terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Charlatas

CHARLATÕES E MAGAREFES
João Joaquim 

Ao abrir esta matéria confesso estar sentindo contrariado em fazê-la, mas  a faço por princípios de consciência e ética. Independentemente de status social ou profissão da pessoa, imagine-se ter ciência e ser testemunha de um crime. Qualquer que seja esse delito. Contra a vida, contra os costumes (bons costumes), contra qualquer bem público, uma contravenção, roubo ou fraude. Não importa a sua natureza; o que faria essa testemunha, considerando-a como gente do bem e honesta? Imagine um médico que frauda o SUS, um plano de saúde. O advogado que treina o seu cliente e representado a mentir diante de um juízo. Um dentista que cobra por um serviço ou material de má qualidade! São formas de contravenções e ferimento de morte a essa regra de respeito e convivência milenar chamada Ética.
O que faria então quem vê tais práticas ? Certamente que denunciaria tal delinquente ou defraudador às autoridades competentes. Em assim procedendo,  essa pessoa tocaria sua vida em paz e não teria remorsos ou peso na consciência quando por exemplo fosse dormir ou usufruir de seu repouso , de suas férias.
E não é sem razão que os governos através dos órgãos públicos criaram os canais de comunicação para denúncias. Que podem ser feitas de forma anônima. Há também as ouvidorias, os disques- denúncias. Enfim, existem várias maneiras para que a sociedade, os cidadãos ajudem no combate a tudo aquilo que é ilícito, corrupto e criminoso. E não importa o tamanho, a posição desse fora da lei e da ética .
Dentro desse espírito de colaboração de cada um temos a nosso favor as tecnologias digitais. Estamos na era da informática, das redes sociais e da telefonia móvel. Com um celular fazemos áudios, vídeos e fotos da melhor qualidade. Os conceitos de privacidade, anonimato e clandestinidade mudaram. E são mudanças para o bem e para o mal. Eu diria que  mais para o bem. Acabou-se aquele forte apoio no qual os desonestos e criminosos se sustentavam de fazer tudo às ocultas e de forma clandestina. Eu lembraria até que o Brasil está sendo reescrito e despoluído de tanta corrupção sistêmica graças às provas obtidas através dos  meios digitais. Entre estes, os registros e áudios de ligações de celular e trocas de e-mail. Bem vindas e santas tecnologias.
Torno a ideia primeira, o meu constrangimento em escrever publicamente sobre tal matéria. Todavia, repriso minhas reflexões sobre o que vou aqui denominar medicina da enganação. Que gera os seus filhotes de mesma natureza, tipo a medicina do enriquecimento ilícito, da pirataria, do engodo, da concorrência desleal e do puro charlatanismo moderno, aquele em que os profissionais frequentaram faculdades e têm nas paredes dos consultórios diplomas de nível superior.
Algum leitor poderia já inquirir, mas o que têm feito os conselhos regionais de medicina (CRMS)? O  ministério público e mesmo outros órgãos por dever , competência  e interessados em tais questões tão sensíveis que, pode se afirmar, de relevância pública; porque também atingem a saúde pública?  Dentre esses órgãos não públicos podem ser citados planos de saúde como unimed, saúde caixa, caixa de assistência do Banco do  Brasil entre outros de saúde suplementar.
A boa prática da medicina, aquela fundada nos critérios tecno-científicos e ético-humanísticos tem sido uma exceção frente a tanta enganação, marketing enganoso e charlatanismo de toda ordem. Nenhuma especialidade parece escapar a essas más práticas profissionais ( malpraxis). Se lá no direito temos os chicaneiros e rábulas, aqui no âmbito da saúde temos os charlatões, os curandeiros, os tratadores, os feiticeiros, os megarefes entre outros agentes do engano, do embuste, do logro.
São esses os epítetos com os quais podemos tratar tais profissionais que com a cara deslavada e muita desfaçatez oferecem as mais absurdas condutas terapêuticas a muitos “clientes” desavisados. Eu chamaria tais profissionais de os falsos profetas da profissão, que aliás, não se restringem a medicina. Eles infestam muitos outros ramos da saúde. Como se vê também em outras profissões.
E como exemplos concretos tomemos estes: como acreditar num médico que mal escuta o paciente e não  o examina e lhe prescreve uma lista de 20 ou 30 exames de sangue e tantos outros de imagens e funcionais? Que fundamento científico existe em  saber a taxa de magnésio , de selênio, ou potássio em uma pessoa saudável, se esses elementos são flutuantes no dia a dia e mostram taxas variadas na proporção de minha alimentação, hora a hora, dia a dia ?
Como acreditar na capacitação técnica de um cirurgião plástico sem no mínimo 4 ou 5 anos de especialização? Como acreditar em médicos que recebem bônus ou propinas( percentual) em exames de laboratório ou presentes e patrocínios da indústria farmacêutica?
Face a tais descalabros e enganações das profissões eu conclamo e concito às vítimas ou testemunhas dessas práticas ilícitas e nefastas! Reajamos todos em nome do bem comum.

Indignai-vos. Denunciai tais charlatões e magarefes. Para isso existem os CRMs, o Ministério Público ,  as ouvidorias de SUS, dos Planos de Saúde.  Nós só tornaremos este país melhor, mais justo e ético se todos se engajarem numa força-tarefa de mais Ética e honestidade em tudo.     Janeiro 2017.   

Pessimistas...


              NÃO SEJAMOS TÃO PESSIMISTAS
O sol há de brilhar mais uma vez
A luz há de chegar aos corações
Do mal será queimada a semente
O amor será eterno novamente – Juizo Final de   Nelson Cavaquinho –


João Joaquim 

Sem querer ser escatalogista , pessimista ou de pressentimentos agourentos; longe disto. Todos nós que pensamos com a alma e com  o coração temos que sempre esperar por dias melhores e que o pior já passou  e o amanhã será azul, mais alegre e promissor. Nunca podemos seguir os preceitos de Murphy de que se um fato pode ocorrer da pior forma possível, cuidado que ele vai acontecer. Não e não! Temos que sempre buscar o melhor e otimizar tudo ao nosso redor. Essas, sim, são as melhores receitas de vida. Para tanto podemos ter uma postura proativa.
Como brasileiros que não desistem nunca, todos podemos nos contagiar de uma esperança ativa. Aquela sem cruzar os braços ou ficar passivos na espera do que vier, seja para melhor ou pior. Os acontecimentos que nos cercam pelo mundo e no Brasil deixam-nos pasmados e aturdidos. A crueza das guerras, a ganância de ditadores pelo poder e domínio, a perseguição aos inimigos políticos, os atentados terroristas na Europa, o crescimento do chamado estado Islâmico (ISIS) em países da Ásia (oriente médio) são, pois, fatos e cenas que parecem eternizados. Das guerras, duas bem representam o cúmulo do que são os conflitos militares por território e poder. O conflito do Sudão versus Sudão do Sul  e a guerra da Síria são emblemáticos da crueldade, da ignominia, da falta de  limite da maldade que um Estado  e  a cobiça de alguns tiranos e insanos podem cometer contra opositores e pessoas inocentes .
São cenas do pior requinte de crueldade que se podem( os regimes de exceção e terror) cometer contra inocentes, contra crianças de baixa idade, como temos presenciado com a população civil na Síria . A cada bombardeio em regiões urbanas surgem cenários de teatros de horrores. Famílias inteiras são eliminadas em meio aos destroços e montanhas de pedaços de concreto das construções habitacionais.
As ruínas e agruras vividas pelos refugiados de guerras e outros regimes tirânicos e das perseguições constituem outras tragédias que tocam o senso dos que têm um pouco de misericórdia. É quase impensável imaginar que alguém, não venha condoer com passagens e condições tão humilhantes de tantos refugiados, sobretudo quando as vítimas são crianças, idosos e pessoas doentes. É uma das mais terríveis crises humanitárias  de que temos notícia. Esses são fatos vistos pelo mundo através das redes de televisão. E as emissoras não mostram os cernes e tudo desses cenários macabros.
No cenário doméstico (Brasil) temos tido ocorrências e fatos que nos instigam a indagar sobre nossa humanidade. Será que muitos de nossos homens, líderes, governantes e gestores públicos perderam essa virtude chamada humanidade? Essa capacidade e sentimento da gentileza, da generosidade e da  fraternidade? Ou será que de vez em quando precisará de outra tragédia de uma equipe popular do esporte, a exemplo da Chapecoense, para aflorar nas pessoas esse sentimento que nos diferencia dos irracionais e das chamadas bestas-feras?  Esse sentimento  a que chamamos de humanidade?
Assim deve ser interpelado e rogado porque roubar dinheiro público, a corrupção, desvios de verbas do SUS, de merenda escolar, da educação, enfim, também são formas ignominiosas de violência e massacres de assistência e esperanças! Ou não. Janeiro /2017.  

Apesar de tanta insanidade e maldade no coração e no reinado de alguns , nos resta fazer a nossa parte e ser um pedaço do mundo melhor que queremos  –  Feliz 2017   

Presídios..

                       TEATROS DE HORRORIZAÇÃO DA SOCIEDADE
João Joaquim  


 Muito se tem falado, divulgado e discutido sobre a violência em nosso país. E tais discursos e falações se fazem com todas as razões, embora sem apresentar as raízes de tão grave questão que faz de vítimas as verdadeiras vítimas(físicas e emocionais) e também todos aqueles de envolta com as agressões. E mesmo aqueles distantes que veem e leem os noticiários diários.  A natureza da violência entre as pessoas é multifária, multifatorial,  mas alguns dados e fatores saltam à apreciação de qualquer profissional, seja ele do jornalismo, do judiciário ou outro de ciências humanas.
Uma causa recorrente nas agressões criminosas contra as pessoas é o uso de drogas. E aqui entra desde o álcool e psicotrópicos( de prescrição médica) até  as drogas ilícitas de efeitos psicodélicos e alucinatórios. Como exemplos a maconha, o crack e a cocaína. No fator efeito das drogas, há uma ação sinérgica ou aditiva com os distúrbios psiquiátricos, desde aqueles diagnósticos limítrofes aos casos mais graves sem um adequado controle psicoterapêutico. A verdade real é que há muitos loucos e psicopatas soltos, muito mais do que sonha nossa filosofia e nossa precaução.
 Imagine a situação de uma pessoa com uma esquizofrenia descompensada sob efeito de uma droga ilícita. São agressores e assassinos de alta periculosidade. E eles estão livres por aí como lobos solitários. As pessoas mais vulneráveis são justamente as do convívio familiar próximas desses psicopatas. Vale deixar claro que esses ditos lobos solitários não são aqueles pervertidos do estado Islâmico (Isis) e outros terroristas que deturpam  e envergonham o islamismo e adeptos dos preceitos do corão (inspirado no evangelho de Maomé).
Os lobos solitários aqui referidos são as milhares de pessoas com as quais cruzamos em nosso ir e vir e que repentinamente têm um desequilíbrio mental e provocam graves agressões , assassinatos e chacinas. Muitas dessas tragédias ocorrem por psicopatas “sem nenhum antecedente criminal”.
 Aliás, todo facínora e criminoso hediondo só o torna a partir do primeiro crime. E nesse quesito, nossas leis e a Justiça têm sua participação em permitir que muitos desses predadores humanos não fiquem o necessário ou perpetuo tempo na cadeia. E bem trancados , porque um outro problema de segurança pública são as evasões e fugas dos presídios.
Ainda ao falar dos psicopatas soltos, ao analisar a biografia desses mentecaptos, ele têm todos os critérios de uma doença mental e comportamental de alto risco. São os casos por exemplo de esquizofrenia, de personalidade antissocial ou psicopática  etc.
O ano de 2017 começa com os horrorosos e tenebrosos massacres nas penitenciárias de Manaus (AM) e Boa Vista (RR). Alguns dados dessa crise de violência saltam às considerações mais triviais. A violência nos presídios no Brasil mostra o que? Primeiro, a falência do estado (união) aqui representado por ministério público e judiciário em fiscalizar e manter a ordem e o rígido cumprimento das penas. Segundo ponto, o domínio do crime organizado nessas prisões, é inimaginável um criminoso perigoso, recalcitrante e reincidente ter direito e acesso a telefone celular, drogas e até a armas em sua cela!

 Outra questão gravíssima surgida nessas rebeliões de preso é a infiltração do chamado crime organizado nos órgãos públicos com a participação  de agentes do estado. São várias as denúncias que saem na imprensa de membros das polícias e do judiciário (até desembargadores) envolvidos com assassinos e traficantes. São fatos do fim do mundo. Imaginar que autoridades cometem tais venalidades, suborno, corrupção e comércio  de sentenças e liminares. São condutas condenáveis e que se repetem em nossa República  de muitas desgovernanças.
Enfim, a questão da violência no Brasil hoje pode ter lá suas causas genéticas; e parece que ancestralmente o homem traz a agressividade em seu genoma, mas o estado deveria ter uma governança mais rigorosa no trato de tão sensível matéria, que causa medo e ameaça a todos os cidadãos.
Muitas outras faces poder-se-iam ser postas nessa discussão como a desigualdade social, a brandura das leis, o uso disseminado de drogas ilícitas;  e mesmo uma educação pública precária em todos os níveis. Pessoas incivilizadas, sem uma educação de qualidade tendem mais aos delitos, a uma vida sem regras éticas e de mais infrações penais.
Porquanto, tendo todas essas constatações e falhas até mesmo na estrutura e criação/educação dos filhos, vamos fazer cada um a nossa parte, considerando até mesmo que o estado sozinho não dá conta de consertar tantas coisas erradas  a que as próprias pessoas dão causa e efeito.
Todo mal se combate melhor pela raiz. Que cada família seja dos filhos o próprio juiz e os crie para o bem de nosso tão querido país de nome Brasil. O mundo melhor que queremos começa por uma geração de pessoas melhores, no caso nossos filhos, são o bom começo dessa mudança .            Janeiro/ 2017.  


ENGANOterapia

TERAPIAS ANTIAGING E OUTRAS SEM EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
João Joaquim 


É muito louvável, promissora e positiva a decisão do Conselho Regional de Medicina de Goiás(Cremego) em se posicionar e trazer à discussão a temática da medicina da enganação. Esse foi o título de um artigo que escrevi e  fiz publicar no jornal Diário da Manhã e  em minhas páginas na internet.
 Numa  sessão plenária ocorrida em novembro/ 2016, o cremego trouxe o tema à baila, com participação de conselheiros de outros estados e representantes de vários especialidades. Titulares e praticantes de dermatologia, geriatria,  endocrinologia e cirurgia plástica estiveram presentes, dentre outros ramos da medicina.
No mundo e na idade digital em que vivemos trata-se de um absurdo constatar  que ainda sobrevive e prosperam a tal prática da medicina e tantas terapias sem embasamento cientifico. Com os avanços tecnocientíficos que conquistamos se torna inaceitável qualquer procedimento diagnóstico ou terapêutico sem os chamados estudos científicos e ensaios clínicos; pesquisas essas feitas  por pessoas altamente qualificadas, por instituições sérias e tudo aprovado e referendado por comissão de bioética.
Eu considero intolerável que as pessoas sejam expostas, em nossa era da comunicação gratuita e instantânea (redes sociais da internet), às práticas de charlatanismo, curandeirismo e vigarismo no meio médico. E tais práticas tem sido repetitivas no atendimento às pessoas de todas as classes sociais. Todos estão igualmente sujeitos às chamadas terapias do embuste, da enganação, da embromação dos falsos profetas das curas.
Um médico, um cirurgião, um ortopedista que pratica uma medicina sem evidência-científica está agindo como um charlatão, um curandeiro, um mero operador de pessoas. Eu sempre disse e reitero que o charlatão mais nefasto é aquele diplomado, porque ele tem mais regalia e credibilidade em suas práticas. O charlatão ou curandeiro leigo quando muito vai vender alguma terapia  inócua ou de baixo potencial ofensivo. Uma “garrafada”, uma erva, uma infusão vegetal, um emplasto etc. O diplomado, não, este tem a chancela do órgão fiscalizador onde inscrito. Para tanto ele costuma exibir até nas paredes do consultório os diplomas e inscrição dos conselhos que regem , regulamentam e fiscalizam a profissão , é o caso de nosso egrégio e colendo Cremego, a quem todos nós médicos devemos respeito e apoio em seu difícil múnus de normatizar e vigiar a prática da Boa e Ética Medicina. Além de punir,  é o que espera a sociedade, os desvios e ilícitos atos dos maus profissionais. Felizmente são poucos.
Dentre os praticantes da medicina da enganação temos aqueles que cometem fraudes contra o SUS e contra os planos de saúde. Tais falsos profetas da profissão cometem os chamados ilícitos éticos triplamente qualificados. Isto porque eles lesam os colegas da profissão daquele plano de saúde, lesam o próprio plano e os pacientes do seguro.

A plenária temática do CRM-GO “  a prática da terapia antiaging e de outros procedimentos sem evidências científicas” foi muito oportuna e feliz. De minha parte louvo como promissora a preocupação da direção do conselho. Eu sugiro que haja mais do que uma nota técnica, talvez um normativo ou resolução que investigue tais práticas referidas no texto. Que haja expressa vedação ao exercício de tais condutas e “terapias empíricas ou curandeiras” e que seus autores sejam ética ou até civil e penalmente punidos. Janeiro/2017

Assédios

                                        ASSÉDIOS 
                                                Enquete no #OpiniãoPública
 
Mensagem partilhada originalmente por OpiniãoPública  JORNAL DIÁRIO DA MANHÃ – GOIANIA GO 19.01.2017  João Joaquim 


Diuturna ou eviternamente a humanidade vive em conflitos, em escaramuças, em agressões, em abespinhamentos, fúrias e difamações. Os sentimentos ou motivos que levam a tais reações são multifários, de tal natureza que fica árduo o seu ordenamento. Assim temos a inveja, a cobiça, o “ciúme passional”, os assédios moral e sexual,  a atitude de vingança ou retaliação por uma injúria ou objetivo não alcançado entre outros sentimos destrutivos e de violência contra o outro que passa a ser um desafeto ou invejado.
A questão ou tratativa aqui proposta da agressividade, de agressão ao outro  (moral ou emocional, da honra) e desqualificação de alguém exclui aquelas condições mais graves envolvendo tentativa de homicídio ou feminicídio. Embora pode-se até chegar a este cúmulo. Nem tão pouco se refere aos crimes com participação e efeito de drogas ilícitas, nem por assaltos. As violências e lesões aqui tratadas pretendem ser as de natureza contra a moral, a honra e a dignidade das pessoas. Ao que sugerem os fatos e o comportamento das relações, é o que nos mostram estudos e mais estudos de psicologia , antropologia e da sociologia;    os sentimentos de vingança, da inveja e da difamação do outro estão plasmados no DNA de cada agressor. Assim nos atesta a história que tem casos bem típicos que remontam aos nossos ancestrais. Basta como amostra grátis revisitar as histórias de uma rainha Cleópatra, do imperador Júlio César e muitas outras narrativas palacianas antigas e recentes. Afora os fatos que circundam cada pessoa, seja no seu meio social e profissional ou divulgados pela mídia, que existem em profusão .
O bom e proveitoso é quando certas passagens e circunstâncias tais ocorrem em nossas vidas e possamos delas fazer alguma crônica pitoresca ou picaresca, naquele princípio de uma amara tangerina se fazer um capitoso e saboroso refresco.
 Eu já na madureza de minha juventude cheguei a trabalhar no Banco do Brasil (entrei antes do Henrique Pizzolato, do mensalão). Exercia duas atividades, era médico e bancário. Trabalhava num departamento de nome cesec (já extinto). O chefe dessa divisão se chamava Wagner Ferreira Lima. Agora, imagine um chefe xerife, chato, perseguidor. Era ele em pessoa. As atitudes de perseguição, de assédio moral eram tão ostensivas, que um dia resolvi e  mandei ele aos diabos e pedi demissão. Foi uma decisão sumária, foi uma vingança inusitada de minha parte.   Ao que parece, o indigitado chefe assim agia  por pura inveja. Ele não suportava que eu fosse médico e fizesse um bico de emprego no Bando do Brasil. Se ele for gente que leia as minhas crônicas , mando a ele meu abraço, e o aqui relatado são águas passadas, nenhuma ojeriza contra ele.
E no realce de assédio, relembro um outro episódio. Era plantonista do Hospital Unimed. Na minha equipe uma colega, Lúcia Helena. O certo é que convívio próximo reforça algum vínculo ou inconformismo pessoal, revigora alguma antipatia. E assim foi o sucedido. Nos tornamos antipatizantes mútuos, por questiúnculas pessoais não atendidas no cotejo dela,  Lúcia Helena. O tempo passou, mas as memórias e desejos de revinditas nunca. Certo dia, uma paciente inconformada com um pedido que lhe neguei (de forma ética e regimental) fez uma queixa em meu desfavor. A chefe da comissão de ética era justamente a médica Lúcia Helena. Imagine que oportunidade ímpar. Fui impiedosamente denunciado pelo feito. Embora contundentemente absolvido de nenhuma infração ética ou técnica ou administrativa.  Passei por sérios aborrecimentos em demonstrar minha inocência. O que seria mais ético e digno em uma situação dessa? A pessoa( no Caso Lúcia Helena Goetz)  se considerar impedida e não uma atitude no mínimo de alta suspeição e sem credibilidade, ou chance de se vingar de uma quizila antiga não sanada, entre dois colegas de Hospital.
Por último um exemplo autêntico de desforço ou revindita ou mesmo uma atitude de talião. Numa fase de minha vida, jovem e solteiro,  loquei um apartamento de duas irmãs, de nomes santos, Ana Maria e Lúcia;  com uma das quais tive um certo flerte, de pouca monta e curta duração. Findos aqueles mútuos contatos de atração eu subloquei o imóvel para minha namorada de então( hoje vive casada nos EUA). Pronto, foi o motivo bastante para que eu e a antiga namorada(sublocatária)  fôssemos  escorraçados (despejados) do imóvel de forma arbitrária, ilegal e violenta com a participação de um delegado de polícia,  amigo das ditas irmãs. Isto tudo contrariando as cláusulas de contrato de aluguel .
Mas, durmam com uma maldição ou anátema desses que o destino nos reserva. Passados tantos anos e já na era da internet, não é de ver que uma dessas irmãs se casou com um parente meu. É a dinâmica do mundo e suas voltas. E a sede de revindita dessa dita cuja continua vigente e eviterna( “ até de cujus”) . Enfim e ao cabo esta é a natureza, genética e índole do bicho humano. Complexo, imprevisível e incompreensível. 

O temo assédio vem do latim,” adsedere, i.e, sentar-se em, ou de ad , a, mais sedere”. Tinha o sentido do guerreiro e combatentes quando se sentavam ou cercavam uma cidade.  Curioso e coincidente com o que vemos com espíritos dotados de algum rasgo de egoísmo pusilânime ou feiura moral interior. São os labéus ou máculas que cada um pode portar em seus registros internos por um processo hereditário ou defeito de caráter educacional e mesmo vivencial advindos  de suas famílias e meio social, que a psiquiatria ajuda a entender .  Janeiro/2017. 

O NOVO JÁ VELHO


                                  ANO NOVO E FATOS VELHOS
João Joaquim  

O ano de 2017 está parecendo muito aquelas pessoas de espíritos volúveis e inconstantes. Eu explico melhor: sabe aqueles tipos que nos festejos de natal e ano novo desejam felicidades em profusão aos outros?  Mas, mal inicia o novo ciclo e continua no mesmo ritmo do ano vencido? Assim está sendo o 2017. “Ora pro nobis”. O janeiro mal começou e já tivemos ataques terroristas (Turquia), rebelião de presos no Brasil com vários mortos( mais de cem) e com  degolas. A  inflação se mantem ameaçadora, o trânsito continua dizimando vidas, os assassinatos de toda natureza são os mesmos de antes, as ondas de corrupção idem.
Enfim é um ano com maus presságios. E para piorar, sem ser espírito urubuzinho ou murfino( de Murphy, lembram da lei de Murphy?) vem recrudescendo algumas doenças que pareciam dominadas. São os casos da febre amarela e da sífilis. São casos assustadores. Isso para não falar nos casos de dengue, zica e chikunkunya que vêm atormentando as pessoas.
 Em tempo, a lei de Murphy refere que se um fato tem chance de dar errado, ele o fará da pior maneira possível. Então , é bom todos cuidarem porque o aviso está dado. Depois não venham me  inquirir que eu não avisei.
Poucos dias atrás  alguém perguntou-me por que do nome febre amarela. Como se temperatura corporal tivesse cor. Eu explico. O nome se deve a dois sintomas da doença: a febre e a icterícia, icterícia  que torna a pele e mucosas de cor amarelada, simulando uma hepatite. Trata-se de um quadro bastante grave que pode levar à morte. E o bacana que com  uma dose da vacina, a pessoa está imune. Resta torcer para que não continue faltando o produto nos cais e hospitais públicos.
Agora curioso e pitoresco é a sífilis. O nome da doença vem do topônimo siphilus. Trata-se de um personagem mítico que despertou a ira dos deuses. Ele então é castigado com uma doença sexualmente transmissível, repugnante e muito contagiosa. Antes da descoberta dos antibióticos (penicilinas por exemplo) a vítima de sífilis morria de forma insidiosa pelas graves sequelas, até neurológicas, que a doença pode provocar. O intrigante é que a doença se manifesta nos órgãos sexuais, pênis , vagina. Aqui ela pode cicatrizar, mas ela de forma sub-reptícia e lenta, dissemina pra outros tecidos e causa graves lesões internas.
Fica a impressão de que este ano novo com fatos velhos, e até meio esquecidos, veio para mostrar aqueles espíritos que não se renovam, que todo recomeço depende de cada um de nós. Eu estou tendo a sensação de que o velho se deixou ser abatido e esquecido , mas disse bem sorrateiramente:  eu passo e fico vencido mas deixo todos os meus males e mazelas para vocês que me desdenharam. Vá lá agora entender, o 2016 praguejando o novo.
 Assim, na passagem de cada Natal e Ano Novo,  ouvimos e recebemos os mais diversos parabéns e apelos. E quando analisamos com nosso crivo da razão constatamos o quanto de vazio, de hipócrita e superficial existe no íntimo e vontade de muitas pessoas, que sequer permitem revolução e renovação  de suas próprias condutas e vidas.
E ao cabo no volver do novo ano temos o mais do mesmo que foi o velho ano de 2016. Crises de toda ordem. Na economia, na violência pública e privada dos presídios. Não bastassem todas essas crises, temos aí as crises das doenças e da saúde pública. O ano de 2017 nem bem esquentou e ele já nos mostra as suas  de crises. E o golpe de misericórdia veio nesse  19 de Janeiro/2017, com a trágica morte do ministro do supremo tribunal federal Teori Zavascky, no acidente de avião que caiu no mar de Paraty RJ. Com isso mais uma crise pode se instalar, na Justiça e na política, quem conduzirá agora os processos da Lava-Jato, no Supremo? Ao que parece o Murphy se remexeu e mostrou de novo as suas garras. “Ora pro nobis”. Janeiro/2017.


MINORIAS


       A ETERNA LUTA DE CLASSES

João Joaquim  


Tem sido uma rotina assistir a notícias de violação aos direitos humanos. Violação  de direitos de  pessoas tidas como pertencentes aos chamados grupos minoritários ou simplesmente minorias. Tal nominação(minoria) traz-me à memória a ala minoritária do antigo partido comunista russo, os mencheviques (minimalistas) em oposição aos bolcheviques (maximalistas) do ditador Lenin( pc russo) .
Essas chamadas lutas dos classificados minoritários pertencem àquele princípio da eterna luta entre o bem e o mal, da energia e tendência do moto-contínuo dos diferentes e desiguais. E assim entramos naquele disse-não-disse, disse-que-disse, enfim no ramerrame enfadonho e interminável da vida humana, da luta dos estratos sociais.
No que me toca eu vejo tais comparações, conflitos e intrigas iguais a outros fenômenos, ocorrências da vida de que muitos analistas têm a mesma percepção, qual seja, de imutabilidade, de irreversibilidade das reações sociais. Numa analogia mais popular seriam situações de mesma natureza da corrupção, da feiura, da formiga-saúva e cupim.
Todas as estratégias, expedientes e meios para eliminar a saúva e cupins foram infrutíferas até aos dia de hoje. Será que haverá uma invenção para eliminar cupim e formiga-saúva? Trata-se de uma luta eterna e em vão. O mesmo se dá com a feiura e a corrupção. Alguma coisa muita semelhante ao perpétuo trabalho de Sísifo( vide mitologia grega). Na mitologia grega Sísifo é um personagem  que leva sua pedra ao cume da montanha, ato contínuo, ela precipita de novo do penhasco e tudo continua em vão; todo trabalho reinicia infrutífero. Alguma coisa semelhante ao enxugamento de gelo. Assim são as lutas das classes sociais, eterna.
 Nessa questão ou fenômeno da eternização do comportamento social , seja para o bem ou para o mal,  vamos pensar por exemplo no eterno impulso do mais forte em explorar, em dominar, em humilhar e eliminação do mais fraco. Tal desejo e inclinação está no íntimo da natureza humana. Tal pulsão inata está no DNA e vem da ancestralidade de gênero humano . O espírito escravocrata de exploração do outro por exemplo, seja de negro, índio ou branco. Esse expediente deixou de existir com a denominação de abolição da  escravidão de negros. Mas, na prática e na sua forma de exploração das pessoas menos qualificadas ela se dá na maioria dos países subdesenvolvidos.
Temos então o que se pode nominar de escravidão humana. Sempre existiu e sempre haverá.  Para tanto basta visitar e constatar os salários pagos a esses trabalhadores braçais; os benefícios a eles negados e os riscos e agravos à sua saúde. Subjugar, dominar e aniquilar o outro. É o homem sendo lobo do próprio homem, o eterno canibalismo social.
Todos aqueles pertencentes aos grupos minoritários devem entender, com o direito de não aceitar, que uma coisa é a proteção do Estado no que se refere ao gozo e ao acesso a todos os direitos. Trata-se de um dever oficial, a garantia de acesso aos  serviços na mesma qualidade e disponibilidade a todos. Isto é o que mencionam as palavras frias e mortas da constituição.
Outra  questão ordinária, real e incontornável é o preconceito, a discriminação latente, que subsiste perpetuamente na mente, no coração e na atitude das pessoas. Atitudes e sentimentos esses que fazem parte do senso coletivo dos humanos. Preconceito e discriminação estão no DNA do gênero humano e de lá nenhuma lei ou decreto os retirará. Ou alguém como os gays, os negros, índios, os afrodescendentes, os feios, os gordinhos, os albinos, os deficientes mentais, os analfabetos, os pobres etc,  ficarão livres desse carma do preconceito e rejeição por grande parte da  sociedade dominante, os ricos , os poderosos, os que detêm mais posse e supremacia sobre outros.? Impossível.
 Arrogância, prepotência, egocentrismo, esquizofrenia, personalidades antissociais são componentes da sociedade que sempre existiram e existirão. Tal realidade é similar ao fundamentalismo “islâmico” , ao terror do estado islâmico, a perseguição de cristãos. Alguém acredita no seu fim ?
Independentemente da definição e opção de cada um, em ser moreno, descendente negro, mesmo não o sendo, isto em se falando de Brasil, o jovem tem usufruído por exemplo do acesso às universidades através da criação das cotas. Aliás, esta é uma enorme e inaudita conquista. Eu desconheço outro país com tal privilégio que é mais do que um direito. Benesse, uma concessão privilegiada a essas minorias, concedida pelo governo do Brasil. Apenas isso.
O que não se pode é essas minorias reivindicar privilégios e tratamento diferenciado de outras pessoas. Seria o desejo de ser mais iguais do que os demais.
Eu, pessoalmente, sempre tive uma certa reserva ou resistência a qualquer forma de privilégio concedido a quem quer que seja. Aliás, a concessão de algum bem, de alguma prerrogativa, de algum acesso ou ascensão a uns ou minorias, não deixa de ser uma discriminação ou preconceito com o carimbo do Estado. Vamos a título ilustrativo pegar a questão das cotas de ingresso nas universidades. Tal concessão ou privilégio é feita a negros, afrodescendentes e indígenas por exemplo. A meu sentir, tal legislação é uma nítida demonstração do instituto oficial (do Estado) da discriminação e preconceito racial.
Se pelo artigo 5º, somos todos iguais perante a lei, é porque de fato o  somos em tudo, inclusive em aptidão intelectual, em inteligência e na capacidade de concorrer a uma vaga em ensino superior ou de emprego. Ou as minorias têm inferioridade aos outros indivíduos não minorias?

 Eu , fosse minoria, me recusaria a receber algum mimo ou privilégio  oficial.  Não sei por que, mas eu  pertenço a um grupo majoritário, o dos honestos, pobres , que sempre trabalhou duro para viver e conquistar o que tem de forma justa , com  toda probidade nas relações públicas e privadas. É isto, falei até demais.   Janeiro/2017.

Falta assunto

 ESCASSEZ OU ABUNDÂNCIA DE ASSUNTO
João Joaquim  


Uma questão que traz um certo travamento no encontro das pessoas é a falta de assunto. Notadamente quando se avista a pessoa na primeira vez. Se já é  da intimidade a conversa flui com mais facilidade. Não é por exemplo incomum num e noutro contato o sujeito sem outros recursos do que falar evocar uma situação de momento, um fenômeno atmosférico, um clima político ou uma manchete impactante de telejornais. São locuções corriqueiras aquelas de ah! como faz calor, parece que vai chover, o frio está agradável! Ou as manchetes bombásticas: que horrível foi aquele crime, e o criminoso não foi preso!
A crise econômica também têm contribuído um pouco para os carentes de assunto. O feijão por exemplo, como anda caro, a gasolina continua nos píncaros da carestia. O feijão fica fácil.  Acho que vou trocá-lo por fava ou ervilha. Ou então o furacão Matthew, que passou devastando terras, mares e pessoas pelo Haiti. Ou por exemplo a morte de Teori Zavascki , no naufrágio do avião, que caiu no mar de Paraty. Naufrágio de um avião, coisa inopinada. As rebeliões ou greves nos presídios , com mortos, feridos e muito apreensão . Além da força de segurança nacional, têm sido mobilizados os políticos e autoridades várias.
Para quem ao menos assiste aos telejornais por exemplo têm surgido muitos espalhafatos. Quer dizer, não precisa nem ter muita cultura que as bombas estão lá. Só na operação lava-jato, toda semana têm uma série de notícias ruidosas. São indiciamentos do ex-presidente Lula, prisão preventiva ou provisória de ex ministros dos ex Lula e Dilma, condução coercitiva dessa e outra autoridade de estatais, descobertas de outros focos de corrupção, falta de tornozeleira eletrônica, entre outras notícias policiais e de saúde pública. Focos de zika e dengue por exemplo, surtos de febre amarela, o mandado de prisão de Eike Batista, ruindo o seu mandato como bilionário.
Então a questão inicial da escassez de assunto no decorrer do tempo pode relaxar as inibições e desaguar em vários temas. Uma deixa interessante na míngua do que falar pode ser  quando morre um personagem famoso. Quer dizer, o sujeito não precisa  nem ser importante; são conceitos distintos. O cara muita vez é famoso e sem nenhuma importância social, política ou ética. Morre por exemplo um ator bem apessoado de imagem e dotes físicos. Numa palavra, ele era um galã midiático. Nessa fatalidade da morte dessa figura, as redes de TV numa estratégia de mais ibope e mais audiência, irão prolongar o funeral do indivíduo. Todas as TVs irão pelo mesmo caminho. Nesse cenário, por exemplo as pessoas buscam assunto por vários dias. 
- Que triste, não! Você viu? Como ele ou ela era assim ou assado! Mas, também por que ele foi se envolver com aquela pessoa, naquele dia e local! É o sujeito( ela ou ela) no lugar e hora errados com a pessoa(3º  sujeito) errada.  É muita coisa errada ao mesmo tempo. 
Se o sujeito for um pouco mais lido não lhe faltará assunto. Nas eleições municipais de outubro 2016. Quantas notícias fora da normalidade! Houve por exemplo mais de 20 mortes de candidatos. O episódio mais rumoroso foi o do candidato José Gomes, de Itumbiara-Go. No tiroteio, ele mais um policial foram assassinados, e o vice de Goiás José Eliton foi baleado no abdômen. Ele sobreviveu sem sequelas, e continua aí falante e muito atuante.
Tiveram também as doações para campanhas, na ordem de milhões, de eleitores que recebem bolsa família e de eleitores-defuntos. Tudo ainda está sob apuração pelos TRE e TSE. São fatos e ocorrências de nosso Brasil.
Para quem se afeiçoa a notícias do mundo jurídico há sempre notícias surpreendentes. É o caso do julgamento do supremo tribunal federal do réu condenado em segunda  instância ir para a cadeia. Na chicana dos advogados ele pode até recorrer à 3a ou 4a instância, mas continua preso.
Se os interlocutores forem estudantes ou professores. Aqui então não faltarão assuntos. Tem por exemplo a flexibilização (leia-se relaxamento) do currículo do ensino médio, tem a piora das notas do ENEM, das provas de avaliação em conhecimentos de matemática e português. Há as fraudes nas provas do ENEM. As quadrilhas estão  cada vez mais organizadas. Falta só uma melhor combinação na recepção das respostas. Aquela de se entendeu   dê duas tossidas, pode falhar , como ocorreu com uma jovem candidata ao curso de Medicina. Porque imagina se o candidato gripar ou resfriar. Que confusão!
No cenário além mar tem o histriônico e parlapatão Donald Trump com sua ideia de construir um muro na divisa com o México. Curioso é que além de estapafúrdio ele quer mandar a conta para o próprio México.

Agora, se tem uma turma que não está nem aí para a falta de assunto é a turma dos conectados. Fala-se aqui da trupe da geração digital. A garotada e juventude 100% virtual não carecem de falta do que falar. A curtição deles é só na base do internetês, do audiovisual e mais nada. Quando esses internautas falam alguma coisa o difícil é decodificar o significado de tanta sigla, gírias e seus idioletos. São tempos estranhos!  Conforme o contexto, pode abundar ou minguar assunto.         Janeiro /2017

Médicos e profs

                      A (In)Justiça com médicos e professores 

João Joaquim   


Há três categorias profissionais no mundo que são tratadas de forma muito desigual. No mundo todo ; será ? Vá que não seja em todo o planeta, mas no Brasil o tratamento é escandalosamente injusto e discriminatório. As três profissões  aqui pensadas são os operadores da justiça, médicos e professores. E os discriminados aqui são exatamente médicos e professores.
No campo da Justiça poderíamos ainda alargar e incluir outras profissões afins. Por exemplo, todas as polícias, delegados e demais profissionais  envolvidos. E mesmo nesse âmbito estrito das polícias já começam a desigualdade de percepção salarial, quando se compara os salários de policiais civis e militares.
A Justiça propriamente dita pode se considerar a mais bem aquinhoada quando se fala em remuneração. Todas as Justiças  são muito bem pagas pelos governos. Sejam juízes de todas as instâncias, procuradores e promotores. Eu nunca vi falar por exemplo em movimento paredista dessas classes de funcionários públicos por melhores salários.
Volta e meia, em termos comparativos, ouvimos até das pessoas que os vencimentos de um juiz ou promotor são vultosos e incompatíveis com a realidade brasileira. Eu penso um pouco diferente e afirmaria de forma meio contraditória:  um magistrado ou promotor ganha muito exatamente  porque um médico ou professor ganha muito pouco. E coloca pouco nisso considerando a nobreza da profissão. Que aliás, têm muito a ver com justiça, quando pensamos no dever do Estado para com o cidadão.
 A omissão dos agentes públicos e governantes com a saúde e educação oferecidas às pessoas constitui uma grave e irreparável injustiça. Se revela uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana. Basta imaginar uma criança sem boas condições de escola; essa mesma criança ou a mãe  gestante sem assistência médica digna. Não é exagero dizer assistência médica digna porque essa Medicina curativa ou preventiva  que vemos (ou a falta dessas) oferecidas pelos postos do SUS têm sido de causar susto e assombro nos segurados. Recorrer ao SUS em casos de urgência representa um fator de risco de agravamento do estado agudo  em que o segurado se encontra ou perigo de morte.
 Então torno à questão central;  os operados da Justiça, notadamente os integrantes de ministério público e Jurisdição  de todas as instâncias  ganham de forma justa pelo papel que eles representam. A Justiça Brasileira, ainda constitui um bastião, uma fortaleza, uma fortificação que nos traz muita esperança de salvação e de um país melhor. A operação Lava-jato , conduzida pelo juiz Sérgio Moro está aí  para nos demonstrar essa esperança de todo o país em se aniquilar um cancro que vem corroendo a nação , a corrupção.
Agora, trazendo então o senso de Justiça para essas outras duas classes profissionais, médicos e professores. Por que os governantes e nossos políticos legisladores não dão o tratamento que essas categorias de pessoas merecem? Aliás, sem mais delongas, são atividades e investimentos que têm muita correlação. Melhor educação gera cidadãos mais esclarecidos, mais emprego e mais desenvolvimento e produção. De igual forma a saúde pública de qualidade. Assistência médica ética e de alta qualificação técnica trará mais segurança às pessoas, aos trabalhadores e às famílias e consequentemente menos doenças, menos falta ao trabalho e mais desenvolvimento, produtividade e riqueza. Ou seja, um país desenvolvido não prescindirá desses três profissionais; professores, médicos e operadores de Justiça. E todos devem ser tratados de forma isonômica e equânime pelo Estado. O que não se tem e não é oferecido pelos governos de todas as esferas no Brasil. Isto é muito triste e condenável.  

 Fev/2017                 


João Joaquim - médico - articulista DM   facebook/ joão joaquim de oliveira  www.drjoaojoaquim.blogspot.com - WhatsApp (62)98224-8810