quinta-feira, 30 de julho de 2015

A MANDIOCA

A  MANDIOCA NÃO É DA NOSSA OCA

 João Joaquim 

 Tem gente que só fica pensando em coisas importadas e só por isso dão a elas a maior importância. Sem trocadilho. Foi mera incidência igual de radicais. Jabuticaba por exemplo. Quer coisa mais linda e apetitosa do que essa frutinha que mais parece uma pérola. O curioso da jabuticaba é que ela dá direto no pau. E o gostoso é degustar essa delícia na fonte, isto é, no próprio pau. Chupar ou degustar essa pérola negra dos cerrados é questão de escolha, eu por exemplo, prefiro comê-la por inteiro, não perco nada.
Deixando por exemplo esta maravilha, que parece ser exclusiva do Brasil, eu quero falar de um outro patrimônio da humanidade. Pena que não seja exclusivo nosso. Estou a me referir à mandioca (do tupi, mandi + oca, mandioca).
Por mais que queira a presidente Dilma Rousseff, afirmando que a mandioca é uma conquista nossa, em posso cravar por quantas mandiocas houver que essa nutritiva euforbiácea foi descoberta por outra civilização.
Conta-se que havia uma tribo indígena no México , onde vivia uma criança de tenra idade muito inteligente de nome mani. Essa indiazinha inexplicavelmente morreu de morte súbita e sem as dores da indesejada das gentes. Como tradição daquela tribo o corpo da menina foi enterrado dentro da própria oca( habitação indígena). Com o passar dos tempos nasceu uma planta sobre a sepultura de mani, e assim floresceu e se tornou verdejante por meses.
Intrigados com aquela planta os índios resolveram arrancá-la para melhor explorá-la e viram que ela tinha uma raiz de casca marrom e interior branco, branco. Aquele tubérculo saboroso foi entendido como um presente de tupã e recebeu o nome de raiz de mani. Como tinha nascido dentro da oca ficou manioca,  e por questão eufônica  se tornou mandioca.
 Outra versão sobre a origem da mandioca vem do folclore do alto Solimões e Amazonas.  Conta-se que séculos atrás diversas tribos da região cultivavam o tubérculo como uma herança dos ancestrais. Era hábito desses indígenas fazer uma espécie de pirão ou  sopa com a fécula da raiz da planta misturada a muitos peixes da região , os mandis, espécie de bagres, de carne muito saborosa. Essa iguaria era muito difundida e apreciada por todas as ocas do rio Solimões até o rio Amazonas. Assim como o componente nutricional mais importante era a proteína da carne do mandi, preparada em todas as ocas, nada mais conseqüente do que receber o nome de mandioca (mandi+oca). Dessa iguaria apetitosa surgiu o nome da planta.
O que importa nas questões da mandioca é que ela tem uma função significativa na nossa alimentação e na economia e até na História. Não foi sem motivo que o tubérculo foi nome de partido político (conservador) na época do império. Na Bahia, por exemplo os adeptos da sigla partidária eram chamados de os mandiocas.
Não ficam só nisso as discussões mandiocais. Em 2006 tivemos na câmara a bancada da mandioca. O que preconizava esses parlamentares? Que o nosso trigo, nossa farinha de panificação tivesse 20% de adicional de polvilho de mandiocas. No plural porque são várias espécies
Hoje sabe-se que a planta é universal. Ela é cultivada em diversos países. É oportuno advertir os consumidores que essa euforbiácea encarna variedades interessantes . Conforme explica o folclore indígena existem entre as subespécies   dois grandes grupos , as mandioca mansas de índole pacífica, e as bravas. Estas, se ingeridas sem o devido cozimento possui um veneno e pode ser mortal ao ser humano.
 Assim discorrido e já dando contornos mandioqueiros  finais, eu lamento trazer essas informações históricas e científicas à nosso ilustra presidenta Dilma Rousseff. A mandioca, quando muito, faz parte do cardápio nacional. Ela não é uma conquista nem brasileira, nem do PT. Ela é uma dádiva da natureza, da Amazônia e do mundo. Nossas saudações à presidenta que de forma festiva e esportiva rendeu suas homenagens não só à mandioca aqui cultivada( de novo, não é nossa), mas sobretudo à capacidade criadora do “homo e da mulher sapiens”. Quanta platitude e abobrinhas também , não ?

 João Joaquim de Oliveira  médico e articulista do DM joaomedicina.ufg@gmail.com

 MUITA TECNOLOGIA E POUCA  PEDAGOGIA 


João Joaquim   

Uma das grandes invenções de meados do século XX, penso eu que foi a televisão . Foram três importantes meios de comunicação nos últimos dois séculos. O telégrafo no XIX, a televisão  e a internet no XX . Detalhe, o telégrafo foi empregado exclusivamente como recurso de comunicação a distância. Uma curiosidade sobre a telegrafia: a última companhia de telégrafo existente no mundo foi desativada em julho de  2013. Ela ficava em Mumbai , na Índia, e parou de funcionar por uma baixa demanda. A empresa ,foi fundada em 1850.  Eram apenas 1000 telegramas por mês, nos últimos anos, num país com 1 bilhão e 250 milhões de habitantes. A Companhia se transformou em museu. O que selou mesmo o fim das comunicações telegráficas foi o surgimento da telefonia móvel e da internet.
Interessante de se considerar é como o nascimento  de um recurso ou ferramenta decreta o fim ou anulação do antecessor de mesmo gênero; outros, no entanto, resistem bravamente. É o caso por exemplo do rádio, com a massificação e popularização da TV. Mesmo com o aprimoramento da televisão a radiofonia mantem o seu uso de destaque. É outro exemplo bem singular a tentativa de abolir o livro impresso pelas plataformas digitais com os instrumentos de mídia como os tablets, os Ipads e outros meios de informática a exemplo de o  e-book.  
A depender de mim o livro físico em seus vários formatos e cheiros reinará eternamente. Eu  sou da época da datilografia mas, vivo hoje rodeado por adeptos da internet e da virtualidade. Procuro fazer uma interface entre a tradição e a modernidade. E a meu sentir, tenho me dado muito bem lidando com esses dois mundos, o tradicional e o moderno.
A televisão de nossa era da informática e dos recursos digitais se tornou um instrumento de comunicação difícil de ser superado e substituído por outras invenções. E isto se deve também ao seu aprimoramento técnico e de qualidade. No início, ela era em imagens em  preto e branco, não havia videotape. Depois veio a era em cores. Hoje temos as imagens digitalizadas (HD). As transmissões, sejam ao vivo ou gravadas, não deixam escapar os menores detalhes (redundância) dos objetos e das pessoas. Há poucos dias por exemplo um médico do sul, diagnosticou um  pelo encravado em um  paciente que estava no Amazonas, isto pelas imagens de TV. Olha quanta utilidade nessa tecnologia para a saúde.
As empresas (redes) que exploram esse ramo de negócio também aumentaram significativamente. Um exemplo do quanto avultaram esses negócios são as opções de TV por assinatura. Faz-se um contrato do gênero e têm-se lá, opções de dezenas de canais nos mais variados temas e interesses. Cinema, música, esporte, notícias, documentário, etc. Tem inclusive as futilidades e imoralidades para quem gosta, reality show de baixo calão, sexo explicito e ilícito e outras putrefações do gênero .
As chamadas TVs abertas, acessíveis a todos, constituem uma concessão do governo. A empresa de TV tem uma licença pública para funcionar.  São uma modalidade de permissionários (licenciados) do Estado. Não conheço as regras e cláusulas dessas concessões. Mas, uma que penso não existir se refere ao conteúdo, ao teor, à qualidade daquilo que é veiculado e levado ao público, às famílias, às crianças e adolescentes.
Sobre o conteúdo e qualidade .  Eu sou de opinião de que esta é uma questão grave. Temos que considerar que a televisão é um poderoso veículo de massa sobre  cultura,  lazer e entretenimento. Ela exerce uma poderosa influência nos costumes e nos hábitos das pessoas. Lamentavelmente as crianças e adolescentes são as principais vítimas do baixíssimo nível da programação da TV brasileira. Salvam-se poucas coisas de que se pode tirar algum proveito de bom e de útil. Alguns canais por assinatura oferecem opções de boa qualidade. No mais, quanto à TV brasileira, todas indistintamente se igualam por baixo em exibir futilidades, violência, reality-shows de baixaria e erotismo e tantas outras abobrinhas e platitudes que nada acrescentam à cultura e entretenimento das pessoas.
O PT, partido que atualmente governa o país, reiteradamente, tem tentado controlar a imprensa,  estabelecer regras e limites para os órgãos de comunicação. Tentativas e desejos contrários à nossa constituição e à liberdade de imprensa e expressão.
 Eu deixo aqui uma ideia, uma sugestão. Não seria melhor normas e cláusulas que vedassem toda forma de baixaria, violência e outras exibições de mau gosto e baixo nível  em todos os canais de televisão?  Já que não dá para ter escolas e ensino de forma televisionada  , que pelo menos as TVs melhorassem a qualidade do que elas chamam de diversão e entretenimento. Isto já seria um bom começo!    
  
 João Joaquim - médico - articulista DM - joaomedicina.ufg@gmail.com

FIM DA CORRUPÇÃO...

PROPOSTA PARA O FIM DA CORRUPÇÃO NA PETROBRAS

João Joaquim


 Hoje eu resolvi trazer às autoridades da Polícia Federal e judiciárias uma solução para se acabar com a corrupção na Petrobras. Trago às autoridades e apresento à nação. Não tenho a pretensão de abolir de vez esse câncer que existe desde que o mundo entrou em vigor, talvez muito antes da babilônia, muito antes do rei Salomão, muito antes de Hamurabi com seu código penal e sua lei de talião (ops, com t minúsculo mesmo, de Lex talionis).
O meu projeto de lei (PL) de extirpar a roubalheira ou cleptocracia na nossa grande petroleira é simples e objetivo: acaba-se com a Petrobras. Ah, mas, certamente irá surgir uma algazarra de vozes em protesto ao meu projeto. Não tem por quê, eu os rechaço todos com soluções e muitos argumentos. Ah, não pode porque a Petrobras encarna e materializa aquele brado getulista de “o petróleo é nosso”! Não tem motivos, existem outros símbolos nacionalistas. Como exemplos o carnaval, o acarajé, o silicone, o biodiosel ( da mamona), o milho e até a mandioca.
Ah! Mas assim nosso petróleo acaba e como fazer com .... Eu repilo sem quê nem para quê. Os automóveis passam a rodar com etanol e biodiesel, voltam os bondes elétricos e outros veículos a eletricidade. E mesmo se faltar alguma dessas formas de energia que voltem o emprego dos   semoventes. Aliás , como seria romântico ver expedições e passeios num coche, numa caleça, numa jarrete,  num bonde de tração animal .  Não perdendo de vista que as pessoas podem se tornar  automóveis com a bicicleta e fazer  caminhadas calçadas de  tênis. Com estes instrumentos traz-se uma enorme vantagem, a saúde do coração. São palavras do dr  Zerbini, “a vida  das coronárias está na sola dos pés “
Meu projeto de apagar a Petrobras do mapa terá outras consequências justas e isonômicas para o povo brasileiro. Primeiro que todo o dinheiro surrupiado de seus poços volte ao seu patrimônio, não em conta secreta, mas que todo brasileiro tenha acesso através do portal Transparência Brasil. Tudo tem que ser feito antes que a sua cotação se esvai nas bolsas de valores. Bovespa e Nasdaq por exemplo. Eram 400 bilhões de reais o seu patrimônio antes de deslindar-se a roubalheira. Hoje não passam de 200 bi a sua avaliação nas bolsas de negócios  do gênero . Mas, repatriando tudo que foi roubado deve ser próximo desse valor, 200 bi de reais. O que fazer com esse saldo? Simples, o petróleo não é nosso? Segundo o ufanista slogan getulino? Rateia-se essa grana entre os brasileiros. Somos 200 milhões de patrícios, cada um receberá 1000 reais.  Olha só a justiça funcionando. Ela que é “cega de olhos vendados”. Pelo menos na estátua, porque o que tem de juízes desvendado os seus olhos não está escrito. 
E os larápios que esconderam dinheiro na Suíça, em paraísos fiscais, nas meias (meiões) e nas cuecas? Com esses gatunos não poderá haver nenhuma condescendência. Xilindró e óleo de peroba para eles. Nada de prisão domiciliar, cartão amarelo ou delação premiada. Prêmio se dá para quem ganha na megaSena ou loteria esportiva. Preso é presidiário e tem que cumprir pena em penitenciária. Tornozeleira  ou  munhequeira eletrônica, que castigo é esse? Fora de cogitação ! Prisão no próprio domicílio! Quanto contrassenso ! O sujeito fica no bem-bom de sua casa, rodeado de afagos e mimos da família e ainda tem segurança paga pelo Estado, isto é , por todos nós brasileiros e patriotas  pagadores de tributos.
No frigir dos bolinhos e das batatas o que se tem de certo é que a culpada da corrupção é a própria Petrobras. Não entenderam ? Explico-me:  Ninguém mandou que ela fosse bilionária. Com isso ela despertou o instinto cleptomaníaco de muitos políticos e executivos da própria empresa. Então nada mais eficaz do que a extinção do mal pela raiz. Assim fechando-se a petroleira, distribui dinheiro às pessoas e todos saem felizes. E certamente o serão para sempre.
O princípio da culpa nesse caso da Petrobras se equipara ao mesmo de uma dispensa com uma queijaria. As ratazanas lá vão não por culpa delas( roazes e ladravazes), mas pela riqueza de queijos nesse depósito. O mesmo princípio dos cupins. Essas pragas não serão extintas se não destruir o cupinzeiro e a rainha dessas térmites, o mesmo princípio da saúva com o formigueiro.
Portanto,  deixo aqui, sem patente, o meu PL da abolição da corrupção nesse setor industrial brasileiro, que é o Petróleo Brasileiro(Petrobras). Em tempo, deveria ser o Petrobras. Mas, não estou aqui para preleção de semântica , vale o sentido da coisa .  Tal projeto de lei se torna de domínio público e de interesse geral. Qualquer parlamentar que desejar,  ou se tal proposta lhe aprouver basta encampar a ideia e apresentá-la ao Congresso Nacional.  Eu aplaudiria e assinaria em baixo e  junto .                – Julho/15

João Joaquim - médico - articulista DM - joaomedicina.ufg@gmail.com

NOS COLETIVOS

NOS AFLITIVOS  COLETIVOS  DAS  URBANOVIAS

João Joaquim


Tem sido dito em um alto e bom som e todos os ditos muitos ferinos e malévolos sobre as condições de nosso transporte coletivo nas cidades e metrópoles. Toda essa cizânia ou quizília verbalizada pela população contra nosso transporte urbano não sé dá sem razão. Todavia, vamos a todas as  vias de cada argumentação. Tem alguma coisa de certo e errado de um lado e outras de mesmo quilate e essência na parte oposta. Cada qual quer puxar a brasa para a própria sardinha ou pegar o pouco pirão para cada prato glutão .
Pelo lados das empresas, os gestores da concessão afirmam com base em planilhas que a margem de lucro é muito baixa; por isso  tem que serem corrigidas tais taxas transporte da multidão . E não adianta tachar os empresários de intransigentes. Os governos também têm culpa em todo esse contingente.   Quando se palmilha as queixas dos usuários se vê que uma de suas reivindicações é ter tarifas compatíveis com os salários que recebem. São confrontos de reclamações!  Os empresários que mais parecem usurários! Os usuários que de fato com míseros salários não conseguem pagar os gastos diários .   Outros motivos apontados pelos presidentes do transporte coletivo têm sido o preço do petróleo.
 Se pegarmos as explicações do atual governo, desde os idos dias das campanhas eleitorais tudo vai desaguar no mesmo imbróglio. Qual seja, no afã ,  embustes e logros para se perpetuar no poder o partido dos trabalhadores tudo prometeu ao povo. E “ab ovo”, isto é, desde a fase de embrião , tudo é a mesma empulhação . Uma vez no poder foi PT saudações para aquelas vazias promessas. O certo é que de quermesse em quermesse  o governo que aí está só tem adotado medidas que mais arrocho traz às pessoas no ir e vir dos superlotados coletivos  urbanos que não param no  leva-e-traz  das vilas e outros centros conturbados  .
Quando se inquire do povão,  à boca miúda, todos têm a mesma opinião. Na verdade, assim refere o povo, o que de fato existe é um conúbio entre governo e empreiteiros e tudo é armado para que o lucro só chova na horta dos patrões  interesseiros .
Na verdade, copilando os arrazoados inteiros, têm mais razão os passageiros. E não se trata tão somente da questão de preço. Basta ver com muito apreço e isenção a natureza e o labor de cada ocupação . Afora o tipo de atividade, o servidor sai de madruga e vai para as filas dos coletivos. Até aqui, nada opus aos pontos dos ônibus . Tem ainda  o trajeto como transeunte ,com os riscos de trombadas e trombadinhas. Quando a pessoa se embica para subir naquele trambolhão  tem sempre aquele esperto e engraçadinho que dá uma mãozinha e completa o içamento.
Alguém acha que acabou o infortúnio. Ledo engano. Cada motorista que conduz essas pessoas mais parece peão de uma boiada. Toda vez é a mesma toada. Ele arranca de súbito com aquele possante e todos que se atraquem lá pra trás. E entre os passageiros?  pensam que reina a paz? Que nada, ali é cada um por si e Deus por todos. Em cada ponto ou um reles toldo é um tal de entra e sai de gente, tudo aos safanões. Nessas horas tanto sofre idosos, crianças, e haja encostamento e os tais dos empurrões .
E entre a mulherada ?Quem pensa que fica nisso a escassez de respeito é porque nunca teve alguma mão boba roçando em seu peito. Quem mais testemunham de modo contrafeito esses ataques são as meninas e moças que de modo faceiro, natural ou com silicone abundam essa e aquela  anatomia sem provocar a menor  suspeita.
Agora como sugestões em proponho mais subsídios para o preço dos passes urbanos. Não se peita aqui os empresários para esses benefícios, a despeito das razões dos combustíveis. Não se pode perder de conta que precisamos de mais coletivos. Para tanto que todos estejam atentos e altivos.
Em que pese o lado forte ou patronal se digladiar por ganhos e mais  lucros, a ponta fraca desse confronto, qual seja a dos viajantes, não deixa de ter razão. Outra tese sobre os transtornos do transporte urbano quem a me deu foi ninguém menos que um médico parteiro. Disse-me esse profissional-cegonha que a causa maior das superlotações e ruindade nos coletivos é questão de descontrole da natalidade. Dito de outra maneira, mais fabrica-se criança do que se faz ônibus, por isso há escassez do tal veículo para deslocar tantas  pessoas  ou pingentes  nas metrópoles e grandes centros  que pululam de gente  num ritmo inclemente.   Julho/2015.   

  João Joaquim de Oliveira  médico – articulista do DM joaomedicina.ufg@gmail.com      

DETOX

Crônica Detox  

João Joaquim


 Há certas ideias e coisas que só podem prosperar e vingar aqui no Brasil.  Não quero nem falar de ideologia política porque já é um campo minado de artigos os mais antagônicos, de sectarismo, de populismo, demagogismo e outros ismos que se tornou maçante discorrer ou ler sobre eles. Já bastam as mandiocadas e derrapadas da nossa presidente. Eu quero comentar sobre saúde, uma seara da qual eu retiro o sustento meu e de minha família.
Nós, discípulos de Hipócrates, que juramos solenemente seguir os postulados do grande mestre não podemos nos omitir frente ao rosário de besteiras que reina nos veículos de comunicação quando o assunto é saúde e as muitas ofertas de terapia para tudo.
O cardápio de asneiras e impropérios é tamanho que daria para montar brochuras e outras tantas coleções de artigos arrolando tais mentiras, ofensas e enganações aos clientes desses tipos de tratamento que vão da calvície até a deformidade genética do dedão do pé (joanete).
Assim, para ficar em situações mais badaladas aqui vão alguns exemplos dessas estultícias e idiotias que tomaram conta da televisão, dos jornais, da internet e placas de clínicas. E atenção! Não se trata apenas de profissionais técnicos ou amadores no ramo. No rol desse besteirol existem médicos, paramédicos diversos e muitos outros charlatões com diploma de curso superior. No campo do que podemos chamar de culto ao corpo temos o que se pode chamar de o suprassumo ou “non sense” em terapias diversas. Eu começo por uma que tenho lido e ouvido tanto que são as chamadas dietas detox. O termo (anglicismo) já constitui um pedantismo e mostra o quanto somos sugestionados por tudo quanto vem de fora. Somos um país de muitos complexos. Além do vira-lata e  dos vitamínicos temos muitos outros. O mais novo é este, o complexo do detox.
 O que me impressiona é o quanto de pessoas do alto clero ou de   “alta casta social” se envolvem nessas imbecilidades. Mais que usuária, essa gente grã-fina  se propõe a ser garoto(a) propaganda de tais recomendações fúteis e sem nenhum fundamento médico ou científico. Eu pergunto: onde estão as razões, as substâncias com tais efeitos terapêuticos em eliminar esta ou aquela toxina de nosso organismo. Só para fecho de questão: quando eu misturo e liquidifico frutas, grãos, folhas e sucos estou simplesmente fazendo uma dieta equilibrada e saudável. Limão, couve, beterraba e alho me fornecem tão somente fibras, vitaminas e alguns antioxidantes. Nada mais. Todas as pessoas , no seu dia a dia , devem ingerir tais alimentos. Eles fazem parte de uma dieta leve e salutar, apenas isto.
Outra grande imbecilidade que tenho lido e visto em nossas mídias são os tais laxantes e enemas (lavagens) intestinais para perder peso. Bem, aqui com um grande risco, o indivíduo além de não perder peso ele corre o risco de fazer uma colite, provocar  uma hipopotassemia(perda de potássio pela diarreia), com hipotensão e até arritmia cardíaca e ter que se hospedar em alguma UTI (menos grave) e outros desfechos mais atrozes.
 E as tais fórmulas para emagrecimento fácil?  Para essas terapias charlatanescas existe um filão enorme de clientes. São aquelas pessoas preguiçosas e que buscam o milagre na perda de peso. Ninguém quer suar a camiseta, gastar o tênis, caminhar ou praticar outro  exercício que o valha.  Nada de mais grotesco e anticientífico existe do que o indivíduo usar tais panaceias na redução de peso. Pensando simples e  sem muito gasto de fósforo ou  ATP (trifosfato de adenosina): se no uso de uma substância já existe algum risco para a saúde, agora imagina uma salada de 4 ou mais substâncias com hormônios da tireoide, diuréticos e os ditos  termogênicos! E aqui nesses fármacos  contra a obesidade é que entra o papel ou melhor a receita de muitos médicos. Alguns até de nome e sobrenome. Tudo com o firme propósito da fidelidade cliental (ops, criei um neologismo).
Dos anabolizantes, nem falo mais. Estão proibidos e deveriam ser abolidos do planeta, mas há até médicos que os empregam sob o belo título de reposição hormonal masculina. Quanto risco. Vale repisar que os hormônios exógenos (medicamentos) trazem graves riscos de eventos tromboembólicos, derrame cerebral, infarto do miocárdio , doença renal crônica, câncer de fígado e outros órgãos , infertilidade  e risco de morte súbita .
Enfim, e para não passar batido o que está no topo da moda em beleza e do culto ao corpo são as chamadas cirurgias plásticas e lipos. As estatísticas de erros médicos; de complicações e morte são de arrepiar. Mas, tudo que acontece no Brasil no varejo e a granel não causa impacto na opinião pública nem nas autoridades. Mas, embora estejamos no Brasil, não podemos desistir, um dia tudo pode melhorar.                          Julho/2015    

João Joaquim - médico - articulista DM - joaomedicina.ufg@gmail.com - www.jjoaquim.blogspot.com

PETROPOLUIÇÃO

O PETRÓLEO E A POLUIÇÃO DO PLANETA
João Joaquim


 Aqueles que preocupam com ecologia, com a natureza, com a saúde do planeta devem estar preocupados. Preocupados e tristes com as últimas notícias sobre os investimentos propostos pela nossa maior petroleira, a Petrobras. Não bastasse a roubalheira que abateu sobre a empresa agora tem mais estas. Nos seus planos de desenvolvimento estratégico consta que ela continuará investindo maciçamente na exploração de combustível fóssil (petróleo). Não lemos ou vimos nos noticiários dela própria ou de outros jornais menção a qualquer investimento nas chamadas energias limpas. Eólica , hidrelétricas  e  energia solar como exemplos. Ou se fala em manter o meio ambiente limpo e saudável , são intenções muito tímidas .
Causa estranheza a mim e a tantos outros naturófilos esse planejamento de exploração do combustível fóssil do  meio ambiente( minas de petróleo , pré-sal), sem a preocupação com os mares e rios, com a saúde da terra. Vale lembrar que tais questões de sustentabilidade, de poluição da atmosfera e do planeta vêm sendo motivo de acirrados debates pelas potências mundiais, aquelas nações que mais gases poluentes lançam no planeta,  Estados Unidos , Japão e China como exemplos. Para informações mais substanciais eu recomendo ler as atas e relatórios do Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC), o chamado painel do clima, do qual participam vários países poluidores. Aliás, as nações mais sujonas  são as que mais entraves e polêmicas criam quando as premissas propostas são no sentido de estratégias que preservem a saúde de nossa terra. Novamente, os U.S.A são um daqueles sujismundos e porcalhões que mais poluem nossa atmosfera e mais emperram as políticas para menos produção de gases de efeito estufa e outros poluidores gasosos ou sólidos.
Para melhor contextualizar os riscos da exploração de combustíveis fósseis é oportuno que se lembre de dois grandes e graves acidentes com vazamento de petróleo. Desses o mais impactante foi da empresa anglo-holandesa Shell, no golfo do México em março de 2010. Foram milhares de barris de petróleo lançados ao mar com uma mortandade de um sem-número de espécie animais e vegetais. Foram várias regiões dos EUA afetadas nessa tragédia ecológica.
 Um outro acidente também calamitoso para a flora e fauna, já aqui no Brasil,  foi o da petroleira americana Chevron, no campo de Frade, na Bacia de Campos RJ, ocorrido em novembro de 2011. Foram mais de 3000 barris de óleo vazados para as águas da região com efeitos devastadores na vida marinha e terrestre . Atualmente , nem se fala mais nesse acidente, que estranho , não ? Só por que é mais uma bilionária do ramo ?
O alerta e as críticas que se fazem aos projetos de expansão dessas multinacionais não é no sentido de condenar ou demonizar a extração de combustíveis fósseis. São  fontes, é bom que se diga , não infinitas de energia a exemplo do petróleo de   nosso pré-natal. O que preocupa ao mundo, sobretudo aos ecologistas e ambientalistas, é a falta de estudos e estratégias das indústrias na prevenção de acidentes e medidas de saúde e sustentabilidade para o planeta. Como minimizar as toneladas de Co2 lançadas na atmosfera , de outros gases de efeito estufa, a redução e destinação dos resíduos sólidos?
 Tem sido noticiário que a Shell tem projetos de exploração de petróleo no Ártico. Uma região ainda preservada da qual não se sabe ainda quais seriam  as consequências desse tipo de atividade. As turmas do clima, ambientalista e do “Greenpeace” já estão encabuladas com esse plano da petroleira americana. Sejam a Petrobras, Shell ou Chevron; o que essas empresas  tinham que planejar seria a produção de energia limpa, perene e sem poluição. As usinas eólica e solar por exemplo. Assim ganham o planeta e a humanidade  Que assim seja! Será ?  Tomara!  Jul/15 .

 João Joaquim de Oliveira  médico e articulista do DM joaomedicina.ufg@gmail.com

DEUS IMORTAL...

DEUS NÃO ESTÁ MORTO  
 João Joaquim

 Um dia desses estava eu sapeando (ou zapeando) pelos canais de TV e deparei-me com uma entrevista. Eu como gosto de ouvir e ver as ideias dos outros me detive naquele canal. Era um pai com a fisionomia plangente e lacrimosa. Uma expressão de dor emocional. Foi condoído para mim  aquele momento. Esse pai havia perdido o filho em um gravíssimo acidente de carro, cujas causas já se sabem foram alta velocidade e falta dos cintos de segurança. Uma ocorrência sinistra mas, rotineira nas cidades e rodovias de nosso Brasil (60.000 mortos/ano).
Os meus leitores cativos e outros fortuitos já devem estar pensando: lá vem de novo uma matéria e esse cronista a falar de vítimas de trânsito. De fato, assim pensando, e até  o que  fazem nossas autoridades; quando morre uma pessoa se torna uma tragédia , mas muitos de forma paulatina aqui e acolá acabam virando uma estatística da polícia rodoviária e do IBGE ao final de cada ano.
Entretanto , o  que me motiva nessa fala da dor do pai pela trágica morte do filho foi sua fá que agora estava sendo colocada em xeque. Confessou o pai: todos os dias quando o filho saia para seus compromissos profissionais, ele (pai) fazia orações e pedia proteção divina para o filho em suas lides e atividades diárias. Ele sempre tinha temor, medo mesmo quando o filho estava nas estradas.  Diante do fim tão imprevisto e doloroso do filho, esse pai nesse tormentoso transe indagou do repórter “será que Deus existe”?
Veja, meus leitores e leitoras, que dúvida das mais emblemáticas de parte da  humanidade. E para contextualizar tão insigne  e universal pergunta eu rememoro outras tragédias que abateram sobre a humanidade e que suscitaram as mesmas dúvidas. Como exemplos o terremoto de Lisboa em 1755 e mais recentemente o holocausto do nazismo (1938-45) e o terremoto sobre o miserável Haiti em 2010. Só aqui foram cerca de 300.000 mortos .
Eu me lembro de literaturas jornalística e de filosofia, quando diversas personalidades desses ramos do conhecimento fizeram as mesmas indagações. Os horrores e sofrimento humano com o nazifascismo  foram tamanhos que muitos questionaram da misericórdia e da existência de Deus. Eu acredito em outras razões que escapam ao nosso entendimento .
Acreditar ou não em Deus é questão de pura convicção ou  intuição  pessoal. Diante do infortúnio, da dor, das tragédias e dos cataclismos e de outras tsunamis , penso ser compreensível questionar a existência de uma força cósmica superior, um ser onipotente e ubíquo a que chamamos de Deus.
Vamos imaginar tal questão em outro viés, mas no mesmo contexto. E a explicação da existência humana? Ela também tem dois polos de discussão. Das duas hipóteses, para quem quer que sejam, uma é verdadeira. Independentemente da tese verdadeira( criacionista ou evolucionista), temos como certo e de consenso que o homem é uma espécie diferenciada, dotada de razão e para os crentes em Deus, com a dualidade corpo e alma.
Um outro atributo sublime de que somos dotados é o chamado livre-arbítrio. Ou seja, cada pessoa tem a plena liberdade e o poder de agir da forma que melhor lhe aprouver. Todavia, com uma condição, que o indivíduo tenha também a consciência do bônus ou ônus  dessa liberdade de ação. Em outros termos ( conforme  outras filosofias ou religiões) é o que se chama de lei do carma:  o que vai, vem. Num dito mais coloquial, quem planta vento certamente colherá tempestade. Quem planta paz e calmaria certamente colherá os frutos da bonança. Quem planta prudência e os cuidados elementares pela vida, certamente terá uma existência longeva e saudável .
Clareando mais a tese acima exposta. Deus, não pode estar ao mesmo tempo em todos os lugares, mostrando o melhor caminho, a velocidade mais segura nos automóveis para os motoristas infratores. Ele também não pode evitar as fúrias da natureza contra as ações predatórias do homem em seu livre-arbítrio. Hoje os temas da moda são os efeitos dos desmatamentos predatórios , o efeito estufa, o impacto do ozônio, o derretimento das geleiras, o esgotamento da água potável , a desertificação da terra, a extinção de muitas espécies animais, etc. Culpa de quem ? Do homem no seu livre-arbítrio. Daqui a pouco corre-se até o risco da extinção da mandioca, “ uma invenção brasileira”( presidente Dilma Rousseff ).
Deus não pode impedir que um drogadito ou alcoólatra saia ao volante e morra ou mate alguém no asfalto. Ele assume as consequências sinistras na sua infinita liberdade de ação. Um indivíduo que passa décadas no vicio do álcool tem alto risco de morrer de cirrose hepática ou pancreatite crônica , todo fumante assume o risco de morrer de câncer de pulmão . Deus não proíbe ninguém da embriaguez , da dragadição , do tabagismo, de se desrespeitar as leis mais simplórias de segurança do trânsito. É o exercício dessa prerrogativa humana do livre-arbítrio , ainda que esta liberdade de poder e de ação seja para o bem ou para o mal. A escolha é de cada um.
Por isso, assim pensa este escriba, que cada um deve estar ciente de sua parte e seu dever em todo gesto e atitude. Deus tem outras coisas mais sérias para cuidar. A nós nos foi delegado fazer o que for possível . Para Deus deixemos o impossível e os milagres. 


  João Joaquim de Oliveira  médico – articulista do DM joaomedicina.ufg@gmail.com  

ÉTICA x tragédia

A TRAGÉDIA E NOSSOS  SENTIMENTOS ÉTICOS
João Joaquim


 Nosso junho/2015 terminou com uma daquelas semanas de surtos. O que é um surto? É uma manifestação súbita de qualquer coisa, um surgimento repentino e brusco de um fato inusitado, algo  anormal; ou também de uma atitude ou comportamento que deveria ser uma constante ou característica de uma sociedade. O surto dessa última semana de junho foi de uma minitempestade de  ética. Comportamento ou  inclinação que deveria ser permanente na vida das pessoas.
Aliás, é oportuno repisar essa tendência de nosso Brasil. Mesmo quando o  Brasil era apenas pau-brasil  parece que já funcionava assim. Aí foi só Pedro Álvares Cabral e Pero Vaz de Caminha se aportarem por aqui que as coisas desandaram de vez. E bem o disse também o Jesuíta Padre Antonio Vieira( idos de 1600). O surto de ética, de decência, de solidariedade, de respeito à dor alheia, dessa última semana de junho/2015, veio com a morte de alguém e as imagens do cadáver destroçado veiculadas pelas redes anti-sociais ( que a sociedade chama de sociais). E aqui não importa a que classe pertença esse falecido, que atributos tenham esse personagem e sua família. Não deveria fazer diferença se ele é famoso e midiático ou importante. Ética e dor alheia, o luto, a luta de cada um devem merecer a mesma acolhida, a mesma consideração de todos nós e dos poderes constituídos; do Estado, das leis, da justiça e da imprensa.
Para bem situar a referência acima expressa, eu não conhecia o sertanejo Cristiano Araújo. Ele e sua namorada morreram em um grave acidente de carro (capotagem) em uma rodovia (Br 153) próxima a Goiânia(24.06.15). Funcionários de uma clínica  que prepararam os cadáveres postaram fotos na internet  dos corpos com graves mutilações decorrentes do sinistro. Como corolário pipocaram várias mensagens e matérias jornalísticas de protestos e condenação pela divulgação das fotos e vídeos. Nada mais correto, honesto e justo tais sentimentos de repulsa e de indignação contra a divulgação e repique de cenas tão fúnebres e dolorosas para amigos e familiares das vítimas. De imediato, ao ler tais notícias eu me neguei a ver tais cenas, condenei e as repudio de forma contundente. Eu nunca usei e tão cedo quero me aderir ao tal de whats-App.
Eu, por índole e formação , frente a morte de qualquer semelhante e irmão lembram-me as palavras do poeta e escritor britânico  John  Donne. “ A morte de qualquer pessoa me diminui porque estou envolto no contexto da humanidade. Portanto, não pergunte por quem os sinos tocam, eles dobram por você”.
O curioso e interessante é o quanto de outras lições podemos deduzir do fato aqui motivador desta digressão crítica. A primeira delas, dentro do princípio do surto das coisas. Nossa justiça, as autoridades, muitas vezes cumprem de forma célere e a contento o seu múnus público mediante rumoroso clamor popular ou incisivos pedidos de socorro. Isto deveria ser uma regra comezinha e rotineira de juízes com suas liminares, das polícias em instaurar inquérito; e não apenas nas tragédias de pessoas ricas, famosas e de grande visibilidade midiática.

 
O segundo aprendizado envolve uma lição e demonstração  de hipocrisia. Alguns canais de televisão que condenaram a divulgação das imagens da tragédia do casal morto são as mesmas mídias de TV que exibem os reality shows com enredos pornô-eróticos ou então os programas policiais diários com cenas e fotos de crimes os mais perversos  em tempo real. Nesses programas, exibidos à luz do dia, nas horas de lazer de nossas crianças, são mostradas matérias com o que há de mais vil, sórdido e chocante ao coração e sentimentos de bondade e de humanidade das pessoas. Seria o equivalente àquele conselho: façam o que eu louvo mas não o que eu exibo e faço. A estratégia aqui é ter audiência . E ela se dá pelos índices de nossa cultura, nossa educação.
Toda essa vilania e baixaria se dão em nome de uma tal de liberdade de imprensa e expressão. Na verdade temos aqui uma libertinagem de imprensa e comunicação tal o teor e natureza desse jornalismo de baixo calão , que aliás, tem um público seleto e cativo, os mesmos usuários das maledicentes e perniciosas mídias virtuais.
O Brasil que vive de tantos surtos e epidemias , deveria sofrer também de um surto de qualidade. Um outro surto que vez e outra acomete nossa sociedade é a consciência  da podridão , da fetidez, da hediondez que reina na Internet e suas mídias com seus múltiplos aplicativos de comunicação a exemplo das redes sociais . Para o afloramento  dessa consciência ética  é sempre necessária alguma tragédia , algum crime hediondo de pessoa pública e famosa etc.  Os tão propalados e massivos facebook  e  whats-App têm sido colocados a serviços de um cardápio infinito de futilidades, de baixaria, de mexerico, de fofocas e muitas outras inutilidades e delitos de pessoas parvas, cretinas, idiotas ,  insensatas, desocupadas e criminosas. 
 Está faltando muitos outros surtos construtivos  em nossa sociedade. Cada cidadão , cada classe de profissionais e de gente têm ,sim, uma Ética. Bandidos e criminosos têm a sua ética . Os regimes autoritários até, têm a sua ética. Cada um tem a sua visão do que é certo e errado para ele. A boa e verdadeira ética é aquela que vem do DNA da família de boa ética , ela é hereditária. Eu posso ser uma pessoa cidadã, que sabe viver em sociedade e inclinado ao bem e à virtude ou ao mal e aos vícios. Ética se aprende, sim, de berço. Boa ou má vai depender dos valores que são impingidos à criança desde a chupeta. Um vez adulto  mal educado e mal formado não há  código profissional , civil ou penal que dê jeito.  Que triste ciclo estamos vivendo . Junho/15.  

 João Joaquim de Oliveira  médico – articulista do DM joaomedicina.ufg@gmail.com     

JALECO BRANCO...

UM CARTÃO VERMELHO PARA O USO DO  JALECO BRANCO NA RUA 

 João Joaquim 

 Gostei de uma pesquisa realizada por um grupo de estudantes de enfermagem de uma  universidade de Cochabamba , Bolívia ,  sobre os usos e significados do jaleco branco. Quem achava que a indumentária era exclusiva ou símbolo de status do médico está quadradamente enganado. Advirto que não me venha perguntar por que do nome  Cochabamba. Ainda que, lá como cá, alguém coxeie das pernas ou do intelecto . Enviaram-me essa pesquisa. Trata-se de alguém  do Brasil que estuda naquela frequentada universidade.  
Quanto à origem do Jaleco branco . Para falar a verdade nua e crua, os médicos foram de fato os pioneiros no uso da roupa branca. Mas, com o passar dos anos, todos sabem a tendência em ser a moda adotada por outras profissões. Tipo tatuagem. Foi só alguns famosos emporcalhar o corpo, aí todos os outros admiradores e seguidores adotaram as pinturas. Muitos tatuam tanto a pele que mais parecem lagartixas ou taturanas( lagartas-de-fogo). A tatuagem, só como nota, surgiu no Haiti.
O porquê do branco. A cor tem tudo a ver com questões de biossegurança para o profissional e os pacientes. A cor branca facilita em saber se realmente a roupa está limpa de manchas, resíduos hospitalares e mesmo respingos de alguma secreção ou sangue. Até metade do século XIX as doenças infecto-contagiosas eram pouco conhecidas. O médico Francês Luis Pasteur foi um dos pioneiros na área de microbiologia. Foi ele quem documentou a estreita relação entre falta de higiene e sujeira (falta de assepsia) e doenças infecciosas. Vem dessa época o jaleco branco como equipamento de proteção individual (EPI). Um outro Francês, o fisiologista Claude Bernard aparece em algumas pinturas vestindo jaleco branco em fins do século XIX (1889).
Na maioria das culturas o branco traz um significado positivista. Bandeira branca numa guerra significa armistício, convite à paz. A pomba branca idem. A maioria das noivas se veste de branco como símbolo de amor, candura e pureza. Na passagem de ano, simboliza renovação e vida nova. Como exceção, na Índia o branco tem a conotação de luto.
 Alguns dados curiosos da pesquisa, que foi feita com entrevistas em vias públicas, com aquelas pessoas que se vestiam de jaleco branco. Cerca de 45% das pessoas que usavam jaleco branco eram médicos, 15% eram enfermeiros, 10% eram outros profissionais de saúde, 30% outras profissões como açougueiro, feirantes, barbeiros, pai de santo etc.  Dos motivos e significados da cor branca do jaleco. Entre os médicos, cerca de 40% não sabiam o símbolo do branco na indumentária médica. Nas outras profissões, quase 100% não sabiam a origem e símbolo da cor alva de sua indumentária.
Uma lição interessante que se tira dessa singular pesquisa é aquela constatação de que a maioria das pessoas usa ou emprega este ou aquele hábito, este e outro objeto sem se perguntar de onde veio, o como e porquê de tal expediente. Elas o fazem de forma imitativa, repetitiva, copiando uma tradição. É o caso de se indagar a razão da venda(tapa-olhos) nos olhos da deusa da justiça ou da cobra enroscada num bastão como símbolo da Medicina.
Assim se sucede com muitos estudantes de Medicina e mesmo médicos já rodados que gostam de exibir o estetoscópio no pescoço e esvoaçantes jalecos brancos nos corredores dos hospitais. E nesses ambientes nosocomiais( nosocômio , hospital) eles devem fazê-lo; afinal são instrumentos e símbolos da profissão. Entretanto, o que presenciamos hoje entre muitos profissionais de saúde é um absoluto desleixo e descaso, tanto nos cuidados de lavagem e assepsia dessas roupas quanto portá-las fora do ambiente hospitalar ou de consultórios. Nessas circunstâncias essas roupas brancas servem de vetores de microrganismos do hospital para a rua e vice-versa. Ou seja, em total desacordo com os objetivos de proteção e demonstração de rígida higiene e biossegurança para si e para as pessoas contatantes com o profissional. É útil lembrar que bactérias de ambiente hospitalar costumam ser extremamente resistentes a múltiplos antibióticos. Portanto, olha aí o risco de se contrair uma grave infecção justamente pela proximidade de um profissional de saúde que deveria ter este zelo e esta conduta de biossegurança.  
Assim , ficam aqui algumas dicas para todos os trabalhadores de saúde. Jaleco branco tem que estar branco (isento) de qualquer impureza ou mancha. Ele deve ser trocado todos os dias. Além de lavado, deve ser esterilizado e não misturado com outras roupas pessoais. Andar de jaleco na rua não é hábito próprio e recomendado para profissionais de saúde. Quando se vê algumas pessoas de jaleco branco em vias públicas pode-se pensá-las como barbeiro, açougueiro, feirante ou encanador. E sem nenhum demérito para esses trabalhadores porque eles não atendem doentes e não são portadores de agentes microbianos vindos de hospital, locais de alto risco de infecções de difícil tratamento.
Dito e comentado  assim penso que ficou mais claro e cristalino o emprego de uniforme branco por todos aqueles que cuidam de doentes, médicos e enfermeiros como exemplos.   Junho/15   
João Joaquim - médico - articulista DM - joaomedicina.ufg@gmail.com

MÁFIAS DA BOLA

OS LUCROS CRIMINOSOS COM O FUTEBOL EM ÂMBITO GLOBAL
João Joaquim


 O planeta inteiro vem assistindo a um dos maiores escândalos envolvendo o futebol, tendo como protagonistas figurões da cúpula da FIFA e Confederação Brasileira de Futebol(CBF). O Brasil como pentacampeão mundial não podia estar de fora do conluio e camarilha de todos os atos ilegais e criminosos nas modalidades de propina, suborno, corrupção, roubo e lavagem de dinheiro. Os atletas brasileiros até agora condecorados pelo FBI com as medalhas da desonra e demérito são José Maria Marin, ex-presdente da CBF, preso na suíça e Ricardo Teixeira ex-presidente CBF e foragido aqui no Brasil. Alguém menos afeito ao mundo futebolístico poderia estranhar. Como assim? Foragido no Brasil, se ele está sendo acusado pela nossa gloriosa polícia federal de vários crimes de mesmo gênero? Alto lá! Basta lembrar casos passados. Ronald Biggs, britânico do assalto ao trem pagador (Inglaterra,  1966) e que por aqui viveu livre, leve e solto. E Cesare Batista, terrorista e assassino da Itália que ganhou guarida, guarda pessoal e refúgio permanente para aqui viver em paz. Todo esse beneplácito e regalia foram concedidos pelo PT do ex-presidente Lula da Silva ,ou seja tudo de acordo  com a CNPT, condições normais no partido dos trabalhadores.
Eu sempre fui um apreciador de futebol, como telespectador e mesmo como praticante. Por muitos anos corri atrás da bola e dei-lhes muitas caneladas. Sorte minha é que ela apanhava calada.
Copas do mundo lembram-me as de 1978 para cá. Lendo a nossa história e dos torneios mundiais, causa-me muito asco e repulsa a relação que teve o regime militar com a seleção campeã de 1970. Era o governo do general Médici. Enquanto se comemorava o tricampeonato, muita tortura se dava nos porões da ditadura. O futebol foi usado nos moldes de ópio ou pão e circo para o povo descontente e mal informado daquele falso ufanismo. Algo semelhante ao que se dava com os imperadores( ou ditadores) do antigo império romano.  Coisas típicas dos regimes de exceção e repressivos. Sabe-se por exemplo que na copa FIFA 1978, realizada na Argentina, período da ditadura de Jorge Videla houve espúrias e sujas relações entre seleção Argentina, ditadura e membros da FIFA, na pessoa de seu então presidente João Havelange(99 anos). Soube-se posteriormente que o cartola brasileiro recebeu propinas em terras e petrodólares.
Em todas as gestões da CBF, notadamente, no período vitalício de João Havelange - FIFA e Ricardo Teixeira -CBF, houve ingerências, subornos e outros malfeitos em favor de resultados de vitórias para o Brasil. Não é sem motivo que a seleção canarinho é 5 vezes campeã do mundo. As pessoas que gostam de futebol, ou mesmo as que não gostam e a imprensa internacional têm elogiado a decisão do FBI (EUA) na prisão dos sete diretores da FIFA, acusados de fraudes, lavagem de dinheiro e recebimento de propinas milionárias para votar a favor da escolha dos países sedes das próximas copas, Rússia-2014, Qatar-2022. O próprio Josef Blatter, atual presidente FIFA e cartolas de outros países estão sendo alvos de denúncias e investigação pela justiça americana e FBI.
Curioso e esdrúxulo é que o Sr. Blatter renunciou ao cargo, mas de forma pré-datada. Deixará de ser o poderoso chefão da entidade em março de 2016, quando se elegerá novo presidente.
Em todo esse imbróglio e lamaçal fétido que envolve FIFA e o futebol no Brasil e no mundo dois personagens estão escapando lisos e incólumes e eu finalizo não os esquecendo nesta sumária resenha esportiva. O primeiro figurão que vem escapando ileso e blindado de qualquer acusação é o ex-presidente João Havelange. Já foi comprovado documentalmente seu benefício com propinas em negócios nebulosos e escusos na direção da FIFA.
Outra entidade e grande patrocinadora da seleção que sempre manteve imune a qualquer acusação é a TV Globo. A seleção de futebol  para nossa gloriosa e onipotente Globo sempre foi uma fonte de ganhos milionários. É muito custoso e nada convincente, imaginar que essa emissora não sabia de toda roubalheira tendo CBF e cartolas brasileiros implicados e interessados em tantas traficâncias e quadrilha do futebol. Não é sem razão que todas as representantes e afiliadas dessa empresa televisiva global vêm exibindo curtas e tacanhas matérias sobre a tramóia e máfia que se abateu sobre  o esporte ainda mais popular aqui no Brasil e no mundo. Junho/2015  

 João Joaquim médico e articulista do DM Joaomedicina.ufg@gmail.com

DE MÉDICO A VÍTIMA

DE PACIENTE A SOCORRISTA DO PRÓPRIO CARDIOLOGISTA
 João Joaquim          

     
 Nosso mundo e a humanidade têm as suas histórias (reais, com h) e estórias (verossímeis ou fictícias). Em cada civilização ou nação existe também a chamada mitologia. Dentro as mais famosas a grega e a romana. Dos mitos ou folclore  brasileiros por exemplo quem não conhece o do saci-pererê, do lobisomem, da mula-sem-cabeça, do boitatá etc?
Na cultura popular temos as piadas, que nada mais são que estórias ou sentenças sumárias envolvendo ações humanas ou mesmo de animais. O interessante de muitas piadas e anedotas é que elas surgem de um fato real. O que ocorre de diferente é o contador da anedota dar uma maquiada e realçada na ocorrência tornando-a de fato engraçada e risível .É o princípio: quem conta um conto, aumenta um ponto. Outras criações engenhosas da mente humana são as alegorias, as parábolas, as figuras estilísticas de linguagem. A própria Bíblia tem exemplos marcantes de parábolas e figuras de linguagem. É uma maneira muita inteligente de dar força e realce às mensagens.
Quando estudamos por exemplos os mitos gregos ou romanos e o perfil dos respectivos personagens, poderíamos numa análise imediata e superficial considerá-los com um certo desdém ou inutilidade. Mas, basta lembrar que eles não surgiram do nada. Todos foram concebidos por mentes notáveis. Filósofos de grande aptidão analítica e metafísica. Basta ler algumas criações de Sócrates e Platão, para ficar nesses dois exemplos. Os mitos na cultura grega têm um certo paralelo e equivalência das parábolas bíblicas. São símbolos de grande ensinamento e valor moral para nós humanos.
Fiz esta extensa introdução falando de história e estória, de anedotas e mitos. Isto foi mais longamente  descrito apenas para descrever uma história (real) que ocorrera com um médico, meu par de profissão, cuja carreira eu conheço de alguns anos. Vou chamá-lo pelo epíteto de Márcio Fagundes, 50 anos ,para preservar a sua imagem e re-pu-ta-ção.
Aquele dia 25 de abril/2015 foi apenas mais um dia na rotina atribulada do cardiologista Fagundes. Consultório cheio, atendimento até 22 horas da noite. Sua jornada começava por volta das 6 horas com passagem no hospital com pacientes internados. Dr. Fagundes era metódico. Todos os pacientes eram agendados e atendidos sem muito atraso. Esta demora quando se dava era motivada por uma e outra razão ligada ao perfil clínico de algum doente que exigisse um exame mais meticuloso. Algum caso fortuito de procura sem prévia marcação era também atendido, desde que aguardasse a última consulta da agenda. E assim se deu nesse dia 25. Foi quando esse segundo  personagem da história e paciente se apresentou para consulta porque vinha sentindo uma dor torácica, com suspeita de ser angina (dor que precede o infarto). Já passava das 20:00 horas, a secretária já tinha sido dispensada como habitual, 18:00 horas. João Vidal Odones então espera sair o próximo paciente e aborda o médico.    
 -Dr. Márcio, estou com uma dor no peito há mais de 10 dias, dá para o sr. me atender? O médico percebe que não se tratava de uma urgência, foi solícito  e prestimoso
- Se o Sr. aguardar o último paciente eu o atendo. Basta esperar  aqui na recepção.   Eu o chamo porque a minha auxiliar já foi embora.
Assim acordado, assim acontecido. O sr Vidal foi informado que ainda restava 4 pacientes para chegar ,além daquele  da vez. Para evitar o tédio da espera ,Vidal resolveu dar uma volta, ir em casa e retornar lá pelas 10 horas da noite. Assim feito e no retorno o último paciente já estava em atendimento.
Eram cerca de 22:15 h quando a porta do consultório se abriu. Na verdade era uma cliente, uma jovem senhora, que passou serena pela sala de espera e ainda desejou uma boa noite ao nosso Vidal. O inopinado que relata o nosso aqui extra paciente( sr Odones), é que o dr Fagundes o chamou para a consulta com um atraso de 15 minutos. Nesse ínterim, ouviram-se ruídos de cadeiras, torneiras abertas para lavagem de mãos e descarga de sanitário.
O médico assoma-se à porta de consultório e ordena  - Vamos entrar sr. Vidal, assente-se por favor! O que se passa com o senhor?
- Antes disso doutor o sr. passa bem? Estou sentindo o seu rosto pálido e com uma pequena suadeira! Pode ser pressão baixa. Posso ver a pressão do doutor? Pressão medida, 10 por 5. Pulsação 120 por minuto. Doutor o senhor não está bem, vou chamar o resgate.
- Eu acho que estou infartando, me deita na maca, me pega uma aspirina e um isordil na minha maleta e me ponha o oxigênio no nariz. E assim foi procedido inicialmente pelo paciente Vidal Odones ( em carne e osso e coração, suspeito de ter angina) ao seu cardiologista também aqui de cognome dr Márcio Fagundes (50 anos). O resgate chegou a tempo, o paciente agora invertido, que sempre tratou as doenças do coração, foi levado a um hospital de referência .
Eu, o autor desta verídica crônica,  que sou amigo e próximo do Dr. Márcio Fagundes, fui visitá-lo já na convalescência no hospital. Ele foi de pronto e muito bem atendido. Sobreviveu ao infarto, recebeu  2 angioplastias, 2 stents e já se encontra trabalhando com recomendações de menos estresse, menor jornada de atividades e evitação de fatores emocionais que façam mal ao coração. 


 João Joaquim - médico - articulista DM - joaomedicina.ufg@gmail.com

DESNAMORADOS...

DIA DOS DESNAMORADOS
João Joaquim


Ontem 12 de Junho, foi o dia dos namorados. Já começo esta crônica no sentido de alguns protestos e ao mesmo tempo fazendo algumas homenagens e comendas a algumas pessoas injustiçadas. Se existe uma entidade nesse mundo que me vexa, me amofina e até me acabrunha é a tal da injustiça. E ela, para meu desgosto campeia por esse mundo ora de meu Deus ora do diabo. Quando avisto alguma ocorrência injusta dá-me logo vontade de mandar o autor para o diabo que o carregue. Na área da saúde e trabalhista por exemplo quanta injustiça. Se tem por exemplo aquele braçal e suador(ralador) que ganha o mínimo tem também aquele que recebe como funcionário fantasma. Parece mágico ou taumaturgo. Igualzinho a disco voador. Ninguém os vê mais brancos, mas eles povoam as assembleias legislativas, os gabinetes políticos, o congresso e outras casas oficiais  etc.
Eu li vários jornais e sites de ontem, 12 de Junho, sobre os namorados. Eram matérias as mais variadas a respeito da comemoração entre as pessoas que namoram. Interessante quando fixamos a atenção na palavra namorada(o). Vejam quantas outras belas palavrinhas extraímos dela de belos significados. Amor,   amora , mora, morada, Roma, orada, mona(lisa), ora etc. Então existe todo um contexto de beleza e de encantamento no namoro e nos enamorados, seja na esfera abstrata, seja no momento prático, no encontro daqueles que se amam. São questões mais do que pacificadas e ponto final. Ou tem alguém , algum leitor que tenha alguma ideia  contra o amor e os namorados ?
Agora não se pode perder de vista aquele outro lado dos chamados injustiçados. Eu explico: eu nunca vi ninguém falar sobre o dia dos não enamorados ( os desnamorados). E atenção! Segundo censo (mesmo sem senso) de nosso ainda acreditável IBGE eles não são poucos. A proporção é mais ou menos assim: para cada dois casamentos há 2 descasamentos. Isto falando no oficial porque há aqueles que se casam no paralelo, informalmente, sem ir ao cartório ou igreja. Esses que se casam sem os prolegômenos e rituais do matrimônio levam uma enorme vantagem . Primeiro porque não existe aquele ônus com convites, arranjos de igreja, gastos  no civil e religioso , lua-de-mel cara, etc. A segunda grande vantagem, é que se a união desandou para trás , decidiu pela separação , não tem aquela burocracia de ir a cartório, petição de advogados, custas processuais e ter aquela certidão de divorciado(a). Olha que praticidade, o sujeito casou , separou e continua com documento de solteiro, não pega aquela pecha de separado.
Agora do fundo de meu coração eu gostaria de ver algum parlamentar propor um projeto de lei (PL) criando o dia dos separados. Não digo nem dos solteiros, porque esses são casados em potencial. Dos separados (homens ou mulheres) temos vários grupos. Basicamente podemos enquadrá-los nos voluntários, aqueles que de comum acordo se separam. No segundo grupo os compulsórios. Nesse rebanho dos compulsórios existem os motivos vários. Por exemplo infidelidade conjugal, sucateamento da relação, opção por um segundo cônjuge e outras razões de semelhante quilate. Não contando aqueles que de tanto amor costuma eliminar a amada(o) do coração e do direito de viver.
Pode qualquer deputado ou senador não ter lá a pretensão em tal PL do dia dos separados por considerar esse grupo de pessoas o lado negativo, desajustado ou indesejável das relações humanas. Entretanto, já de plano eu deixo os meus protestos. Tal contra-argumento se fundamenta no fato de que os desnamorados e descasados representam um filão enorme de pessoas de bem com a vida, são consumidores iguais a todo consumidor e portanto merecem o respeito e as homenagens da iniciativa oficial e privada.
E já que Julho não tem nenhum feriado, poderia ser num dia  de Julho, que segundo pesquisa notarial neste mês é o período quando se  registra e homologa mais  divórcio. Isto me deixa curioso e grilado, por  que no mês  de Julho? Trata-se de um mês de mais férias, menos trabalho, mês também que foi  criado em homenagem ao imperador Júlio Cesar, que teve lá também suas desavenças namorais .              13 de junho/2015

João Joaquim - médico - articulista DM - joaomedicina.ufg@gmail.com

CRIANÇA NÃO , CACHORRO SIM

TROCA-SE UMA CRIANÇA OU IDOSO POR UM CACHORRO
João Joaquim


 O nosso antes operoso e acreditável IBGE soltou estes dias um censo zoográfico de cães e gatos. Ou seja uma estatística sobre a população doméstica desses bichos. Não são poucos animais! Vamos às críticas observacionais. Em primeiro lugar, os dados são de 2013, por isso desatualizada. Em segundo lugar, estatística não é matemática, porque é sempre furada e imprecisa. Em terceiro lugar, os dados compilados se referem a animais domiciliares. Isto é; não são catalogados os bichos de ruas e mesmo aqueles arredios e semisselvagens; por essa análise vejam o quanto falhos são esses números. Mas, infere-se pela prática e convivência com esses pets que são milhões e milhões de canídeos e felinos a povoar o nosso planeta.
Antes de outros comentários vamos a algumas informações estatísticas , a pesquisa nacional de saúde-PNS (órgão do IBGE) revelou que mais de 24% dos animais não tinham sido vacinados nos últimos 12 meses; contra raiva por exemplo, uma doença incurável para os bichos e humanos. Ou seja, que ironia e bestialidade com os bichos e consigo mesmo, os donos de animais de estimação ( que estima é esta ?) sequer preocupam com a própria saúde. Os animais podem contrair doenças e passar aos criadores dos próprios bichos intitulados de estimação ( imagina se não fosse).
 Em 44,38% dos domicílios havia pelo menos um cão. Gatos, em 17,7% dos lares. Ao todo 28,9 milhões de cachorros e 11,5 milhões de gatos.
A pesquisa nacional por amostra de domicílios-PNAD (IBGE) revelou um dado curioso. Há mais bichos do que crianças. Esta supremacia dos animais não é exclusividade do Brasil. No Japão por exemplo, existe mais cachorros do que meninos. Lá tem sido fechadas maternidades, creches e escolas; e inaugurados muitos pet shops. Dá menos despesa e trabalho a criação dos irracionais. Faz sentido, porque educar um filho nos padrões coreanos ou nipônicos se torna muito oneroso. No Brasil isto não é muito levado em conta, porque Educação é coisa secundária . Os dados cachorrais e de crianças no Brasil ficaram assim: de cada 100 famílias 44(44%) criam cães, enquanto apenas 36(36%) tem crianças (filhos). Isto é; preferem-se mais bichos que filhos.
Vamos buscar os primórdios sociológicos, em especial no restrito aos cães, sua domesticação e suas relação com os humanos. De muitos sabido, os nossos cães de hoje têm origem em seus ancestrais selvagens carnívoros como as raposas, os lobos, os cães-selvagens e muitas outras subespécies do gênero. No meio selvagem, ele(cão),  sempre foi um exímio predador , caçador audaz e inteligente, talvez superado apenas pelos felinos.
O interesse original do homem em sua domesticação foi justamente para explorar essa  habilidade animal  na caça, pelo sucesso na perseguição e abate da presa. Um recurso que ainda é muito empregado até hoje em países e regiões onde a caça é permitida. Há cães que são  treinados especificamente na caça de certos animais. Como exemplos os cães perdigueiros (perdizes), os paqueiros (paca) e onceiros (onça).
Dada a característica territorial do animal, os canídeos também são empregados como sentinelas, vigias e guardas das pessoas , imóveis e bens. Os animais podem ser treinados também para outras funções  as mais nobres e diferenciadas como guarda pessoal, ação policial na busca e apreensão de criminosos, farejamento de vítimas soterradas e identificação de drogas escondidas em bagagens de viagens.
A relação de amizade e fidelidade homem/bicho foi se estabelecendo de tal forma que surgiram os efeitos colaterais  e as consequências nocivas, inúteis e prejudiciais na vida social e na saúde humana resultantes dessa convivência muito próxima e íntima com os chamados pets. Vamos considerar as finalidades da domesticação dos cães: ser um aliado na caça, um guarda de propriedade, um vigia doméstico, um cão policial. Perguntamos a todas as pessoas que vivem em condomínios, em apertados apartamentos, nos caóticos trânsitos urbanos: qual a finalidade de se ter um animal preso nesses ambientes? Ambientes totalmente contrários à natureza e liberdade desses animais? A vida de milhares de cães confinados e presos nessas residências urbanas é mais demonstração da alienação, da neurose e da idiotice que tomaram conta do agora “homo urbanus”. Quanto melhor se tivéssemos permanecido sapiens, sapiens! 
Aqueles que gostam de bichos dentro de casa, em gaiolas, presos em cubículos ou coleiras, restritos nos “apertamentos”  podem até me soltar os seus cachorros. Nós humanos ainda temos o direito(julgamos nessa prerrogativa) de segregá-los e fazê-los presidiários, e eu respeito  a todos com o meu inarredável  direito de expressar o que penso.  Mas, finalizo afirmando que há pessoas com atitudes tão promíscuas e insensatas com os chamados animais de estimação  que elas(pessoas humanas) beijam os bichos, dormem com eles, cheiram a xixi e cocô dos bichos ;e o que é mais melancólico e insensato: costumam, na posse dos pets,  negligenciar, terceirizar ou renunciar  à correta educação dos filhos ou serem omissas e ausentes no carinho e cuidados com pais e avós, muitas vezes doentes e debilitados . Que insensato e melancólico -  Junho/15.
João Joaquim - médico - articulista DM - joaomedicina.ufg@gmail.com -

MÃE TERRA.. SOS

TERRA ,UM  ORGANISMO VIVO E PULMONADO
João Joaquim


 Vivendo, viajando, observando e aprendendo. Tudo no gerúndio. Aliás, como se abusam dessa forma nominal dos verbos em nossos  tempos vasqueiros de cultura . Liga-se para uma empresa qualquer e vem logo aquela resposta que causa uma certa arrelia nos ouvidos mais escolados: vou estar encaminhando seu pedido ou sua  ligação  para a sessão tal. Às vezes, o cliente  ligante responde, então tá, vou estar esperando. Mas, tem momento e contexto em que o gerúndio cai até bem. E assim começo esta matéria com quatro  gerúndios. Vivendo , viajando ....
 Uma semana dessas bem fria estive em um dos hotéis da Pousada do Rio Quente-Go, onde aliás de quente só havia a água e o preço das coisas. Queria entender o porquê das mercadorias  ali terem custos tão exorbitantes. Isto porque a atração maior  e principal entretenimento são as águas termais. Um presente da natureza que jorra em abundância sem nenhum gasto adicional. Extrativismo natural em cascata de forma graciosa. Mas, deixemos essa exploração ou especulação (espoliação) de nossas fontes hidrotermais e das pessoas, à parte, e falemos de outros legados daquele mimo  da natureza.
Antes disso uma observação: e esta constatação  eu não consigo entender o arrazoado da questão de não se vender revistas e jornais em Rio Quente. Eu até hoje ainda não consegui me adaptar a todas as ferramentas da modernidade: nem aos instrumentos das plataformas digitais. Telefone móvel por exemplo. Eu só uso celular como telefone, aquele recurso inventado por Graham  Bell  de falar com alguém a distância. Smartphone, iPhone; não sei nem usar. Tablet e iPad, não fazem parte de meu sonho de consumo. Não sei se isto é bom ou ruim. Para mim não fede nem cheira porquanto não me fazem a menor falta tais objetos de informática. Além do que o dólar e os combustíveis continuam em alta de mesmo jeito.
 Em face então dessas minhas características, assim que tomei o café da manhã no hotel( um deles,  da Pousada Rio Quente)  me dirigi á recepção em busca de um jornal para ler, como o faço de hábito. Não havia jornal, nem para funcionários, nem para os hóspedes. E mais, nos outros hotéis daquele resort não existe nenhuma revistaria ou venda de jornais. Indaguei então de um funcionário onde poderia comprar um noticiário . Ao que ele me respondeu ser possível encontrar  tal raridade na própria cidade de Rio Quente. Para encurtar o fato: perambulei por todo o comércio central daquela turística aglomeração urbana e necas de algum noticiário impresso. Moral dessa história: parece que nos hotéis da Pousada do Rio Quente são proibidos jornais impressos. Não se pode ler notícias enquanto ali hospedado. Mas, há outra hipótese.  É possível que os gestores daquele paradisíaco ecoturismo e hotelaria tenham já abolida a imprensa impressa em papel . Será ? Seria um má notícia.

 Tudo o mais naquelas hospedagens padrão 4 ou 5 estrelas é puro regalo, prazer e felicidade. Inclusive a contemplação das estrelas à noite.  Para os ainda não sapientes,  informo que aquelas águas, naturalmente aquecidas, são de origem vulcânica. Seriam como lavas hídricas. Acredito, como médico e paciente,  em suas propriedades medicinais. Além do que é a melhor forma de hidroterapia. Têm-se por exemplo temperaturas variadas e as massagens musculares nas cascatas naturais. O efeito é muito reconfortante. Melhoram-se o sono e os apetites . Ao que parece existe um efeito sildenafílico ( potência e libido) , resultado provável de uma vasodilatação sistêmica e dos órgãos genitais.  
Sobre os elementos Terra, Água e o Ar. Eu penso e tenho a mesma convicção de Leonardo Boff (teólogo e escritor) de que a terra é um organismo vivo. Ela tem metabolismo, respiração e um coração que pulsa. Ao banhar desta vez naquelas águas termais eu pude ter esta certeza. Por exemplo, nas piscinas naturais, onde os fundos das águas não foram concretados e revestidos com cerâmica.   Naquele manancial eu me pus a contemplar a respiração da terra. Dá para sentir e ver este órgão vital de nosso planeta.   Para tanto basta ficar em silêncio, ver e ouvir as bolhas e  o murmúrio de ar que brotam do fundo daquelas águas. São os ciclos respiratórios da inspiração e expiração de nosso planeta, um organismo vivo e pulmonado. Pena que a cobiça, a especulação e a ambição do homem estão envenenando esses tesouros da natureza. A terra pede socorro, e se nada for feito de prevenção morreremos com ela intoxicados de gás carbônico (CO2) e outros elemento tóxicos.
Que risco e que pena! Junho/2015  

   
João Joaquim - médico - articulista DM - joaomedicina.ufg@gmail.com