem os setores mais nobres e vitais da vida brasileira: saúde, educação e trabalho. Todos, indistintamente somos vítimas desses detratores da nação.
Na história recente e atual já está lá registrado o nascedouro da crise ética e dos costumes que hoje se tornou mista: ética e econômica. Primeiro, conforme assentado pela Justiça,  inaugurou-se o projeto criminoso do mensalão(2005), engendrado pelo partido dos trabalhadores (PT), sob os auspícios e referendo  do governo do ex presidente Lula da Silva, prosseguiu no governo da ex Dilma Rousseff( defenestrada do cargo pelo impeachment , agosto/2016), e tudo parece continuar nas vigas mestras do congresso nacional e governo do atual presidente, Michel Temer. E a continuidade do mensalão (iniciado em 2005) na atual gestão do sr. Temer, não sugere ser apenas respingos. Pelo teor das delações dos executivos da Odebrecht( falam em 800 depoimentos de mais de 77 delatores), as torneiras e dutos da corrupção continuaram até 2014, ou talvez até hoje, dezembro 2016,  a jorrar dinheiro sujo aos churros e borbotões. Não se trata de milhares, mas de milhões de reais e euros aos partidos e governantes dos Estados e da União. São vários partidos, PMDB, PSDB, PT e coligações. Os pilares e colunas da república estão ameaçados de implosão. Rupturas verticais e concêntricas! Estes são os grandes riscos do Brasil. Quem há de nos salvar?  Perguntam todos e com razão . Eu vejo com assombro e terrificado tudo que está acontecendo neste país.  
Dezembro de cada fim de ano bem que poderia ser uma repetida ocasião das festas da alma e do coração. Mas que os espíritos de fraternidade e humildade durassem ao menos até meados de cada ano. Mas, não são tais tendências que observamos ano após ano. Findas as festas de Natal e Ano Novo, todos começam a se preparar em espíritos, cores e fantasias para o carnaval. A origem já diz tudo, os festejos da carne, da devassidão, das transformações, do faz-de-conta, do bota-para-fora as fantasias e desejos. Enfim as folias do álcool, da maconha, das orgias de toda ordem, da esbórnia e da luxúria.
Quem sabe nesse Natal e Ano Novo de 2016/2017,  das crises ética e moral , da pior crise econômica em que vivemos, nós não possamos encarnar e ser atacados pelo espírito da generosidade e amor ao próximo?  Quem sabe doar um pouco que seja de nosso tempo, de nossa amizade, de algum alimento, frugal que seja, tipo arroz e feijão, um agasalho, um medicamento, um amparo a um idoso ou criança carente?
Com gestos tão simples, de pouco luxo o baixo custo, sem pompa e sem muita  exibição, é possível, sim, tornar nossas crises menos nefastas para muitos irmãos, crianças e carentes;  esses brasileiros  que não deram causa e sofrem com os desvarios e insensatezes de muitos intitulados “homens públicos”, mas no íntimo e de espírito malfeitores da humanidade. A assepsia deve continuar em todos os redutos corruptos e corruptíveis. Resta-nos essa esperança.   Dezembro/2016

PARASITOS...

PARASITOLOGIA DOS SEVANDIJAS E COMENSAIS
João Joaquim  


 De quando em vez ouço, leio e assisto aos noticiosos do ministério público e da polícia federal. Admira-me muito a criatividade com que são nominadas as operações. E todos os epítetos têm um fundamento com os personagens investigados e presos. Como exemplo operação Satyagraha. Se baseia no termo hindi, a busca da verdade real, não aquela dada pelos indiciados e respectivos advogados. Operação sanguessuga, aquela das compras superfaturadas das ambulâncias; agora imagine-se bem, o meliante corrupto roubar dinheiro do SUS. Esse merecia uma cadeia cheia de morcegos vampiros. A operação em voga desses dias é a Calicute, porque homenageia o nosso glorioso Pedro Alves Cabral; nessa operação prenderam o ex governador do RJ, Sérgio Cabral e sua mulher Adriana Ancelmo. É bom registrar que o Cabral Pedro, de nossa história do Brasil não teve nenhum documento ou relato que o desabonasse em sua honra. Calicute foi o lugar onde nosso navegante  apartou suas naus, na India .
Mas, a operação fresquinha na redação desse artigo é a operação Timóteo (9)  "Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição". Nesta fresquíssima diligência têm até pastores evangélicos envolvidos, segundo inquérito da polícia federal. Que horrores!
 Dentre tantas operações da força-tarefa da lava-jato, uma me despertou curiosidade e interesse. Eu falo da sevandija. É uma pena que o nosso grande Samuel pessoa(1898-1976) já é falecido. Ele foi um grande biólogo, cientista e escritor médico. Acredito, o maior parasitologista do Brasil e talvez do mundo, ombreando em importância com um Vital Brasil, Carlos Chagas e Osvaldo Cruz. Uma pena também que o seu livro, referência no estudo das doenças parasitárias deixou de ser editado. Eu guardo a última edição dele como uma relíquia em termos de alfarrábio e ex líbris. Parasitologia Médica, Pessoa.
Não sou muito dado a estatísticas, mas a última que li sobre parasitas no Brasil (OMS, SUS) refere existir cerca de 40 milhões de brasileiros infestados ou infectados com algum parasita; números alarmantes, superados apenas por países africanos. Mas, também  pudera! O que tem de gente com hábitos porcinos e sujismundos em plenas cidades, não está em nenhum registro ou Estatística .
Quando se fala em parasitas, que muitos autores preferem a forma masculina parasito, se torna de bom alvitre sistematizá-los em duas classes de animais, pelo menos fica essa dedução das entrelinhas da operação sevandija de nossa gloriosa polícia federal,  a saber: aqueles bichinhos asquerosos e repugnantes que são  invertebrados e irracionais e aqueles bípedes humanos que levam uma vidinha também não muito diferente de seus homônimos inferiores.
Aliás, faltou definir o que seja um parasito. Trata-se daquele sujeito ínfimo e inferior que passa grande parte ou toda vida às expensas, nutricionalmente  falando, de outro organismo mais diferenciado. Este outro sujeito chamam-no de hospedeiro ou hospitaleiro que pode ser intermediário (temporário) ou perpétuo (definitivo). Ou seja, nessa toada ou definição passam ambos os dois tipos de parasitos. Mas também que sina, não! O sujeito bancar a   vida às custas de outro sujeito. Parece um carma tal condição.
Quando jovem e acadêmico de medicina, lembra-me uma passagem como iniciação científica na cadeira de parasitologia. Estudei uma família de stronguiloides. Eu me sentia siderado com o comportamento dos bichos. A anatomia das larvas era corada e estudada  com sais de prata, nitrosilveratol®. Relembrando esses animalículos, eu nominava os machos de verisilos e as fêmeas de harinas. A reprodução se dá de forma sexuada ou assexuada. Parece estranho, mas há animais e plantas que têm a reprodução sem fecundação tradicional com intercurso dos gametas x e y (óvulo + espermatozoide). É o caso por exemplo das abelhas que se reproduzem por um processo chamado partenogênese. Vai lá entender as razões da Biologia, até entre os animais inferiores, pode existir a tal opção sexual, e até opção nenhuma , sexo zero.

Enfim a operação sevandija traz-nos à memória essa classe de indivíduos, os humanos parasitos e comensais. Os comensais!  que se lhes faltam vontade e ânimo para o labor e produção, não lhes deixam a  preguiça, a ociosidade e os expedientes trapaceiras e ardilosos para sugar o sustento e outros meios de subsistência. O Brasil, as cidades, a previdência social e as famílias andam infestadas de sevandijas. São tais e tantos que todas as polícias não dão contas de combater. Nem a operação sevandija do ministério público e polícia federal. Ora-pro-nóbis . Proteja-nos senhor, dos sevandijas e estrongiloides .  Dezembro/2016.  

FIDELIS E INFIÉIS


OS FIÉIS E INFIÉIS DE UM DITADOR
João Joaquim  

Sem querer fazer estilo ou imagem deixei por último para falar do El Comandante. Morreu Fidel Castro. Para alegria de muitos, para reavivar a saudade de tantos comunistas, e acreditem, para choro e ranger de dentes de milhares. Não sei se de todos visto, mas houve um vídeo que mostrou a figura de uma esquálida cubana que aos prantos rangia também os poucos dentes que lhe restavam. Quanta fidelidade (sem trocadilho) e higiene cerebral!
Causa-me um certo impacto imaginar como que um personagem com os desqualificativos desse tirânico e controverso Fidel Castro pode ter provocado admiração e sectarismo em tantos países e em tantas pessoas. O homem morreu, mas o regime que ele implantou está lá sob a batuta do irmão Raul Castro. É o PC Cubano. São ideologias hereditárias e de família, a exemplo do que é uma Coreia do Norte.
Sua biografia nos fala que ele, Fidel,  era filho de um rico fazendeiro, formou-se em direito e desde jovem tinha engajamento político. Com certeza uma disciplina que lhe faltou no curso lá em Cuba, foi a de Direitos Humanos. Se bem que há certos operadores desse capítulo que defendem muito os direitos humanos, de quem nada tem de humanidade. Falo dos criminosos de maior periculosidade. 
Em 1953 após tentativa de tomar o poder, Fidel  foi preso, condenado e enviado para o exílio no México. Lá ele conheceu Che Guevara, homem  de formação médica; na verdade um guerrilheiro e fugitivo da Argentina, seu país natal.
Críticos mais severos chamavam Guevara de porco assassino. Tamanha a frieza e crueldade com que ele tratava aqueles dissidentes de suas ideias, as mesmas que defendeu Fidel, a vida inteira, eram água do mesmo vaso sanitário . Fidel em camarilha com Che planejou a volta a Cuba para tomar o poder. E assim foi feito. A prática do plano inicia-se em Sierra Maestra. Seu bando ou batalhão dirige-se para Havana e destitui o ditador Fulgêncio Batista. Segundo a história, Havana era na verdade uma pornocracia, tamanha a devassidão, o turismo sexual e outras orgias dionisíacas e eróticas que tomaram conta da ilha.
Curioso e repulsivo é que o nosso revolucionário Fidel tomou de assalto a ilha Cubana pregando ideias e planos democráticos. Essa era uma bandeira do marketing da revolução. Quão ardilosa e falsa foi sua retórica. 
Mas também na história isso não é nenhuma novidade. Um caudilho e chauvinista derrubar  uma ditadura, para implantar outra, igual ou pior. Para tanto basta o golpista ter firmeza, obter o apoio das massas populares e cooptar todas as forças armadas, se houver, e silenciar os órgãos do judiciário. Foi o que houve em Cuba. Não há naquela nação forças armadas, só polícia ou milícias para defender o regime e as ideologias da ditadura.
A questão da revolução Cubana, da queda de uma ditadura e instauração de outra sob o comando do grupo de Fidel Castro é muita curiosa e sem precedentes na história. Outro ponto curioso é como o comandante conseguiu “pari passu” conquistar seguidores, fãs e muitos inimigos. Fala-se que ele foi alvo de muitas conspirações de ser assassinado e escapou de todas, mais de 600.  O seu governos foi marcado por uma absoluta e ferrenha repressão; sem liberdade de opinião e expressa e sem imprensa. Há ali apenas um jornal, o Gramma e uma emissora  de TV estatal. Órgãos de comunicação do governo apenas,  esses que só divulgam matérias e cartilhas do regime.
Cuba sempre teve, sob a égide da família Castro, um único partido, o PC comunista. Nenhum adversário tem voz ou vez. Há vários presos políticos. São milhares de refugiados pelo mundo; muitos morreram naufragados em embarcações clandestinas, em fuga para os EEUU.  Os órgãos de direitos humanos pelo mundo acusam o próprio Fidel de cerca de 20 mil execuções desde adversários aos que se rebelavam contra o seu governo. 
A crítica internacional fala dos índices da educação, que houve muitos avanços sociais nesse sentido e até na saúde. O que pode de fato ser um mérito do regime. Em que pese também o fato de as crianças serem desde cedo escoladas com as cartilhas e ideologias do regime comunista. O esdrúxulo e melancólico de se ver é que com o embargo econômico imposto pelos EEUU, o país se encontra sucateado. O cenário urbano e frota de veículos parecem de 50 anos atrás. A arquitetura urbana mais parece um museu a céu aberto. O que não deixa de ser um atrativo e glamour.
A medicina de Cuba se nivela às nossas escolas de enfermagem de qualidade mediana. Segundo consta, os médicos cubanos  de nosso programa “mais médicos”, do governo petista, seriam reprovados em um exame de enfermagem de nível bom , nos estados unidos por exemplo eles não exerceriam sequer uma atividade de enfermeiro, tamanha a insuficiente formação que recebem na escola de Medicina de Cuba.

Agora vai lá entender e explicar o porquê de tanto incenso e saudade de um tirano da crueldade de Fidel Castro e sua trupe revolucionária. Daria para alguém me explicar? O difícil vai ser me convencer!                        Dezembro/2016.  

A MORTE DE UM TIME

O QUE NOS ENSINA A MORTE DE UMA EQUIPE DE FUTEBOL ?
João Joaquim  


Movido e impelido pelo sinistro da equipe de futebol da chapecoense, nas cercanias do aeroporto de Medellín, com o avião de Lamia eu pus-me a algumas reflexões. O avião, por falta de combustível, caiu nas montanhas; foram 71 mortos, 6 sobreviventes. Dos mortos, 19 eram jogadores da chape.
Qual o  valor de qualquer esporte ? A expressão mais elementar que os homens deveriam ter do esporte, o futebol como modelo, é ser essa atividade voltada no sentido de educar o indivíduo, tornando-o um cidadão melhor do corpo e da alma e não um indivíduo melhor em ganhos salariais vultosos e contratos milionários. O que se vê cobiçado entre os atletas e cartolas é isso. Lucros, lucros e acúmulo de dinheiro. Para tanto entra em campo e nos bastidores o princípio do vale tudo ,como se os gramados fossem um octógono do dantesco e sangrento UFC, nossas lutas do coliseu moderno. 
Ao que temos assistido do futebol é isto. Todas as partidos parecem rinhas de galo ou touradas. Tanto entre os competidores como nas torcidas. Tudo lembra praças de uma guerra fraticida. Nesse macabro cenário entra um terceiro componente: o papel das redes de televisão que lucram também milhões (único interesse) nesse esporte que se tornou tão popular. A rede globo, por exemplo se tornou a única transmissora de jogos das séries A e B e da seleção brasileira.
As cenas de hostilização, de rejeição, de discriminação, de guerra mesmo, começam entre os profissionais dessa emissora para os quais valem todas as atitudes e agressões físicas e morais a atletas de uma seleção da Argentina pelos simples e único fato de eles jogarem tão bem ou melhor do que os craques brasileiros.
O que resulta do exposto em uma palavra é muita negatividade de um time contra o outro, notadamente se  são duas equipes de duas nacionalidades. Excessos de energias e ânimos negativos trazem a ideia diabólica do caos, de destruição, de morte. Exatamente contrário ao espírito originário da ginástica, da educação física( palavras de Platão) e modernamente do esporte, como o futebol. O que deveria prevalecer numa competição qualquer? Ora  pois, basta entender que se uma equipe A (de Argentina) compete com a B (de Brasil) não significa uma disputa fraticida, de aniquilamento ou menos valia do perdedor. Se ganhou o B ou A é porque naquele momento o vencedor se preparou melhor e fez jus à vitória, como aliás, vale para toda atividade na vida. Simples assim!
Movidos pela ganância de audiência e por lucros e mais lucros entram em cena os cartolas, os patrocinadores. A vitória e títulos são tudo que lhes interessa. Daí surgem todos os expedientes ilícitos, imorais, criminosas , de suborno de árbitros em busca do fim, lucros e imagem de melhores do mundo  e superioridade. Pensemos juntos : uma atividade onde tem ex-presidentes presos e investigados;  o atual ,fugitivo do FBI; cartolas brasileiros investigados acusados de roubos e outras traficâncias!  Que tipo de energia essa atividade acumula e atrai para si? Será que esse meio putrefato, corrupto e corruptível atrai bons espíritos e a presença de Deus ?  É difícil imaginar tal hipótese.
Uma outra reflexão que trago à baila refere-se à questão das reações das pessoas frente à morte. Não parece, mas tem relação com o esporte. Todos vivemos uma vida de imortalidade. Viver como se imortais fôssemos faz parte de nossa vocação para a felicidade. Trata-se de um instinto de sobrevivência. 
Essa sensação de vida eterna é até  saudável e proveitosa. Nós só tomamos conhecimento da finitude da vida frente à ameaça da ruptura desse limite, dessa passagem e interface. A doença, ou um acidente representa essa ameaça. O fio pode se romper, a armadura pode-se quebrar. Daí emergem a consciência, a fobia e a lembrança de  que estamos em risco. As mortes nos esportes não são incomuns. Alguns trazem mais risco. Formula 1, motociclismo, pugilismo. 
Por que a morte súbita ou acidental de um atleta causa mais impacto e comoção? Primeiro porque ele  se torna um personagem admirável com muitos fãs. Segundo, porque ele encarna uma figura meio mítica e invulnerável. A morte de uma criança, de um jovem, de um atleta é sempre mais dolorida e capaz de muita tristeza e inconformismo? Por que esse atleta ? Justamente ele que mostrava ter mais vida e resistência a esse evento tão difícil de suportar.
Por último falo de amor e paixão. E tais sentimentos têm liames com o esporte. Esporte  e saúde, esporte e vida, esporte e morte, esporte e paixão. O que têm a ver essas condições, atividades e estados sentimentais?
Se buscarmos em todas as fontes de sabedoria estão lá os desígnios e origens por exemplo do amor. Seja Eros, o deus grego do amor;  ou o cupido romano. Eles tinham a função de uma força cósmica de fecundação e multiplicação. Assim também é tratado a amor em muitos ramos da filosofia e mesmo entre as religiões. A construção e mantença da vida se faz com amor. Assim também o é com outros laços que se estabelecem. Daí o amor à própria vida, a natureza, ao que eu construo e faço como pessoa. Eu devo estabelecer amizade, simpatia e amor com múltiplas coisas, seres e atividades. Todavia com alguns condicionantes: que esse(s) sentimento(s) sejam moderados, regidos por razão e consciência. Com a firma e lúcida noção de que o objeto de meus sentimentos não tem garantida de eternidade. Namoro e casamento acabam , meu time nem sempre ganha, nós somos mortais, meu bichinho morre, minha referência pode morrer.
Assim temos enfim a paixão. O que seria esse sentimento? Na origem temos o grego passio ou o grego pathe, cujos significados eram sofrimento, suplício, doença. Do radical surgiram por exemplo patologia, estudo  das doenças. Daí psicopatia e encefalopatia. Não impropriamente a semântica trouxe um sentido patológico a qualquer “ amor desmedido e irracional “, paixão. Amor cego, desvairado e neurótico a alguém, a um objeto ou time de futebol.

Daí vem os riscos de um namoro, um casamento, uma atração, ou admiração por uma equipe de esporte. Na separação ou derrota e outras perdas o sofrimento psíquico e moral são enormes. Necessário se faz um processo educacional com as crianças e adolescentes. Em todos os vínculos afetivos ou de amizade ou de admiração a outra pessoa, a uma equipe de esporte, a um animal. Que seja amizade ou amor. Que seja um vínculo de admiração como numa “torcida” pelo time A ou B. Mas,  com essa firme noção, o que excede a esses sentimentos pode se transformar numa condição semântica patológica vulgarmente chamada paixão. Quer estado mais sofrido, mas mórbido, mais angustiante , mais excruciante do que foi a Paixão de Jesus Cristo?     Dez/2016. 

UFC CORRUPTOS X...

O UFC DO   JUDICIÁRIO CONTRA OS CORRUPTOS DO PARLAMENTO
João Joaquim  

 Eu penso como muitas pessoas ,  nunca dos nuncas, neste país, houve tanto acirramento de ânimos entre autoridades. A melhor afirmação aqui  seria entre os poderes (executivo, legislativo e judiciário). E autoridades, bem entendido, são aquelas do judiciário, porque na verdade eu tenho os titulares e membros do congresso como representantes do povo.
Congressistas  exercem funções mais administrativas, em tomar decisões, executar obras e feitos no sentido do bem público, do bem comum. Assim, entendo que o poder de autoridade, aquele de guardião das leis, da constituição e de punição a qualquer delito, esse, sim, é do judiciário, com  todas as instâncias, dos juizados especiais federais (1ª  instância) até ao supremo tribunal federal (STF), nossa última etapa  de Justiça.
Quando se fala em acirramento de ânimos não se trata de força de expressão.  Porque  é ao que a sociedade vem assistindo há cerca de dois anos com a instauração da maior operação de investigação de políticos, diretores de estatais, e empreiteiros que prestam serviços de infraestrutura para o governo. Referida operação, como já do domínio público e popular é a tão temida lava-jato. A denominação Lava-Jato( lava sujeiras e lama) tem fundamento. O nome se deve ao fato de as primeiras investigações ter tido  início num lava-jato de Brasília. Lá era um dos ambientes e “escurinhos” onde se davam as tramoias e tratativas delituosas de nossos executivos, políticos e empreiteiros. Coisas terríveis de se ouvir e relatar, conforme desgravações por peritos de nossa operosa polícia federal (PF).
O país parece estar de ponta-cabeça com tanta confusão e conflagração dos poderes. Em 4 meses tivemos impedimento da presidente Dilma Rousseff, a cassação e prisão do presidente da Câmara , Eduardo Cunha; a prisão de senadores, de deputados;  o afastamento do presidente do Senado Renan Calheiros, a briga de ministros do governo Temer, o bloqueio de bens do  ministro da ativa, caso do Eliseu Padilha. Ou seja, nunca dos nuncas, tivemos tantas escaramuças entre nossos governantes. No momento, eles se ocupam de uma única coisa: a defesa de seus mandatos e patrimônio material, porque o moral eles nem fazem questão , já se  acha perdido há anos.
 É bom ser dito sempre, o Ministério Pública e Polícia Federal, ainda são instituições acreditáveis pela sociedade. A classe médica também tem tido a credibilidade do povo. Apesar de existirem também as chamadas máfias de branco. Também pudera, médicos são homens e corrompíveis . Não deveriam ser , mas há muitos operadores da Medicina, que operam do lado criminoso.
O interessante e muito esperançoso é que a justiça brasileira, a exemplo do que é feito nos EEUU e na Itália, criou o instituto da delação premiada. No mundo ou submundo do crime seria o popular alcaguete ou dedo-duro. Por definição, delação premiada é aquela redução que o condenado tem em sua pena por revelar os crimes e participações de outros comparsas. E é através desse instrumento que a operação lava-jato tem colocado diversos figurões-empresários, diretores de estatais (Petrobras) e ex políticos na cadeia, além de bilhões de dólares já devolvidos e repatriados de paraísos fiscais (Suíça como exemplo).
A maior empresa privada  hoje envolvida no pagamento de propinas a políticos é a Odebrecht. São cerca de 200 denunciados, em negociação de delação premiada. Alguns donos e executivos já foram condenados e outros em vias de sê-lo, daí a redução de penas dos ainda indiciados e réus pela cooperação com a justiça. Há muita esperança de justiça, ainda que tardia , mas  justiça, para esses malfeitores da humanidade. 
Tratando-se então da questão central na chamada desta matéria, do confronto entre membros do executivo e legislativo versus ministério público e judiciário. Até onde se sabe trata-se de um embate inaudito, sem precedentes na história do Brasil e do mundo. Não apenas pelas cifras bilionárias desviadas e surrupiadas dos cofres públicos e das estatais, mas de igual impacto do número de agentes públicos, de todos os níveis, flagrados em desvios de dinheiro público  e corrupção.
O curioso e instigante em todos os embates dos homens públicos versus ministério público, isto é, justiça contra indiciados e réus é que estes perderam o que o ser humano tem de mais nobre, que são a vergonha e a  honra. Todos os malfeitores e criminosos falam como se o roubo, a trapaça, as falsidades ideológicas, o peculato já tivessem sido inseridos em suas normas de conduta ou nos regimentos internos do órgãos e casas que representam. No caso órgãos públicos e congresso.
Os fatos transcorrem assim : a polícia federal apresenta uma gravação do parlamentar em franca tratativa delituosa. Inquirido sobre aquele diálogo, ele com a caradura e de forma cínica tem a acrimônia, a desfaçatez de dar outra versão e justificar que aquelas palavras e termos foram ditos com outro significado. Eles têm outro dicionário, o corruptês, um glossário com novos significados da Língua Portuguesa.
Outros achaques ou defeitos morais de nossos membros do executivo e legislativo são as tentativas de legalizar o que é ilegal e imoral. Assim temos os que defendem o caixa 2 como normal;  e a corrente daqueles que tentam aprovar uma emenda constitucional de paralisar os chamados “crimes por abuso de autoridade”. Enfim e para resumir, com esta última emenda o que nossos indiciados e réus da lava-jato querem é mais imunidade e um aniquilamento das investigações contra si próprios.

 E assim, com esse reco-reco quem vem se sucedendo desde a inauguração da Lava-Jato,  a sociedade e a imprensa não hão de calar. Com que finalidade ?  Para o mal e a ruina dos  criminosos de colarinho-branco, aqueles bem vestidos e bem endinheirados que confeccionam mais as leis deles do que as nossas, pelo menos é isto o que todos os nossos representantes pretendem. Que feio, que vergonha!  Dezembro/2016.

SEM ÉTICA E SEM LEI

E SE NÃO HOUVESSE CÓDIGOS  DE ÉTICA E LEIS
João Joaquim  

 Eu fico a imaginar se na convivência humana, nas relações sociais e civis não existissem regras, leis, códigos, normas de conduta; enfim as convenções e cláusulas daquilo que pode e não pode. E foi a partir do conflito do que se deve, pode e deseja fazer cada pessoa, cada grupo e cada civilização que surgiram as organizações político-administrativas chamadas Estados, que foram se aprimorando de acordo com as exigências de cada povo, sociedade e cultura. E não podem parar nunca essas evoluções porque tudo tem que ser revisto; os valores e a cultura de cada época.
É admirável (no mau sentido) e surpreendente como o bicho homem tem a propensão e iniciativa praticante em quebrar regras, leis e códigos de conduta e postura. E referida inclinação não está restrita a uma classe ou estrato social menos esclarecido, de menor poder aquisitivo ou menos escolado. Aliás, parece que muito ao contrário. Temos visto e assistido a  tais comportamentos justamente advindos das categorias de cima. De todos aqueles(as) da classe A (A1,A2,A3---). E assim por efeito manada ou dominó se contaminam todos os cidadãos (ãs) dos estratos sociais classe B, C, D..etc.
Assim posto, é natural que cada pessoa que tenha uma conduta honesta faça a oportuna pergunta: e se não houvesse constituição, códigos civil e penal? Como seria a convivência entre as pessoas entre si, com o mundo, com a natureza e os espaços do meio ambiente e urbanos. E é assim mesmo que deve ser dito com letras em caixas-altas, de forma destacada. Parece que a honestidade, a “ ética do bem” passaram a ser exceções na conduta, no comportamento das pessoas.
Valem a pena e o reprise: existem pessoas que a despeito de convenções, regras e normas de conduta têm sempre uma vida, uma conduta de convivência as mais retas, puras e probas. Algumas , de vez em quando são condecoradas por achar algum pacote de dinheiro e entregar `a Polícia, ou devolver uma carteira com dinheiro e documentos. São exemplos de genuína honestidade que destoam de todo o rebanho.
Esta constatação traz uma ponta de otimismo e convicção de que todos nascemos destinados ao bem, com vocação para o que é honesto e virtuoso. Talvez o meio social, a família, os inimigos das relações são os fatores que levam o indivíduo para a banda podre e corruptível da sociedade. É bom deixar enfático que a boa ética, a virtude, a generosidade não são inatas da pessoa, elas devem ser ensinadas à criança e estimuladas em todas as etapas da educação . 
Como referido nos parágrafos acima as atitudes e ações desonestas e ilegais não guardam relação com essa ou aquela classe social. E esse fato tem se verificado aqui no Brasil justamente numa casta de homens públicos que deveriam ser modelos e padrões para a sociedade que eles representam. A bola da vez são os nossos parlamentares que entre outras medidas querem legalizar a prática do caixa 2 no financiamento de campanhas eleitoreiras. Eles estão pouco preocupados com a saúde pública, com a educação brasileira ou desemprego! Eles querem normalizar e legalizar uma prática criminosa corporativista, que beneficia e inocenta apenas eles, da classe política. Quanta insensatez!
E nesse diapasão da violação das convenções, das leis e dos códigos de conduta vai grande parte das pessoas e  da sociedade. São atitudes e práticas as mais repetitivas e comezinhas, nas quais existe uma sistemática quebra das normas de boa postura e de uma convivência saudável, generosa e solidária. 
Muitas vezes começam nos próprios condomínios. Nos elevadores e garagens poucos coabitantes  esperam o vizinho e se cumprimentam. O trânsito mais parece pistas de competição de automóveis. As placas de trânsito e urbanas são letras mortas e sem significado algum. As vagas de estacionamento ou vez preferencial para idosos e deficientes físicos são constantemente ignoradas pelos infratores, que ainda zombam se inquiridos da atitude. Enfim, daí a provocação e pasmo inicial, e se não houvesse leis, regras e códigos de postura e de ética profissional, o que seria da convivência das pessoas entre si, com o meio ambiente e com os órgãos públicos.

Agora o que é instigante e melancólico: imaginar que os péssimos exemplos e tipos vêm de cima, lá de Brasília, do parlamento. São presidentes de casas legislativas buscando mais imunidade e impunidade, são manobras com projetos de leis no sentido de intimidar investigações de Polícia Federal e Ministério Público  de malfeitos de si próprios e de pares da Política. Enfim, são eles os representantes do povo, que de povo mesmo querem distância. Que horrível! Dezembro/2016.      

zero-esquerdo

o zero-esquerdiata



O certo é que aquele parrudo sujeito, passados de seus 33 anos (idade de cristo), habilitado já aos bons empregos e outros trabalhos produtivos continuava sua vida de nihilista. Nilo Altarujo tinha a duras penas se bacharelado em direito no acme de sua juventude. A habilitação na prova de ordem chegou depois de múltiplas tentativas. Mas, em outros certames de empregos nenhum sucesso. E não porque tivesse intelecto tardo e/ou de menor potencial cognitivo. Afinal era até alvo de elogios de amigos e parentes como de raciocínio veloz e eficaz.
Nilo Altarujo se dizia estudioso. Ele tinha uma boa biblioteca; dos livros de variados ramos do direito se viam muitos em sua estante. E com uma característica: todos novinhos, com cor, textura e cheiro do prelo. Sempre empilhados em seu quarto de dormir.
Tinha computador bem instalado em sua secretária. E sempre os de última geração. Nas divisórias da estante uma resma de papel branco modelo A4. Papéis  já meio encardidos e amarelecidos pelo pó e tempo de exposição ambiental.
Eulina, terminado o almoço, foi até o hall dos dormitórios e avisou.
- Nilo, deixe o computador que o almoço está pronto! Seu Rudolino também precisa almoçar. Ele já perguntou pela comida. Rudolino Antão era pai de Nilo. Fora vítima de surto apoplético. E mesmo com muita dependência para as funções básicas era homem muito estúrdio, bronco e insuportável. Poucos amigos e parentes o aturavam. Rudolino era lambão nos gestos alimentares e no trato com as pessoas. Termos chulos e baixo calão eram suas marcas em parolas com os familiares e mais íntimos .
Familiares e amigos de Nilo Altarujo de forma subliminar adotaram o que numa palavra, como no francês “laisser-faire” se refere aos valdevinos da existência. Ou como dito em vulgar, deixe ele levar a vida como ela melhor lhe aprouver, porque quem não mudou passado dos 30, dificilmente se endireita nessa etapa da madureza da idade
Um amigo relembra,
 -Nilo, haverá o concurso para escrivão de polícia.  Você vai fazer?


- Tô estudando. Quanto tá a inscrição?
- Não sei, tem que olhar no edital.
Era essa a rotina de Nilo   Altarujo. Passar os dias como comensal do pai, dos irmãos e viver das mesadinhas a ele doadas. Todos, em uníssono, já sabiam que o amigo e parente Nilo   participaria, por participar de mais um certame de emprego. Por pura e perene pressão social de família e próximos a ele. Quão sossegado era o imutável  Nilinho Artarujo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

RELIGIÕES....

            AS CRUZADAS RELIGIOSAS DOS TEMPOS DIGITAIS

” Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”. Este foi o tema da redação do ENEM 2016. Explicando para a posteridade, Enem é o exame nacional do ensino médio. Através da nota do ENEM é que se classifica para o ingresso nos cursos universitários. Trata-se de um avanço do Brasil. Nada mais que um tipo de teste de suficiência  como meio de o jovem ter acesso ao ensino superior, tanto nas universidades públicas como nas privadas, nestas que tem convênio com o fundo de financiamento para o ensino superior-  FIES.
Caminhos contra a intolerância religiosa. Os caminhos e formas de discriminar, criminalizar e rejeitar outras religiões fazem parte da história do próprio homem. Sempre se tratou de uma autêntica piração( ops, perdoe-me a gíria) . Eu como pessoa e indivíduo, ou  um grupo, uma comunidade, uma  organização, até mesmo um Estado achar que a religião certa e  única é a minha parece uma concepção esquizofrênica . Bem assim esse grupo, organização ou Estado encampar e admitir tal expediente.
 E tomando o estado oficial como exemplo temos os Estados teocráticos. A república democrática (leia-se teocrática) do Irã dos Aiatolás faz parte dessa classe de governos que impõem uma religião ao cidadão . Um exemplo de um estado bandido, o islâmico, instalado no Iraque e Síria, cujos membros e terroristas sequestram, torturam, matam e morrem em nome de uma deturpação do Islamismo. Que fique bem claro, trata-se esse grupo de terroristas, numa degeneração do que prega o alcorão. Todas essas torpezas e atrocidades são perpetradas e motivadas por um fundamentalismo religioso.
 O primeiro bom caminho no combate a intolerância religiosa no Brasil vem do nosso estado democrático de direto. De nossa constituição cidadã temos a premissa da laicidade do Estado Brasileiro. Isto se traduz em que além de liberdade de imprensa, expressão e opinião temos a de religião. Ninguém poderá ser criticado, vexado, diminuído ou desdenhado por celebrar, professar e praticar qualquer que seja essa ou aquela religião. Inclusive não ter nenhuma religião . 
Ora, esse caminho da livre crença, da fé, de  se tornar sectário, adepto e membro de um ritual religioso se dá pelo exemplo e norma constitucional do Estado (Brasil). E assim é dever legal, ético, moral e de consciência de cada brasileiro. A nação se compõe de seus filhos e cidadãos , e o melhor exemplo começa de cada um de nós, das famílias e sociedade como um todo.
Temos que ter cada vez mais a clara noção e ciência de que não estamos mais nos tempos das cruzadas, quando cristãos e muçulmanos  foram torturados e mortos em nome de uma crença, uma religião. Não estamos mais nos tempos medievais da “santa” inquisição, da época do inquisidor mais sanguinário ,  Tomás Torquemada,  quando toda verdade e fé eram impostas pela igreja católica. Vale lembrar que nos tempos da inquisição havia inclusive um intolerância científica. Que o diga o físico Galileu Galilei(1564-1642) com sua reafirmação  e comprovação do sol como o centro do universo (heliocentrismo). Se ele não se retratasse em público teria sido cremado vivo, como o foram muitos outros naqueles tenebrosos tempos de absoluta censura ao livre pensamento e à religião.
Os caminhos para abrandar a intolerância religiosa no Brasil seria criminalizá-la como outro preconceito,  o racial ou de gênero por exemplo. Eliminar de todo essa forma de intolerância, a exemplo do preconceito étnico ou de orientação sexual, é quase impossível porque ao que parece trata-se de um sentimento, ou “falso orgulho” do senso coletivo , sentimento nocivo este que se acha  entranhado na memória e DNA de muitas pessoas.
Outras formas de abrandar tão graves reações e menosprezo de parte da sociedade seria no incremento de campanhas de boa convivência, respeito à livre manifestação do outro inclusive na sua fé e rito religioso. As iniciativas nesse sentido de um convívio fraterno e generoso poderiam se dar pelo próprio Estado e divulgadas pelas redes de jornais e televisão, que são as grandes formadoras de opinião.
Enfim, são  muitas as religiões consideradas monoteístas. O que importa se os muçulmanos têm Deus como Alá e Maomé o seu profeta?  O que importa se os cristão também acreditam num mesmo Deus e Jesus Cristo como enviado a essa terra a  se sacrificar na cruz para nos salvar? Afinal, todos não queremos e buscamos o mesmo paraíso (céu)! 

Se o alvo final é a suprema felicidade e bem-aventurança que diferença faz ir de avião, de ônibus, de moto ou bicicleta. Assim são as religiões. São veículos que fazem nossa conexão com Deus e o paraíso. Então,  mais parece uma alienação mental daqueles que acham que a única religião certa e verdadeira é a deles e não a minha.  Novembro/2016.  

Valdevinos...



                                          OS VALDEVINOS DO BRASIL
João Joaquim

Nesses dias do exame nacional do ensino médico (ENEM), vieram-me, de permeio, algumas reflexões sobre a humanidade. A brasileira como modelo porque o Enem é uma exclusividade nossa. O adjetivo médio de nosso ensino é bem ilustrativo visto tratar-se daquela encruzilhada na vida de cada pessoa que almeja ser alguma coisa ou alguém nessa passagem pelo planeta.
Se pegarmos a nossa juventude, pode-se dividi-la   em duas classes de pessoas. Isso grosso modo. Porque há estudiosos e pesquisadores que a subdividem em várias subclasses. Uma como exemplo, a dos chamados três nens.  Quais sejam os jovens que nem trabalham, nem estudam, nem vontade têm para ambas as ocupações. Ou seja, essa 3a subclasse, como se diz no vulgo são os valdevinos  por vocação.
Mas, tornando ao mote central, duas classes de pessoas. A turma que produz alguma coisa e a que nada faz ou produz. Se falamos aqui dos jovens, ela é extensiva às pessoas de todas as idades. Afinal o jovem amadurece e ele será o adulto e idoso de amanhã. Adultos que, independentemente do gênero e sexo nada fazem, nada produzem e se pudessem já nasceriam com uma aposentadoria vitalícia, pensão, mesada e outras benesses, vindas de onde viessem. O  que importa para essa classe de gente seria isso: uma vida fútil, vazia e sem nada acrescentar à família, aos pais, ao meio social onde inseridos, dos quais dependem para cama , mesa e banho .
Melancolicamente, sofrivelmente, o Brasil está infestado desse tipo de pessoas. Classe de gente que começa em idade precoce, na infância, adolescência e juventude. E de plano, como instigante que é tal triste realidade, poderiam ser apontadas as causas dessa trágica constatação de nossa vida brasileira.
Esse contexto se inicia na infância no processo educacional da criança. E aqui têm culpa o Estado( Brasil) com suas políticas precárias na educação pública, tem culpa o nível de escolaridade das famílias de baixa renda, tem culpa a  falta de planejamento familiar e controle de natalidade oferecidos pelo SUS. Alguém menos avisado poderia indagar, mas o que têm a ver planejamento familiar e controle de natalidade com analfabetismo, pobreza, desocupação, desemprego e ociosidade improdutiva das pessoas? As realidades da educação brasileira, da saúde pública e da previdência social respondem por si. São esferas e setores vitais intimamente imbricados. Melhor educação gera melhor saúde pública e previdência social sem déficit . Estes dois fatores  respondem a questão . São esferas e setores vitais intimamente imbricados. Melhor educação gera mais saúde, que gera mão-de-obra mais eficaz, maior qualificação profissional, menos desemprego e uma previdência social mais superavitária e mais segura e protetora para os seus afiliados.
Adicional a todos os fatores enumerados temos a índole latina do povo brasileiro. Ao que sugerem muitos pareceres e obras de sociologia;  a ociosidade, a preguiça, a malandragem, a vagabundagem compõem o espectro da natureza e da índole de boa parcela da humanidade de brasileiros. Além do espírito de porco, muitos têm o espírito macunaímico. Sugiro ler a magistral obra de Mário de Andrade, Macunaíma.
Enfim, são essas duas classes de gente. Uma composta daqueles(as) que vivem na ociosidade, que nada produz. Falar em previdência social. Esta é uma prova viva e irrefutável dessa casta de pessoas. Não é sem razão que essa seguradora estatal está à beira da falência, da insolvência, tamanho o seu déficit. Culpa da corrupção de seus gestores e de tantos benefícios e aposentadorias fraudulentas obtidas por usuários e segurados desonestos.
Contudo, não subsiste só desesperança e fim de mundo. Existe uma classe de jovens, adultos e brasileiros que salva o país e traz muito alento. Todos assistimos a uma parcela de jovens (o Enem como exemplo) que sonham, que pensam, que estudam, que criam. Independentemente de condição sócio-econômica dos pais, de assistência do Estado, dos abrolhos impostos pelo meio social, das dificuldade até de abrigo e mobilidade urbana. Esses jovens são exemplos a ser seguidos e imitados num modelo da cópia do bem. Eles são os adultos e brasileiros que nos orgulham e nos trazem a certeza e a segurança de um país melhor. Com igualdade de educação, justiça e saúde para todos. Que assim seja o futuro para todos.                    Novembro/2016.      


PIF E PIB

 PRODUTO INTERNO DA FELICIDADE-PIF
João Joaquim  


Todos os países têm o seu pib (produto interno bruto). Nada mais é do que a soma de tudo produzido por uma nação em termos de riqueza e economia. Há uma nação no entanto que é singular porque além do pib tradicional ela tem o pif, ou seja, o produto interno da felicidade. Estamos a falar de Butão.  Lá também se chama felicidade interna bruta(fib). E não é pouca coisa porque o povo lá esbanja felicidade. E não pensem porque se deve ao alto pib daquele país singular, que aliás não é nada rico de bens materiais. Ele fica entre as cordilheiras do Himalaia, e muitos seguem o Budismo. A qualidade de vida e o pif ali têm sido motivo de teses e mais teses ,e ao que parece é um sentimento próprio daquela gente.
 Conta-se também que o povo grego de antigamente era tido como o mais feliz do planeta. Um contraste com a Grécia de agora, depois da crise econômica e política recentes( 2008 para cá). Não se pode dizer que são as pessoas mais infelizes de momento, notadamente se olharmos outras crises e infelicidade por que passam os chamados países bolivarianos da América do Sul e Latina, sem excluir o Brasil.
Nós sabemos da felicidade dos helenos antigos até mesmo pelo que deixaram escrito os filósofos gregos. Entre eles Platão, Aristóteles, Tales de Mileto e os pitagóricos.
Entre esses lendários filósofos, um é digno de menção pelo seu peculiar comportamento,  Diógenes.  Conta-se que ele era tão feliz que ridicularizava e desdenhava de todo bem material. Tanto assim que ele levava uma vida de andarilho e morava num tonel. Mas, era admirado pela sabedoria e por suas ideias. Seus biógrafos contam que de certa feita o imperador Alexandre, o grande, quis conhecê-lo. E assim dirigiu-se até ao seu aposento, um simples tonel. Ali chegando com toda a sua comitiva de assessores e segurança, se acercou dele e se apresentou: 
- Eu sou o comandante do império (grego) e coloco-me as suas ordens, o que quer que lhe faça? Ao que respondeu o notável sábio que contemplava a natureza e tomava um bronze natural: 
-que não atrapalhe o meu sol. Não queira me tirar o que não pode me dar( no caso o sol e todas as outras dádivas da natureza).  Ou seja, coisas e reações de filósofo mesmo, que parece ter alguns neurônios diferenciados em relação às pessoas comuns .
Esse filósofo a que referi , Diógenes, foi aquele que certa vez saiu com uma lamparina pelas ruas de Atenas em pleno dia. Perguntado de por que daquele gesto ele respondeu: estou à procura de um homem honesto. Enfim, Diógenes, ele era o mais eremita dos sábios, o mais sarcástico e muito feliz. Agora, fico imaginando se ele pudesse renascer e dar uma passadinha aqui pelo Brasil,  iriam-lhe faltar holofotes e mais holofotes na procura de homens honestos. Isto em se tratando de homens públicos. 
 Já faz alguns anos que li em algum jornal sobre um político brasileiro que tinha uma proposta de emenda constitucional (pec) sobre o direito do brasileiro à felicidade. Não deixa de ser uma ideia feliz, mas daí à pratica vai uma enorme distância. Muitos itens de nossa constituição se fossem cumpridos já seriam meio caminho andado para a felicidade de nossos compatrícios. Eu destacaria três: o direito à educação, a saúde e ao trabalho. O acesso a essas três condições traz dignidade, segurança, qualidade de vida e felicidade ao ser humano.
Hoje vivemos em um mundo de tanta competitividade e de tanta tecnologia que o sentido de felicidade e qualidade de vida passam pelas lei que regem todo o sistema de produção e de trabalho. E não tem como fugir a essas tendências que normalizam( criação de normas e regras) as relações sociais, trabalhistas e afetivas como o sistema econômico em que vivemos. A que pontos chegamos , até para o amor criaram regras. Quanto custa por exemplo uma cerimônia de casamento, as custas cartoriais, o vestido de noiva, a recepção aos convidados , enfim , o mercado do amor? Depende do gosto e desejo de cada um, mas que custa muito caro custa. 
Com todos os avanços das ciências e das tecnologias, notadamente das tecnologias da informação e da internet, o que se aconselha às pessoas é buscar um equilíbrio com todo esse aparato e pensar também na felicidade. Nesse desígnio da conquista da felicidade uma boa receita é aquela de não se perder os bons e construtivos vínculos sociais, familiares e afetivos. Como já advertia Aristóteles o homem é um animal social. Duas alianças devemos ter na busca de nosso produto interno da felicidade (PIF), uma com a natureza, outra com as pessoas a nossa volta. Os bens materiais e as tecnologias podem ser acessórios. Mas, a melhor energia e força para nossa felicidade está em nossos laços afetivos que construímos com a natureza e com as pessoas.  Nós não fomos concebidos e designados para o egoísmo e para o isolamento. Somos animais sociais , fraternos e amorosos. Nov/2016.

Cérebro..

O CÉREBRO COMO A MAIS PRODIGIOSA OU TORPE DAS MÁQUINAS 
João Joaquim  

 Eu começo esta matéria com uma propriedade de meu mais nobre órgão, meu cérebro. É de senso comum que ele é o computador mais complexo e mais perfeito. No que de pronto eu já contesto fazendo algumas ressalvas. Eu afirmaria que ele pode ser a máquina mais perfeita, quando de fato não tiver nenhuma imperfeição. É uma assertiva simples, redundante, de entendimento primário mas que reflete o espírito dessa tese: o cérebro humano se mostrará um sistema prodigioso e inteligente quando não apresentar nenhuma avaria em seus circuitos, conexões, bioquímica e sinapses. Do contrário ele se tornará no instrumento o mais nocivo, no mais desvairado agente do mal e infinitas torpezas  e atrocidades. 
Vamos imaginar inicialmente as atribuições orgânicas do cérebro. Ele é a central de regulação de inúmeras funções como força muscular, reflexos, todas as nossas sensibilidades, órgãos dos sentidos, hormônios neurais de muitas sensações como alegria, prazer e felicidade, entre  outras virtudes. Tudo  em perfeita harmonia com glândulas centrais e periféricas e órgãos vitais como pulmão e coração. É bom lembrar que nosso coração e pulmões são autônomos até um certo ponto. Eles sofrem profunda influência dos comandos cerebrais, através de conexões neurais e de  hormônios, os chamados neurotransmissores. No cérebro estão os chamados centros de comandos de muitas atividades periféricas . 
Fugindo  dessas funções orgânicas vitais passemos às suas atividades abstratas que são o motivo maior desse artigo. Falar das atividades abstratas do cérebro nos traz à discussão o que é uma mente (psiquismo) normal e a doente (loucura ou psicopatia). Um sem-número de artigos já discorreu sobre os limites ou interfaces do que sejam a loucura e a plena sanidade mental.
Quando se fala em saúde psíquica entra os fatores constitucionais e genéticas e as influências dos meios social e familiar. Entre estes contribui o processo educacional da pessoa. Basta lembrar um comportamento antissocial ou uma personalidade voltada à prática de crimes. Tal conduta pode se dever ao processo educacional adquirido da família. Delinquentes por profissão, em geral vão educar filhos delinquentes. Assim demonstram a criminologia e as estatísticas. O homem é muito fruto do meio. É uma tese defendida por sociólogos , antropólogos e filósofos. 
O que seria o cérebro como a mais perfeita máquina de pensar e processar informações? Seria então aquele perfeito órgão em que o seu dono e portador praticasse atos e atitudes voltadas para o bem, para a virtude, para a fraternidade e generosidade. Seria aquela pessoa com uma aptidão para esses e muitos outros sentimentos construtivos e inclinados ao bem. Vamos imaginar um indivíduo capaz de amar o outro (cônjuge ou não), de amar toda forma de vida e a natureza, com o sentido e a predisposição  de se condoer com o sofrimento alheio, de se solidarizar com a carência e fome alheia, com a capacidade de  perdoar ao seu ofensor. 
Esse cérebro,  sim, pode ser considerado o mais perfeito maquinário  ou computador. Sempre almejado de imitação pela criatividade artificial do homem. Quão admirável, um cérebro humano( um cientista por exemplo) na tentativa de sua própria imitação. Um inelutável e inatingível desejo. O homem em seu engenho criador pode até fazer uma aproximada imitação do cérebro, mas nunca algo semelhante. Até porque sentimentos, virtudes, os gestos de amor são atributos naturais da mente e de nossos centros de comandos  cerebrais.  Máquinas não pensam e não têm sentimentos. 
Dos cérebros como máquinas imperfeitas ou avariadas temos uma lista extensa de tipos e gradações( ou de degradações). Os casos mais mórbidos e característicos são os de inúmeras psicopatias estudadas e tratadas pela psicologia e psiquiatria. A Associação de Psiquiatria Americana tem um manual profissional onde de tempos em tempos são incluídos comportamentos e personalidades doentes. Já consta por exemplo desse DSM (manual estatístico e diagnóstico) a webdependência. Tal distúrbio ou cérebro imperfeito é o clássico exemplo referido como induzido pelo processo educacional da criança e adolescente. Trata-se de uma herança do meio familiar. O vício da Internet e redes sociais se caracteriza quando o indivíduo não vive mais desconectado e prefere esta prática ao convívio familiar e com os amigos. 
 A criança de qualquer idade deve ter acesso a internet e mídias sociais com rigoroso critério e controle dos pais e educadores, mesmo assim nunca de forma precoce. Primeiro, deveria ensinar as habilidades de leitura, de aritmética, do raciocínio lógico, do processo criativo, do discernimento , do pensamento crítico, etc. Depois a iniciação na informática e na Internet. Aqui temos uma demonstração cristalina de como o meio, o processo educacional são determinantes do que vai ser aquele cérebro.
Eu proponho que seja incluída no DSM a corrupção. Como admitir que um político que rouba dinheiro da saúde pública e da educação tenha um cérebro perfeito? Seu cérebro, sua mente, seu coração, sua consciência, suas sinapses neurais são órgãos os mais atarantados e atrapalhados de que se tem notícia. Como não é psicopata um ditador sanguinário que usa bomba atômica ou armas químicas para eliminar os seus próprios compatriotas, civis e inocentes ? Qualquer intitulado estadista que se dá a esse expediente é portador do cérebro o mais virulento, o mais patológico imaginado no meio humano. E eles existem pelo mundo a fora. São máquinas humanas as mais mortíferas e torpes de que se tem notícia. Deus nos livre dessas mentes e desses mentecaptos.   Nov./2016.  
c

WEB..ubiquidade

 EDUCAÇÃO  E MOBILIDADE DIGITAL 
João Joaquim  

Se hoje, vivemos a era da intitulada hipermodernidade, fico a imaginar ali pela metade do século, ano 2050. Quanto de nossas conquistas  não entrarão  na obsolescência ou a senescência (velhice) dos objetos e recursos de nossa época, 2ª década do século XXI.
Eu penso em uníssono com aqueles que têm as tecnologias da informação e comunicação (TIC) como as marcas de nossa modernidade. Muitas outras características destes tempos se devem justamente à chamada hiperconectividade, a que muitos também chamam de mobilidade ubíqua ou conexões ubíquas( de ubíquo , universal). Num entendimento mais simples seria todos e tudo estarem conectados ao mesmo tempo. Assim todos os avanços tecnocientíficos ficam mais fáceis de ser compartilhados pelo mundo.
Ao tratarmos do mundo virtual, da internet e do ciberespaço não há como negar que a cibercultura está imersa nessas plataformas. Eu, na condição  de geração pré-internet ou geração xis sempre fui um crítico do uso abusivo e não educativo da internet e mídias digitais. Tal concepção se assemelha a qualquer outra tecnologia. A questão não está no espirito da invenção , mas na cabeça do usuário que dela faz uso para o bem ou para o mal. 
 É o caso por exemplo da faca de cozinha. O recomendado é que ela seja empregada tão somente no auxílio de preparo dos alimentos e nunca para ferir, torturar ou eliminar outra pessoa. É o mesmo princípio do emprego do avião na guerra ou da radioatividade na bomba atômica. No mundo digital, o mesmo sentido. A informática e Internet foram concebidas, massificadas , tornadas de fácil acesso e de baixo custo para o bem da humanidade. Em que pensaram os idealizadores da grande rede de computadores ? No armazenamento de dados e informações, na troca de conhecimentos e muitas outras fontes  de consulta . O emprego dessas ferramentas para fins fúteis, destrutivos e nada educativos fica por conta da intenção, do caráter e objetivos de cada mente. 
Aqueles pais um pouco mais velhos, que não nasceram no mundo digitalizado não podem opor resistência ao uso das tecnologias de informática pelos filhos. Elas devem e serão cada vez mais ferramentas e recursos úteis na cultura e na educação .  Ser um pai mais antigo não significa ser antiquado em relação às novas tecnologias. Essa geração pré-internet( na qual me incluo) pode representar uma vantagem na educação dos filhos quanto a questão do acesso ao mundo virtual e todos os recursos dessas mídias. Um aspecto positivo advindo da orientação desses antigos pais seria no equilíbrio do uso de todas as tecnologias da informação, seja no entretenimento, seja em sala de aula ou como fonte de pesquisa.
Os recursos digitais são um convite para a garotada não querer nada com  leitura no livro físico, e outros exercícios como  atributos do raciocínio lógico. Vale repisar que educação é ensinada através de  terceiros, aqui representados sobretudo pelos pais como os  mais importantes educadores. É de senso comum que a educação e aprendizado se fazem primeiro com os bons exemplos . Como pode um pai querer ao filho uma boa educação se ele não pratica essa boa educação? É o que ocorre com a ética, com a etiqueta e o emprego das tecnologias de toda ordem ( carros e motos por exemplo) e dos artefatos digitais. O pai e a mãe representam um padrão e modelo de comportamento aos filhos desde a fase do berço e da chupeta. A família é o primeiro meio social a plasmar a conduta e caráter da pessoa. Todos somos frutos do meio. 
O que tem ocorrido com os pais mais jovens e muitos psicopedagogos e mesmo educadores das novas gerações é um processo de embriaguez e imoderação no emprego recreativo e educativo de todas as plataformas virtuais . E tal crítica se torna mais incisiva quando esses recursos e acessos desmedidos começam de forma muito precoce.
Ter toda forma de cultura já editada em áudios , imagens e vídeos tem se tornado um processo de embotamento cognitivo e intelectual para nossas crianças e adolescentes. Chegamos a um ponto dessa preocupação e perda de raciocínio logico que surgiu um letramento peculiar no uso das mídias, temos uma nova linguagem, o “internetês”( escrita dos internautas) que na verdade representa uma lista de siglas e gírias entendidas apenas por esses compulsivos usuários mais jovens. Temos o que se poderia denominar o idioleto dos internautas, o radical é o mesmo de idiotia. E não é mera coincidência. O idiota na chamada Ática, Grécia Antiga, era aquele indivíduo, que cuidava apenas de suas coisas pessoais, um ensimesmado, que tinha dificuldade  no convívio social, um sujeito que mal cuidava de seu próprio  umbigo.
Por fim, só como amostra grátis desse emprego massivo e nocivo da internet e mídias sociais. Muitos adolescentes hoje ingressam no ensino médio sem dominar bem os fundamentos de álgebra e matemática. Não sabem corretamente as regras de três, uma raiz quadrada ou cúbica nem as funções elementares de geometria. De igual forma não sabem sequer elaborar no português padrão uma simples redação ou carta, que seja para um amigo ou namorada(o).
Por isso torno-me enfadonho e ao mesmo reco-reco. Crianças e adolescentes precisam primeiro aprender o ler no livro impresso, a escrever, a desenhar, a rabiscar, a fazer contas e cálculos matemáticos. Depois, sim, virão os notebooks, os tablets, o Smartphone e redes sociais. Tenho dito e redito.  Novembro/2016. 

TRUMP x Hillary

OS COCHILOS QUE DERRUBARAM HILLARY CLINTON

João Joaquim  

No balanço  das contas temos mais um presidente eleito dos EUA. Trata-se de acontecimento dos mais solenes do planeta pelo que representa aquele país no cenário mundial. Os Estados Unidos constituem uma nação cuja escolha do chefe de estado tem repercussão nos quatro contas da terra. Afinal eles podem quase tudo. Basta saber o peso que a nação tem  nas decisões da ONU e em outros organismos internacionais. Como se diz no popular eles mandam prender, soltar, derrubar ou reforçar regimes e governos de outras nações mundo a fora. Não é pouca coisa quando se fala em diplomacia e defender os seus interesses .
Deixando essas considerações iniciais à parte volto a outros aspectos do que foi essa surpreendente derrota da candidata Hillary Clinton. A bem da verdade nem tanto o seu fracasso, mas a vitória de seu adversário Donald Trump. Aos olhos da  crítica mundial, na análise de todos os jornais do mundo ele está sendo o mais previamente improvável presidente dos EUA. No dito vulgar,  a maior zebra da história das eleições americanas.
Fica para nós a sensação de que o povo de lá como o daqui (Brasil ) cansou e quer experimentar algo ou alguém que não seja mais um do mesmo. É o fenômeno opcional da mudança ; talvez  a ruína e fracasso dos candidatos de esquerda. O exemplo é a fragorosa derrota do partido dos trabalhadores(PT) e assemelhados nas eleições municipais do Brasil de  2016. Se bem que o sr.  Trump, do partido republicano, não tem tanta característica socialista e de direita como a de outros partidos de outros países. Mas, ao cabo e nas ponderações  dos americanos ao que fica de sugestão é a opção por uma mudança daquelas de surpreender a sociedade mundial e até outros planetas. O partido republicano, originalmente é conservador, fundado em meados do século XIX.
O pitoresco e atrativo foram as campanhas finais dos dois candidatos. Para quem supunha que mau gosto, xingamentos, e baixaria eram jabuticabas nossas, se enganou. O espírito e a alma dos  ianques  também têm as suas vilanias e sabem usá-las como o último recurso. Nessas eleições americanas para presidente ocorreu entre outros fenômenos um processo chamado sugestionabilidade, que a psicologia explica. Em palavras mais simples, para melhor compreensão, o fenômeno se dá assim: na narração de um fato (verdadeiro ou mentiroso) o orador terá um papel decisivo em torná-lo aceitável e ouvido como uma verdade única e definitiva. 
O ministro da propaganda do fascismo de Hitler, Joseph Goebbels, teve papel decisivo nesse processo. Ele próprio afirmou: “ Se uma mentira é repetida 100 vezes, ela é aceita como verdade”. Os sofistas da antiga Grécia foram os pioneiros nessa arte do convencimento pelo argumento, pela retórica, pelos arroubos verbais.
Vamos relembrar alguns dos insultos nada republicanos Trump versus Hillary. Ele foi acusado de discriminação racial, assédio sexual e sonegador de impostos. Ela foi chamada de incompetente, incapaz de lidar com a ameaça do terrorismo e irresponsável nas questões de tratar de assuntos de estado no seu e-mail pessoal. Só para lembrar ela é secretária de estado no atual governo Obama e ex senadora.
Para concluir, a mim não resta dúvida de que a sra. Hillary Clinton perdeu as eleições para o falastrão Trump justamente por causa da questão dos e-mails, que vieram à tona na última semana das campanhas eleitorais. Aí funcionou o efeito da sugestionabilidade. Foi puro efeito retórico. Primeiro, do chefe do FBI que reabriu a investigação da responsabilidade ou não da secretária na matéria dos e-mails. Vale lembrar que um dia antes das eleições o FBI declarou não ter achado provas de crime cometido pela Sra. Clinton. Mas, aqui a votação já tinha sido aberta pelos colégios do Estados. Segundo efeito, o discurso ferino e muito repreensivo de Trump contra sua adversária. 
Grande parcela dos delegados dos colégios eleitorais e população votaram não tanto no Trump, mas contra a candidata, por acreditar nas acusações a ela endereçadas. Na verdade ela venceu as eleições no voto popular, mas perdeu nos colégios eleitorais. O sistema americana de eleições tem o peso decisivo dos votos dos delegados eleitorais. Prevalece a decisão desse colegiado.
Agora, cá para nós brasileiros como atrasados tecnologicamente, o que tinha a sra Hillary Clinton, ficar futricando em assuntos de Estado através de seu e-mail pessoal . E o pior, ela foi flagrada nesses expedientes em plenas vias públicas . É o que eu digo sempre, a questão não é o mal das tecnologias digitais, mas no uso ou abuso que se faz delas. O mau exemplo tinha que vir logo do berço da Web  , dos inventores da informática e da internet. Só mesmo com os americanos.                                      Novembro/2016.